2.3. Gelişmekte Olan Ülkelerde Piyasa Yapıcılığı Sistemi
3.1.4. Piyasa Yapıcılarının Denetimi ve Piyasa Yapıcılığı
Com a aprovação da primeira Constituição do Brasil República, foi concedida a nacionalidade a todos os estrangeiros que se encontrassem no Brasil antes do dia 15 de novembro de 188948. Esta mesma Constituição, no entanto, ao passo que facilitou o acesso à nacionalidade brasileira em determinado momento histórico, dispensava aos estrangeiros um tratamento bastante rígido. Estes não gozavam de direitos civis em solo pátrio (GUMIERI VALÉRIO, p.185).
A Constituição de 1937, por sua vez, estabelece a garantia da aquisição involuntária da nacionalidade para os filhos de brasileiros a serviço do Brasil e voluntária para os filhos de brasileiros que não estivessem a serviço do Estado49. Por outro lado, a referida Constituição, que foi aprovada no âmbito da ditadura de Getúlio Vargas e se insere em um contexto maior de início da 2ª Guerra, torna a situação do estrangeiro mais delicada e complicada. Com a
48 “Serão cidadãos brasileiros os estrangeiros que, achando-se no Brasil aos 15 de novembro de 1889, não declararem, dentro de seis meses depois de entrar em vigor a Constituição, o ânimo de conservar a nacionalidade de origem”. Art. 69, §4 da CF de 1891.
edição do Decreto-Lei 406, em quatro de maio de 1938, todos os estrangeiros ficaram proibidos de exercer qualquer tipo de atividade política no Brasil (MILESI, 2007, 2).
A Constituição de 1946, agravando ainda mais a situação dos estrangeiros, traz a exigência de idoneidade moral e sanidade física para todos os estrangeiros que desejassem se naturalizar50. Por outro lado, os portugueses tinham um acesso facilitado à nacionalidade. Destes, era exigida apenas a residência ininterrupta durante um ano no Brasil.
A Constituição de 1967, elaborada durante o regime de exceção da ditadura militar, coloca a questão dos estrangeiros como um assunto de segurança nacional. Com efeito, era o discurso nacionalista e da segurança nacional que davam o tom da política destinada aos estrangeiros pelo Estado brasileiro nesse período da história. Em que pese a centralidade assumida pelo discurso dos direitos humanos em âmbito internacional no pós-guerra, os princípios dos direitos humanos, tais como a universalidade da dignidade humana, não exerceram nenhuma influência no tratamento legislativo destinado aos estrangeiros nesta época (WALDMAN,2010,p.3; MILESI, 2007, p.3; SILVA, 2003, p.297).
É neste espírito que, em 1969 e em pleno regime militar é estabelecido no Brasil o primeiro Estatuto do Estrangeiro, editou-se o Decreto-Lei 941/69, cuja competência para sua feitura foi estabelecida pelo AI-12 e AI-5. Já em 1980, foi aprovada a Lei 6815, conhecida como o Estatuto do Estrangeiro, até hoje em vigor. É, portanto, o Estatuto do Estrangeiro, elaborado em uma época de restrições democráticas, que até hoje rege as condições de entrada e permanência dos estrangeiros no Brasil51.
Não são poucas as críticas tecidas ao mencionado Estatuto. A mais importante delas concerne ao fato de que ele se encontra em franco “desacordo com os princípios de proteção aos direitos humanos presentes na atual Constituição Brasileira, que trata os estrangeiros como sujeitos de direitos” (WALDMAN, 2010, p.3).
A Carta Maior coloca a cidadania e a dignidade humana como fundamentos do Estado democrático de Direito e reconhece os direitos humanos como princípio que deverá reger o Brasil em suas relações internacionais. O Estatuto do Estrangeiro, por sua vez, elenca
50 “Adotam-se os elementos referidos no artigo 69 da CF de 1891, além de exigir-se idoneidade moral e sanidade física aos estrangeiros que desejam naturalizar-se. Aos portugueses, apenas exige-se a residência no país por um ano ininterrupto”. Art. 129 da CF de 1946.
51 No direito brasileiro, a situação do estrangeiro é regida pela Constituição, com reserva à lei ordinária. A lei ordinária que prevê as possibilidades de ingresso e permanência do estrangeiro em território brasileiro é o Estatuto do Estrangeiro (Lei nº 6.964/81, regulamentada pelo Decreto n° 86.715/81) (WALDMAN, 2010, p.3).
como prioridade a defesa do trabalhador nacional e a segurança nacional52. Estes documentos, como se vê, estão em claro desequilíbrio (SILVA, 2003. P.297).
Reflexo desta legislação que trata o estrangeiro como um problema de segurança nacional é o discurso predominante na sociedade brasileira sobre a imigração. Comumente os imigrantes são vistos como ameaças à ordem estabelecida e como pessoas que vão “roubar” o emprego dos nacionais (SILVA, 2003, p.297). Nas palavras de Tatiana Waldman (2010, p.3):
O imigrante é comumente visto com desconfiança pelos membros da sociedade receptora, principalmente quando sua presença não está autorizada e quando existe a percepção de que poderá competir com os cidadãos locais pelos bens, serviços públicos e postos de trabalho.
Vistos como ameaças, muitos imigrantes não têm reconhecidos os seus direitos civis, sociais e políticos, muito embora contribuam de diversas maneiras para os campos econômicos, sociais e culturais do país. Essa situação é chamada por Sydnei da Silva de “cidadania tutelada”, isto é, uma cidadania cujo exercício é limitado pelo próprio Estado (WALDMAN, 2010; SILVA, 2003, p. 298 e 299).
Por tudo que foi afirmado, fica patente a necessidade de elaboração de uma nova lei de estrangeiros que substitua o discurso da segurança nacional pelo discurso dos direitos humanos53.
Por outro lado, algumas medidas foram tomadas pelo governo brasileiro nos últimos anos que vão em direção contrária à das referidas políticas e legislações. Nesse sentido, a Lei de Anistia de Estrangeiros (Lei nº 11.961/2009, regulamentada pelo Decreto nº 6.893/2009), na opinião de Tatiana Waldman, beneficiou uma quantidade considerável de imigrantes54. Com base nessa lei, os estrangeiros em situação irregular no Brasil tiveram a oportunidade de regular em definitivo a sua situação55.
Neste mesmo sentido, foi recentemente aprovado o Acordo de Livre Residência MERCOSUL (Decreto nº 6.975/2009) e MERCOSUL, Chile e Bolívia (Decreto nº
52 Vide arts. 1 e 4 da CF; art. 2 do Estatuto do Estrangeiro.
53 Cabe observar que, em 2007, a Pastoral dos Migrantes lançou, no contexto do Grito dos Excluídos, em SP, uma campanha nacional pela elaboração de uma nova lei de estrangeiros no Brasil, a qual deverá se adequar aos princípios de direitos humanos (SYDNEI, 2003, p.295 e 296); Atualmente, tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei n°5.655/09. Se aprovado, passará a reger a situação dos estrangeiros no Brasil.
54 Cabe lembrar que outras anistias já foram assinadas pelo governo brasileiro (em 1981, 1988 e 1988). Estas, porém, na opinião de Sydnei da Silva, não obtiveram muito êxito. O custo para o recadastramento da regularização era muito alto e a burocracia excessiva fez com que muitos imigrantes desistissem de regularizar a situação (SILVA, 2003, p. 298).
55 Vide, a esse respeito, as seguintes informações: <http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,lula-sanciona- lei-que-anistia-estrangeiros-em-situacao-ilegal,396948,0.htm>.
6.975/2009). O acordo permite a todos os nacionais do MERCOSUL e países associados requerer residência em qualquer país signatário do acordo, independente de estarem em situação migratória regular ou irregular.