2. GENEL BİLGİLER
2.1. Pestisitler
2.1.1. Pestisitlerin sınıflandırılması
O conceito mal-estar surge na obra de Freud muito antes de 1929, quando escreve sua obra Mal-estar na Civilização. Já em 1895, em seu artigo “Sobre os critérios para destacar da neurastenia uma síndrome particular intitulada neurose de angústia”, ele utiliza o termo, mas designando um estado físico, um desconforto, muito próximo do que se utiliza hoje em dia no senso comum.
Porém, como alerta P. Kaufmann (1996, p. 317), somente em O mal-estar na civilização esse conceito ganha a significação de uma intolerância do eu à pressão da culpa.
Culpa, para Freud, é uma ideia onipresente, representada como uma infelicidade interior resultante de uma incriminação do sujeito a si próprio ou de uma persecutoriedade provocada pela projeção de um mal no outro.
Roudinesco e Plon (1998, p. 492) diferenciam o sentimento de culpa consciente do sentimento de culpa inconsciente. O primeiro provém da consciência moral, resultando da agressividade que o eu deseja exprimir em relação aos outros, mas que é domada pela cultura por meio da instância normativa do supereu. A segunda nasce da internalização da autoridade pelo supereu, tornando o sentimento de culpa interno, de modo que este permanece inconsciente e é vivido pelo sujeito como um mal-estar.
Desta forma, podem-se localizar duas origens do sentimento de culpa: a angústia diante da autoridade e a angústia diante do supereu. Balandier (1996, p. 105) compreende que a angústia diante da autoridade, por ser menos patológica, tende a substituir a angústia interiorizada pelo supereu, o que permite, segundo o autor, uma maior banalização da representação do mal.
Sendo assim, o sentimento de culpa está inteiramente relacionado com a civilização e a cultura, pois pode-se considerar o supereu como a instância psíquica mais próxima do coletivo, ou seja, a grosso modo, a interiorização das regras
culturais e sociais pelo indivíduo apontam o papel preponderante do supereu na formação do sentimento de culpa.
Por outro lado, as próprias civilizações, algumas mais que outras, desenvolvem mecanismos persecutórios que obrigam os indivíduos a expiar suas mazelas pessoais na forma de sentimentos como vergonha, pudor, etc. ou em mecanismos inconscientes como a neurose ou psicose.
Balandier (1996, p. 107), preocupado em entender a gênese do sentimento de culpa, afirma que este nasce por meio de uma tensão entre o eu e o supereu, que é o mesmo mecanismo pelo qual nasce a consciência moral, que pode tanto estimular o eu em novas conquistas, quanto esmagá-lo com proibições.
A teoria da culpa freudiana relaciona-se diretamente com a teorização da cultura, pois, para Balandier (1996, p. 109), a história do sujeito está ancorada na história da cultura, o que permite afirmar que a origem da culpa se encontra nas experiências vividas pelas gerações anteriores.
Podemos afirmar, desta forma, que a origem do mal-estar é inconsciente e relaciona-se com a tensão do eu com o supereu. Em um vocabulário menos psicanalítico, a origem do mal-estar está na tensão que existe entre os desejos do sujeito, sexuais ou agressivos, e o controle social exercido por meio da moral e das normas ditadas pela cultura.
Para Plon (2002, p. 178), uma das consequências do sentimento de mal-estar expresso na política refere-se às massas escolherem seus representantes não por critérios objetivos, mas, sim, buscando aquele que apresenta características de personalidade que sinalizem capacidade de apaziguar o desconforto gerado pelo mal-estar. Porém o autor (PLON, 2002, p. 184) afirma, ainda, que o mal-estar da política é exatamente a impossibilidade de os dirigentes conduzirem os homens à felicidade de viver em conjunto.
Essa maneira de analisar o conceito conduz à questão que indaga se o mal- estar é analogamente referido ao sintoma e se, como este, a tensão que há entre as normas culturais e o desejo do sujeito não cria formas escamoteadas de realização dos desejos agressivos, produzindo forças que vão contra a manutenção do vínculo social, como a violência, o crime, a xenofobia e o racismo.
A segunda questão adquire fundamental importância para esta tese e sua solução será empreendida ao longo deste capítulo.
Para Rey-Flaud (2002, p. 51), é na culpa que amor e ódio se intrincam. A culpa é o próprio motivo da existência da civilização e seu fim seria o próprio fim da história. É pela culpa que os homens excluem o estrangeiro. É pela culpa que os homens se unem em torno de um líder.
Esta ideia remete ao texto freudiano Totem e Tabu, pois, quando os irmãos matam o pai primordial, o primeiro sentimento que emerge é o de culpa por odiar o pai e tê-lo matado e, em seguida, esse sentimento transforma-se em amor, quando o pai é colocado no lugar do Totem e é amado por todos, o que os une em torno de um único ideal.
Compreende-se, assim, que, ao mesmo tempo em que a cultura forma o supereu individual, estabelecendo pontos de identificação para o sujeito inserir-se na sociedade, ou seja, estabelecendo regras, leis, condutas morais que o fazem um ser social, também uniformiza o comportamento da coletividade, criando pensamentos e condutas estereotipadas que possibilitam a unidade do grupo e a identificação por semelhança do Estado com o pai da horda.
Essa forma de pensar cria dois contextos complementares. De um lado, o indivíduo é único enquanto sujeito, porém, enquanto inserido na unidade do grupo, ele abre mão de sua identidade para adotar a do grupo.
Vale ressaltar que o mesmo indivíduo pode pertencer a inúmeros grupos e agir de diferentes formas em cada um deles. Esse conjunto de aspectos demonstra a face criativa da formação do sujeito, porém, quando considerado no contexto de um grupo, o indivíduo assemelha-se a todos os membros, expurgando a criatividade pessoal e realizando a repetição comportamental exigida pelas regras da comunidade.
Tem-se, então, a manifestação da pulsão de vida (Eros) e da pulsão de morte (Tanatos). Enquanto Eros trabalha a favor da civilização, buscando unir, criar laços sociais, formando conjuntos cada vez maiores, Tanatos busca a indiferenciação, a exclusão do diferente, a identificação do outro, tornando o racismo um bom exemplo
desse mecanismo, já que une aqueles que se identificam entre si e elege o diferente como objeto de ódio.
Verifica-se que, para fortalecer os laços de união de um determinado grupo, é necessária a eleição de pequenas diferenças que devem justificar o ódio. Eros e Tanatos implicam-se intrinsecamente e constituem a força que amalgama os homens na civilização.
Por outro lado, Peter Dews (2008, p. 19), da universidade de Essex, revela uma posição ambígua da pulsão de morte. Enquanto ela é interna ao grupo social, cria a consciência moral nos indivíduos que os une, porém, quando interna ao indivíduo e contra o grupo social, ameaça a dissolução da sociedade por meio da violência, o que sujeita os seres humanos à cultura de duas formas: herdada, por meio da constituição psíquica, e adquirida pelo processo de socialização.
Lacan (1998 , p. 128), em seu texto sobre a função da psicanálise em criminologia, destaca que a sociedade contemporânea necessita da lei positiva para sua existência e, por isso, haveria a responsabilização do indivíduo pelos crimes cometidos por meio de uma punição legal, que é, na realidade, uma forma de exclusão do mal, que torna o criminoso um bode expiatório.
O psicanalista francês revela que a tensão causada pela existência da intenção do indivíduo de cometer um crime e a força da interdição representada pela responsabilização desvela a articulação existente entre natureza e cultura.
Mais uma vez, vê-se, no seio da sociedade, o conflito entre a pulsão, o desejo, a natureza e os imperativos sociais, culturais e civilizatórios causadores do mal-estar.
Nota-se, portanto, que a gênese do mal-estar dos indivíduos em sociedade está no sentimento de culpa, seja pela possibilidade de responsabilização pela realização de seus desejos proibidos socialmente, seja pela própria expiação que a cultura promove contra os desejos agressivos.
Simbolicamente, para Lacan (1998 , p. 138), essa tensão é revelada pela instância psíquica do supereu, em nível individual, sendo impossível pensá-lo em nível coletivo. Por ser o supereu a própria simbolização da tensão geradora do mal-
estar coletivo no indivíduo, ele só pode ser percebido individualmente e nunca coletivamente. Em outras palavras, ainda que de forma grosseira, o supereu é o próprio coletivo no indivíduo.
É através da responsabilização, ou seja, através do castigo, ou da sua possibilidade, que a sociedade exprime para o indivíduo o seu ideal de homem, tornando os indivíduos cada vez mais indiferenciados no plano coletivo. Essa indiferenciação representa um ideal social de horizontalização dos seres sociais, representa a própria prática da biopolítica, o que torna os homens vidas-nuas.