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O Plenário do Conselho Nacional de Justiça aprovou no dia 15 de dezembro de 2015 a Estratégia Nacional de Tecnologia da Informação e Comunicação do Poder Judiciário (ENTIC-JUD), através da Resolução 211/2015, (CNJ, 2013b) com o objetivo de promover a acessibilidade, usabilidade, celeridade, inovação, responsabilidade social e ambiental e transparência no âmbito do Poder Judiciário.

O Art. 1º institui a Estratégia Nacional de Tecnologia da Informação e Co- municação para o período 2015 a 2020 com destaque à Melhoria da infraestrutura e governança de TIC .

No Art. 2º. a resolução deine alguns termos e expressões:

Art. 2º Para os efeitos desta Resolução, entende-se por:

I - Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC): ativo estratégico que su-

porta processos institucionais, por meio da conjugação de recursos, processos e técnicas utilizados para obter, processar, armazenar, fazer uso e disseminar informações;

II – Governança de TIC: conjunto de diretrizes, estruturas organizacionais,

processos e mecanismos de controle que visam assegurar que as decisões e ações relativas à gestão e ao uso de TIC mantenham-se harmoniosas às necessidades institucionais e contribuam para o cumprimento da missão e o alcance das metas organizacionais;

III – Comitê Nacional de Gestão de Tecnologia da Informação e Comunicação

do Poder Judiciário: responsável pela formulação, acompanhamento e revisão da ENTICJUD, seus indicadores e suas metas;

IV – Macrodesaio de TIC: diretriz estratégica nacional destinada a impulsio-

nar a melhoria da infraestrutura e da governança de TIC no Poder Judiciário;

V – Indicadores Nacionais: conjunto de indicadores estratégicos de resultado

estabelecidos pela Rede de Governança Colaborativa do Poder Judiciário;

VI – Metas Nacionais: conjunto de metas estratégicas estabelecidas pela Rede

de Governança Colaborativa do Poder Judiciário que permitem gerir desempe- nhos;

VII – Objetivos Estratégicos: resultados que a TIC pretende atingir, com

vistas à concretização da missão e ao alcance da visão, observando as diretrizes estratégicas do planejamento institucional do órgão, além daquelas contidas nesta Resolução;

VIII – Metas de Medição Periódica: metas aplicáveis aos órgãos do Poder

Judiciário e acompanhadas pelo CNJ para períodos predeinidos durante a vigência da Estratégia Nacional de Tecnologia da Informação e Comunicação;

IX – Iniciativa Estratégica Nacional: programa, projeto ou operação alinhada

à Estratégia Nacional de Tecnologia da Informação e Comunicação;

X – Diretriz Estratégica de Nivelamento: determinações, instruções ou indica-

ções a serem observadas na execução da ENTIC-JUD tendo em vista o alcance dos objetivos estratégicos;

XI – Viabilizadores de Governança de TIC: fatores que, individualmente ou

coletivamente, tenham a capacidade de afetar o funcionamento da governança, da gestão e da infraestrutura de Tecnologia da Informação e Comunicação;

XII – Missão: deinição de inalidade da área;

XIII – Visão: declaração de propósito e futuro desejado, com perspectiva de

longo prazo;

XIV – Atributos de Valor para a Sociedade: princípios balizadores dos objeti-

vos estratégicos e das decisões tomadas. (CNJ, 2013b)

O CNJ atribui ao Comitê Nacional de Gestão de Tecnologia da Informação e Comunicação do Poder Judiciário a responsabilidade pela gerência das estratégias criadas através da Resolução.

A opção pelo uso de técnicas de Governança Corporativa ica clara no disposto no artigo quarto da resolução: A ENTIC-JUD tem como meta promover a melhoria da governança, da gestão e da infraestrutura tecnológica no âmbito do Poder Judiciário.

4 DO PAPEL À NUVEM

Neste capítulo são feitas algumas considerações sobre o que foi pesquisado nos capítulos anteriores. Procura-se, nessa análise, conjugar a visão dos operadores de com- putação com a visão do operadores do direito, visão multidissiplinar que permite apontar os caminhos já existentes e que poderiam facilitar a caminhada ao im que todos desejam: um Processo Judicial Eletrônico que atenda aos anseios da sociedade consagrados por nossa Carta Magna, ou seja, fácil acesso a justiça para todos em prazo compatível com a velocidade da vida moderna.

4.1 Mudança de Paradigma

Na segunda metade do Século XX o mundo foi presenteado com monumental desenvolvimento tecnológico, principalmente no que se refere à microeletrônica. Os re- lógios de corda foram substituidos pelos relógios a bateria, icando mais precisos e mais baratos e ao alcance de parcela mais signiicativa da população.

A máquina de escrever virou atração de museus. Em seu lugar, surgiram os computadores; inicialmente, os de mesa, grandes, caros e enigmáticos; depois os portáteis (laptops) com preços bastantes razoáveis e interativos, permitindo a utilização tanto para o trabalho como para o lazer.

A partir da década de 1990, a internet começa a chegar às casas brasileiras. Com ela, o aumento nas comunicações via rede mundial. Uma pessoa, em frente a um computador pessoal em uma rede local, conecta-se via rede mundial um outro compu- tador em uma outra rede em qualquer lugar do mundo. Estabelece-se, assim, uma via eletrônica invisivel que permite, por exemplo, a duas pessoas em lados opostos do planeta, conversarem como se frente a frente estivessem.

De lá para cá, os trabalhos intelectuais tais como produção de livros (literaturas de todos os estilos), produção de documentos (petições, requerimentos, monograias, etc), trabalhos de contabilidade, trabalhos bancários, trabalhos jurídicos (nos escritórios de advogados, principalmente), declaração de Imposto de Renda das Pessoas Físicas e das Pessoas Jurídicas, dentre muitos outros, sairam do papel e passaram para as memórias dos computadores.

Com o advento das chamadas redes sociais, as de lazer, as de trabalho, as de pesquisas cientíicas, as de pesquisas de mercados, as de pesquisas jurídicas e de tantas outras utilidades; a internet passou a ser não somente uma rede de interação social mas

um verdadeiro instrumento de trabalho e de divulgação, com poder de penetração em todas as classes sociais.

O século XXI trouxe a reboque os smarphones, pequenos dispositivos de tele- fonia celular com acesso à internet e às redes sociais com poder computacional que, em alguns, ultrapassa a dos computadores de mesa e laptops mais comuns. Esses dispositivos, tão poderosos e tão ao gosto da sociedade, estão nos bolsos e nas mãos de grande maioria da população inclusive daqueles que se encontram na terceira idade (mais de 60 anos de idade), que não demonstram qualquer diiculdade em seu manuseio.

Consolida-se o conceito de Aldeia Global.

Os telefones ixos caminham a passos largos para a obsolescência, como já ocor- reu com o fac-simile substituido pelo email. Pela disponibilidade e mobilidade, veriica-se que as populações atuais utilizam quase que só o telefone celular que, dentre outras vanta- gens, fornece a um toque de dedo (digito), agenda telefônica de tamanho limitado apenas ao tamanho da memória eletronica do dispositivo (podendo ter centenas, até milhares de contatos telefônicos do proprietário).

Assim, não é mais obstáculo às pessoas de qualquer idade e de qualquer prois- são, a utilização da informática para o desenvolvimento de suas atividades proissionais. A resistência que alguns operadores do direito podem opor, refere-se à resistência natural que as pessoas tem ao novo, à mudança do senso comum e, principalmente, às mudanças que são impostas hierarquicamente. Trata-se, no fundo, de resistência à autoridade.

O obstáculo que realmente existe e que foi alegado por vários autores, é a diferença de níveis tecnológicos das redes de comunicação que se veriica nas diferentes regiões geográicas nacionais. Os grandes centros são bem atendidos pelas operadoras de telefone, com o melhor da tecnologia, muito embora, também nesses centros, sejam as principais fontes de reclamação nos órgãos de proteção ao consumidor, por falhas nos serviços prestados. Nesse contexto, cabe ponderar se o pequeno volume de processos nesses centros mais desassistidos de meios de comunicação, comparado com o imenso volume de processos existentes nos centros bem assistidos, justiica a paralização de todo o Sistema Judicial Eletrônico nacional.

Benzer Belgeler