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Örgütsel Sinizm Ve Genel Sinizm Ölçeklerine İlişkin

3. BÖLÜM HASTANELERDE ÖRGÜTSEL SİNİZM

3.8 BULGU VE YORUMLAR

3.8.4 Örgütsel Sinizm Ve Genel Sinizm Ölçeklerine İlişkin

Alguma coisa de semelhante aconteceu com os gramofones de manivela que as alegres matronas da Fran¸ca trouxeram, em substitui¸c˜ao aos antiquados realejos, e que t˜ao profundamente afetaram por algum tempo os interesses da banda de m´usica. No princ´ıpio, a curiosidade multiplicou a clientela da rua proibida, e soube-se at´e de senhoras respeit´aveis que se disfar¸caram de malandro para observar de perto a novidade do gramofone, mas o observaram tanto e de t˜ao perto que muito rapidamente chegaram `a conclus˜ao de que n˜ao era um moinho de brinquedo, como todos pensavam e como as matronas diziam, mas um truque mecˆanico que n˜ao podia se comparar com uma coisa t˜ao comovedora, t˜ao humana e t˜ao cheia de verdade cotidiana como uma banda de m´usica. Foi uma desilus˜ao t˜ao s´eria que quando os gramofones se popularizaram, a ponto de haver um em cada casa, n˜ao foram encarados como objetos para a divers˜ao dos adultos, mas como uma coisa boa para as crian¸cas desmontarem.20

A conquista dos sons gravados no Brasil a partir das grava¸c˜oes realizadas pe- las gravadoras no come¸co do s´eculo permitiu ao m´usico popular o contato com ex- periˆencias completamente novas tanto na profissionaliza¸c˜ao da atua¸c˜ao em est´udio

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Garc´ıa M´arquez, Gabriel. Cem anos de solid˜ao. Trad. de Eliane Zagury. Rio de Janeiro: O Globo, 2003. p.207-8. [T´ıtulo original: “Cien A˜nos de Soledad”, 1967].

(cria¸c˜ao, interpreta¸c˜ao e arranjo) como na possibilidade de escuta de suas pr´oprias performances. Segundo Tinhor˜ao,

At´e o surgimento da Casa Edison, as ´unicas possibilidades de ganhar algum dinheiro com m´usica, no Brasil, eram a edi¸c˜ao de composi¸c˜oes em partes para piano, o emprego em casas de m´usica, o trabalho even- tual em orquestras estrangeiras de teatro de passagem pelo Brasil, a conquista de um lugar nas orquestras para dan¸car (grupos de choro, ou apenas um piano) e, finalmente, o engajamento, como instrumentista, nas bandas militares (Tinhor˜ao, 1981, p.23).

[...] A comercializa¸c˜ao no s´ec. XIX ficava restrita `a venda de partituras e instrumentos musicais (Tinhor˜ao, 1998, p.247).

Com a chegada da cultura da grava¸c˜ao tornava-se necess´ario o desenvolvimento de um metier pr´oprio do est´udio. Desta maneira, maestros, arranjadores, m´usicos e t´ecnicos de grava¸c˜ao deveriam antes de tudo, planejar as estrat´egias que anteci- pavam o registro musical. Isso funcionaria como a cria¸c˜ao de uma imagem pr´evia do material sonoro a ser gravado na cera tais como: sonoridade da instrumenta¸c˜ao, disposi¸c˜ao no espa¸co diante do cone de metal, tempo a ser gasto na performance. De fato, a fonografia no come¸co do s´eculo passado estava muito pr´oxima do que chamar´ıamos mais tarde de documenta¸c˜ao de um evento musical. Apesar disso, entendemos que desde o come¸co das grava¸c˜oes mecˆanicas j´a estavam em pr´atica procedimentos de constru¸c˜ao de um evento sonoro: numa fase inicial, estetica- mente voltado `a fidelidade da performance ao vivo e, numa fase posterior, ligada `a re-cria¸c˜ao de um novo produto est´etico. Segundo Chanan (1995, p.6), ambos atuaram no processo de transformar a m´usica e a performance num objeto.21

Outro importante fato a ser levado em conta na gama de contribui¸c˜oes que a fonografia trouxe para a cultura da grava¸c˜ao no Brasil, foi a possibilidade de se poder ouvir m´usicas diversas de todos os estilos e gˆeneros que aqui chegaram. O disco pˆode interligar o Brasil de norte a sul sob o aspecto da produ¸c˜ao musical e fez isso muito antes do r´adio. Vale ressaltar que, como vimos anteriormente, a produ¸c˜ao n˜ao ficava restrita `a ent˜ao capital federal na cidade do Rio de Janeiro, centros como Porto Alegre, por exemplo, tinham gravadoras pr´oprias e um acervo em cat´alogo com especial aten¸c˜ao `as manifesta¸c˜oes regionais.22

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As pr´oprias descri¸c˜oes de como eram as grava¸c˜oes mecˆanicas, tais como a disposi¸c˜ao dos m´usicos na sala, adapta¸c˜ao das obras e a possibilidade de se ouvir o material gravado e fazer uma nova grava¸c˜ao, j´a corrigindo as “imperfei¸c˜oes”, nos levam a afirmar que considerar tais grava¸c˜oes como simples documenta¸c˜ao torna-se um erro conceitual e hist´orico.

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A produ¸c˜ao e comercializa¸c˜ao de m´usica popular no Brasil no come¸co do s´eculo XX foi t˜ao significativa quanto a de qualquer outro pa´ıs atuante no ramo de m´usica gravada. Os cat´alogos da Casa Edison para 1901 e 1902 (come¸co das grava¸c˜oes) possu´ıam um repert´orio muito variado, contendo ´arias de ´operas italianas e um grande n´umero de m´usica popular brasileira vocal e instrumental. O maior foco das produ¸c˜oes nacionais eram as can¸c˜oes (lundus, modinhas, can¸conetas, maxixes entre outros gˆeneros) (cf. Cat´alogo da Casa Edison 1902).

A m´usica popular, considerada de sucesso efˆemero (as ceras eram derretidas ap´os a grava¸c˜ao e algumas matrizes destru´ıdas ap´os a prensagem), atendia `as necessidades de propriet´arios de gravadoras, artistas, p´ublico e `as exigˆencias da tecnologia da ´epoca. A f´ormula m´usica popular/disco formava um am´algama cada vez mais unit´ario e tudo parecia corroborar para o sucesso conjunto. Sua produ¸c˜ao em disco atendia plenamente: a) aos propriet´arios de gravadoras pois tinha custo reduzido em rela¸c˜ao aos pagamentos dos m´usicos e dos direitos autorais aos compo- sitores;23

b) `a incipiente profissionaliza¸c˜ao dos m´usicos populares, trazendo novas possibilidades de emprego e difus˜ao da express˜ao art´ıstica de tais m´usicos at´e ent˜ao pouco reconhecidos; c) tamb´em `a cultura popular brasileira como um todo, pois as can¸c˜oes levavam aos discos sons e narrativas presentes no cotidiano dos citadinos, sobretudo do Rio de Janeiro, fato s´o descoberto pelos historiadores e “int´erpretes” do Brasil muito tempo depois; e, por ´ultimo, d) `as possibilidades t´ecnicas dis- pon´ıveis no momento, pois a m´usica popular — entre as manifesta¸c˜oes dispon´ıveis — possu´ıa formas estruturais e texturais simples e facilmente adapt´aveis ao tempo dispon´ıvel nos discos/cilindros e aos processos de grava¸c˜ao mecˆanica. Em resumo, a est´etica da m´usica popular gravada ia se constituindo dentro de um aparato pr´oprio assegurado pelos processos da cultura da grava¸c˜ao no Brasil. Diferente- mente da m´usica erudita — que ainda possu´ıa seu p´ublico cativo nas salas de concerto e que, para a fonografia, apresentava exigˆencias muito al´em das possi- bilidades comerciais e tecnol´ogicas da ´epoca — a m´usica popular se apresentava com uma est´etica ainda em forma¸c˜ao e se unia justamente a uma ind´ustria do entretenimento tamb´em dando seus primeiros passos.

Chanan (1995), ao abordar a fonografia norte-americana, destaca que houve uma explos˜ao de novos estilos e formas de m´usica popular at´e ent˜ao marginais e esse processo teve dois fatores determinantes: “baixo custo nos neg´ocios e alta

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Eisenberg (2005) relata que no caso do blues gravado nos Estados Unidos, os propriet´arios das gravadoras privilegiavam as m´usicas de tradi¸c˜ao oral baseadas no folclore. Assim, evitariam os pagamentos dos direitos autorais.

potencialidade nos lucros” (p.6). O autor afirma tamb´em que os baixos custos na produ¸c˜ao dos “race records” foram a base para sua explora¸c˜ao ao longo dos anos 1920 (p.44-7). Para ele, o fato do fon´ografo ter obtido amplo sucesso popular ainda em fins do s´eculo XIX deveu-se ao formato: grava¸c˜oes curtas de m´usicas famosas cantadas por vozes fortes e instrumentos volumosos (1995, p.26).

No Brasil essa pr´atica n˜ao foi diferente. Segundo Napolitano (2005), Nos quinze primeiros anos de hist´oria fonogr´afica brasileira, o que pre- dominava era a repeti¸c˜ao dos padr˜oes fonogr´aficos internacionais: vo- zes oper´ısticas e empostadas, acompanhamentos orquestrais compactos (cordas e metais) e formas musicais com aspira¸c˜oes a serem “m´usica s´eria” (sobretudo trechos de operetas, modinhas solenes, valsas brejei- ras, toadas “sertanejas” parnasianas).

Essa repeti¸c˜ao de padr˜oes acontecia, em grande parte, pela impossibilidade de capta¸c˜ao e de manipula¸c˜ao do material gravado na era mecˆanica, evitando o surgimento de novas sonoridades. Esse foi o per´ıodo de maior uniformiza¸c˜ao da ind´ustria mundial do disco. Mas, do mesmo modo que a fonografia brasileira repetia padr˜oes da ind´ustria estrangeira, tamb´em criava seus pr´oprios padr˜oes de sucesso. O acompanhamento de um ou dois viol˜oes e a forma¸c˜ao do regional de choro (bandolim ou cavaquinho, com flauta, clarinete e viol˜ao) iam aos poucos dominando a cena sonora dos discos mecˆanicos. Vale ressaltar que, diferentemente do que Napolitano afirma na cita¸c˜ao acima, as grava¸c˜oes com naipes de cordas n˜ao eram muito comuns nas duas primeiras d´ecadas da fonografia brasileira.

Quanto aos suportes de registro, Franceschi (2002, p.38) afirma que na era mecˆanica existiram v´arios tipos de cilindro: standard size — cera branca, marrom e grava¸c˜ao de 2 minutos; concerto — possibilitava grande volume de som; amberol — cera dura preta e grava¸c˜ao de 4 minutos; e amberol azul — de cor azul tamb´em gravava 4 minutos e foi utilizado a partir de 1912. Esse tempo (dois a quatro minutos aproximadamente) acabou padronizando at´e os dias atuais o tempo de uma can¸c˜ao popular gravada. Os quatro CDs com registros sonoros (de diferentes selos) que acompanham o livro da Casa Edison nos d´a uma panorˆamica dessa temporalidade da can¸c˜ao. Das 95 can¸c˜oes, apenas uma tem menos de dois minutos. Percebe-se que na listagem e na minutagem que fizemos, praticamente nenhuma can¸c˜ao tinha mais de trˆes minutos e quarenta segundos at´e a segunda metade dos anos 1910, sendo trˆes minutos e meio o tempo m´edio das can¸c˜oes gravadas. A

partir da segunda metade dos anos 1910, encontramos can¸c˜oes maiores. “Pelo telefone” de 1917, por exemplo, tem quatro minutos e quatro segundos. Quatro minutos e meio era o limite m´aximo para as grava¸c˜oes at´e 1948 (Katz, 2004, p.31). Logo no in´ıcio, as m´usicas populares se adaptaram facilmente e n˜ao era ne- cess´ario segmenta-las para serem colocadas em dois lados de um disco ou mais de um disco (de 7” e 10”). Eisenberg (2005) afirma que o disco de 78 r.p.m. de 10” deu a forma cl´assica para o blues americano no come¸co do s´eculo. Ao longo das d´ecadas de 1910–20, as dura¸c˜oes das can¸c˜oes variavam para se adaptar `a diversidade de formatos de discos diferentes no mercado.24

Para a grava¸c˜ao de m´usica erudita, no Brasil e no exterior, as obras eram “abreviadas” ou fixadas em mais de uma chapa. O primeiro grande exemplo que temos foi a grava¸c˜ao da 5a

Sinfonia de Beethoven, feita por Arthur Nikish em 1913, ocupando 8 discos de 78 r.p.m. de um ´unico lado (Chanan, 1995; Day, 2000). No Brasil, temos o exemplo da abertura da Sinfonia do Guarany gravada em trˆes cilindros e presente no cat´alogo da Casa Edison de 1902 (p.51). Para Katz (2004), a descontinuidade na experiˆencia da escuta de obras segmentadas causada pela necessidade de mudan¸ca nos lados dos discos levaria a uma percep¸c˜ao das obras ditada pela dura¸c˜ao dos discos e n˜ao pela m´usica em si (p.32).