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A crítica dos anarquistas a Lei de Segurança Nacional foi grande, os argumentos se concentravam no caráter repressivo desta lei que impediram a manifestação política de elementos contrários ao governo.

Em relação a Aliança Nacional Libertadora, os anarquistas preferiram criticar certos métodos e posturas da mesma, apesar de nutrirem certa simpatia pelo movimento de opinião pública proporcionado pela a ANL, do que se incorporar no processo de construção deste organismo mantendo colocações que visassem traze-la mais a esquerda.

O fato é que neste contexto os anarquistas já eram uma força com pouquíssima expressão na realidade paulista.

No início de 1935 o governo propõe a Lei de Segurança Nacional pretextando combater movimentos extremistas, numa alusão a Ação Integralista Brasileira.

Mas, na verdade, o que acontece é uma instabilidade no país gerada pelo alto custo de vida e o descontentamento de amplos setores da sociedade e a lei volta-se, neste sentido, principalmente contra o movimento dos

trabalhadores e de tendências revolucionárias, como comunistas, anarquistas, etc. A Aliança Nacional Libertadora não foi o principal alvo da lei, pois esta se organizou em março e em seus primórdios o governo não tinha muita certeza sobre o que ela seria, e a lei foi promulgada dia 04 de abril de 1935.

Os anarquistas se posicionam contra o projeto da Lei de Segurança Nacional que era encarado pelo jornal A Plebe, como a conseqüência lógica do regime brasileiro, que sempre buscou sufocar o movimento dos trabalhadores com a arbitrariedade. Assim, a LSN seria a mordaça legal para o pensamento, seja ele expressado, em jornais, revistas, na cátedra, tribuna, etc.213

Esta lei, segundo os anarquistas, fazia parte dos desígnios dos grandes capitalistas, principalmente os banqueiros internacionais que queriam garantir um ambiente de tranqüilidade para os seus negócios no Brasil.

Mas, não seria a LSN "por mais estúpida e inquisitorial que seja, como não foram as leis reacionárias do passado, que ha de impedir que a Humanidade siga em linha reta para a meta desejada, para o comunismo libertário."214

A ANL que foi criada em março de 1935, sua ata de fundação foi lavrada no dia 23 deste mês. Sua primeira manifestação política pública se deu no Rio de Janeiro no Teatro João Caetano, com a presença de 3 mil pessoas.

A comissão provisória da ANL, encarregada de preparar um congresso nacional de onde sairia o Diretório Nacional, era composta pelo capitão da marinha Hercolino Cascardo, como presidente, que havia sido interventor no Rio Grande do Norte no período de julho de 1931 a julho de 1932, Carlos Amorétty Osório, como vice-presidente, antigo dirigente do PSB, Roberto Henrique Sisson, como Secretário Geral, outro tenentista, Francisco Mangabeira, socialista, Manuel Venâncio Campos da Paz, democrata e Benjamin Soares Cabello, do Partido Libertador do Rio Grande do Sul. Esta formação da comissão provisória nos dá uma idéia da composição da ANL, representante da esquerda policlassista brasileira. Outros aderentes foram o

213 “Algemas e mordaças” in A Plebe. São Paulo, 02 de fevereiro de 1935. 214 “Porque somos anarquistas” in A Plebe. São Paulo, 02 de fevereiro de 1935.

capitão Trifino Corrêa, comunista, o coronel João Cabanas, dirigente socialista, etc.215

A entrada de Luiz Carlos Prestes no PCB, assinou sua papeleta de filiação no dia 1 de agosto de 1934216, embora seu processo de aproximação

tenha se dado já desde o final da década de 1920, fez com que o Partido Comunista do Brasil tivesse um grande número de filiações entre as quais se encontravam muitos militares de origem tenentista. Com isso o PCB pôde constituir-se em uma grande agrupação dentro da ANL, fornecendo boa parte da sua sustentação.

Em São Paulo a ANL era dirigida por Caio Prado Jr. e Miguel Costa e tinha pouca inserção nas fábricas.217

Segundo Vianna, a maioria desta ampla composição da ANL queria regenerar o regime de Vargas e não acabar com ele.218Mas regenerar o regime varguista seria, no mínimo, garantir as conquistas democráticas, ter um programa antilatifundiário e antiimperialista, que para as condições econômico- políticas do Brasil era um grande avanço.

Para os anarquistas fundamentarem sua posição sobre a Aliança Nacional Libertadora, eles retornavam a avaliação da revolução de 1930 que, segundo eles, teve o apoio de revolucionários sinceros, que desejavam transformar a sociedade, mas sem mexer no Estado.

Para os anarquistas, a ANL surgia congregando os descontentes que participaram do movimento da revolução de 1930.. Os homens eram substituídos na rédea do poder, mas não existiam transformações substanciais, pois se mantinha o Estado e todos os males que ele acarretava. Neste sentido, qualquer movimento formado que buscasse a libertação nacional teria que atacar as bases da sociedade capitalista, dentre elas, o Estado.

Assim, os anarquistas afirmavam que os membros da ANL deveriam ter sentido bem de perto o que aconteceu com os revolucionários que tentaram

215 ROIO, Marcos Del. A Classe Operária na Revolução Burguesa. Belo Horizonte, Oficina de Livros, 1990, pp. 283 e 284

216 LINHARES, Hermínio. Contribuição à História das Lutas Operárias no Brasil. São Paulo, Alfa- Omega, 1977, p. 72

217 ROIO, Marcos Del. A Classe Operária na Revolução Burguesa. Belo Horizonte, Oficina de Livros, 1990, p. 290

modificar a realidade pelo caminho do Estado, portanto, não deveriam repetir o mesmo caminho.

A ANL era um movimento em torno do qual se esboçou múltiplas reações de simpatia popular, segundo os anarquistas, destinado a formar um movimento de opinião capaz de levar as massas a realização da liberdade e dignidade dos homens. Isto a ANL conseguiria se não se desvirtuasse do caminho realmente revolucionário.219

A ANL convidou todas as organizações antiintegralistas para uma reunião realizada em 03 de junho de 1935. A Plebe não compareceu nesta reunião e explicou a sua posição para que não explorassem politicamente o fato de representantes do jornal não terem comparecido.

Afirmou que os anarquistas por princípio e por prática não firmam alianças ou compromissos com nenhuma organização de caráter político, mesmo que fossem de ordem tática. Mas reafirmavam acreditar na convicção revolucionária dos membros da ANL.

Os anarquistas estavam convencidos que era uma questão de tempo para explodir revoltas populares e quando estas surgissem estariam na luta, mesmo que a revolução não fosse anarquista, e aqui retomam a orientação de Malatesta, tentando transformá-la em mais anarquista o possível.

Assim, afirmavam acompanhar a ação da ANL com autonomia, sem pactos políticos, mas com senso de responsabilidade determinado por suas concepções.220

Em 22 de junho A Plebe publica um balanço sobre o comício antiintegralista realizado em 16 de junho em São Paulo.

Há uma crítica a um deputado simpático aos antiintegralistas, que fez um apelo ao governo para garantir a realização do comício. Os anarquistas argumentavam que uma manifestação de pessoas que se consideravam revolucionários convocada por organizações mais ou menos subversivas, deveria contar apenas com as suas próprias forças e o sacrifício de seus militantes para que fosse realizada. Que a polícia fosse exibir seu poderio

218 VIANNA, Marly. Revolucionários de 35. São Paulo, Cia. Das Letras, 1991, p. 26 219 “Pão, Terra e Liberdade” in A Plebe. São Paulo, 11 de maio de 1935.

militar no comício por conta própria afirmavam os anarquistas, mas seria absurdo pedir que ela fosse garantir a ordem.

Além disso, os anarquistas entendiam ser estranho combater o fascismo pegando os seus costumes e mística, criticaram, neste sentido, saudações de punhos erguidos realizadas, que teriam "todas as características das saudações e juramentos fascistas, a mesma mística, o mesmo simbolismo."

Esta prática era considerada como uma aberração dos fanáticos do novo credo, e os anarquistas indignaram-se quando uma pessoa foi interpelada por não ter erguido o punho. Era preciso antes de tudo, afirmavam, "matar os sentimentos fascistas dentro dos próprios antifascistas."221

Dentre estes sentimentos estava também a criação de salvadores ou messias, criticada por Edgard Leuenroth em relação à postura dos membros da ANL de formar um mito em torno da figura de Luis Carlos Prestes.

Neste sentido, os anarquistas mais uma vez, quando se formava um amplo setor de luta em torno das liberdades democráticas e de um programa mais ou menos avançado preferiram defender os seus valores, a iconoclastia, a impossibilidade da formação de alianças com partidos políticos, enfim, preferiram se auto-isolar a interferir na realidade a partir das condições que se apresentavam.

É certo que as soluções apresentadas pela ANL representavam um caminho que via no reforço do Estado a forma para se transformar a realidade, que predominava no discurso a questão da soberania nacional com ênfase no desenvolvimento econômico e quase inexistiam reivindicações de caráter especificamente operário, a não ser as referências a algumas bandeiras de lutas dos trabalhadores, mas estes fatos não escondiam outro bem mais grave: ou os anarquistas deixavam o gueto das suas discussões políticas particulares e das reivindicações estritamente operárias e pensavam em soluções mais “radicais” para a sociedade brasileira dentro dos limites possíveis em uma sociedade que começava a consolidar uma industrialização mais consistente, gerando as condições infra-estruturais para o ascenso do proletariado

enquanto classe no cenário político nacional, ou estavam fadados a uma guetização cada vez maior e a tornarem-se impotentes.

Os líderes aliancistas e comunistas desta época, em grande parte, vinham de famílias que por sua condição econômica e proximidade política com o poder se afastavam do proletariado e das classes populares, fazendo- os acreditar que as modificações sociais viriam através do Estado.222 Os anarquistas, por outro lado, mesmo os que defendiam uma estratégia policlassista de transformação da sociedade, baseada não na luta de classes, mas na evolução humana, não conseguiram se afastar do proletariado. Os militantes anarquistas dos sindicatos, até ironizavam os comunistas e militantes dos sindicatos do Estado, por estes morarem nas regiões mais “nobres” da cidade, enquanto os anarquistas iam “para além porteira”. Porém, isto não resolveu o problema de que os anarquistas para sobreviverem necessitavam de uma estratégia mais ampla de transformação social que mesmo centrada no proletariado não deveria prescindir de setores progressistas da sociedade.

O fato é que nesta época o anarquismo enquanto expressão política, mesmo que quisesse ter uma ação mais efetiva não poderia, pois já tinha se isolado o bastante durante os anos anteriores e também sofrido os efeitos da repressão que foi implacável com as suas próprias deficiências. No final de 1934, o anarquismo nem preocupava mais a polícia de São Paulo, pelo que pesquisamos nos prontuários do DOPS.

Por exemplo, um relatório policial reservado, provavelmente de meados de 1933, depois de fazer algumas apreciações sobre a ação dos anarquistas e dos comunistas e do comitê anti-fascista, conclui :

"A ideologia anarquista 'em si' não oferece perigo algum, mas é observar o ambiente criado pela propaganda metodizada (ou organizada), que não se limita a fazer secamente a propaganda anárquica, mas agitar as questões mais sentidas pelas massas" 223

222 RODRIGUES, Leôncio Martins.O PCB: os dirigentes e a organização” in FAUSTO, Boris (direção).

História Geral da Civilização Brasileira: O Brasil Republicano- Tomo III- Sociedade e Política, volume 4, (1930-1964). Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1991, pp. 398 e 399

Já outro relatório de junho do mesmo ano, escrito por José Vidotti, afirma:

“Na Federação Operária, após as últimas batidas da polícia, nota-se grande desânimo. Outro fato que veio fazer diminuir a freqüência das reuniões, é ter a federação continuado a persistir na limitação de propagandas do credo anárquico, não zelando, materialmente, pelos interesses dos proletários. Por isso, as reuniões da Federação Operária, que antigamente eram bem freqüentadas, contam com reduzido número de assistentes, na maioria velhos militantes”224

O que nos mostra que a posição dos anarquistas em termos da atuação sindical levando em conta as reivindicações imediatas dos trabalhadores, conseguindo influenciar por pouco que fosse a realidade (é interessante notar que a polícia se preocupa mais com as agitações reivindicativas do que com a propagação dos ideais revolucionários) já havia declinado, passando a se preocupar com o antifascismo do segundo semestre de 1933 para frente, e perdendo a sua base e militantes depois da batalha da praça da Sé.

Assim, era muito mais cômodo, manter uma posição “altiva” de não participar dos intentos da ANL efetivamente, mantendo uma justificativa política, do que demonstrar as suas próprias deficiências, mesmo que este não tenha sido o único determinante da postura dos anarquistas em relação a ANL.

“Incorporando elementos de longa tradição política e integrados na vida nacional, a ANL de certo modo viria "nacionalizar" a Esquerda brasileira e retirá-la do gueto em que se encontrava encerrada. (...) Em outras palavras, as reivindicações profissionais e sociais, relacionadas às condições de vida e de trabalho dos operários estiveram desvinculadas de uma luta mais ampla, voltada, se não para a conquista do Poder, pelo menos para influenciar o sistema de decisão. O anarco-sindicalismo e o movimento operário das duas décadas anteriores, embora introduzissem uma problemática social, não haviam conseguido fazer com que suas reivindicações ultrapassassem o plano econômico em direção ao sistema político. O PCB, que levantou uma temática nacional, tentou sair da marginalidade e do isolamento que uma política voltada exclusivamente para a classe operária e as massas populares acarretava.

Considerando a pequena importância do proletariado industrial na sociedade brasileira, o estado de desorganização e passividade dos setores populares e as dificuldades da atuação entre os trabalhadores agrícolas, a participação na ‘grande política’ só poderia efetuar-se através de uma penetração do Partido nas frações das classes médias e das classes superiores. Em vez de procurar consolidar-se ‘para baixo’, o PCB procurou, crescer ‘para cima’, embora continuasse a usar a retórica marxista do proletariado que servia para legitimar a pretensão de hegemonia do Partido no interior da ‘frente única’.

Apesar de ter conseguido sensibilizar intelectuais, militares e outros setores das classes médias, a ANL não conseguiu criar raízes entre o proletariado fabril e as novas camadas populares urbanas. Colocada na ilegalidade, ela desapareceu imediatamente como movimento de massas. Por sua vez, a maior parte dos membros da ‘nova Esquerda’ — uma vez passada a fase do ativismo contestatório e do correspondente castigo — tendeu a encontrar um lugar de destaque nos círculos dominantes, ao contrário das antigas lideranças de origem popular que simplesmente desapareceram da cena política”225

No caso do anarquismo estas críticas de Leôncio Martins Rodrigues são corretas. Os anarquistas de todas as correntes não ultrapassaram de fato, através de uma prática política ampla, o campo das reivindicações econômicas em direção ao sistema político, não como partido político eleitoral ou algo do tipo, mas com propostas e práticas que pudessem abarcar uma ampla camada social, que não se restringissem ao diminuto proletariado urbano de então, mesmo que tivessem como centro de suas preocupações a realização de uma revolução eminentemente proletária. Os anarquistas não se corromperam, é verdade, mas nem tiveram esta oportunidade: Desapareceram!226

Em 11 de julho de 1935 a ANL é fechada com base na Lei de Segurança Nacional, sob o pretexto de um discurso de Luiz Carlos Prestes proferido em 5 de julho (em alusão aos movimentos militares de 1922 e 1924) no qual ele defendia “Todo o poder a ANL”.

225 RODRIGUES, Leôncio Martins.O PCB: os dirigentes e a organização” in FAUSTO, Boris (direção).

História Geral da Civilização Brasileira: O Brasil Republicano- Tomo III- Sociedade e Política, volume 4, (1930-1964). Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1991, pp. 400 e 401

226 Desapareceram enquanto força político-social com alguma significância na sociedade brasileira e paulista. Após 1935 o que voltou do anarquismo em termos de grupos de afinidade, centros culturais, grupos editoriais, etc., não conseguiu nunca interferir significativamente na vida nacional.

A edição de 20 de julho do jornal A Plebe protesta contra o fechamento das sedes da ANL, visto como uma investida reacionária contra uma organização que angariava as simpatias populares. Também noticia várias prisões e a vigilância sobre a Federação Operária.227

Outro artigo de A Plebe publicado após o fechamento da ANL afirma que se esta não estivesse fechada os anarquistas teriam que lhe tecer sérias críticas. Uma delas estava no fato de se buscar um novo messias, a prática do caudilhismo em uma organização que surgiu representando os anseios populares.

Com o fechamento da ANL provou-se, para os anarquistas, que a forma de se fazer à luta priorizando heróis e não a formação de individualidades conscientes estava errada, pois,

"Quando o governo desferiu o golpe fascistizante nesse movimento que já lhe fazia sombra, apavorado com a rebelião dos espoliados que haviam já impregnado o ambiente aos gritos de Pão, Terra e Liberdade, esse movimento grandioso, o maior movimento de opinião da história das reivindicações proletárias, desfez-se no ar como bolhas de sabão"228

E de fato foi o que ocorreu, não por falta das individualidades conscientes, mas talvez pelo erro tático do PCB de radicalizar o discurso em uma fase de consolidação da ANL 229. O que devemos apreender é que depois do seu fechamento os elementos mais “moderados” deixam a ANL subsistindo em grande parte a ação clandestina do PCB que ainda utilizava-se do nome da ANL230 e que foi responsável entre outras coisas pelo malogrado levante comunista de novembro de 1935, em Natal, Recife e Rio de Janeiro. Ação esta que segundo alguns autores estaria relacionada à entrada no PCB de parte da oficialidade tenentista reproduzindo seus métodos de luta.231

227 “Investida reacionária” in A Plebe. São Paulo, 20 de julho de 1935. 228 “Maiorias e minorias” in A Plebe. São Paulo, 03 de agosto de 1935.

229 Não nos referimos aqui ao discurso que foi utilizado como argumento para fechar a ANL, até mesmo porque a decisão de fechar a mesma já havia sido tomada antes.

230 COSTA, Homero. A Insurreição Comunista de 1935. São Paulo, Ensaio; Rio Grande do Norte, Cooperativa Cultural Universitária do Rio Grande do Norte, 1995, p. 66

231 RODRIGUES, Leôncio Martins. “O PCB: os dirigentes e a organização” in FAUSTO, Boris (direção).

História Geral da Civilização Brasileira: O Brasil Republicano- Tomo III- Sociedade e Política, volume 4, (1930-1964). Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1991, pp. 375 e 376

Capítulo II

Benzer Belgeler