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Hastane Çalışanlarının Demografik Özellikleri İle Genel ve

3. BÖLÜM HASTANELERDE ÖRGÜTSEL SİNİZM

3.8 BULGU VE YORUMLAR

3.8.6 Hastane Çalışanlarının Demografik Özellikleri İle Genel ve

Um dos grandes problemas na era mecˆanica e que estava diretamente ligado ao equil´ıbrio da grava¸c˜ao ´e o posicionamento dos m´usicos no est´udio. Como vimos, os instrumentos graves e de pouca proje¸c˜ao ficavam suspensos numa esp´ecie de arquibancada e o cantor ou solista, quase sempre posicionados na frente do grupo. Timothy Day (2000) relata o fato de alguns instrumentistas gravarem de costas para o cone de metal e de frente para a orquestra (no caso das trompas). Neste caso, esses m´usicos viam o maestro atrav´es de um espelho. Aconteciam tamb´em al- gumas adapta¸c˜oes para os instrumentos projetarem seu som mais adequadamente, como o violino Stroh, por exemplo.

Aos poucos, os maestros e arranjadores iam se tornando especialistas em re- orquestrar as obras para serem captadas adequadamente. Segundo Day (2000), Elgar incluiu harpa na grava¸c˜ao, instrumento inexistente na partitura original, usado na ocasi˜ao para refor¸car o acompanhamento do seu Concerto para Violino. Instrumentos de sopros eram convocados para substitu´ırem ou dobrarem as partes das cordas graves (por exemplo, fagotes dobrando cellos). Stokowski era um grande “construtor de sons” no est´udio. O maestro era criterioso no trabalho com os equil´ıbrios dos instrumentos e, mais tarde, ele atuaria tamb´em nos processos de mixagem (Eisenberg, 2005, p.123–6).

No Brasil n˜ao era diferente. O papel do arranjador de est´udio, iniciado por Anacleto de Medeiros, ser´a ampliado progressivamente dos anos 1920 aos 1960. As grandes bandas militares de sopros, os seresteiros das ruas, os regionais de choro tinham que ter uma redu¸c˜ao significativa no n´umero de instrumentistas. Da famosa Banda do Corpo de Bombeiros por exemplo, com seus 45 m´usicos, apenas um grupo de aproximadamente 12 m´usicos participavam das grava¸c˜oes, o que contava com a criatividade do maestro Anacleto para as re-orquestra¸c˜oes, bem como no trabalho de posicionamento dos m´usicos buscando um equil´ıbrio satisfat´orio. A banda do Corpo de Bombeiros conseguiu em suas grava¸c˜oes um rendimento t´ecnico substancial, apesar da precariedade dos processos de grava¸c˜ao mecˆanica. As interpreta¸c˜oes desses m´usicos tamb´em revelam uma leveza r´ıtmica que n˜ao era comum `as bandas militares da ´epoca. Provavelmente isso se devia ao fato de parte dos m´usicos serem compositores e int´erpretes de choro. Segundo Franceschi (2002, p.118), tais forma¸c˜oes instrumentais com instrumentos de sopros sinfˆonicos eram mais adequadas `a grava¸c˜ao mecˆanica do que os tradicionais grupos

de flauta, cavaquinho, viol˜ao, piano entre outros. No entanto, verificamos que as grandes forma¸c˜oes de sopros eram mais adequadas para atenderem apenas `a necessidade de maior press˜ao sonora — o que na maioria das vezes extrapolava o limite aceit´avel pela grava¸c˜ao mecˆanica, como podemos perceber em alguns registros com banda. Em muitos casos, tinha-se um som mais equilibrado e com maior defini¸c˜ao dos instrumentos em forma¸c˜oes menores.28

Para Franceschi (2002, p.117) “a grava¸c˜ao em disco dava `as composi¸c˜oes, fixando pela orquestra¸c˜ao e pela interpreta¸c˜ao, o car´ater desejado. Criava a unidade de linguagem da m´usica e, al´em de cristalizar o sucesso, definia o momento musical da ´epoca”. Importante observar que Franceschi, ao falar sobre a defini¸c˜ao do “momento musical da ´epoca”, d´a-nos a impress˜ao de se poder delimitar, atrav´es dos discos, as diversas sonoridades que a m´usica popular foi construindo com o passar dos anos. A unidade na linguagem ser´a verificada, sobretudo, na era do r´adio, assunto a ser discutido no pr´oximo cap´ıtulo. Ainda segundo Franceschi (2002, p.207),

A etapa de grava¸c˜ao era cumprida em duas sess˜oes, ambas feitas num mesmo dia: uma de ensaio e outra de grava¸c˜ao propriamente dita, programada para lan¸camento quase imediato. Os fabricantes consi- deravam o disco popular como de sucesso efˆemero. Mais tarde, com base nessa justificativa, derreteram-se as ceras. Inicialmente, gravava- se com cera vinda da Alemanha. Por dificuldade de importa¸c˜ao ou por medida de economia, passou a ser derretida e reaproveitada para novo uso. Quando derretida, transformava-se numa massa muito se- melhante a sab˜ao. Constitu´ıa-se, ent˜ao, na mat´eria-prima usada nas novas fˆormas. A partir dos anos 20, a cera n˜ao foi mais derretida. A camada afetada pela agulha gravadora era pequena em rela¸c˜ao `a espes- sura da cera na fˆorma. Optou-se, ent˜ao, por raspar a camada afetada e, em seguida, polir a cera para nova grava¸c˜ao.

Percebemos nesta descri¸c˜ao que era necess´ario um grande virtuosismo por parte de int´erpretes e t´ecnicos. Os custos da grava¸c˜ao mecˆanica, em geral, eram altos (quando comparados `a era el´etrica, posterior) e a escassez de t´ecnicos qua- lificados levava as gravadoras a produzirem at´e 10 grava¸c˜oes por dia, fato que, eventualmente, poderia levar a deslizes interpretativos.

Um problema verificado nas interpreta¸c˜oes gravadas na era mecˆanica diz res- peito ao controle do andamento e `as entradas nas can¸c˜oes. Nas performances ao vivo sem a presen¸ca de um maestro, vemos m´usicos e cantores se entreolhando

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para garantir as entradas em conjunto no tempo certo. Nas era mecˆanica, de- sencontros entre os m´usicos e cantores, quedas e varia¸c˜oes nos andamentos eram constantes, pois os mesmos n˜ao necessariamente estavam se vendo ou ouvindo com a nitidez necess´aria. A necessidade de se resolver problemas ac´usticos da grava¸c˜ao mecˆanica com a disposi¸c˜ao espacial na sala era uma meta a ser alcan¸cada que se sobrepunha, inclusive, `a qualidade da interpreta¸c˜ao. Segundo Day (2000, p.10),

O cantor era obviamente capaz de interpretar muito perto do cone de metal e, muitas vezes, ele tinha que realmente colocar a sua cabe¸ca dentro do cone. No entanto, esta maneira de executar causaria imedi- atamente dificuldades para os acompanhadores. Como eles poderiam se comunicar com o cantor — um deles havia relatado — se tudo que ele podia ver, como frequentemente acontecia, eram suas n´adegas?

Devido ao posicionamento dos m´usicos e, em muitos casos, `a falta de possibi- lidade de comunica¸c˜ao entre eles, percebem-se muitos “desencontros” de ataques nas grava¸c˜oes deste per´ıodo.

O registro de freq¨uˆencias na era mecˆanica, segundo Franceschi, ficava entre 168 e 2000 Hz aproximadamente. A margem de varia¸c˜ao destas freq¨uˆencias era grande e dependia muito do equipamento, da disposi¸c˜ao dos m´usicos na sala e do arranjo. Em algumas m´usicas e forma¸c˜oes muito especiais, a capta¸c˜ao poderia chegar a menos de 100 Hz. Por´em, a reprodu¸c˜ao dependia muito da resposta de freq¨uˆencia dos cones dos gramofones e fon´ografos.

Ao contr´ario do que afirmam alguns pesquisadores, a percuss˜ao podia ser gra- vada sem maiores problemas na era mecˆanica. Tais instrumentos apenas tinham de ter suas peles adaptadas e um posicionamento criterioso na sala de grava¸c˜ao, da mesma forma que os outros instrumentos (Katz, 2004, p.39).29