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2. KURAMSAL BĠLGĠLER ve KAYNAK TARAMALARI

2.4. Pseudomonas corrugata Ġle Ġlgili Kuramsal Bilgiler

As Oficinas Lúdico-Formativas têm a sua origem no Projeto Livre Escolha, desenvolvido desde 1998, quando eram oferecidas oficinas diversas aos alunos54. Com a proposta de inclusão por meio da arte, as atividades visavam possibilitar o contato dos educandos com outras linguagens e com conhecimentos informais, de forma lúdica e prazerosa.

No Projeto Livre Escolha, as oficinas eram realizadas uma vez por semana, com duração prevista para um semestre. Inicialmente, elas eram ministradas pelos próprios professores, tendo como finalidade trazer a cultura do aluno para dentro dos muros da escola. Como o próprio nome indica, os alunos optavam pelos cursos a partir de seus interesses ou habilidades, não havendo, nesse momento, separação dos alunos por ciclo.

A partir de 1999, com o aumento do número de alunos na Escola, houve reformulação na estrutura do Livre Escolha – que passou a ser por ciclo –, sem, entretanto, haver alteração na essência do mesmo:

Em sua essência, esse Projeto [Livre Escolha] visa oportunizar momentos de vivências do lúdico e da representação, de investigação e ampliação dos conhecimentos aliados a exercícios da autonomia e da cooperação, proporcionando interações cognitivas e sociais, o desenvolvimento da solidariedade e da auto-estima, integrando as idades nos ciclos, constituindo, assim, novos agrupamentos, mais flexíveis do que a enturmação fixa viabiliza. (EMAH, documento 1, 2002, p. 9)

54

“Desde 1998 foram oferecidas, pela escola, cerca de 25 oficinas, dentre as quais: introdução ao grego, brinquedos e brincadeiras, monstros, no mundo dos dinossauros, fotolata, construção de maquetes, inglês, educação ambiental, educação para o trânsito, dobraduras, construção de fantoches, teatro, coreografia, culinária, desenho, pintura, hip hop, reaproveitamento do lixo, construção de brinquedos com sucata, poesia, cineclube, economia doméstica, rádio no pátio, jogos dramáticos, flauta doce, bandinha, artes, bijouterias, tapeçaria, etc” (EMAH, dcumento 4, 2006, p. 14).

Entretanto, alguns docentes encontravam dificuldades em trabalhar no Projeto, que se apresentava como um grande desafio, tanto devido à sua não formação como em função da grande quantidade de alunos em algumas oficinas:

Tinha o Projeto Livre Escolha, eu trabalhei inclusive com teatro, mas era uma vez só por semana, cinquenta minutos, o que não era suficiente para trabalhar teatro, com uma turma muito grande, tinha cerca de 30, 40 alunos quase. Então foi muito difícil. E trabalhei depois com quadrinhos no Projeto Livre Escolha e achei muito difícil trabalhar com o Livre Escolha, por causa da formação. (Depoimento de docente do 3º ciclo)

A partir de 2004, quando foi incorporado ao Projeto de Intervenção/Ação Pedagógica (PAP) da EMAH, o Projeto Livre Escolha passou a ser denominado Oficinas Lúdico-Formativas, assumindo, então, dimensões mais amplas. O recebimento de verbas possibilitou à Escola contratar profissionais, inclusive pessoas da comunidade, para ministrar oficinas diversas.

Uma docente que vivenciou o processo de transformação no formato do Projeto Livre Escolha relata como foram se dando tais mudanças até que ele alcançasse o formato de 2006:

Inicialmente não era nem esse perfil de oficina não, era um Projeto [Livre Escolha]. Então, a gente tinha já preocupação com a formação do aluno, que ela não tem que ser só acadêmica do ponto de vista que “b+a é ba”, que “2 + 2 são 4”. Você tem que propiciar o desenvolvimento das múltiplas inteligências desse menino através das artes, de uma forma que não seja a de sala de aula, com prova, mas também o lazer, para ele aprender a se expressar, se respeitar, respeitar o outro, numa coisa mais prazerosa, que não seja só a sala de aula, sabe? Então, isso começou com projetos. Aí a gente viu que não estava dando uma rotatividade para os meninos e a gente foi adaptando o Projeto Livre Escolha com a realidade da demanda dos alunos. Aí mudou, até ficar [no formato] das Oficinas. Então, cada professor fazia uma Oficina e cada turma, cada semana, estava numa, propiciando que todos participassem de todas. Mas então perdeu essa característica: “eu tenho o meu projeto, dentro do Projeto Livre Escolha”. Aí virou oficina. (Depoimento de docente do 2º ciclo)

Em 2006, as Oficinas Lúdico-Formativas, no turno da tarde, aconteciam às quartas-feiras, sendo reservado o período de uma hora para cada ciclo.

Eram oferecidas oficinas de capoeira, percussão, teatro, circo, dança e street dance. Apesar de ter como propósito a “escolha e inscrição de acordo com o desejo de cada um” dos alunos (EMAH, documento 1, 2002, p. 9), nem sempre era possível que o aluno escolhesse a oficina de sua preferência, pois às vezes a demanda era maior do que a oferta de vagas:

Muitos alunos acabaram entrando nas oficinas por sorteio, porque já não tinha vaga ou porque estava cheio demais num lugar e os outros vazios. Você tinha que dar um jeito, porque pagar oficineiro para não dar aula? Então, muitos foram sem desejo daquela oficina. Às vezes eles até se apaixonaram com percussão, que ninguém queria. Ninguém queria e de repente tem alguns que falavam: “Ah, professora eu não vou não, não vou não”, e apaixonaram. Achou um barato estar fazendo os instrumentos. Outros já não gostaram, mas não teve jeito. (Depoimento de docente do 2º ciclo)

Assim, ainda que fosse interesse dos professores que a inserção dos alunos nas oficinas se desse por escolha, diante do fato de haver maior quantidade de alunos interessados em alguma oficina do que as vagas disponíveis, fazia-se uma renormalização. Era preciso “dar um jeito”, pois não era possível “pagar oficineiro para não dar aula”. Além do mais, era necessário procurar uma saída que não representasse privilegiar alguns alunos em detrimento de outros. Então, alguns “acabaram entrando nas oficinas por sorteio”.

Também acontecia de os alunos renormalizarem os seus interesses, pois “muitos foram sem desejo daquela oficina” e, com o passar do tempo “às vezes eles até se apaixonaram com percussão, que ninguém queria”. Entretanto, “outros já não gostaram, mas não teve jeito”, tiveram que esperar o semestre terminar para mudar de oficina.

A partir do que pude observar em campo, acredito ser importante destacar que, apesar das atividades oferecidas serem lúdicas, isso não significava o efetivo envolvimento de todos, sendo comum ver alunos rondando pela Escola no horário em que deveriam estar participando de alguma oficina. Esses alunos, em geral, eram os mesmos que, no dia-a–dia, demonstravam dificuldades em seguir as normas da Escola. O seu comportamento nos momentos das oficinas era uma extensão do comportamento que eles tinham em sala e na Escola em geral. Às vezes, tais comportamentos assumiam

dimensões mais graves, pois nem sempre os oficineiros – apesar de terem a lista com os nomes – conseguiam controlar e manter os alunos no espaço reservado para a oficina.

Em casos extremos, as Reuniões por Ciclo eram interrompidas para que os professores fizessem intervenções em questões disciplinares. Devido à falta de funcionários disponíveis para resolver essas situações, a diretora e a vice “catavam” pela Escola os alunos desgarrados de seus grupos.

Ao final do primeiro semestre, como já era uma tradição na EMAH, cada turma avaliou as oficinas, sob a supervisão de um docente. Presenciei o desenvolvimento dessa atividade em uma turma do 2º ciclo. Sobre o objetivo dessa atividade, a docente que a supervisionou afirmou:

O objetivo da avaliação é dar uma melhorada no processo, que é pra eles [os alunos] mesmos. Inclusive pra gente saber como esse profissional está trabalhando porque nós não tivemos encontro nenhum com os oficineiros, nós não sabemos qual que é o comportamento desses alunos nas oficinas. E isso eu acho que é uma demanda minha, não posso falar pelo grupo, mas eu não sei como estão esses meus alunos ali [nas oficinas]. (Depoimento de docente do 2º ciclo)

Quando iniciou o processo de avaliação das oficinas, a professora tinha em mãos uma questão geral: “Sobre as oficinas: escreva como foi, dê sugestões e faça suas críticas”. Partindo dessa questão abrangente, ela elaborou três questões mais objetivas. Propôs, então, que os alunos escrevessem: “O que foi bom?” “O que não foi bom?” “O que pode melhorar?”. Segundo ela, o enunciado havia sido elaborado por docentes do 3º ciclo, o que justificava essa renormalização:

A abstração do aluno do 3º ciclo é muito diferente do menininho que está aqui [no 2º ciclo] com seus 11 anos. Então, tive dois objetivos ao mudar a questão [inicial]. Primeiro, é que ficou muito técnica para os meninos, para o nível de abstração em que eles estão. Não que eles não dessem conta, talvez eles fizessem as três coisas. Então ele vai ler e vai estar assim “escreva como foi, dê sugestões e faça suas críticas”. É um enunciado formal e o aluno daqui, possivelmente, ele se perderia. Ele iria só escrever como foi ou ele iria dar só as sugestões ou ia falar que não gostou e pronto, tá feito. E depois, na hora da gente ler, nós teríamos

mais trabalho para separar o que foi crítica, o que foi, por exemplo, o sentimento dele de gostar, de não gostar e as sugestões dele. Então, é mesmo para ajudá-lo a perceber esses três itens e para facilitar a forma de avaliar. [...] Eles vão dar conta de fazer e vai facilitar o processo de compreensão da avaliação dessa oficina e ver realmente o que pode melhorar, porque tem coisas que só o aluno que mostra para

gente.(Depoimento de docente do 2º ciclo)

A partir dessa avaliação, os docentes – considerando que “tem coisas que só o aluno que mostra” para o professor – tornaram-se cientes do que estava ocorrendo nas oficinas e, posteriormente, definiram pela continuidade das mesmas no segundo semestre. Então, foi dada aos alunos a oportunidade de mudarem de oficina, procurando-se atender, prioritariamente, o pedido daqueles que, no primeiro semestre, não puderam escolher a oficina de seu interesse.