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A reforma introduzida pela Lei nº 11.719 de 11 de junho de 2.008, obedecendo comando Constitucional expresso no artigo 245 da Carta Constitucional é o pressuposto legal à obrigação de reparar os danos decorrentes do delito, ao modificar o artigo 387, inserindo o inciso IV no Código de Processo Penal.

A presente reforma nasceu também sob a forte influência internacional no resgate das vítimas de violência com forte movimento de revalorização da vítima, que teve início com o término da segunda grande guerra, traduzido e expresso em diversos tratados e diplomas internacionais dos quais o Brasil é signatário.

Leandro Galluzzi dos Santos125 ainda complementa a justificação da reforma, nos seguintes termos:

Esta Lei é fruto do projeto 4.207/2001, que foi inserido no Pacto de Estado em favor de um Judiciário mais rápido e republicano, firmado pelos Chefes dos Três Poderes em 12 de dezembro de 2.004. Com o pacto, foram enviados ao Congresso Nacional 23 projetos de lei destinados a simplificar a tramitação dos processos civil, penal e trabalhista, aos quais se juntaram outros três projetos previamente enviados pelo Executivo, dentre eles esta proposição. A presente alteração legislativa representada na lei 11.719/2.008 tem como finalidade combater a impunidade, imprimir celeridade, eficiência, simplicidade e segurança ao processo, sem ofensa as garantias constitucionais já estabelecidas.

Assim preceitua o novo artigo 387 do Código de Processo Penal: Artigo 387. O Juiz, ao proferir sentença condenatória:

(...)

IV – Fixará valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido.126

125

Santos, Leandro Galluzzi dos, As Reformas no Processo Penal: as novas Leis de 2.008 e os projetos de Reforma, sob a coordenação de Maria Thereza Rocha de Assis Moura, Editora Revista dos Tribunais, São Paulo, 2.008, pag. 298.

Leandro Galluzzi dos Santos foi coordenador geral de Atos Normativos da Secretária de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça. Integrou o grupo de trabalho da Câmara dos Deputados, como representante do Ministério da Justiça, encarregado de analisar os projetos de Lei para reforma do Código de Processo Penal. Juiz de Direito em São Paulo.

Como já referido, o sistema pátrio sempre prestigiou e incentivou a reparação dos danos decorrentes do delito, ora impondo a reparação na forma de requisito para concessão de benefício ou ainda incentivando o réu a reparar o dano com vistas à diminuição da pena ou até mesmo para extinção da punibilidade. Entretanto, em legislações passadas, havia uma obrigatoriedade da reparação, além de maiores poderes do Juízo, que retornam agora com a lei em apreço à complementar o arcabouço legislativo de amparo à vítima, na forma deste artigo de lei.

Os efeitos da sentença penal ou da absolvição imprópria (artigo 97 do Código Penal) com imposição de medida de segurança são os principais efeitos da condenação. Há, entretanto, efeitos diversos e secundários, de teor penal e extrapenal, insitos nos artigos 91 e 92, do Código Penal e dentre estes efeitos, há que se ressaltar o efeito secundário genérico, que torna certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime (artigo 91, inciso I, do Código Penal), que sempre foi considerado como efeito automático, isto é, independente de qualquer declaração expressa no decreto condenatório.

Induvidoso, portanto, que desde antes da reforma, advindo à condenação do réu, ao final da ação penal, tornava-se certa a obrigação de arcar o réu com a responsabilidade de reparar os prejuízos e indenizar os danos que o seu crime tenha imposto à vítima (art. 91, inciso I, do Código Penal), porém, sem a mesma força cogente tendo sua necessária liquidação na esfera cível.

Além do retorno da obrigatoriedade da reparação à legislação penal com a reforma de 2.008, há o acréscimo de novos poderes ao Juízo Criminal para alcançar este fim rompendo antiga tradição pátria que sempre prestigiou o sistema da separação entre a Jurisdição que apura a responsabilidade penal e aquela que apura a responsabilidade civil (explicito no artigo 935, do Código Civil).

Outrora o jurisdicionado para conseguir o ressarcimento dos danos provocados pelo delito, deveria, fosse ele a vítima, seus representantes ou seus sucessores, ingressar com a competente ação na esfera civil, propondo ação indenizatória para a liquidação da sentença penal para efetiva apuração dos danos. 126

Código de Processo Penal Brasileiro, artigo 387, inciso IV com a nova redação dada pela Lei 11.719/2.008 (Publicado no Diário Oficial da União de 23/06/2.008, entrando em vigor sessenta dias após a publicação).

A obrigatoriedade ao ressarcimento dos danos, portanto, será fixado de oficio na sentença penal condenatória e passa a ser um dos efeitos naturais da sentença sem necessitar estar explicitamente requerido na inicial acusatória ou em qualquer outro momento processual.

Neste sentido esclarece Andrey Borges de Mendonça:

Não é necessário que conste na denúncia ou na queixa tal pedido, pois decorre da própria disposição legal o mencionado efeito. É automático, já dissemos, ou seja, independentemente de qualquer pedido, no âmbito penal, a sentença penal condenatória será considerada título executivo.

O mesmo se aplica em relação ao valor mínimo da indenização. Decorre da lei, é automático, sem que seja necessário pedido expresso de quem quer que seja127.

Trata-se de hipótese de pedido implícito, que passa a integrar o tema decidido, independentemente de requerimento das partes, uma vez que norma cogente e cuja análise se fará em capítulo autônomo do decreto condenatório.

Fato semelhante existe, com o ressarcimento em sentença das custas processuais e fixação dos honorários de sucumbência (artigo 20 do Código de Processo Civil), pacificado pela doutrina e jurisprudência, como hipótese de pedido implícito, a efetivamente determinar um capitulo na sentença.

Daniel Amorim Assumpção Neves define e exemplifica acerca de pedido implícito:

Pedido implícito é qualquer tutela não pedida pelo autor que a lei permite que o juiz conceda de ofício e ainda exemplifica para ilustrar a definição citando o pedido de alimentos, que está implícito na demanda de investigação de paternidade, em função do disposto no artigo 7º da Lei Federal nº 8.560/92 (Lei de Investigação de Paternidade). O autor ainda explicita que os termos contidos na Lei ‘sempre e fixarão’ demonstram a forma imperativa que nessa espécie de processo os alimentos deverão ser concedidos e fixados pelo Juiz, ainda que a

127

Mendonça, Andrey Borges de, Nova Reforma do Código de Processo Penal, 1ª edição, São Paulo, Editora Método, 2.008, pag. 243

petição não contenha tal pedido expresso do autor, sendo evidentemente um pedido implícito.128

Evidente a semelhança do caso citado com o inserto no artigo 387, inciso IV do Código de Processo Penal que a toda evidencia torna-se efeito da condenação e pedido implícito.

Portanto, a vítima, seu representante, sucessores ou mesmo o Ministério Público não necessitam expressar de forma rigorosa o pedido de fixação da indenização, muito embora possam fazê-lo expressamente caso queiram apurar e detalhar o dano, pois trata-se na realidade de um pedido implícito.

Neste sentido ainda aduz Candido Rangel Dinamarco em síntese:

Trata-se de casos em que o objeto do processo inclui parcelas não explicitadas na demanda inicial, como juros legais sobre o principal pedido (artigo 293 do Código Civil), a correção monetária e mesmo as parcelas representativas do custo financeiro do processo (despesas processuais, honorários advocatícios da sucumbência: CPC, artigo 20 do Código Civil). Embora não conste do pedido, a pretensão à condenação por essas verbas inclui-se no objeto do processo e será julgada em capítulo autônomo.129

A jurisprudência, por sua vez, do Superior Tribunal de Justiça – STJ, no que tange a questão dos pedidos implícitos já pacificou a questão em recente julgado decidindo:

A Corte Especial, ao apreciar REsp submetido ao regime do artigo 543 letra C, do Código de Processo Civil reiterou o entendimento de que a condenação nas verbas de sucumbência decorre do fato objetivo da derrota no processo, cabendo ao juiz condenar, de ofício, a parte vencida independentemente de provocação expressa do autor, porquanto se trata de pedido implícito, cujo exame decorre da lei processual civil. [...]". (REsp 886.178-RS, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 2/12/2.009).

128

Neves, Daniel Amorim Assumpção, Manual de Direito Processual Civil, Editora Método, São Paulo, 4ª edição, 2.012.

129

Dinamarco, Candido Rangel, Capítulos de Sentença, 3ª edição, São Paulo, Malheiros Editores, 2008, pag, 65 e 66.

Especificamente, já sobre o tema do nosso estudo, a fixação da reparação dos danos pelo Juízo Criminal, em que pese à rara Jurisprudência, vem se apresentando da seguinte forma:

Apelação Criminal “Por ser norma cogente, não cabe ao juiz deixar de examinar a aplicação da reparação de danos a título de danos materiais, por meio das provas produzidas nos autos”. (Apelação Criminal nº 1.0324.09.075785-1/001, Comarca de Itajubá, Relator Desembargador Doorgal Andrada, publicado do Diário Oficial do Estado de Minas Gerais em 08.09.2.010).

Apelação Criminal. Crime contra o patrimônio. Roubo duplamente majorado. Emprego de arma e concurso de agentes. Manutenção do decreto condenatório. Prova suficiente. Dosimetria da pena. 1. Manutenção do decreto condenatório. As provas existentes no caderno processual relativas à autoria são suficientes para o julgamento de procedência do pedido condenatório deduzido na denúncia. Reconhecimento pessoal pela vítima na fase inquisitorial e judicial.

Valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração. Considerando que o fato delituoso objeto desta ação penal ocorreu em data da posterior à entrada em vigor da Lei nº 11.719/08, a fixação de valor mínimo de indenização à lesada, prevista no art. 387, inc. IV, do CPP, é medida imperativa. Isso porque, sobrevindo prejuízo decorrente da infração à vítima e estando este evidenciado nos autos, a aplicação do aludido preceito legal é cogente, não sendo possível o seu afastamento, sob pena de violação do Princípio da Legalidade. E, em se tratando de parte integrante do decreto condenatório, é dever do juiz, ao proferir a sentença, incluir o arbitramento de montante mínimo a título de reparação, sendo despiciendo pedido da acusação. Apelo defensivo parcialmente provido. (Apelação Criminal nº 70033033358, Oitava Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, Relator: Desembargador Dálvio Leite Dias Teixeira, publicado do Diário Oficial do Estado do Rio Grande do Sul em 30.06.2.010).

Ainda no sentido da fixação da indenização de oficio, afirma Andrey Borges de Mendonça categórico:

É relevante notar que a possibilidade de o magistrado criminal fixar o valor mínimo na sentença independe de pedido explícito. E não há violação ao princípio da inércia, segundo pensamos. Isto porque é efeito

automático de toda e qualquer sentença penal condenatória transitada em julgado impor ao réu o dever de indenizar o dano causado.

Não é necessário que conste na denúncia ou na queixa tal pedido, pois decorre da própria disposição legal o mencionado efeito. É automático, já dissemos. Ou seja, independentemente de qualquer pedido, no âmbito penal, a sentença penal condenatória será considerada título executivo.

O mesmo se aplica em relação ao valor mínimo da indenização: decorre da lei, é automático, sem que seja necessário pedido expresso de quem quer que seja. A única modificação que a reforma introduziu foi transmudar o título executivo, que antes era ilíquido e agora passa a ser líquido, ao menos em parte. E o fez porque há um interesse social de que todos os efeitos do crime sejam apagados, ou ao menos mitigados, especialmente o dano causado à vítima. Justamente neste sentido estão as disposições quanto ao dever de indenizar o dano.130

Ainda mais contundente em seu magistério, Guilherme de Souza Nucci afirma:

Reparação Civil dos danos: sejamos absolutamente realistas, sem nos impressionarmos com a pretensa reforma autêntica do processo no Brasil. Há muito aguarda-se possa o Juiz criminal decidir, de uma vez, não somente o cenário criminal em relação ao réu, mas também a sua divida civil, no tocante a vítima, de modo a poupar outra demanda na esfera civil. O que se faz ?

Menciona-se que o Magistrado pode fixar um valor mínimo para a reparação dos danos causados pela infração, levando em conta os prejuízos sofridos pela vítima. Ora para o estabelecimento de um valor mínimo o Juiz deverá proporcionar todos os meios de provas admissíveis, em benefício dos envolvidos, mormente do réu. Não pode este arcar com qualquer montante se não tiver a oportunidade de se defender, produzir prova e demonstrar o que, realmente, seria em tese, devido.

Pois bem. Se o acusado produziu toda prova desejada nesse campo, por que fixar apenas um valor mínimo ? Seria o mesmo que dizer:

130

MENDONÇA, Andrey Borges de. Nova Reforma do Código de Processo Penal. 1. ed. São Paulo: Editora Método, 2008, pp. 240-241.

“A Justiça Criminal fixa ’X’, mas se não estiver contente pode demandar no âmbito civil, onde poderá conseguir o que realmente merece”. Essa situação nos soa absurda. Ou o ofendido vai diretamente ao Juízo civil, como se dava anteriormente, ou consegue logo o que almeja – em definitivo – no contexto criminal.

A situação do meio termo é típica de uma legislação vacilante e sem objetivo. Desafogar a Vara Cível também precisaria ser meta do legislador. Incentivar o ofendido a conseguir a justa indenização, igualmente. Porém, inexiste qualquer razão para fixação de um valor mínimo. Dá-se com uma mão; retira-se com a outra. O ofendido obtém, na sentença condenatória criminal, um montante qualquer pelo que sofreu, mas pode demandar maior valor na esfera cível. O óbolo dado na Cara Criminal não lhe servirá se efetivamente, quiser ser ressarcido. Porém, quando não lhe interessar indenização alguma, o valor mínimo será desinteressante, igualmente. O meio termo foi a solução adotada pelo legislador que quer mudar, mas não sabe exatamente como nem o porque.131

Neste diapasão, podemos concluir com autorizada doutrina e jurisprudência que com a condenação pelo Juízo criminal, obrigatoriamente deverá ser fixada verba indenizatória que passa a ser efeito da sentença condenatória, independente de haver sido requerida, pois, trata-se de efeito automático da condenação.

Portanto, não há dúvida quanto à imperatividade contida no artigo 387, IV, do Código de Processo Penal, onde determina que o juiz “fixará” valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando sempre os prejuízos e danos suportados pela vítima.

Uma rigorosa interpretação literal do inciso em apreço legal permite a conclusão de que o juiz criminal deverá fixar o valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, sempre, ao proferir sentença condenatória.

A ausência de pedido expresso na peça acusatória de fixação da indenização não ofende ao princípio da correlação entre a acusação e sentença, posto que se trate como dissemos de efeito automático da condenação penal,

131

NUCCI, Guilherme de Souza. Código de Processo Penal Comentado. 8. ed. revista, atualizada e ampliada. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2008, p. 691.

semelhante também a estipulação da pena de multa fixada sempre com a pena de reclusão ou não, muito embora a indenização no caso tenha um efeito extrapenal de caráter indenizatório e não meramente punitivo como no caso da multa penal.

A reforma em questão vem gerando controvérsias também em outros aspectos, principalmente quanto a esta relativização da autonomia da especialização das esferas cível e criminal, pois desde a revogação do vetusto código criminal do império, ainda no século XVIII, que o Juízo criminal não mais ordenava a reparação expressamente, remetendo a questão para uma vara cível.

Apesar deste tradicional sistema, por ora francamente mitigado pela reforma em questão, é importante afirmar que a Jurisdição é una, havendo apenas a divisão da apuração das responsabilidades em separado, portanto importa dizer que o Juízo criminal é formalmente competente para apurar e julgar o dano, seja ele moral, material ou ambos, por força de lei.

A divisão em razão de matéria, com especialização de varas, como ocorre nas grandes comarcas é fato de conveniência da organização judiciária, pois, os juízes possuem formação sólida para atuarem em todas as áreas do direito que diga-se, forma um único corpo de conhecimentos, portanto, impertinente qualquer alegação de inabilitação para julgar.

É importante referirmos que sem qualquer falta de técnica a atribuição de competência à esfera penal para aferir e estabelecer o dano sofrido pela vítima e sancioná-lo visa ao atendimento ao jurisdicionado, vítima de violência, portanto, como se sabe, nenhum princípio é absoluto e por isso optou-se por guarnecer a vítima com maior amparo legal, tal como previsto no texto constitucional e em farta legislação pública internacional estabelecidos em tratados já citados.

No que tange aos princípios do contraditório, ampla defesa e devido processo legal, corolários do processo penal constitucional moderno há que se afirmar também inexistir qualquer ofensa, pois serão exercidos em sua plenitude ao longo do processo também em relação à fixação efetiva da indenização.

O Juízo criminal deverá instruir o feito da forma mais detalhada possível para que se possa aquilatar ou ao menos presumir o dano e para que se possa estabelecer a indenização mais próxima da realidade dos danos perpetrados.

Essa instrução evidentemente transcorrerá sob o manto do contraditório em que o acusado poderá defender-se também no que tange aos supostos prejuízos impostos à vítima, fazendo prova e requerendo o que achar necessário. O acusado poderá demonstrar também o tamanho real do dano, se admiti-lo lembrando sempre que acima de tudo o acusado defende-se dos fatos. Portanto, em face do exposto, não há que se falar em fixação mínima da reparação, que pode e deve ser fixada em padrão adequado, desde que precedido da devida instrução e respectivo contraditório.

No sentido da necessidade acerca do exercício do contraditório, a Jurisprudência já vem assentando entendimento nos seguintes termos:

Apelação criminal. Lesão corporal de natureza grave. Art. 129, § 1º, inciso I, do CP. Dolo eventual. Reparação dos danos causados pela infração. Art. 387, IV CPP. Necessidade de observância ao princípio da ampla defesa e do devido processo legal. [...] A fixação do valor mínimo para a reparação dos danos causados pela infração também deve observar os princípios do contraditório e ampla defesa, revelando-se imperiosa sua exclusão quando não foi oportunizado ao recorrente o direito de produzir eventuais provas que pudessem interferir na convicção do julgador no momento da fixação. (TJMG – Apelação Criminal 1.0720.05.021238-3/001, Relator Desembargador Renato Martins Jacob – publicado do Diário Oficial do Estado de Minas Gerais em 03/08/2.009).

Frise-se ainda que ao réu assistam todos os recursos previstos no ordenamento jurídico pátrio e a indenização só poderá ser exigida efetivamente após o transito em julgado da condenação.

O Ministério Público, por sua vez, deverá atuar em suas funções já estabelecidas e também esta legitimado para propor ação reparatória no âmbito civil conforme preceito do artigo 68132 do Código de Processo Penal.

Entende-se de modo geral que tal legitimação vem sendo gradativamente revogada com a implantação gradual do órgão da Defensoria Pública nas unidades da federação, bem como, com a atuação das defensorias dativas com fulcro no

132

Artigo 68 do Código de Processo Penal: Quando o titular do direito à reparação do dano for pobre (artigo 32 §§ 1º e 2º) a execução da sentença condenatória (artigo 63 do CPP) ou a ação civil (artigo 64 do CPP) será promovida, a seu requerimento, pelo Ministério Público.

Estatuto da Advocacia, para atendimento aos carentes, entretanto, mantém integra a legitimação se falarmos em defesa de interesse sociais relevantes a serem discutidos e protegidos mediante a propositura de ação civil publica e também onde não exista o órgão de Defensoria Pública implantada, nem a regular atuação dos advogados dativos, mediante convenio da Ordem dos Advogados do Brasil com o Estado em questão.

Nesse sentido, com supedâneo no artigo 127 e 129133 incisos III e IX, todos da Constituição Federal de 1988, combinados com a Lei nº 7.347 de 24/07/1.985 que rege a Ação Civil Pública, pode e deve o Ministério Público promover a reparação dos delitos causados à sociedade por crimes ambientais, crimes contra os consumidores, enfim delitos que atinjam os direitos difusos da sociedade, mediante ações civis públicas.134

Portanto, em conclusão ao presente capítulo, entendemos que a norma em comento, inserta no artigo 387, inciso IV do Código de Processo Penal deve ser interpretada de forma a garantir o acesso da vítima a integral reparação de seus danos, sejam eles morais ou materiais, com as garantias inerentes ao moderno processo penal constitucional, tanto no que tange à vítima demonstrar o efetivo prejuízo, quanto ao réu defender-se e produzir as provas que julgar necessárias.

Desta forma, com esta interpretação do artigo em questão, garantindo-se amplo contraditório, ampla defesa, bem como toda e qualquer outra garantia, além de atender aos anseios da vítima, igualmente garantidos pela Carta Magna, com a

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