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A opinião dos anarquistas em relação à via eleitoral sempre foi de crítica acirrada. Na década de 1920 um dos principais alvos destas críticas foi o deputado Maurício de Lacerda que gozava de certo prestígio no mundo operário. Posicionamentos que ressaltavam aspectos positivos em alguns políticos em relação a outros mais reacionários também foram combatidos firmemente por aqueles que se consideravam os anarquistas mais intransigentes. Já na década de 1930 outros partidos de “esquerda”, como o PSB, sofreram críticas dos anarquistas.

Dois textos do jornal A Obra de 01 de julho de 1920 realizam a crítica das atitudes do deputado Maurício de Lacerda e dos operários que o apóiam. O primeiro analisa uma carta do deputado na qual este desenvolve uma linha de raciocínio contrário as greves parciais, por estas só afetarem a vida do consumidor, e dispersarem os trabalhadores que deveriam se preparar para a batalha definitiva. Defende a necessidade de exército e dinheiro numa transição para o comunismo integral, etc.

O Jornal conclui que Lacerda apenas se interessa em estudar os meios proletários para avisar o parlamento do perigo comunista.262

O segundo é uma crítica aos operários que se intitulando anarquistas usam o escudo do parlamentar Maurício de Lacerda para professarem seus ideais e tentar não sofrer represálias.

"Intitulando-se anarquistas, como se tem intitulado até hoje, cabe perguntar que classe de anarquismo é esse que nos torna colaboradores da obra reformista, legalitária, estatal e apologética de grandes vultos da política nacional, realizada pelo doutor Maurício de Lacerda."263

Depois de afirmar que se aceitassem a interferência de Maurício de Lacerda nos meios operários, teriam que aceitar, por coerência a do policial e a do sacerdote, pois estes representam instituições até menores que o

261MERLINO, Saverio “Anarquía ... ¿Contra que?” De, L'Agitazione, del 23 de diciembre de 1897. in Ibid.

262 “Idéias e Atitudes do Deputado Maurício de Lacerda.” In A Obra . São Paulo, 01 de julho de 1920. 263 “Cada Qual no seu elemento- a propósito da ação do deputado Maurício de Lacerda nos meios operários” In A Obra . São Paulo, , 01 de juhlo de 1920.

parlamento, por exemplo, pois o dr. Maurício de Lacerda elabora as leis do país e o policial apenas aplica-as, diz:

"Maurício de Lacerda não foi idolatrado somente por ser dedicado defensor do operariado, não foi somente por ser um intelectual, um advogado. Outros cidadãos dedicadíssimos, lutadores pela regeneração social, intelectuais e advogados, tem militado no nosso meio, e nunca foram alvo de ruidosas manifestações e homenagens, como as que se fizeram a este titular. Logo, o dr. Maurício de Lacerda conquistou a popularidade a simpatia de muitos, por seu deputado, isto é, pelo mesmo motivo que nós lhe negamos as nossas relações."264

Estes textos demonstram que a preocupação anti-parlamentar dos anarquistas não era compartilhada pela totalidade dos militantes operários que se auto-definiam enquanto anarquistas. Havia um espaço cedido por parte dos militantes para as palestras do deputado Maurício de Lacerda, e aqui não cairemos no erro de desqualificar o anarquismo destes militantes.

Um fato publicado em A Plebe, fato diretamente relacionado com as críticas de Florentino, vem corroborar a nossa opinião. Durante o início do ano de 1920 o deputado Maurício de Lacerda tinha alguns textos publicados pelo jornal anarquista A Plebe . O deputado gozava de ampla simpatia nos meios operários, principalmente da cidade do Rio de Janeiro, mas, em São Paulo, também era convidado para proferir algumas palestras.

Uma destas ocasiões foi relatada num artigo publicado em A Plebe como exemplo de como os operários não deveriam se portar para com os políticos, apesar do jornal reafirmar o seu respeito para com a pessoa de Maurício de Lacerda.

O artigo dizia que Lacerda era um moço "de temperamento combativo, inteligente e culto", que havia sido surpreendido em sua vida política pelo problema social. A partir deste momento havia desenvolvido intensa campanha na imprensa, através de conferências, na tribuna parlamentar, a favor dos trabalhadores , assumindo "sempre uma atitude desassombrada no ataque as violências praticadas contra os trabalhadores e suas associações".

Por este motivo os operários dos principais centros industriais do país acolhiam-no amistosamente em suas atividades. Este foi o caso de uma conferência ocorrida na União dos Operários Metalúrgicos. Quando o deputado foi confirmado para a conferência o salão Celso Garcia lotou e criou-se uma grande expectativa para ouvi-lo.

Um dos organizadores do evento, porém, extrapolou a exaltação a figura de Lacerda, segundo os anarquistas. Estampou a sua foto no jornal da classe, fez folhetos avulsos distribuídos no salão e quando o deputado entrou no salão empurrou os demais operários para abrir caminho para Lacerda. Depois de tudo isso, ainda "elevou o homem público ao sétimo céu, dando vivas a sua pessoa, etc."

Já o operário encarregado de apresentar o deputado Lacerda também repetiu o engrandecimento de Lacerda tanto no início quanto no fim da apresentação do conferencista.

Segundo os anarquistas, estes, impressionados com o espetáculo que haviam presenciado, julgaram conveniente reagir a "tendência messiânica" verificada no seio do operariado e esclarecer a situação. "Esclarecimento" feito bruscamente por Florentino de Carvalho, gerando mal estar e a necessidade de textos publicados nos jornais A Plebe e A Obra. 265

No caso dos anarquistas criticados pelo jornal A Obra , trata-se de militantes operários, mais pragmáticos, que demonstravam certa simpatia pela figura do deputado Maurício de Lacerda. A sociedade brasileira da época, como bem demonstrou Magnani, ao afirmar a correspondência das idéias anarquistas com o contexto brasileiro , não permitia a utilização da via parlamentar como alternativa reformista para o operariado, possibilidade que só se concretizou, de fato, muitos anos mais tarde (se excetuarmos as pioneiras, mas limitadas, candidaturas comunistas do final da década de 1920 e mesmo candidaturas como a de Maurício de Lacerda que possuíam antes caráter popular do que operário). Talvez, se a sociedade brasileira possuísse canais de representação mais transparentes tornar-se-ia improvável a vitória da

265LEUENROTH, Edgard. “Em torno das conferências do Dr, Maurício de Lacerda” in A Plebe. São Paulo, 26 de junho de 1920.

ofensiva anti-parlamentar preconizada pelos anarquistas em casos específicos como o do deputado Maurício de Lacerda. Mas o fato de estas condições não existirem possibilitou a manutenção da hegemonia anarquista em sindicatos como a União dos Operários Metalúrgicos e minimizou o debate sobre a alternativa parlamentar nos círculos anarquistas.

Florentino de Carvalho no jornal A Obra continua em números posteriores do jornal a sua campanha para desacreditar o deputado Maurício de Lacerda junto às massas operárias. Nos diz:

"Com uma dialética fácil, e por vezes entusiasta, bordejando arroubos de protestos veementes atirados a face dos mandões do Capital e do Estado, o sr. Maurício de Lacerda vem realizando uma campanha em defesa, diz ele, dos interesses operários, campanha que a maior parte dos trabalhadores julga ser socialista, sindicalista, revolucionária, anarquista, cobrindo os belos discursos do ilustre deputado com fragorosos aplausos.

E quando este cidadão diz que nada pretende das classes operárias, que trabalha pelas reivindicações dos explorados, desinteressadamente, os aplausos redobram, a confiança, a simpatia por esse homem crescem até o paroxismo"266

Nos últimos meses de 1920 o periódico A Plebe publicou vários artigos criticando a formação do partido Coligação Social, algumas das críticas realizadas por Manuel Campos visavam atingir especialmente Álvaro Palmeira267, militante anarquista que, para Campos, era uma pessoa pela qual

ele "colocava a mão no fogo" e que havia renegado seu ideal.

Críticas a Coligação Social foram realizadas por Pinho de Riga268, Isabel

Cerruti269 e Florentino de Carvalho270 que criticou acidamente Maurício de

Lacerda e Evaristo de Morais.

266CARVALHO, Florentino de. “Os inestimáveis serviços do deputado sr. M. de Lacerda” in A Obra. São Paulo, 14 de julho de 1920.

267 CAMPOS, Manoel. “Um partido Parlamentar com elementos ex-anarquistas” in A Plebe . São Paulo, 23 de outubro de 1920.

268 RIGA, Pinho de. “Partido ou inteiro?” in A Plebe . São Paulo, 06 de novembro de 1920. 269 CERRUTI, Isabel. “Suicídio Moral” in A Plebe . São Paulo, 06 de novembro de 1920.

270 CARVALHO, Florentino de. “Maldita seja a hora em que os Srs Maurício de Lacerda e Evaristo de Morais assumiram a minha defesa” in A Plebe. São Paulo, 06 de novembro de 1920.

Em relação a Coligação Social temos mais exemplos daqueles que ainda se consideravam anarquistas mas entendiam que deveriam participar da luta eleitoral. Vejamos um dos debates, resgatado por Ângela Castro Gomes:

“Respondendo a um artigo de Otávio Brandão que criticava esta iniciativa, [a Coligção Social] o articulista Ávila explicava como entendia este novo partido e por que estava de acordo com ele. Afirmando-se francamente anti-parlamentar e a favor da substituição dos parlamentares por soviets (o que inevitavelmente seria feito), Ávila considerava necessária a arregimentação eleitoral, ao lado da sindical, por uma questão de tática revolucionária. Segundo sua análise, era muito remota .a possibilidade de uma revolução no Brasil promovida apenas por sindicatos operários, que só existiam em poucas cidades industriais do país. Mas mesmo que ela ocorresse, poderia provocar ou uma contra-revolução, não só burguesa, mas ‘nacionalista’, ou a implantação de uma ditadura mais violenta do que a existente na Rússia. Perguntava por fim a Brandão: você acha que a imposição de tal ditadura estaria de acordo com a doutrina anarquista?(...)

Sem dúvida Ávila ilustra a posição daqueles que estavam fazendo uma crítica à centralidade do sindicato e da ação direta para a construção da futura sociedade anarquista, mas que nem aceitavam aderir a métodos autoritários para realizar tal transição, nem entendiam que, por esta razão, transformavam-se em ‘traidores reformistas’ ”271

Este exemplo e a argumentação de Ávila, que possuía uma boa fundamentação, mostra que aqui no Brasil a discussão sobre a tática parlamentar de um viés que não deixava de ser anarquista também ocorreu, mas, como dissemos, talvez até mesmo porque a possibilidade de sucesso e participação na via eleitoral era escassa, estes debates não foram tão numerosos entre os anarquistas, ao menos publicamente, não possibilitando a discussão de novas alternativas.

A questão do sufrágio feminino também recebeu a atenção das militantes anarquistas. Em artigo publicado em 1920 Maria A. Soares dizia que compreendia que muita gente tivesse aplaudido as vitórias das sufragistas. Mas, que já adiantava que este triunfo só poderia interessar aos políticos. Argumentava que somente sobe ao poder aquelas pessoas relacionadas com o

partido dominante, pois são estes partidos que indicam os diferentes governadores que se sucedem, sendo que as próprias eleições são, na verdade, uma grande farsa que ninguém leva a sério.

Para que um estranho chegue ao poder ou o partido faz uma maioria considerável ou tenta tomá-lo pela força.

A tendência do feminismo político nunca teria triunfado se não houvesse o interesse da classe dominante. "Esta classe sente-se periclitante no seu trono e nas convulsões da agonia procura reunir a seu redor todos os resíduos da velha organização para que a ajudem a resistir contra a avalanche inovadora."272

E justamente as feministas mais inovadoras, que afirmavam ser destinadas a mudar o mundo, são as primeiras a ser chamadas para a conservação das velhas instituições de acordo com a autora.

Em janeiro de 1920 Maria Soares teve um artigo seu publicado pelo jornal O Grito Operário, órgão da Liga Operária da Construção Civil de São Paulo, tecendo críticas ao voto feminino.

Argumentava a autora que a maioria das mulheres enche-se de entusiasmo quando se fala em voto feminino, mas as mulheres só tinham a perder com a política, pois a política era a "última palavra de baixezas", ao contrário do feminismo que tem como base fundamental a elevação moral das mulheres. Para a autora, portanto, o feminismo político seria um contra-senso.

A mulher deveria buscar direitos fora da política, mudando a ordem moral das coisas, fato este que o simples voto não poderia alcançar. A mulher deveria regenerar a humanidade, modificar seus costumes, salvá-la da decadência física e moral, obra esta edificada pela educação e instrução, não pela política.

Como as mulheres pretendem ser políticas, se não sabem nem qual o medicamento dar para os filhos em caso de diarréia?, indaga Soares.

272 SOARES, Maria A. “Triunfo efêmero” in A Plebe. São Paulo, 27 de março de 1920 e 06 de novembro de 1920.

Um governo de mulheres, conservadoras e burguesas por influência do poder, não seria diferente dos governos masculinos, oprimindo os trabalhadores.

Pois, na verdade, as transformações não se realizam através de leis, estas são inúteis para melhorar os povos econômica e moralmente. Os executores das leis são severos com os fracos e condescendentes com os fortes, demonstrando, portanto, não possuírem força alguma em si.

Uma vez o voto feminino estabelecido teríamos como resultado, de acordo com a opinião da autora,. a eleição das mulheres dos industriais, que não tem nada em comum com as mulheres trabalhadoras, empregadas dos seus maridos. A garantia do voto feminino não garantiria que as mulheres deixariam de ser exploradas e humilhadas, a patroa sempre seria superior a escrava, por mais feminista que fosse.

Assim, o que é necessário é ensinar a mulher um ideal pelo qual a humanidade possa ser livre e feliz.

"Compreende-se a grande utilidade da mulher, na marcha da evolução humana, quando livre de qualquer entrave puder seu temperamento expandir-se livremente, e guiada por uma sã moral e uma educação racional, saiba aproveitar os tesouros de sua alma grande e generosa, em benefício da humanidade.

O império das almas, dos corações, sim, conquistai-o mulheres!"273

Artigo de A Plebe de fevereiro de 1921, criticava a luta eleitoral. Dizia que os socialistas, principalmente alemães, de São Paulo, de ação só faziam votar nos dias das eleições. O articulista afirmou que havia propositalmente lançado a candidatura de um Camarada para vereador e depois nas eleições estaduais sabendo que este iria perder. Fez isso apenas para demonstrar a inutilidade da luta eleitoral.

A luta eleitoral era considerada como muito perniciosa, pois o trabalhador acaba julgando-se desobrigado, depois de votar, a tomar parte ativa nas lutas realizadas de outra forma.274

273 SOARES, Maria A. “O voto feminino” in O Grito Operário São Paulo, 17 e 28 de janeiro de 1920 274 B. M. “A luta eleitoral” in A Plebe . São Paulo, 19 de fevereiro de 1921.

Ainda em relação a questão “política”. no número 121 de A Plebe, de 11 de junho de 1921 saiu publicado um artigo do prof. C. C., Coelho Cintra, em que este estabelecia um paralelo entre os governos de Hermes da Fonseca e Epitácio Pessoa. O autor argumentava que o nível de repressão do governo Hermes da Fonseca havia sido menor do que o do governo de Epitácio Pessoa, portanto, o governo de Pessoa seria pior do que o de Hermes.275

Grande polêmica gerou este escrito, diríamos que uma polêmica desproporcional, que demonstra o grau de “purismo” ideológico dos “fiscalizadores” anarquistas.

Maria A. Soares é uma das primeiras a tecer ácidas críticas ao prof. C. C.. Primeiro questionava a posição do autor de criticar o parlamento por não deixarem Maurício de Lacerda e Nicanor Nascimento assumirem os cargos para o qual foram eleitos, depois questionou a posição que relatamos acima de dizer que o governo de Epitácio Pessoa era pior do que o de Hermes da Fonseca.

Para Soares certos elementos exercem influência no meio libertário provocando o confusionismo por possuírem uma certa cultura. Para ela ,

"É por essa maneira que se forma essa porção de pretensas ramificações de anarquismo e socialismo que outra coisa não são que mistificações de ambas as doutrinas, amalgama sugerido pelo confusionismo estabelecido, por idéias soltas e de toda a espécie, colhidas a granel, sem ordem, sem coordenação.

Essa é uma verdadeira doença do nosso meio, que tem feito mais estragos nele do que todas as leis de repressão e violências policiais, epidemia terrível que, nestes últimos tempos, tem-se desenvolvido entre nós de uma forma desastrosa.

Contra essa doença devemos empregar toda a nossa energia de legionários de uma idéia forte, sã.

A doutrina por nós adotada é inconfundível, definida e basta por si só para satisfazer o cérebro mais exigente de idéias e a alma mais sedenta de sentimentos.

Não precisamos, pois, para difundi-la e explicá-la buscar recursos noutra parte, noutros credos, transigir, ser incoerentes."276

275 Prof. C. C. “Confrontos” in A Plebe- provisoriamente Rio de Janeiro, 11 de junho de 1921

Para ela, entre os anarquistas e a política havia um abismo e quando o prof. C. C. pretendeu estabelecer uma ponte para transpor este abismo, no caso do artigo relatando o impedimento da posse (degola) da Lacerda e Nascimento, deixou de ser anarquista. Ainda dizia que para os anarquistas pouco importa se um governo foi melhor ou pior do que o outro, pois os anarquistas por princípio são contra todos os governos e governantes.

Além disso, estaria mais do que provado que a reação é mais enérgica quando a ação anarquista é mais intensa, quando a ação não acontece a reação não tem o porque se manifestar, e é isso o que foi determinante para que no governo de Hermes da Fonseca existissem menos perseguições e violências contra o operariado do que no governo de Epitácio. “E é lamentável que se pretenda elevar, das colunas de um jornal libertário, essa figura grotesca de governante imbecil"277, afirmava a autora.

Temos que lembrar que este era o contexto de uma disputa pré-eleitoral, da eleição presidencial que ocorreria em 1922. Em abril Artur Bernardes havia sido escolhido para ser o candidato situacionista a presidência da república, em maio alguns fatos demonstram a ambição de Hermes da Fonseca de chegar ao poder.

“Em comício, no dia 26 de maio de 1921, no Rio de Janeiro, indica-se Hermes da Fonseca como candidato e seu diretório provisório é composto do General Camilo Holanda e Francisco Flary, Marechais Pires Ferreira e Bento Ribeiro, Contra-Almirante Francisco de Matos, além dos oposicionistas Maurício de Lacerda e Nicanor Nascimento. Os comícios e banquetes se sucedem; militares se aproveitam da situação de confronto com o governo para atacar civis etc. O que se dá, porém, é uma latente pretensão, mas os apoios são quase nulos .” 278

Portanto, a crítica de Soares deve ser localizada neste contexto, uma demonstração de simpatia por Hermes da Fonseca e por políticos oposicionistas que o apoiavam, segundo interpretava Maria A. Soares, significava a tomada de partido em relação a um político, o que segundo os

277 Ibid.

278 CARONE, Edgard. A República Velha: II Evolução Política (1889-1930). São Paulo, Difel, 1983, pp. 344 e 345

dogmas anarquistas, de Soares, seria inconcebível. Passava longe da intenção da crítica feita ao prof. C. C. saber as suas intenções ou analisar com mais acuidade o contexto político para daí sim fazer a crítica ao posicionamento do artigo, caso esta crítica fosse necessária. Tudo se fazia mediante a comparação com os “princípios”: Se estava de acordo com os “princípios” ótimo, se estivesse em desacordo então a crítica seria implacável.

No mesmo número saiu uma nota da redação em relação a este artigo. Nela havia a concordância com algumas críticas ao artigo mas existiu também uma crítica ferrenha aos “fiscalizadores anarquistas”. Vejamos:

"O artigo de Maria A Soares sugeri-nos (...) umas outras considerações de ordem diversa, mas oportunas. Queremos referir-nos a uns tantos camaradas cujo único trabalho em prol da propaganda consiste em fiscalizar - este é o termo- aqueles outros entregues a tais ou quais tarefas da mesma propaganda. Há-os em São Paulo, no Rio, e cremos que por toda a parte. São indivíduos que nada, ou pouco menos que nada fazem pela obra comum. Sua preocupação absorvente é esquadrinhar erros e faltas alheias, daqueles que trabalham e que erram ou cometem faltas porque trabalham , pois que só não erram os que não trabalham . Nós aqui,

Benzer Belgeler