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PROJENİN TAMAMLANMASI DURUMUNDA EMLAK KONUT GYO A.Ş. PAYINA DÜŞEN HASILATIN NET

GERÇEKLEŞMİŞ İNŞAAT MALİYETİ

PROJENİN TAMAMLANMASI DURUMUNDA EMLAK KONUT GYO A.Ş. PAYINA DÜŞEN HASILATIN NET

O Escritório de Prevenção ao Tráfico de Seres Humanos no Estado do Ceará foi inaugurado em abril de 2005, e teve parte no Programa Global de Prevenção e Combate ao Tráfico de Seres Humanos no Brasil, através de um acordo cooperativo celebrado entre o Ministério Público Federal, o Governo do Ceará e a Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça. Os principais objetivos de tal projeto são os seguintes: capacitação de agentes envolvidos nas ações e nas políticas de enfrentamento de tal conduta criminosa; fortalecimento da rede de assistência às vítimas do tráfico de seres humanos e às testemunhas; e, finalmente, a conscientização da sociedade sobre a gravidade do tráfico de seres humanos e a importância que há no combate a esse delito a partir da proximidade e do compromisso por parte da sociedade.

Foram, ademais, estabelecidas algumas estratégias e em diversos âmbitos, todos para serem atuados no Estado do Ceará. Há ações estratégicas, de prevenção, de interiorização do tema nos municípios cearenses, ações de assistência no aeroporto internacional do Ceará e, ainda, ações informativas na entrada e saída no Estado.

Ora, vê-se a extrema necessidade e urgência em se ter um escritório que trata especificamente do tráfico humano no Ceará, principalmente quando este visa a proteção em especial das mulheres, que é a classe mais vitimizada no Estado. Em meados de 2006, por exemplo, eram contabilizados 24 casos de tráfico de seres humanos em investigação no Ceará, sendo 20 deles casos avulsos, que ocorre quando um aliciador "autônomo" aborda, transporta e recebe a vítima. Nesse mesmo período havia, ainda, quatro casos de redes de tráfico, duas nacionais e duas internacionais.

No que diz respeito ao início do ano de 2008, o Estado do Ceará contabiliza 42 casos de seres humanos confirmados ou em investigação desde a criação do Escritório de Prevenção ao Tráfico de Seres Humanos e Assistência à Vítima do Estado do Ceará (TSH), em 14 de janeiro de 2005. Ainda conforme Eline Marques, coordenadora do escritório, dos últimos investigados, um é internacional, confirmando uma conexão do Ceará com a Tailândia, na Ásia, para onde viajaram duas garotas. Os outros são internos, um do Maranhão e outro ligando Fortaleza a Picos, no Piauí. Até janeiro desse mesmo ano, uma quadrilha com

conexões em São Paulo e Itália estava bem próxima de ser desbaratada. Outra frente de investigação está voltada para sites de prostituição com garotas de alto nível, que oferecem programas a R$ 250,00 e disponibilidade para viagens. A Tailândia é uma das últimas rotas internacionais identificadas. O fato causou surpresa ao pessoal do TSH, por ser este país asiático um dos principais paraísos do turismo sexual no mundo. A denúncia do grupo de 25 meninas que estava sendo recrutado para a Tailândia chegou ainda no primeiro semestre do ano de 2007. Essas garotas sairiam de Caucaia, numa Kombi, com destino ao Cumbuco para participar de um desfile, no qual as melhores são escolhidas.

A maior parte das investigações depende da cooperação da Polícia de outros estados e países, mas esse não é o principal obstáculo que se observa para a solução dos casos. O problema é a vítima, que geralmente não quer cooperar. É diferente de um assalto, quando ela quer contar todos os detalhes. No caso de tráfico, a vítima tem vergonha e medo de estar envolvida também no crime e só fala depois de ter sofrido o abuso, o que torna o trabalho da polícia deveras dificultoso, ao passo que não há cooperação no âmbito das investigações.

Outro impasse é a desarticulação da Polícia em âmbito nacional, não há uma política pública de segurança nessa área. Não existe uma coordenação desse crime específico. Só quem está organizado é o Ceará, que tem o Escritório de Prevenção ao Tráfico de Seres Humanos e Assistência à Vítima funcionando e parcerias efetivas com a Secretaria da Justiça, Procuradoria Geral da República e Secretaria da Segurança. No entanto, todos os Estados do Brasil necessitam de uma coordenação no sentido de se estabelecer uma luta contra o tráfico.

Por enquanto, somente Goiás, Rio de Janeiro, Ceará e São Paulo possuem Escritórios de Prevenção ao Tráfico de Seres Humanos e Assistência à Vítima. Sem delegacias especializadas, a solução seria designar um delegado para centralizar as informações, como acontece no Ceará, que prepara também dois policiais, um homem e uma mulher, para se dedicar apenas aos crimes de tráfico de seres humanos, em especial mulheres e adolescentes.

"Perdem-se muitos dados por causa dessa pulverização das investigações", diz a coordenadora do Escritório de Prevenção do Ceará, Eline Marques. Realmente, a investigação é mais fácil quando sai do país do que quando fica dentro do Brasil, em razão de haver o contato direto com a Polícia Federal, com a Interpol e com as embaixadas. Num caso em que

a vítima foi levada para outro Estado, por exemplo, muitas vezes o Escritório fica sem referência, não sabendo com quem tratar do assunto.

Em Fortaleza, o Escritório de Prevenção ao Tráfico de Seres Humanos e Assistência à Vítima existe desde janeiro de 2005. A coordenadora, Eline Marques, faz a ponte entre a Polícia e a vítima, recebe casos de outras delegacias, encaminha as vítimas para abrigos, cuida de sua proteção e oferece serviços de acompanhamento psicológico, além de trabalhar dentro do aeroporto, abordando possíveis vítimas do tráfico, uma vez que essencial que a vítima saiba aonde deve procurar socorro, bem como fazer as devidas denúncias, e o local é o Escritório.

O número de denúncias recebidas pelo Escritório no primeiro semestre de 2006, 34 ao todo, é bastante superior ao registrado em 2005, quando apenas 14 denúncias foram feitas. Isso não significa que o tráfico esteja aumentando, mas que as pessoas estão sensíveis para denunciar, o que demonstra um notável avanço e até mesmo confiança por parte da vítima em relação ao Escritório de Prevenção ao Tráfico e Assistência à Vítima no Estado do Ceará.

O novo telefone para denúncias no Estado, 155, gratuito desde abril, também colaborou para o aumento no número de denúncias. As ligações são recebidas pelo projeto coordenado por Maria de Lourdes, que repassa as informações ao Escritório de Prevenção. Dos 34 casos denunciados em 2006, 11 foram solucionados e 10 vítimas foram abrigadas.

No que concerne ao posto avançado do aeroporto foi inaugurado em março do ano de 2006. Desde esse período, quatro meninas adiaram a viagem para a Europa no momento do embarque. Não se pode proibi-las de ir, mas se pode explicar o risco que elas podem estar correndo. Duas meninas esperaram que fossem feitas investigações sobre os homens que tinham feito o convite. Não havia nada na ficha deles, então elas arriscaram, as outras duas desistiram.

A prevenção continua sendo a melhor tática de combate ao tráfico de seres humanos. Cursos como o realizado pela organização não-governamental Diaconia são exemplos de tentativas de combater o tráfico antes que ele se concretize, mas o sonho de ganhar a vida na Europa ou nas grandes metrópoles do sul, deixando para trás uma vida de pobreza, dificulta o trabalho preventivo do Escritório.

O Escritório de Prevenção, conforme já dito, vem estabelecendo diversas metas que visam ao combate e à prevenção do tráfico no Ceará. Uma importante meta é exatamente a assinatura do Acordo de Cooperação Técnica entre o Ministério da Justiça e a Secretaria de Justiça do Estado do Ceará e a Assinatura do Acordo de cooperação entre o Ministério da Justiça, o Ministério Público Federal e o Governo do Estado do Ceará. O Escritório objetiva ainda a articulação com órgãos da Segurança Pública, com o fulcro de incluir o tema em suas pautas, bem como a articulação com várias organizações não governamentais e associações de cunho local que trabalham com os temas da exploração sexual e prostituição. Objetiva-se, também, a articulação com as associações e prefeituras do Estado para a realização de palestras, debates e para a colaboração a fim de prevenir e combater o tráfico. Outros alvos seriam a elaboração de cartilhas que possam informar à sociedade cearense sobre os conceitos corretos acerca do tráfico de mulheres e pessoas e, ainda, cartilhas que capacitem as vítimas em potencial para a autodefesa, no sentido de detectarem com mais facilidade possíveis aliciadores e traficantes de mulheres; palestras com profissionais que atuam em áreas afins, como saúde, Poder Judiciário, direitos humanos, etc; finalmente, articulação do Escritório com movimentos comunitários, bem como com a Secretaria de Segurança Pública, a fim de criar metodologias preventivas.

Diversos desses objetivos já foram realizados, enquanto outros encontram-se em fase de desenvolvimento. O caso, por exemplo, dos Acordos Cooperativos16 supracitados tiveram a implementação logo no início da estréia do Escritório. Quanto à articulação com os órgãos da segurança pública, este já se encontra visível, ao passo de que já existem diversas parcerias com a Polícia Federal, a Polícia Civil, a Polícia Militar do Ceará, a Polícia Rodoviária Federal, além de o Escritório de Prevenção contar com o apoio e ajuda da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, da Autarquia Municipal de Trânsito, da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza, da Guarda Municipal de Fortaleza, entre outras instituições. Tais parcerias são de significativa valia ao passo que esses órgãos participam usualmente das atividades preventivas realizadas pelo Escritório, além de fazerem denúncias e também encaminhamentos de casos de tráfico, quando da realização de suas atividades costumeiras.

16 ESCRITÓRIO DE PREVENÇÃO AO TRÁFICO DE SERES HUMANOS E ASSISTÊNCIA À VÍTIMA.

Acordo de cooperação que entre si celebram o Ministério da Justiça, o Ministério Público Federal e o Governo do Estado do Ceará, para estabelecer ações de prevenção ao tráfico de seres humanos e assistência às vítimas desse crime. Fortaleza, 2005. Documento disponível nos arquivos do Escritório de Prevenção ao Tráfico.

Em relação às ações de combate ao delito, foram sedimentadas a assistência às pessoas que precisarem ou desejarem de atendimento na rede de parceiros integrantes ao Escritório. Houve ainda a instalação de um balcão de informações no aeroporto internacional Pinto Martins com o apoio da Infraero, Polícia Federal, ONG´s locais, entre outros apoiadores, em rede com outros estados nacionais integrantes do projeto. Outra conquista do Escritório foi o estabelecimento de contatos com os consulados dos países identificados como possíveis destinos, com o objetivo de estabelecer uma rede de enfrentamento ao tráfico e, ainda, o encaminhamento adequado ao Ministério Público Federal daquelas pessoas vítimas de tráfico ou das que queiram prestar depoimento por possuírem conhecimento acerca de alguma prática delituosa relacionada ao tráfico humano.

Foram realizadas ainda parcerias com organizações de ordem governamental e não governamental, com o fulcro de prestar assistência às vítimas através de espaços para abrigo, assim como para a proteção contra possíveis represálias em razão das denúncias feitas contra os sujeitos ativos do delito.

Uma outra ação que é uma constante e que se deve dar a devida atenção é a realização de sensibilizações e cursos que objetivam prevenir o tráfico, feito mediante a união de diversos parceiros e cooperadores, bem como pessoas da própria comunidade. Além disso, os membros que trabalham no Escritório de Prevenção procuram divulgar a sua existência, bem como meios de atuação e assuntos de sua competência, através de encontros, mesas redondas, seminários, a fim de discutir acerca do tráfico e demonstrar o conhecimento acerca do assunto para as pessoas que pouco conhecem ou desconhecem o tema. Há ainda outras atividades que estão sendo realizadas todos os anos em eventos de grande porte e com grande concentração de pessoas no Estado, como o Fortal, o Ceará Music e o carnaval em algumas cidades litorâneas.

No que diz respeito às ações preventivas, várias são as que podem ser citadas, tais como: a inserção de temas específicos sobre os direitos humanos das mulheres em programas de rádios e televisão; a realização de uma blitz preventiva com todos os órgãos de governo envolvidos no projeto e com parcerias voluntárias; a disseminação nos veículos informativos, rádio, tv e jornais, toda a ação de prevenção realizada com seus pontos de alerta sobre a atuação dos aliciadores de tráfico de pessoas; a realização de palestras nas escolas,

comunidades e associações de bairros, objetivando sensibilizar a sociedade; a participação em eventos na capital, com a cooperação de instituições governamentais e também particulares.

Em pouco mais de dois anos de atividades, pode-se afirmar que uma das principais conquistas do Escritório de Prevenção ao Tráfico foi ter-se tornado um importante espaço pra denúncias e para informações sobre o tráfico de seres humanos, em especial mulheres, no Estado do Ceará. Antes da implementação, não havia um local específico destinado para cuidar da problemática do tráfico, além de as informações chegarem ao público de forma deveras escassa. Após a inauguração e o início das atividades, o Escritório transformou-se em um local de recebimento de denúncias, as quais são repassadas para os órgãos competentes, a fim de serem instaurados possíveis inquéritos e investigações. No entanto, deve-se ressaltar que são inúmeras as dificuldades encontradas. Um delas é a necessidade ainda carente de se trabalhar em conjunto com outras instituições. Além disso, há uma grave limitação no que concerne a pessoas, material e infra-estrutura, o que dificulta bastante o desenvolvimento das atividades.

Mesmo tento em vista todas as problemáticas enfrentadas pelo Escritório de Prevenção ao Tráfico e Assistência à Vítima no Estado do Ceará, é importante que se saliente e se ressalte a sua atuação positiva na sociedade e no combate e prevenção ao tráfico humano no Estado do Ceará, bem como no aumento das denúncias feitas a partir de sua implementação, o que demonstra uma maior confiança e capacitação por parte das vítimas e da sociedade em geral no que concerne em reconhecer o delito e lutar contra sua prática.

Benzer Belgeler