• Sonuç bulunamadı

KURAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

2.5 SINIF İÇİ PROBLEM DAVRANIŞ KAVRAMI

2.5.2 Problem Davranışın Nedenleri

A partir da experiência de ser membro do CMJ, os sujeitos participantes deste estudo tiveram a oportunidade de ampliar suas visões do mundo.

Todos nós temos uma visão de mundo com base na realidade em que vivemos. Segundo Merleau-Ponty (1996) nosso mundo se encontra ampliado na proporção da história coletiva que nossa existência privada retoma e assume.

Para Silva (2005), “visão de mundo não é uma moldura onde todos e tudo devem se encaixar, mas referência primordial, sempre avaliada e refeita para entender a vida, as pessoas, a sociedade” (p. 38). E Minayo (2000) afirma: “cada um de nós somos sujeitos humanos, e dessa forma, possuímos diferentes visões de mundos construídas num processo histórico” (p. 20).

Uma pessoa que nasceu em uma comunidade e nunca teve contato com outra, ou com pessoas de outras comunidades, pode achar que o mundo se limita à sua realidade. São as situações distintas que vivemos que nos propiciam percepções diferentes acerca do mundo. Segundo Freire (2005a), “temos de estar convencidos de que a sua visão do mundo, que se manifesta nas várias formas de sua ação, reflete a sua situação no mundo, em que se constitui” (p. 100).

Quando convivemos com pessoas de outras realidades, percebemos que existem realidades que se distinguem da nossa. Por isso, a convivência entre pessoas de diferentes realidades pode vir a ampliar as visões de mundo que estas possuem.

Isso porque a realidade que os outros trazem de seus contextos de vida para compartilhar conosco nos ajuda a refletir sobre a nossa própria realidade, sobre nossas

condições de vida. A partir de então, podemos notar as diferenças entre a nossa realidade e a realidade do outro. As falas abaixo apontam para essa transcendência de uma percepção anterior:

eu cheguei para o pessoal da escola e falei, olha vocês querem muito a quadra, eu sei disso, eu também sou aluna daqui, só que tem escolas, tem outros lugares da cidade que precisam muito mais que uma simples cobertura de quadra (Jenifer);

então não é ficar na nossa bolha, na nossa esfera, é poder estar chegando até as pessoas que mais precisam (Cunha).

A partir da interação com o outro, podemos notar, além das diferenças, nossas semelhanças. Que este outro é tão humano quanto nós, tem saberes, tem sentimentos, tem opiniões, mas, apesar de ser como nós, vive uma realidade que se distingue da nossa, constituindo-se às vezes em uma realidade injusta.

A partir da ampliação de uma visão do mundo própria, a jovem Jenifer aprendeu que existem prioridades. Ao ouvir com atenção, com curiosidade, com interesse de compreender, ela descobriu que existem pessoas que precisam mais do que ela, que têm menos do que ela. Jenifer chegou ao Conselho desejando que todas as suas reivindicações fossem atendidas e saiu com o desejo de que outros e outras jovens tivessem a possibilidade de viver num bairro como o dela:

aí eu fui vendo que aqui não precisa tanto como eles precisam lá, aqui tem lugar para sair, para se divertir, tem lugar saudável, não necessariamente precisa ser um bar, tem parque, tem a praça ali, para lá eles não têm isso, eu acho que para lá eles precisam de mais coisa.

A jovem Jenifer considera sua presença no CMJ como uma primeira experiência de participação em um espaço democrático, e isso a diferencia dos demais jovens participantes deste estudo, que já fizeram outras experiências participativas.

Considerando que a participação, por permitir a convivência com o diferente, amplia nossa visão do mundo, por nunca ter feito experiência semelhante anteriormente, a jovem Jenifer surpreendeu-se com a descoberta de realidades distintas da sua. Isto é, ampliou sua visão do mundo, a partir da participação no CMJ.

Quando questionada sobre o significado do Conselho para seus saberes, para a soma de suas experiências, afirmou: “o que significou? Acho que é isso... Perceber que tem gente que precisa mais... Compreender que tem gente que precisa mais...”.

Para tanto, é necessária a percepção de que não há superioridade humana. Pois, enquanto uma pessoa acredita que há, por exemplo, superioridade entre saberes, esta pode considerar umas pessoas superiores a outras. Tende, então, a acreditar que uns têm direito de ter mais, de viver em diferentes condições, porque são melhores, mais dignos. As pessoas que assim percebem o mundo acham natural que o outro tenha condições de vida distintas e indignas.

Muitas vezes, alguns grupos reconhecem a si próprios como inferiores. Para Freire (2005a), esse reconhecimento da inferioridade como intrínseca é “uma condição básica ao êxito da invasão cultural” e, portanto, ao êxito da dominação (p. 174).

Segundo Dussel (s/d), a ideologia da existência da superioridade cultural é forma de dominação, sendo esta a principal maneira de alienar homens e mulheres, mantendo- os dominados.

Nesse mesmo sentido, Araújo-Oliveira (2002) afirma que:

a classe ou grupos dominantes usam seu poder para modelar as classes oprimidas, e disso tiram proveito, porque justificam – na suposta inferioridade do ‘outro’ – sua também suposta superioridade com a qual sustentam seu direito de exercer o poder (p. 142).

Um determinado grupo de pessoas, qualquer que seja, não pode ser considerado superior ou inferior a outro. Em sua fala, o jovem Gustavo aponta para a necessidade do reconhecimento de que a diferença não implica hierarquia de saberes. Segundo ele: “o importante está no reconhecimento de que existem diferenças, de que não se é detentor da verdade. (...) [A diferença] é positiva, e ela não inviabiliza [a interação]”.

Descobrir novas realidades no com-viver com o outro amplia nosso repertório de interações humanas. Isso porque o mundo origina “visões ou pontos de vista sobre ele. Visões impregnadas de anseios, de dúvidas, de esperanças ou desesperanças” (FREIRE, 2005a, p. 97) e, portanto, individualizadas.

O contato com o outro é fundamental para a compreensão de seus saberes e, assim, para a percepção de que nós possuímos diferentes saberes, que advêm de diferentes realidades, mas que pertencem a um mesmo mundo. Compreendendo conjuntamente as realidades que nos cercam, podemos encontrar respostas para problemas comuns que se

desenvolvem em contextos, por vezes, distintos, mas que estão presentes em um mesmo mundo, que é totalidade.