5. DENEYSEL ÇALIŞMA VE SONUÇLARI
5.6 Kimyasal Analizler
5.6.5 Petrografik Analiz
A partir dos apontamentos de Leontiev (1978; 2006b), que afirma que ao estudar o desenvolvimento psíquico da criança é necessário considerar sua atividades, e em particular a atividade dominante ou fundamental de cada etapa, e levando em conta a importância que se dá, atualmente, ao processo de comunicação, nos demos a tarefa de apresentar as investigações dos autores que tratam acerca do desenvolvimento e sobre os aspectos relacionados com a comunicação emocional entre criança e adulto, considerada como atividade dominante do desenvolvimento no primeiro ano de vida, para buscar assim as premissas da atividade com objetos e aprofundar no trânsito de uma atividade para a outra.
Segundo Vigotski (1996), a situação social do bebê no primeiro ano de vida caracteriza-se pela contradição entre a sua completa dependência dos adultos, do qual toda a relação desse ser com o mundo circundante é socialemente mediada, e pela suas mínimas possiblidades de comunicação, isto é sua carência de meios fundamentais de comunicação humana.
Para o autor (1996, p. 304), a comunicação no primeiro ano de vida, em lugar de uma comunicação baseada no entendimento mutuo, é manifestação emocional, transferência de afetos, reações positivas ou negativas”61. Nesse período, portanto, o afeto é o processo responsável pela unidade entre as funções sensoriais e motoras (VIGOTSKI, 1996).
De acordo com Mukhina (1995), o nascimento é uma grande revolução para a criança. Ela passa de uma condição estritamente biológica, isto é, de uma existência vegetativa em um
61 No texto em espanhol lê-se: “en lugar de una comunicación basada en el entendimiento mutuo, es manifestaciones emocionales, transferencia de afectos, reacciones positivas o negativas”.
ambiente relativamente constante, para um estado totalmente distinto, adentrando em um local repleto de estímulos, em um ambiente no qual esse ser desamparado se transformará em indivíduo racional. A autora (1995, p. 74) explicita que
Nas novas condições, a vida da criança é assegurada por mecanismos inatos. A criança nasce com um sistema nervoso formado de maneira a adaptar o organismo às novas condições externas. Imediatamente após o nascimento entram em ação os reflexos, que asseguram o funcionamento dos principais sistemas do organismo (a respiração e a circulação do sangue).
Nesse sentido, é consenso entre diversos autores que a vida da criança depende inteiramente do adulto. Normalmente o adulto satisfaz as necessidades orgânicas básicas da criança. O adulto dispõe alimentos, prepara e realiza as condições higiene e banhos, faz a criança dormir, enfim organiza todas as condições necessárias para que a criança sobreviva nessa faixa etária (MUKHINA, 1995; ÁVILA, 2002; ELKONIN, 1998; FACCI, 2006).
Para Mukhina (1995) o adulto realiza também a crescente necessidade da criança em diversos cunhos: “é notável como o bebê se anima quando o pegam no colo. Deslocando-se no espaço graças ao adulto, ela vê uma quantidade maior de objetos, toca-os e, mais tarde, os apanha” (p. 82). Assim, a relação entre adulto e criança é permeada, primeiro, pela ação de satisfazer as necessidades da criança que o adulto realiza e, segundo, pela manifestação evidente de emoções positivas expressas pela criança quando é satisfeito suas necessidades.
No entanto, Mukhina (1995) pleiteia que para o surgimento de uma emoção positiva não é suficiente satisfazer somente as necessidades orgânicas da criança. A autora (1995, p 81) aponta que tal processo apenas elimina as reações negativas e cria condições para as conidções para as sensações prazerosas. Essas sensações, portanto, “devem-se às impressões que a criança recebe, sobretudo no relacionamento com o adulto”. A partir dessas impressões, paulatinamente, forma-se na criança uma reação emocional motora dirigida para o adulto que Mukhina (1995) denomina como complexo de animação.
O complexo de animação se manifesta quando a criança concentra seu olhar no rosto que se inclina sobre ela, sorri para esse rosto, move animadamente os braços e as pernas e emite sons suaves. Esse desejo de comunicação com o adulto é a primeira
necessidade social da criança. O surgimento do complexo de animação demarca a fronteira entre o período de nascimento e o do primeiro ano de vida. (p. 81 e 82,
grifos do autor)
O complexo de animação, portanto, evidencia a reação emocional positiva da criança em relação ao adulto e a clara satisfação por esses arrolamentos. Para Ávila (2002, p. 91), o papel da comunicação emocional da criança com os adultos consiste basicamente em que sob
a influência desta comunicação se cria na criança um estado de ânimo alegre, aumenta suas fronteiras, se torna mais forte sua atividade própria, “e tudo isto tomado em seu conjunto favorece o rápido desenvolvimento locomotor e sensorial da criança”62.
Lísina (1974), por sua vez, destaca que em crianças da mais tenra idade é possível constatar a existência da necessidade de comunicação. A autora (1974) realizou importantes trabalhos nesse sentido e demonstrou que o desenvolvimento emocional, alcançado com tarefas formativas específicas de tipo emocional e baseadas na comunicação adulto/criança, propiciava o desenvolvimento cognoscitivo dos bebês (apud ÁVILA, 2002). Já Elkonin (1998), advoga que a comunicação emocional direta é fundamental no primeiro semestre da vida da criança. Para o autor (1998), essa relação entre adulto e criança e fundamental para as formações sensório-motoras e o valor dessa atividade conjunta com o adulto cria as condições para a criança manipular os objetos em uma etapa posterior. Assim, não é possível estudar o desenvolvimento cognoscitivo da criança lactante, sem relacioná-lo continuamente com a esfera das emocões e, portanto, com a comunicação emocional da criança perante o adulto.
Facci (2006), destaca que já no primeiro ano de vida, o comportamento da criança começa a reestruturar-se e cada vez mais aparecem processos de conduta devido às condições sociais/culturais e influência educativa das pessoas que a circudam. Nessa perspectiva, Mukhina (1995), expõe que a relação emocional com o adulto influi muito positivamente no estado de ânimo da criança. Rotineiramente quando o bebê fica manhoso e não quer brincar, a imagem do adulto alegra a criança e pode bastar para que prossiga sozinho com a brincadeira da qual já não queria mais realizar.
Por outro lado, a autora (1995) adverte que essa necessidade de contato emocional, de enorme importância positiva para a criança pode desencadear processos negativos ao seu desenvolvimento. Isso acontece quando o adulto procura manter-se constantemente ao lado da criança, que por sua vez, se acostuma às atenções permanentes e não se interessa pelos objetos circundantes, chorando quando precisa de algo ou quando fica sozinha por um instante. Nesse sentido, a autora ressalta que
62 No texto em espanhol lê-se: “y todo esto tomado en su conjunto favorece el rápido desarrollo locomotor y sensorial del niño”.
Quando os métodos educacionais são corretos, a relação direta (o relacionar-se por relacionar-se) que caracteriza o período inicial do primeiro ano logo é substituída por uma relação que envolve os objetos e brinquedos e se transforma em atividade
conjunta do adulto e da criança. O adulto apresenta a criança, se se pode dizer
assim, ao mundo material, chama sua atenção para os objetos, mostra-lhe praticamente todas as formas de manipular os objetos, com frequência ajuda a realizar uma ação e orienta os movimento. (ibidem, 1995, p. 83, grifos do autor) A partir desses apontamentos, Elkonin (1998) destaca que se produz na criança uma viragem: passa da fixação nas pessoas para a fixação nos objetos e nas ações com eles realizados. Para o autor (1998) é na atividade conjunta com o adulto que se desenvolve e começa as manipulações e aparecem movimentos e ações que se vão enriquecendo. Mukhina (1995) explica que a atividade conjunta entre adulto e criança consiste no fato de que o adulto medeia as ações da criança e de que a criança, quando não consegue operacionalizar uma ação, recorre a ajuda do adulto. Vale ressaltar, que na atividade conjunta é de grande importância a capacidade de reprodução que a criança tem em relação ao adulto.
Considerando esses pressupostos imitativos, Ávila (2002) explana que o processo de trânsito para a etapa em que a atividade dominante do desenvolvimento é a atividade com os objetos se baseam em dois fatores: a) ao manipular os objetos na comunicação com a criança, o adulto pode transportar seus interesses e suas emoções para com elas e, assim, surgem na criança os interesses cognoscitivos; b) quando começa a decair o complexo de animação aparece uma nova forma de comunicação da criança com o adulto, mediatizada pelos objetos ou pelos brinquedos. Nesta etapa, a comunicação pura chega a entediar a criança que busca a realização por intermédio de uma atividade conjunta.
Essas características começam a exercer maior influência e interesse da crianças, principalmente pelo fato dos adultos realizarem brincadeiras “com diferentes objetos e brinquedos que motivam a criança a realizar muitas ações” (ÁVILA, 2002, p. 92)63. Assim, se quando a criança apresenta estar entediada ao manipular um objeto o adulto intervém e dá um sentido emocional novo as ações, o adulto está ensinando os modos de ação objetal. Para Ávila (2002), esta nova forma de comunicação da criança com os adultos constitui em fator primordial do desenvolvimento das ações com objetos no primeiro ano de vida.
A essa questão Mukhina (1995, p. 84) pleiteia a seguinte consideração:
63
No texto em espanhol lê-se: “con diferentes objetos y juguetes que motivan al niño a realizar muchas acciones”.
As ações que a criança assimila orientada pelo adulto criam a base de seu desenvolvimento psíquico. Assim, já no primeiro ano se manifesta claramente a lei
geral do desenvolvimento psíquico, segundo a qual processos e qualidades psíquicos se formam na criança sob a influência decisiva das condições de vida, da educação e do ensino. A dependência do adulto determina que a criança veja a
realidade (e a si mesma) sempre através do prisma das relações com outra pessoa.
Isso é, a atitude da criança para com a realidade desde o começo tem um caráter social. (grifos do autor)
Desse modo, o adulto, além de satisfazer as crescente necessidades da criança, contribui de maneira decisiva na assimilação da criança com os objetos da cultura, criando novas habilidades e aptidões humanas. Assim, a partir dos movimentos organizados pelo adulto e das ações realizadas pelas crianças nesse período, formam-se as primeiras impressões sobre o mundo circundante e as formas elementares de percepção e reflexão, que permitem a criança se orientar neste universo cultural e constituem uma premissa imprescíndivel para a passagem à assimilação de diversas maneiras de experiência social, o que ocorre primordialmente na primeira infância (MUKHINA, 1995).
Com base na discussão apresentada sobre o primeiro ano de vida, pudemos observar a sociabilidade do bebê e a importância da comunicação emocional entre adulto e criança como recurso imprescíndivel no desenvolvimento psíquico infantil. Tal identificação contribui para o entendimento da concepção de criança neste Enfoque, pois denota como a comunicação emocional e a vida social da criança devem ser critérios para o encaminhamento das práticas na educação com os pequenos. Visto que o desenvolvimento psíquico é carregado de momentos vividos pela criança num processo pleno de contradições, procuraremos no próximo item identificar os conteúdos que se referem às novas formações no momento da primeira infância como formações em movimento, em razão de seu caráter dialético. Neste sentido, no item que se segue, pretendemos caracterizar o momento da primeira infância como uma nova situação social na qual a criança adentra, posta pelas novas possibilidades criadas pela sua atividade, pela relação que estabelece com o entorno e pela mediação do adulto.