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Proje ve Faaliyet Destekleme

1. GİRİŞ

1.5. Proje ve Faaliyet Destekleme

que como a AP não surgiu diretamente do PCB, mas de militantes que tinham sido em sua maioria da ORM-POLOP, AP e MNR. 99

O grupo surgiu em 1º de julho de 1969 após uma reunião entre as Direções do Comando de Libertação Nacional (COLINA) e da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Em seguida praticaram sua primeira ação, o roubo do cofre do ex-Governador de São Paulo Ademar de Barros.

O sucesso desta operação militar, que arrecadou dois milhões e meio de dólares, fez com que houvesse a necessidade de se convocar um congresso para se discutir o que fazer com este dinheiro, e ao mesmo tempo finalizar outras questões que tinham sido deixadas de lado em julho.

Durante todo o mês de setembro de 1969 o 1º Congresso em Teresópolis-RJ aprovou um Programa que refletiu as origens pluralistas da militância, gerando assim fortes tensões internas. A principal divergência deu-se em torno da guerrilha: seria ela imediata ou depois de um trabalho de massas? Era o velho desencontro entre o leninismo e o guevarismo foquista.

Resultado, em pleno encontro aconteceu uma divisão política, pois alguns queriam a luta armada imediata, enquanto outros defendiam que o momento era de acumulação de forças através de um trabalho de base entre as massas. Nesse desentendimento a maioria dos que já tinham sido da antiga VPR a reconstruíram, enquanto quase todos os oriundos do COLINA ficaram na VAR-Palmares.

Consagrada à divisão, aparentemente a VAR estaria imune às pressões foquistas, o que foi oficializado no seu primeiro documento oficial. Nele, ao analisar os movimentos e rebeliões populares desde final do século XIX até as Ligas Camponesas, identificaram como causa de seus fracassos, apesar de reconhecer suas tenacidades para a luta, a ausência de um partido e de um programa que fosse além da agitação social:

“Suas lutas, portanto, são as mais violentas, demonstrando o potencial revolucionário imenso dos trabalhadores rurais. A capacidade de luta demonstrada pelos beatos de Antônio conselheiro, pelos fanáticos de Zé Maria, e até mesmo pelos cangaceiros de Lampião, não teve expressão política, nem seu potencial encontrou uma vanguarda consciente capaz de desenvolvê-lo no sentido revolucionário. A luta

99 Desta organização fez parte a Chefe da Casa Civil da Presidência da República Dilma

dos trabalhadores rurais da década de 50, apesar de já possuírem expressão política, permaneceram sob o controle de “agitadores sociais”, incapazes de ultrapassar os limites do radicalismo pequeno burguês. 100

Dessa forma a VAR-Palmares se autoconsiderava, como outros partidos armados ou não, guia do proletariado e da revolução: “O Proletariado tem que estar politicamente coeso e militarmente organizado a fim de dirigir a luta revolucionária em todos os níveis, de um ponto de vista de classe. Essa coesão e organização são realizadas pelo Partido Revolucionário do Proletariado, pois somente sob a hegemonia do proletariado o poder em construção se efetivará”. 101

Mesmo tendo resistido às propostas daqueles que foram refundar a VPR, os que ficaram na VAR não descartaram a luta guerrilheira como instrumento revolucionário. A diferença se baseava não no método em si, mas no tempo e no momento que seria utilizado este Knowhow.

No próprio documento fundador do partido isso era esclarecido sem desvios ou encobrimentos. Houve inclusive um detalhamento minucioso sobre o assunto, da realidade sócio-econômica brasileira até os passos da futura guerra civil revolucionária na zona rural. 102

Para isso imediatamente após o termino do congresso de Teresópolis-RJ, paradoxalmente resolveram criar um Setor de Treinamento de Guerrilha. O principal objetivo era estabelecer um campo de formação militar no interior do Pará, com cursos de três a cinco meses, e no final pretendia-se chegar a cento e cinqüenta guerrilheiros formados e prontos para a luta armada.

O teatro de operações escolhido para o início dos combates seria o interior do Maranhão, onde já estava sendo assentadas famílias de agricultores do Rio de Janeiro, que tinham sido transferidas com urgência, devido sua localização pelo aparato de segurança da ditadura. Até aqui não houve nenhuma contradição com a opção feita no final de 1969, em dezembro quando prisões de alguns combatentes levaram ao fim precoce do projeto guerrilheiro no Pará e Maranhão.

100 VAR-Palmares. PROGRAMA. In: FILHO e SÁ. Op. Cit. p. 260.

101 O partido Revolucionário do Proletariado e a Vanguarda Armada revolucionária. VAR-

Palmares. PROGRAMA. In: FILHO e SÁ. Ibid. Idem. p. 274.

102 A ESTRATÉGIA era vista da seguinte forma. 1. Caracterização das contradições. 2. O

caráter da revolução. 3. Programa estratégico. 4. O caminho da revolução. A) A luta

político-militar. B) A guerra revolucionária. b.1. As etapas da guerra revolucionária. b2. O elo fraco. b3) A defensiva estratégica e a guerra de guerrilhas. 5. O Partido revolucionário do

Era algo rotineiro nos documentos da VAR-Palmares a defesa do equilíbrio e da prudência, para isso se tentou uma aproximação com outras correntes políticas próximas, MR-8, POC e PRT, para formar um Comitê Revolucionário Permanente. Nesse documento se chegou a reconhecer o isolamento da guerrilha em relação às massas e o absurdo de querer “responder à altura” a ditadura, em partir para o confronto armado naquela situação desfavorável.

Este entendimento não chegou a dar frutos devido ao endurecimento da repressão, porém sinalizava para um tipo de luta que era pouco valorizada pelas guerrilhas existentes na época, o movimento sindical operário. Porém com o POC e o PRT se chegou a publicar um Jornal, União Operária, ponto de articulação de um trabalho nas fábricas que deveria construir um sindicalismo não oficial, separado do Estado, pois as Diretorias reconhecidas eram rigorosamente vigiadas pelo sistema de inteligência.

Ao mesmo tempo em que teoricamente se falava e escrevia uma coisa, dando a entender que a mobilização política massiva dos trabalhadores seria o primeiro grande objetivo, na prática se faziam ações armadas rotineiramente, numa contradição com que se pregava na teoria.

No Ceará onde estava organizada e chefiada desde 1969 pelo ex-militante do PCB, o Professor de antropologia da UFC, José Ferreira de Alencar, as expropriações, assaltos, sempre foram tarefas centrais, até para a sustentação financeira do grupo. Chegou-se inclusive a planejar a instalação de um foco guerrilheiro na Serra do Araripe. 103

No sul a coisa também não era diferente, no primeiro trimestre de 1970 a VAR tentou seqüestrar o Cônsul dos EUA em Porto Alegre-RS, no Rio de Janeiro-GB um avião foi seqüestrado e desviado para Cuba. No ano seguinte um marinheiro inglês foi metralhado na mesma cidade do Rio de Janeiro, era um ataque em solidariedade ao Exercito Republicano Irlandês (IRA), a vítima deveria ser um oficial, mas acabou morrendo por engano um seaman de dezenove anos.

Em parte esta ansiedade em combater se explica pelo esgotamento dos recursos provenientes da expropriação do cofre do Ademar de Barros. Intensificaram-se as ações armadas para se arrecadar fundos que seriam investidos na revolução. Porém isso não explica tudo, pois a VAR assim como todas as organizações que se diziam leninista, não conseguiu superar suas contradições com as novas teorias revolucionárias.

103 FARIAS, Aírton de. Além das armas: guerrilheiros de esquerda no Ceará durante a

Creio ter demonstrado isso quando enumerei em diversas oportunidades a relação ambígua que as Direções Cívico-Militares e a militância da VAR-Palmares mantiveram com suas origens, que em parte apostavam nas táticas consagradas pela Revolução Russa de 1917, mas que ao mesmo tempo eram pressionadas pelas novas opções da Revolução Cubana de 1959.

Agora existe outra influência sobre este grupo armado que está diretamente ligada com outro processo revolucionário vitorioso, a guerra de Independência da Argélia (1954-1962). Para entendermos esta problemática temos que nos remeter novamente aos desencontros acontecidos durante o segundo semestre de 1969, quando da formação e racha da organização.

Os militantes que pretendiam “sair atirando” no final do Primeiro Congresso, responsável pela reorganização da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) foi ulteriormente influenciado pela experiência argelina. Essa ligação se deu através do futuro teórico do grupo Ladislau Dowbor, o Comandante Jamil.

Estudante de Economia da Universidade de Lausanne na Suíça, onde conheceu vários estudantes do norte da África que lhe apresentaram com as idéias de Frantz Fanon. Retornando ao Brasil em 1968 se ligou a guerrilha onde teorizou sobre a Revolução Brasileira. 104

Ladislau Dowbor, paradoxalmente, foi o antiteórico em que o ecletismo teórico foi presença constante na sua literatura revolucionária. No seu cabedal conviviam desde André Gunder Franck até Ernesto Guevara, sendo que do primeiro tirou a conclusão de que o Brasil já era capitalista desde o século XVI por causa do “plantation”.

Do segundo aproveitou o foquismo para criar um neofoquismo, ou seja, em vez de se partir de um único ponto como pretendia o argentino-cubano, seriam criados ao mesmo tempo vários focos guerrilheiros na zona rural, o que não configurava nenhuma diferença profunda com o foco insurrecional tradicional.

Porém a grande influência foi mesmo Frantz Fanon, principalmente o nacionalismo antiimperialista terceiro mundista, a valorização dos trabalhadores rurais, a guerrilha urbana, a relação dúbia com o vanguardismo dos partidos políticos, e uma novidade, a

104 Frantz Fanon (1925 – 1961). Psiquiatra nascido em Fort-de-France no arquipélago da

Martinica, era oficial médico do Exército Francês durante a guerra de independência da Argélia, onde viu de perto as psicipatologias causadas pelo colonialismo. Teórico da descolonização e do terceiro mundismo, defendia a formação de Frentes de Libertação Nacional que através da luta armada acabariam com a dominação colonial-imperialista no mundo. É autor de Os

defesa do lúmpen-proletariado como grupo social capaz de ser tão revolucionário quanto os operários e os camponeses. 105

O papel do lúmpensinato na revolução dividiu a Nova Esquerda, Carlos Marighella herdeiro de parte da tradição do PCB não confiava neles, inclusive chegou a alertar os rebeldes no Minimanual do guerrilheiro Urbano para a diferença entre eles, os guerrilheiros marxistas que lutavam por um ideal e os marginais que assaltam pensando apenas em si próprios, inclusive matando trabalhadores inocentes.

E a VAR-Palmares? Onde pode ser localizada sua contradição? Aparece no seu PROGRAMA quando adotou uma tese semelhante as dos dissidentes que foram recriar a VPR, valorizando se não totalmente, mas parcialmente o lúmpen proletariado. Essa é uma característica que salta aos olhos, afinal desde o início o marxismo- leninismo para os varpalmarianos sempre foi utilizado como guia revolucionário prioritário:

“A massa de marginalizados da cidade e do campo, vai formar o exército industrial de reserva... Permanecendo a margem do processo de produção, ou tendo com ele e com os meios de produção relações estáveis, sua atitude política é de uma extrema versatilidade, por causa das formas extremamente complexas e mutáveis das relações econômicas e sociais em que estão inseridos...” A partir desta observação sócio-econômica concluem que:“Podem-se transformar numa força revolucionária importante se forem tratados de maneira adequada: não ´podemos considerar senão uma parcela minoritária dessa massa economicamente marginal como um lúmpenproletariado cujos membros são realmente fechados a toda ideologia e incapazes de reagir e de se organizar no plano político”. 106

Dessa forma a VAR-Palmares, assim como o PCdoB e o PCBR, foi uma organização da Nova Esquerda que ao mesmo tempo em que procurava se vincular ao antigo e tradicional não resistiu às investidas das novas receitas revolucionárias, acabando na teoria e na prática sucumbindo a elas, inclusive no próprio nome que dava a entender algo do tipo Vanguarda bolchevista, mas Armada, bem próxima do guerrilheirismo cubano-argelino.

105 Para a Independência da Argélia e a participação do lúmpen-proletariado veja POERNER,

Arthur José. Argélia: o caminho da independência. 1ª edição. Rio de Janeiro. Editora Civilização Brasileira. 1966; YAZBEK, Mustafá. Argélia: a guerra e a independência. 2ª edição. São Paulo. Brasiliense. 1985; Vide também os filmes A batalha de Argel do comunista italiano Gillo Pontecorvo (1919 -2006) e Patrulha da Esperança do Diretor Mark Robson (1913 -1978).

6. Finalmente termino este primeiro capítulo falando da organização mais singular das