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BÖLÜM III MATERYAL VE METOT

3.3 Prosess Değişkenleri

Não há como tratar de classificação de orações que formam período composto sem considerar o aspecto semântico. Essa parte da Sintaxe e a Semântica tem uma forte ligação, conforme nos atesta Ana Clara Meira (2008, p. 53):

[...] não se pode resumir o estudo das orações a termos como independente e dependente, realizando classificações que priorizem critérios meramente sintáticos. Considera-se que não se devem classificar as orações sem a elas associar os fatores semânticos e pragmáticos56; pois, a língua não é estática, mas dinâmica. Ademais, está revestida de intenções as quais são perceptíveis em um processo de interação comunicativa.

Francisco da Silva Borba (1972, p. 237) afirma o seguinte sobre as duas disciplinas: “[...] a sintaxe e a semântica se relacionam desde a base dos fatos linguísticos. Assim, qualquer teoria da linguagem que tencione tratar as línguas como sistemas formais terá de, primeiro, decidir como tratar esse problema”.

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Mário A. Perini (1998, p. 241) explica que, no estudo do significado das formas linguísticas, existe a parte do significado oriunda da interpretação das estruturas e dos itens léxicos, e a parte que provém de fatores extralinguísticos:

[...] nossa compreensão dos enunciados não é função exclusiva de um processamento das estruturas linguísticas contidas neles. É também parcialmente função de nossa percepção da situação em que nos encontramos, com quem nos estamos comunicando, aquilo que sabemos e aquilo que acreditamos que nosso interlocutor também saiba.

Segundo Perini, a construção de significados ligados a estruturas proposicionais tem duas etapas. A primeira está ligada somente à estrutura formal (morfossintática) e estabelece o que se chama de significado literal do enunciado. A segunda etapa está relacionada aos aspectos extralinguísticos, como o contexto comunicativo e o conhecimento prévio do falante e do ouvinte. A combinação dessas duas fases do processo de interpretação frasal leva ao que Perini chama de significado final. Analisemos um exemplo dado por esse gramático. Consideremos a seguinte interrogativa:

Perini (1996, p. 241) explica que essa frase não tem a estrutura de um pedido de informação sobre as horas. Se a pergunta for interpretada literalmente, a resposta será sim ou não, ou seja, o interlocutor dirá apenas se sabe ou se não sabe que horas eram no momento da interação. Perini diz que há situações em que uma resposta assim é adequada, mas não é a única possível; uma interpretação não-literal seria justamente a de um pedido de informação sobre as horas.

A interpretação adequada de uma pergunta como a que Perini apresenta dependerá, portanto, do contexto de seu uso. Em qualquer situação, o interlocutor realiza um processo de raciocínio — que Perini chamou de implícito — que o leva a escolher a resposta mais adequada.

Em relação às duas etapas da construção de significados, às quais nos referimos, segundo Perini, a primeira, ligada à estrutura formal do enunciado, representa a Semântica. Já a interpretação final, formada pelo significado literal associado aos fatores extralinguísticos, remete à Pragmática. Em geral, as duas disciplinas — Semântica e Pragmática — são estudadas juntas.

Mário Perini (1996) dedica a terceira parte da sua Gramática descritiva do português exclusivamente à Semântica. O gramático (ibid., 243) afirma o seguinte:

[...] o estudo da pragmática está fora do escopo desta Gramática. Devo alertar o leitor que a hipótese da separação da semântica e da pragmática em componentes distintos não é universalmente aceita. Na verdade, trata-se de um dos grandes pontos de discussão da linguística atual, e muitos negam a possibilidade de separar os dois tipos de fatores. [...] como minha tarefa é a descrição do português, sou forçado a tomar partido e optei pela alternativa que me parece mais plausível: uma decisão ditada mais pela necessidade prática do que por uma convicção profunda.

Perini (ibid.) afirma que adota, na referida obra, “a teoria segundo a qual as formas linguísticas (orações, por exemplo) são interpretadas por um componente semântico”. Ele explica que esse componente é composto por regras de interpretação semântica e por outros mecanismos, como filtros e restrições. O que importa é o significado literal.

Assim como fez Perini na obra que citamos acima, nós também, nesta tese, ao interpretarmos o corpus, formado por períodos compostos, levamos em conta somente os aspectos semânticos; não consideramos aspectos pragmáticos, porque os referidos períodos são apresentados descontextualizados pelas gramáticas que utilizamos para a composição do corpus. Nessas obras, esses períodos servem apenas para exemplificar os tipos de orações coordenadas e subordinadas da língua italiana, nas explicações sobre as mesmas.

No período composto, o mais frequente é que as orações sejam ligadas por conectivos, que, em sua maioria, são conjunções e locuções conjuntivas que estabelecem entre as orações uma relação semântica, tanto na coordenação quanto na subordinação. Na coordenação, unem orações ditas independentes do ponto de vista sintático, e as tornam dependentes semanticamente; na subordinação, há dependência sintática e semântica.

Por si só, muitas conjunções já trazem uma carga com significado específico. As subclassificações das conjunções adverbiais, por exemplo, têm base exclusivamente semântica.

Analisemos outra questão importante: um mesmo conectivo pode introduzir tipos diferentes de orações. É o aspecto semântico que determinará a classificação das referidas orações. Vejamos exemplos disso com a conjunção e. Na obra Nossa gramática: teoria, Luiz Antonio Sacconi (1990) apresenta os seguintes enunciados:

1) A alegria prolonga a vida e dá saúde. (página 267) 2) Jussara fuma e não traga. (página 268)

3) A chuva foi intensa, e a cidade ficou inundada. (página 268)

Trata-se de três períodos compostos, formados por duas orações cada um. No período 1, a conjunção e é classificada como coordenativa aditiva; introduz, portanto, uma oração coordenada sindética aditiva (sublinhada). No período 2, a mesma conjunção e é classificada como coordenativa adversativa, correspondendo a mas, porém, todavia, contudo, e introduz uma oração coordenada sindética adversativa (sublinhada). Finalmente no período 3, a conjunção e tem valor consecutivo; pois pode ser substituída pela conjunção que, e a oração principal aceita o advérbio tão (ou tanto, tamanho, tal); assim, dizer “A chuva foi intensa, e a cidade ficou inundada”, é o mesmo que dizer “A chuva foi tão intensa, que a cidade ficou inundada”. A oração sublinhada, no período 3, é, portanto, uma oração subordinada adverbial consecutiva.

Francesco Sabatini, na obra La comunicazione e gli usi della lingua (1996, p. 230-231), também apresenta explicações sobre duas funções atribuídas à conjunção e : uma aggiuntiva e outra esplicativa. Os exemplos que esse linguista apresenta são os seguintes (ibid., p. 230, tradução nossa):

a) Piero guardò l’orologio e vide che erano le 8. (Pedro olhou o relógio e viu que eram 8 horas.)

b) Luigi aveva preso molto freddo e aveva una gran tosse. (Luiz tinha passado muito frio e estava com uma forte tosse.)

Sabatini (ibid.) explica que, no primeiro exemplo, a conjunção tem a função puramente aggiuntiva, isto é, função de adição de duas ações que se realizam em um mesmo nível. Já no segundo exemplo, considerando-se a interpretação italiana, o primeiro fato é causa do segundo; este expressa, portanto, ideia de consequência. Sabatini (ibid., tradução nossa) afirma que o verdadeiro significado da frase é o seguinte:

Luigi aveva preso molto freddo, perciò aveva una gran tosse.

Outra possibilidade que o linguista apresenta para se interpretar a frase (b) é:

Luigi aveva una gran tosse perché aveva preso molto freddo. (Luiz estava com uma forte tosse, porque tinha passado muito frio.)

Considerando essas duas últimas possibilidades de interpretação da frase (b), segundo Sabatini, a conjunção e presente nela tem não só a função aggiuntiva (de adição), como também tem a função esplicativa57 (explicativa).

Sabatini (1996, p. 231) apresenta ainda, na sua referida gramática, outras quatro diferentes relações que a conjunção e pode estabelecer entre orações: causa, concessão, fim e contraposição.

Assim, como pudemos verificar com os exemplos de Sacconi e de Sabatini, a mesma conjunção e recebeu classificações diferentes — e consequentemente introduziu orações diferentes — devido à influência do fator semântico.

A Semântica é, portanto, determinante no estudo do período composto, seja da língua portuguesa como da língua italiana.

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Benzer Belgeler