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KURAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

2.1 ZEKÂ İLE İLGİLİ TANIMLAR VE KURAMLAR

2.3.2 Liderlik Kuramları

Referindo-se à pesquisa qualitativa, Mazzotti e Gewandsznajder (1999) consideram previsto que a análise e a interpretação dos dados ocorram concomitantemente à coleta destes.

Tal aspecto pôde ser identificado neste estudo, já que não houve definição clara entre o encerramento da coleta de dados e o início de análise destes. Primeiramente porque, após uma pré-análise das duas primeiras entrevistas, ainda houve retorno ao campo de estudo para a realização do terceiro encontro com cada participante.

Além de que, conforme apontam Szymanski, Almeida e Prandini (2002),

o processo de transcrição de entrevista é também um momento de análise, quando realizado pelo próprio pesquisador. Ao transcrever, revive-se a cena da entrevista, e aspectos da interação são relembrados. Cada reencontro com a fala do entrevistado é um novo momento de reviver e refletir (p. 74).

Considera-se então que, a partir das transcrições das primeiras entrevistas, iniciou-se um processo de análise que se desencadeou por um período de tempo concomitante às demais fases da coleta de dados. Porém, após as transcrições de todos os 12 encontros, houve dedicação exclusiva ao processo de análise.

Processo este que é compreendido como “uma atividade de interpretação que consiste no desvelamento do oculto”. Assim, buscou-se a “desocultação de significados invisíveis à primeira vista” (SZYMANSKI, ALMEIDA e PRANDINI, 2002, p. 63).

Importante destacar que, para o desenvolvimento do processo de análise dos dados, houve a preocupação em “manter o rigor, validade e fidedignidade”, porém, sem o

afastamento das percepções e da criatividade (SZYMANSKI, ALMEIDA e PRANDINI, 2002, p. 64).

Em uma primeira etapa foram feitas leituras e releituras das transcrições dos encontros com os participantes.

Em uma segunda etapa, iniciou-se o procedimento de agrupamento das falas. Nesta fase, foram buscadas nas transcrições tanto citações textuais individuais que tivessem relação com o objeto de estudo como unidades que descrevessem contextos semelhantes e que aparecessem explicitadas nos depoimentos de diferentes sujeitos.

Isso porque considerou-se relevante uma mesma temática que aparecia na fala de diferentes sujeitos. Além disso, por acreditar que no percurso vivido por cada jovem estão presentes experiências singulares e, assim, saberes singulares, falas isoladas também foram consideradas significativas desde que auxiliassem a compreensão do objeto de estudo.

Assim, os agrupamentos das falas foram feitos conforme apresentavam temáticas semelhantes. Falas individualizadas, que possuíam íntima relação com o objetivo do estudo e auxiliavam na elaboração de respostas à questão da pesquisa, também foram postas em destaque.

A partir desses procedimentos, emergiram as categorias de análise. Para Szymanski, Almeida e Prandini (2002), as categorias são “sínteses”. Segundo as autoras “a categorização concretiza a imersão do pesquisador nos dados e a sua forma particular de agrupá-los segundo a sua compreensão” (p. 75).

A terceira etapa do processo foi a denominação das categorias, isto é, a designação destas conforme a temática que tratavam. Diferentemente do que pode aparentar, tal etapa se desenvolveu de forma conflituosa. Isso porque, no processo de análise, houve a sensação de que todos os achados pertenciam a uma única categoria, devido à íntima relação que as categorias possuem entre si.

Superado tal conflito, do processo de análise descrito emergiram 6 categorias, que são brevemente descritas a seguir e aprofundadas no próximo capítulo, possibilitando a discussão dos resultados: 1. participação; 2. ampliando as visões do mundo; 3. totalidade: sendo-uns-com-os-outros-no-mundo; 4. tolerância e solidariedade; 5. convivendo e dialogando; 6. os saberes da experiência.

Participação (1):

A participação é percebida nesta categoria como possuindo relação dialética com a educação: nós nos educamos para participação e pela participação.

Por permitir a interação com outras pessoas, a participação pode fazer emergir a consciência crítica. Isso porque a reflexão, que decorre da interação entre os sujeitos, pode acarretar a percepção do real, tendo como conseqüência a desalienação dos envolvidos no processo.

Trata-se, assim, de uma participação que exige coerência humana entre o dito e o feito. Pois ela sempre acarreta algum efeito sobre o mundo, estando então direcionada à construção da sociedade desejada pelo sujeito que participa.

Ampliando as visões do mundo (2):

Nesta categoria discorre-se sobre a possibilidade da mudança da percepção que temos sobre o mundo com o qual vivemos.

Trata-se de ampliar uma visão do mundo que se limitava à realidade vivida. Tal ampliação emerge da interação com outros sujeitos que vivenciam realidades distintas da nossa.

Para o desenvolvimento de tal processo, questões como a aceitação da perspectiva que os outros sujeitos apresentam, assim como a maneira que os percebemos, são centrais.

Totalidade: sendo-uns-com-os-outros-no-mundo (3):

Esta categoria tem íntima relação com o pressuposto de que somos-uns-com- os-outros-no-mundo, expressando que nós, o mundo e os outros constituímos unidade indissociável, de forma que tudo o que acontece com qualquer uma dessas partes interfere em todas.

A percepção dessa unidade, aqui designada de totalidade, facilita o desenvolvimento da cultura de cidadania.

Tolerância e solidariedade (4):

Esta categoria parte do reconhecimento da virtude da tolerância, que permite a convivência entre os indivíduos em uma sociedade múltipla, mas também do reconhecimento de sua passividade, a partir da mera aceitação do outro como um fim em si mesmo.

Ressalta então a virtude da solidariedade, que, superando a passividade e a limitação da tolerância, além de aceitar o outro, responsabiliza-se por este e possibilita a ação na construção de uma sociedade que seja mais democrática e igualitária.

Convivendo e dialogando (5):

A importância do outro para o reconhecimento de si próprio e para a formação humana orienta esta categoria. Nela disserta-se sobre as influências geradas a partir da interação entre as pessoas e sobre o diálogo como cerne dessa interação.

Os saberes da experiência (6):

Nesta categoria a experiência é compreendida como forma de adquirir saberes e, assim, como possibilidade para formação e transformação dos seres humanos.

Entre seus aspectos destaca-se a individualidade, já que cada pessoa tem o seu saber da experiência, que é único e particular.

7 RESULTADOS E DISCUSSÃO

“Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade.”

Paulo Freire

A seguir são apresentados os resultados do estudo a partir das 6 categorias: 1. participação; 2. ampliando as visões do mundo; 3. totalidade: sendo-uns-com-os-outros-no- mundo; 4. tolerância e solidariedade; 5. convivendo e dialogando; 6. os saberes da experiência.