• Sonuç bulunamadı

O homem apenas observa os objetos em torno de si e constrói suas referências. Sua vida depende disso, o que ele gosta ou não, o que o atrai ou repele, o que lhe é útil ou prejudicial. Porém, esse modo de relacionar-se com o mundo, necessário, sem dúvida, pode tornar a compreensão dele e da vida inadequadas. É difícil assumir a autonomia dos objetos naturais em si mesmos e em suas relações com os demais, assim como a sua autoprodutividade. Todavia, para penetrar nos segredos da natureza é preciso renunciar ao que lhe agrada ou repele, o que lhe é útil ou não. Ao botânico cabe investigar a relação das plantas com o restante dos vegetais, assim como “[...] el sol hace brotar todas las plantas y las ilumina, así él debe considerarlas y verlas a todas con la misma mirada serena, y extaer la medida de este conocimento y los datos para sus juicios, no de sí mismo, sino del círculo de las cosas que observa” (GOETHE, 1997b, p. 152).

Somente observando os objetos em si mesmos e em suas relações com outros objetos é que se pode elaborar um conceito preciso deles, de suas partes e de suas relações. Para Goethe, quanto mais se exercita a observação das relações entre os objetos, mais se amplia a capacidade de se auto-observar. E quanto mais rigoroso for o observador, mais ele deve desconfiar de si mesmo. As dificuldades que aparecem devem ser suplantadas pelo rigor e pela capacidade de analisar e sintetizar seus conhecimentos.

A experiência tem, portanto, importante função no aparato metodológico de Goethe, mesmo ele não sendo empirista stricto sensu, pois não concebe a experiência como um fim em si mesmo. A experiência deve ser refletida pela ideia, para que, então, se retorne a ela com maior capacidade de entender a natureza como um todo. Alguns fenômenos podem ter afinidades entre si ou podem parecer em sequência, mas sempre aparecem alguns, considerados como fenômenos intermediários, que, em suas relações, podem dificultar a experiência. Para o cientista, é aconselhável revelar suas experiências particulares antes mesmo da construção da sua teoria, justamente para que na intersubjetividade ele seja julgado e, até mesmo, criticado.

Na compreensão de Goethe, pode-se errar ao se relacionar um experimento particular a uma ideia preconcebida ou, ainda, quando se quer mostrar uma relação entre os fenômenos que a força do espírito humano, a priori, já estabeleceu. Essas teorias podem ser

louvadas quando fazem jus à inteligência e à capacidade do autor. Mesmo assim, ao serem elogiadas em demasia, podem colaborar para os preconceitos e para a estagnação do progresso humano.

Se podría observar que una mente aguda emplea tanto más arte cuantos menos datos ha tenido ante si, pues, casi para demostrar su dominio, elige de los datos disponibles sólo unos pocos favoritos que le hacen gracia, ya que sabe ordenar los restantes de modo que no le contradigan, y sabe desarrollar, confundir y poner a un dos lados hostiles, de tal modo que el todo no se asemeje, en realidad, a una república libre sino a la corte de un déspota (GOETHE, 1997b, p. 159-160).

É perigoso e prejudicial para as ciências, de modo geral, fazer a utilização imediata da experiência para comprovar uma hipótese preestabelecida. É preciso uma mediação para que as evidências possam ser úteis ao teste de uma teoria. Isso porque na natureza nada acontece singularmente, tudo se encontra conectado. Quem relaciona imediatamente um fato isolado a uma hipótese abstrata corre o sério risco de enganar-se. E, mais ainda: “La multiplicación de cada experimento singular es, pues, el deber propio de un naturalista, que tiene así la obligación inversa a la un escritor que quiere divertir” (GOETHE, 1997b, p. 161).

Na opinião de Goethe, quem quiser ser coerente consigo mesmo deve ser também cuidadoso com cada um dos experimentos, buscando, a partir de suas conexões, desenvolver experiências mais complexas e mais elevadas. Ele considera que as experiências podem ser conduzidas por meio de proposições curtas e compreensíveis, para que possam ser comparadas e, depois, se possível, ordenadas de tal modo que possam ser tão confiáveis quanto às sentenças matemáticas.

O pesquisador, portanto, visa apreender e estabelecer as determinações dos fenômenos e não se limita apenas a vislumbrar como os fenômenos se manifestam singularmente, mas, principalmente, como eles interagem com outros. Existe diferença entre reduzir fatos a uma hipótese preestabelecida, como fazem alguns teóricos especulativos, e sacrificar uma dada experiência em função da concepção de um fenômeno puro. O observador nem sempre enxerga o fenômeno puro, ou primordial, do modo como ele é realmente. Isso depende, segundo Goethe (1997c), de seu estado de espírito, da recepção ao objeto e de várias condições externas no momento de contemplação. Goethe, então, descreve seu procedimento investigativo:

Si he experimentado la constancia y la coherencia de lo fenómeno hasta un cierto grado, deduzco de ello una ley empírica y la prescribo a los otros fenómenos. Si la

ley y los fenómenos se adaptan completamente a tal sucesión he vencido, si no se adaptan enteramente dirijo mi atención a las circunstancias de los casos particulares y me siento obligado a buscar nuevas condiciones bajo las cuales pueda representar del modo más puro los experimentos contradictorios. Pero si as veces, bajo las mismas circunstancias, se muestran un caso que contradice mi ley, veo que debo seguir adelante con todo mi trabajo y buscarme un punto de vista superior (GOETHE, 1997c, p.173).

Segundo Goethe, essa é a forma mais perspicaz que o espírito humano tem de se aproximar dos fenômenos naturais em sua universalidade, apoderando-se deles mentalmente e constituindo uma relação racional com o objeto. Para ser mais exato com seu método, Goethe sente a necessidade de fazer distinções entre os fenômenos: o fenômeno empírico é o que cada observador singular apreende da natureza; o fenômeno científico é a elevação do fenômeno empírico, mediante o experimento, a uma representação que lhe forneça ordem ou sequência; e fenômeno puro, ou primordial, conforme já definido por Goethe, é o que se pode contemplar no particular como expressão do universal.

Para representar o fenômeno corretamente, é preciso separar aquilo que não é determinante e o que oscila, com o objetivo de desvelar o desconhecido. O importante é compreender como os fenômenos se manifestam e se desenvolvem e reconhecer as melhores condições para a sua observação e reflexão pelo espírito humano.

Para Goethe, esses procedimentos metodológicos não podem ser chamados de “especulativos”, pois são operações práticas e retificadoras da razão humana, que não prescindem da empiria para se alçar à abstração ou à representação teórica.

Dos exigencias se nos presentan cuando consideramos los fenómenos de la naturaleza: conocer completamente los fenómenos mismo y apropiarlos de ellos mediante la reflexion. El orden conduce a la totalización, el orden exige método y el método facilita las representaciones. Si consideramos un objeto en todas sus partes, si lo captamos correctamente y podemos reproducirlo en el espíritu, podemos decir en tal caso que lo contemplamos en un sentido apropiado y superior; podemos decir que nos pertenece y que hemos logrado un cierto control sobre él. Y así lo particular nos conduce siempre a lo universal, y lo universal a lo particular. Ambos actuán en una reciprocidad intercambiable en cualquier consideración y en cualquier trabajo (GOETHE, 1997d, p. 175-176).