2. ANKET VERİLERİNİN ANALİZİ VE DEĞERLENDİRİLMESİ
2.3. Tüketicilerin Şiddete ve Hak İhlâllerine İlişkin Görüşleri
2.3.1. Tüketicilerin Fiziksel ve Cinsel Şiddete Dair Görüşleri
No Brasil, a organização político-administrativa do Estado nacional, por meio de normas constitucionais, atribui aos entes federados – União, Distrito Federal, Estados e Municípios diferentes níveis de atuação e autonomia no que se refere à administração da educação. Tanto os estados como os municípios têm autonomia para organizar e gerir os seus sistemas de ensino, reiterando o que Cury (2002, p. 170) expressa: a “Constituição Federal montou um sistema de repartição de competências e atribuições legislativas entre os integrantes do sistema federativo, (...) reconhecendo a dignidade e a autonomia próprias dos mesmos”.
A possibilidade legal da criação de sistemas municipais de ensino inscrita na Constituição Federal de 1988 é fruto, segundo Sarmento (2004) do forte movimento descentralizador que marcou o período de redemocratização do país a partir de 1984, além de representar o reconhecimento da atuação que os municípios vinham desenvolvendo desde há muito tempo na educação brasileira.
A Constituição de 1988, complementada pela Lei 9.394/96, definiu as competências e atribuições dos entes federativos com relação à educação básica e estabeleceu, de forma clara, a autonomia do município para instituir seu próprio sistema de ensino. O texto legal previu, ainda, como alternativas a essa opção, o município compor com o estado um sistema único ou manter-se integrado ao sistema estadual (SARMENTO, 2005).
Desse modo, a CF/88 possibilitou aos municípios a criação de seus sistemas de ensino com autonomia, inclusive para a formulação de políticas públicas para a educação infantil e para o ensino fundamental (SOUZA e FARIA 2003). Os municípios, de acordo com o disposto pela legislação federal, tiveram que assumir compromissos maiores e enfrentar novos desafios no âmbito da educação, por exemplo, quanto:
[...] i) à sua participação no regime de Colaboração, de forma solidária, junto aos Estados e à união; ii) à previsão da Educação Municipal, enquanto capítulo específico, na formulação de suas Leis orgânicas (LO’s); iii) à elaboração dos Planos Municipais de Educação (PMEs); e, ainda, iv) à constituição de seus Conselhos de Educação e dos Conselhos de Acompanhamento de Controle Social (CACS) (SOUZA e FARIA, 2003, p. 65).
O reconhecimento pela Constituição Federal de 1988 do município como ente federado dotado de autonomia traz, como consequência, na área educacional, a possibilidade de criação do Sistema Municipal de Ensino (SME). Ao optarem por constituir seus sistemas próprios de ensino, os municípios deixam de ser, portanto, subsistemas dos Estados e recebem atribuições específicas, ficando, assim, como as demais esferas administrativas da federação, responsáveis e autônomos em relação à gestão das suas instituições de ensino, órgãos e quanto à política educacional local. A LDB de 1996 regulamentou o art. 211 da Constituição Federal, definindo as incumbências e a área de abrangência de cada sistema educacional, lançando aos Municípios o desafio de institucionalizar/organizar o seu SME e estabelecer com os demais sistemas de ensino regime de colaboração recíproca.
Assim, ao firmar o Município como ente federativo autônomo, a Constituição de 1988, em seu art. 211, estabeleceu que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios “organizarão os seus sistemas de ensino”, definindo como competência desses últimos, a atuação no ensino fundamental e na educação infantil. A LDB/96 firmou em seu Art. 11 as incumbências dos municípios em relação aos seus sistemas de ensino:
Art. 11. Os Municípios incumbir-se-ão de:
I - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino, integrando-os às políticas e planos educacionais da União e dos Estados;
II - exercer ação redistributiva em relação às suas escolas; III - baixar normas complementares para o seu sistema de ensino;
IV - autorizar, credenciar e supervisionar os estabelecimentos do seu sistema de ensino;
V - oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas, e, com prioridade, o ensino fundamental, permitida a atuação em outros níveis de ensino somente quando estiverem atendidas plenamente as necessidades de sua área de competência e com recursos acima dos percentuais mínimos vinculados pela Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento do ensino.
VI - assumir o transporte escolar dos alunos da rede municipal.
Parágrafo único. Os Municípios poderão optar, ainda, por se integrar ao sistema estadual de ensino ou compor com ele um sistema único de educação básica (BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996).
No parágrafo único do artigo 11, mantém a possibilidade da integração do município ao sistema estadual ou de compor com o Estado um sistema único de educação básica. Especificamente, a responsabilidade do município passou a ser a de oferecer a educação infantil em creches e pré- escolas, e, com prioridade, o ensino fundamental, permitindo a atuação em outros níveis somente quando estiverem atendidas plenamente as necessidades de sua área de competência e com recursos acima dos percentuais mínimos vinculados pela Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento do ensino48.
A LDB/96 (BRASIL, 1996) reafirma, assim como a CF/88 a possibilidade de instituição do SME como expressão da autonomia no âmbito da política educacional. No seu art. 8º estabelece que, a “União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão, em regime de colaboração, os respectivos sistemas de ensino” e no art. 18, afirma que os sistemas municipais de ensino compreendem: “I – as instituições do ensino fundamental, médio e de educação infantil mantidas pelo Município; II – as instituições de educação infantil criadas e mantidas
48 Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino.
§ 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos Estados aos respectivos Municípios, não é considerada, para efeito do cálculo previsto neste artigo, receita do governo que a transferir.
§ 2º Para efeito do cumprimento do disposto no "caput" deste artigo, serão considerados os sistemas de ensino federal, estadual e municipal e os recursos aplicados na forma do art. 213.
§ 3º A distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade ao atendimento das necessidades do ensino obrigatório, no que se refere a universalização, garantia de padrão de qualidade e equidade, nos termos do plano nacional de educação (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009).
pela iniciação privada”; III – os órgãos municipais de educação” (BRASIL, 1996). A LDB/96 prevê, portanto, a possibilidade dos municípios normatizarem sobre a educação. Uma vez instituído o SME se atribui aos municípios, o direito de baixar normas complementares para a educação em seu território. Possibilita, também que, os municípios possam se associar aos sistemas estaduais, caso ponderem como sendo essa a melhor opção.
As dúvidas e polêmicas com relação às prerrogativas do Município quanto à instituição do SME foram dirimidas nos pareceres do Conselho Nacional de Educação nº 30 e nº 34 (BRASIL/CNE/CEB 2000; 2001). Estes pareceres esclarecem que a autonomia do município brasileiro está assegurada e delimitada na própria Constituição (art. 30) para todos os assuntos de seu interesse local e se expressa sob três aspectos: o político, seja na composição do governo, como na elaboração das políticas e normas locais; o administrativo, na organização e execução dos serviços públicos locais; e o financeiro, no que tange ao processo de decretar, arrecadar e ampliar os tributos municipais.
O SME pressupõe, portanto, a existência das instituições de ensino, dos órgãos normativos e executivos, atuando em consonância, tendo em vista objetivos comuns (SAVIANI, 2008). Contudo, a criação do SME próprio e autônomo resulta de decisão do município, assim como a criação do conselho municipal de educação. Na sequência analisamos o contexto político local e a opção do município de Belo Horizonte em instituir o seu SME e criar o seu órgão normativo.
3.2 O contexto de criação do Sistema Municipal de Ensino e do Conselho Municipal de