• Sonuç bulunamadı

Pilot Uygulamanın Güvenilirlik, Geçerlilik ve Faktör Analiz

3. BÖLÜM HASTANELERDE ÖRGÜTSEL SİNİZM

3.8 BULGU VE YORUMLAR

3.8.1 Pilot Uygulamanın Güvenilirlik, Geçerlilik ve Faktör Analiz

Inicialmente, os processos de registro sonoro por meios mecˆanicos utilizavam de grava¸c˜ao com ou sem reprodu¸c˜ao pr´opria. Segundo Franceschi (1984), um desses processos “limitava-se ao registro, graficamente impresso, das ondula¸c˜oes sonoras, sem reproduzi-lo; e outro, mais evolu´ıdo, trazia em si a capacidade de registrar e reproduzir, cada vez com maior fidelidade, os sons gravados” (p.11). O conceito de fidelidade, como vimos no Cap´ıtulo 1, ser´a explorado desde os primeiros cilindros gravados at´e os dias atuais. Existem dois tipos de relatos sobre as grava¸c˜oes em cilindros. De um lado, aqueles que afirmam serem as grava¸c˜oes idˆenticas ao original. De outro, temos o oposto, um grupo que afirmavam que o som do fon´ografo, juntamente com o som do telefone, eram ruins (Chanan, 1995, p.3). De fato, a primeira vers˜ao do fon´ografo de Edison tinha a capta¸c˜ao e a amplifica¸c˜ao muito reduzida, sendo mesmo apropriado para o registro de uma ´

unica fonte sonora, preferencialmente a voz.

Os primeiros estudos vieram de Leon Scott de Martinville, um francˆes que, em 1855, inventou uma m´aquina que registrava atrav´es de um estilete as ondas sonoras gravadas em um papel cil´ındrico de estanho. O registro era unicamente gr´afico e as vibra¸c˜oes registradas n˜ao podiam ser convertidas em som. Essa m´aquina se chamava fonaut´ografo.4

Em abril de 1877, o francˆes Charles Cros (1842–88) apresentou, junto `a Academie des Sciences, um artigo contendo propostas para a reprodu¸c˜ao sonora, mas ele n˜ao chegou a colocar suas teorias em pr´atica. Segundo relatos existentes, isso aconteceu por falta de financiamento para concretizar sua inven¸c˜ao (Chanan, 1995, p.23; Grove, 2001, p.8 — verbete Recorded Sound ). No mesmo ano, o inventor americano Thomas Edison (1847–1931) apresentou um estudo acerca da grava¸c˜ao e reprodu¸c˜ao sonora. Este estudo surgiu como uma ramifica¸c˜ao de suas pesquisas envolvendo a transferˆencia de dados a partir da impress˜ao em papel dos caracteres do c´odigo Morse (Speaking Telegraph):

3

Mann, 1924, p.713.

4

Estava trabalhando numa m´aquina cuja finalidade era transferir au- tomaticamente os caracteres Morse gravados num papel perfurado a outros circuitos. Quando o papel passava sob a ponta de uma agulha gravadora, um mecanismo conectava o contato do circuito, fechando-o. Manipulando o tel´egrafo verifiquei que quando o papel perfurado girava com grande rapidez produzia um ru´ıdo destas perfura¸c˜oes com um som r´ıtmico musical assemelhando-se ao da voz humana escutada de modo indistinto. Isto me conduziu a tentar adaptar um diafragma `a m´aquina. Vi imediatamente que o problema do registro da fala humana, de modo que ela pudesse ser repetida por meios mecˆanicos tantas vezes quanto fosse desejado estava resolvido (Thomas Edison citado por Franceschi, 1984, p.12 e tamb´em citado em Read and Welch, 1976, p.18).5

Edison substituiu o papel do tel´egrafo por um cilindro coberto com uma folha de estanho (tin-foil ) onde eram gravadas e reproduzidas as ondas sonoras. O fon´ografo (Figura 2.1) foi utilizado nos primeiros anos como brinquedo e m´aquina para auxiliar nos trabalhos de escrit´orio. Segundo o pr´oprio Thomas Edison, seu invento poderia ser utilizado para: escrever cartas e outras formas de ditado, livros sonoros para cegos, aux´ılio na educa¸c˜ao escolar, reprodu¸c˜ao musical, registros familiares (como as “´ultimas palavras de um membro da fam´ılia prestes a morrer”), brinquedos e caixinhas de m´usica, rel´ogios sonoros (“para nos avisar as horas do dia”), an´uncios diversos e, por ´ultimo, registrar paras as futuras gera¸c˜oes as vozes de pessoas c´elebres como Washington, Lincoln e Gladstone entre outros.6

A fraca resolu¸c˜ao sonora e a irregularidade na velocidade da reprodu¸c˜ao — que at´e ent˜ao era feita manualmente — fez com que o fon´ografo n˜ao alcan¸casse grande sucesso comercial. Edison s´o retomaria seu invento dez anos mais tarde.

Em 1886, Alexander Graham Bell e Chichester Bell projetam um novo m´etodo de grava¸c˜ao semelhante ao fon´ografo de Edison chamado de grafofone,7

que passou a ser vendido em 1888. Diferentemente do primeiro prot´otipo de Edison, o gra- fofone possu´ıa um cilindro remov´ıvel de papel˜ao revestido com uma fina camada de cera. O grafofone tamb´em possu´ıa um motor que mantinha a regularidade da reprodu¸c˜ao e da grava¸c˜ao, que utilizava um novo sistema de corte e registro das

5

Antes de Martinville, Cros e Edison, houveram outras tentativas de registro gr´afico dos sons como o mel´ografo (melograph). Essa inven¸c˜ao foi concebida por Leonhard Euler (1707–83), constru´ıda por Johann Hohlfeld por volta de 1752 e consistia em dois cilindros de papel em que eram marcadas as posi¸c˜oes das notas e das dura¸c˜oes tocadas num piano atrav´es de um l´apis (Grove, 2001, p.7 — verbete Recorded Sound ).

6

Edison, 1878, p.531–534.

7

Figura 2.1: Fon´ografo original de Edison, 1877 (Science Museum, London). Fonte: Grove, 2001, p.9, verbete Recorded Sound.

ondas sonoras baseada no princ´ıpio da agulha flutuante, diferente do corte vertical hill-and-dale do fon´ografo de Thomas Edison.8

No mesmo ano de lan¸camento do Dictaphone (vers˜ao comercial do grafofone para ser utilizado em escrit´orios), Thomas Edison retoma seu trabalho com o fon´ografo, que se mostra mais atraente ao mercado devido a utiliza¸c˜ao de um cilindro maci¸co de cera que podia ser gravado e apagado v´arias vezes, em contra- posi¸c˜ao ao cilindro de papel˜ao com uma fina camada de cera do grafofone, mais rapidamente descart´avel (Chanan, 1995, p.25; Franceschi, 1984, p.15). Edison tamb´em lan¸caria o “Perfected Phonograph” como uma m´aquina de ditados para ser utilizada em escrit´orios.9

8

O sistema de corte vertical hill-and-dale de Thomas Edison se diferenciava do corte lateral empregado no fonaut´ografo de Scott e na m´aquina concebida por Cros. O corte lateral se tornar´a o padr˜ao na era do disco plano (Chanan, 1995, p.24).

9

Nesta ´epoca, a companhia de Thomas Edison produziu alguns filmes para divulga¸c˜ao do uso do fon´ografo em escrit´orios comerciais. Uma dessas pel´ıculas de aproximadamente 8 minutos, dividida em duas partes, mostra a cena de um escrit´orio que se encontrava em total desordem devido `a sobrecarga de trabalho da secret´aria esten´ografa. Com a chegada do vendedor do ditafone tudo seria superado. Podiam-se ditar, no cone do ditafone, quantas cartas fossem necess´arias sem a presen¸ca da secret´aria que, no dia seguinte, transcreveria tudo para a m´aquina de datilografar com a utiliza¸c˜ao de um fone de ouvido. O paradoxo ´e que o v´ıdeo, dividido em duas partes, era produzido sem som algum devido `a impossibilidade de unir som e imagem naquela ´epoca. Os v´ıdeos est˜ao dispon´ıveis em: http://hdl.loc.gov/loc.mbrsmi/edmp.4058.

Figura 2.2: Grava¸c˜ao da Banda de Sopros da Marinha dos Estados Unidos. Nota-se que a grava¸c˜ao era feita por m´ultiplos fon´ografos e, junto deles, v´arias

pessoas para oper´a-los simultaneamente.

Foto publicada no facsimile do The Phonogram, 1891, p.226. Dispon´ıvel em: http://www.tinfoil.com/.

Nos anos 1890, inicia-se nos Estados Unidos a venda de cilindros com grava¸c˜oes de cantores, instrumentistas e artistas cˆomicos pela Columbia Phonograph Com- pany. No entanto, a produ¸c˜ao muito se aproximava de um processo artesanal pois, s´o eram vendidos originais. Em outras palavras, toda grava¸c˜ao vendida era um original. Nesta ´epoca, utilizavam v´arios fon´ografos para registrar o evento musical ao mesmo tempo (Figura 2.2). As c´opias de um mesmo cilindro s´o tiveram in´ıcio no come¸co do s´ec. XX com o pant´ografo — um sistema criado pela Path´e em 1896 para fazer c´opias de cilindros usando uma segunda agulha e um segundo cilindro acoplados. S´o no in´ıcio dos anos 1900 foi desenvolvido por Edison o sistema de ci- lindros moldados para se produzir in´umeras c´opias a partir de um original (Grove, 2001, p.8 — verbete Recorded Sound ).

A grande revolu¸c˜ao no mundo de produ¸c˜ao dos sons gravados veio com Emile Berliner, um alem˜ao que emigrara para os Estados Unidos e que desenvolveu um processo de registro em disco plano. Sua reprodu¸c˜ao se dava num aparelho que ele chamou de gramofone. A grande vantagem comercial dos discos planos foi a possibilidade de criar dezenas e at´e centenas de c´opias a partir de uma matriz. Segundo Chanan (1995, p.28), “a solu¸c˜ao do problema da reprodu¸c˜ao em massa

envolveu a separa¸c˜ao do processo de grava¸c˜ao do processo de reprodu¸c˜ao”. No en- tanto, o gramofone obteve maior sucesso comercial gra¸cas a Eldridge Johnson, que desenvolvera motores para tornarem est´aveis a rota¸c˜ao dos gramofones de Berli- ner. Algum tempo depois, Johnson criaria um equipamento superior ao original de Berliner e fundaria a Victor Talking Machine Company (anteriormente chamada Consolidated Talking Machine Corporation). O gramofone e o disco tiraram do ouvinte a possibilidade da grava¸c˜ao sonora, agora s´o restrita ao meio industrial. O p´ublico s´o retomar´a o poder de cria¸c˜ao fonogr´afica com a fita magn´etica cinq¨uenta anos depois.10

In´umeras ind´ustrias de grava¸c˜ao em disco foram criadas. Read e Welch (1977) afirmam que os cilindros foram inicialmente desenvolvidos para utiliza¸c˜ao em es- crit´orios, j´a os discos de Berliner foram pensados desde o in´ıcio apenas para a reprodu¸c˜ao da fala e da m´usica para o entretenimento dom´estico, excluindo sua possibilidade de explora¸c˜ao para ditados (p.122).11

Os cat´alogos de grava¸c˜oes musicais profissionais come¸caram a aparecer a par- tir de 1900 simultaneamente nos Estados Unidos, Europa e Brasil, seguido pela Argentina no mesmo ano. Primeiramente, foram vendidos tanto discos como ci- lindros.12

Paulatinamente, o mercado de discos e gramofones foi substituindo o ramo de cilindros e fon´ografos. A tentativa de uni˜ao de ambos os suportes em um ´

unico aparelho ocorreu no in´ıcio dos anos 1900 com o Deuxphone (Figura 2.3) — bem como o surgimento de outros aparelhos que reproduziam formatos diferentes de cilindros, todos sem sucesso comercial.

10

Para uma hist´oria completa da grava¸c˜ao no s´eculo XX incluindo gravadoras e patentes confira: (Chanan, 1995; Coleman, 2003; Day, 2000; Katz, 2004; Sterne, 2003; Tinhor˜ao, 1981; Franceschi, 2002, 1984; Eisenberg, 2005; Read and Welch, 1976).

11

Os primeiros discos de Berliner eram de cera e, depois, come¸caram a ser prensados em goma laca (shellac, em inglˆes). Na seq¨uencia, outros ingredientes foram adicionados `a goma laca, formando uma massa que dava melhor qualidade ao disco e consequentemente, menos chiado.

12

Os cat´alogos de cilindros iniciaram com a Columbia que em 1891 traziam Marchas de Sousa e mon´ologos cˆomicos e, pouco depois em 1893, o cat´alogo j´a contava com 32 p´aginas contendo valsas, polcas, marchas, recita¸c˜oes e cursos de idiomas (Chanan, 1995, p.26). Em 1900, a Gra- mophone Company, formada na Inglaterra em 1898, j´a possu´ıa um cat´alogo de 5000 t´ıtulos fonogr´aficos com grava¸c˜oes com gˆeneros de diversas nacionalidades para atender p´ublicos dife- rentes (1995, p.29).

Figura 2.3: The Deuxphone reproduzia tanto cilindros quanto discos. Fonte: Read and Welch, 1976, p.164.