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Petrol Fiyatlarının İşsizlik Üzerindeki Etkisi

3.5 Ekonometrik Bulgular

3.5.4 Petrol Fiyatlarının İşsizlik Üzerindeki Etkisi

A história dos deslocamentos humanos no Brasil se confunde com a própria história de formação da nação brasileira. Pois não se pode falar sobre o Brasil, como unidade territorial, social e histórica, sem estar ciente da força exercida pelos movimentos populacionais nas junções culturais e evolução econômica de nossa sociedade nos últimos cinco séculos.

Como bem destacou Darcy RIBEIRO (1995), a matriz cultural, política e econômica forjada ao longo de 500 anos, só pôde ser alcançada às custas de intensos contatos e trocas de populações tão diversas quanto ameríndios, africanos e europeus.

40 Exceção feita ao caso da emigração para a Guiana Francesa, baseada numa única publicação (AROUCK,

Seria interessante, se possível, reconstituir estruturalmente os sistemas das migrações forçadas ao longo de todo o período colonial e imperial — tanto os deslocamentos infligidos aos índios que aqui já se encontravam estabelecidos, quanto os deslocamentos promovidos pelo tráfico de escravos oriundos dos territórios africanos — além das levas de europeus e, posteriormente, asiáticos que aportaram nas costas brasileiras em busca do Paraíso. Talvez, com tal reconstituição, pudéssemos compreender melhor a participação dos grupos sociais, das instituições de Estado e relações de mercado que fundamentaram a formação de uma sociedade miscigenada e, ao mesmo tempo, unificada, que, ainda hoje, exercem profundas conseqüências sobre os atuais deslocamentos no território nacional.

No final da fase do Império, a partir de meados do século XIX, o Brasil, inserido no contexto internacional de expansão do capitalismo industrial, desempenhou a função de país de imigração, recebendo intensos fluxos de imigrantes internacionais durante décadas.

Para Fausto BRITO (1995) essa função respondia a duas demandas específicas e fundamentais: 1) a preocupação política do Estado brasileiro com a “eugenização” de sua população (o processo de branqueamento da população nativa através da “importação” de imigrantes europeus, especialmente alemães, italianos e espanhóis SEYFERTH, 2001); 2) a inserção estrutural periférica do Brasil na economia capitalista mundial, acolhedor da mão- de-obra excedente dos mercados de trabalho das economias centrais, e disponibilizador de recursos naturais e espaços a serem ocupados.

Essas duas “demandas” fundamentais, estabelecidas diante da figuração histórica41 na qual se encontrava o Brasil àquela época, têm fortes e decisivas implicações para o desenvolvimento posterior dos deslocamentos no Brasil contemporâneo.

Como veremos, por exemplo, no caso da imigração italiana, as decisões tomadas pelo Estado brasileiro sobre as políticas sociais de incentivo às imigrações têm impacto determinante sobre o processo de recrutamento e intermediação dos imigrantes italianos no

41 O sentido de “figuração histórica” utilizado aqui se deve ao conceito de Norbert Elias em A sociedade de

corte (2001), e propõe, assim, uma perspectiva fundamentalmente sistêmica e relacional. Em outras

palavras, o posicionamento do Brasil (integrando Estado, Sociedade e Mercado) no contexto das relações internacionais estabelece regras estruturais emergentes da configuração de outros países, também posicionados no sistema mais geral. Assim, as “demandas” são como forças estruturalmente condicionadas e ordenadas e, como mostra BRITO (1995:24), as políticas de imigração suscitadas pelos governos do Império e Primeira República são respostas necessárias correspondentes ao posicionamento do Brasil no campo das relações internacionais.

mercado de trabalho brasileiro (HUTTER, 1972). Noutro caso, num primeiro momento da imigração japonesa, no início do século XX, a política segregacionista do Estado em relação aos asiáticos condicionou o recrutamento, a organização e absorção dos fluxos de imigrantes japoneses em território brasileiro e, muito mais tarde, teve reflexos importantes sobre o início do ciclo da emigração dekassegui para o Japão, já no final do século XX (BASSNEZZI, 1995; SAITO, 1980).

Desse modo, a compreensão das figurações históricas são importantes para o estabelecimento das principais conexões causais definidoras do contexto estrutural dos deslocamentos e trajetórias pessoais dos migrantes.

O período analisado neste capítulo se situa entre as primeiras ondas imigratórias em fins do século XIX, até o movimento contrário, de expulsão de brasileiros para o exterior, no último quartel do século XX.

A distinção opositiva entre esses dois momentos na história recente dos deslocamentos no Brasil, segundo BRITO (1995: 29), se deve à reestruturação produtiva do sistema capitalista global que, atualmente, promove o movimento inverso das populações, em relação à Segunda Revolução Industrial na segunda metade do século XIX. Contemporaneamente, a tendência observada dos fluxos populacionais internacionais vai dos países periféricos (como o Brasil) para os países centrais do sistema capitalista. E, desse modo, o Brasil tem-se tornado, nos últimos 20 ou 30 anos, um país de emigrantes internacionais. Brasileiros que buscam, na mobilidade espacial para os países capitalistas centrais, encontrar também a sonhada mobilidade social (BRITO, 1995; PATARRA e BAENINGER, 1995; SALES, 1992 e 1995).

Quanto ao desenvolvimento das estruturas e mecanismos intermediários desses sistemas migratórios, vale aqui ressaltar os impactos gerados recentemente sobre os deslocamentos e trajetórias clandestinos (SALES, 1992).

Como vimos, a dinâmica do sistema capitalista contemporâneo tem exigido intensa mobilidade das populações de países periféricos em direção aos países centrais (ou se quiser, em áreas de fronteira, de locais mais periféricos para locais mais centrais, como parece ser o caso do deslocamento de brasiguaios, BRITO, 1995:32; SALIM, 1995). Por outro lado, as políticas oficiais de imigração dos países centrais têm ocorrido de maneira

oposta, restringindo cada vez mais os limites de entrada e inserção do imigrante no mercado de trabalho e comunidades de destino (VAINER, 2001; CASTRO, 2001).

Como conseqüência imediata desse descompasso entre as demandas sociais e econômicas e as políticas encetadas oficialmente pelos Estados Nacionais tem-se a ampliação do fosso de desigualdades entre oportunidades e realizações dos projetos migratórios, não apenas na sociedade brasileira, que se traduzem diretamente nas alternativas estratégicas de deslocamento. Em outras palavras, as travessias clandestinas e os chamados deslocados ilegais, indocumentados, compulsórios, refugiados e outras categorias eufêmicas do discurso acadêmico e oficial, têm proliferado e se tornado uma característica marcante dos processos migratórios contemporâneos (VAINER, 2001).

Como salientou Teresa SALES (1992), o trabalhador brasileiro nestes últimos 30 anos tem, cada vez mais, tomado parte desse processo de alienação física e social que se inscreve no seu projeto de deslocamento para terras estrangeiras, como única maneira de solucionar a miséria material e os conflitos sociais e simbólicos estabelecidos na sua vida comunitária.

Assim, atualmente, diversas estratégias de deslocamento foram desenvolvidas em função do novo contexto das relações internacionais. Como pudemos ver, também nos estudos de caso internacionais analisados no capítulo anterior, as migrações internacionais que se utilizam de estratégias clandestinas, associadas às máfias do tráfico humano, têm se tornado práticas comuns entre os agentes da migração (SPAAN, 1994; SINGHANETRA- RENARD, 1992; SPENCER, 1992; CASTRO, 1998).

No caso das emigrações internacionais brasileiras contemporâneas não é diferente. Como veremos a seguir, a emigração para os EUA, Japão e Guiana Francesa seguem amplamente esse padrão internacionalizado da clandestinidade, e reforçam as posições estruturais de atravessadores (brokers) e também das redes sociais da migração (familiares, amizade e de agenciadores).

Benzer Belgeler