1. BÖLÜM
1.3. Kamuda Performans Yönetimi AnlayıĢı
1.3.7. Performans Ölçü ve Göstergeleri
Filosoficamente e metodologicamente, Hegel foi também o elucidador da mediação enquanto categoria lógica (PONTES, 1990, p.16). “[...] A passagem – que é mais que uma palavra dessas – contém um torna-se Outro que deve ser retomado, e é uma mediação; mesmo que seja apenas passagem a outra proposição [...] (HEGEL, 2013, p.33).
Dentro da tradição filosófica, Hegel é quem vai apreender esta categoria corretamente em seus nexos lógicos na realidade, transpondo o idealismo subjetivo e fixando seguras bases para o combate ao irracionalismo. Contesta o entendimento da mediação de forma naturalizada (acidental), compreendendo sua essencialidade categorial o seu papel vertebral nos processos históricos. Ele captura a mediação em sua concretude, descobrindo que o homem é o resultado de sua automediação com a natureza, concebendo a mediação histórica que diferencia o gênero humano e lhe concebe a história que é o trabalho. [...] a mediação não é outra coisa senão a igualdade-consigo-mesmo semovente, ou a reflexão sobre si mesmo o momento do Eu para-si-essente, a negatividade pura ou reduzida à sua abstração, o simples vir- a-ser [...] (HEGEL, 2013, p.34).
Entretanto, Hegel não consegue transpor esta descoberta para além do plano lógico, porque se posiciona a partir de uma ótica de conciliação, ligando as
contradições aos processos históricos em vez de enfrentá-las num processo de negação real, de superação (PONTES, 2009, p.78):
O espirito só alcança sua verdade na medida em que se encontra a si mesmo no dilaceramento absoluto. Ele não é essa potência como positivo que se afasta do negativo – como ao dizer de alguma coisa que é nula ou falsa, liquidamos com ela e passamos a outro assunto. Ao contrário, o espirito só é essa potência enquanto encara diretamente o negativo e se demora junto dele. Esse demorar-se é o poder mágico que converte o negativo em ser. Trata-se do mesmo poder que acima se denominou sujeito, e que ao dar, em seu elemento, ser-aí à determinidade, suprassumir a imediatez abstrata, quer dizer, a imediatez que é apenas essente em geral. Portanto, o sujeito é a substância verdadeira, o ser ou a imediatez – que não tem fora de si a mediação, mas é a mediação mesma (HEGEL, 2013, p.42).
Na teoria social de Marx, a mediação tanto se apresenta como uma categoria que compõe o ser social, por isso ontológica, quanto se caracteriza numa construção que a razão elabora logicamente, para possibilitar a captação do movimento do objeto.
Netto (1994, p.80) revela ainda que a mediação processar-se-á na relação dialética contraditória entre os complexos dinâmicos, relação esta, que não se dá na operação da simples formalidade do par causa-efeito, mas realizando-se e garantindo-se através das passagens e conversões que são determinantes e determinadas, portanto, inerentes aos processos de mediação.
A processualidade humana se coloca pela automediação do ser social consigo mesmo. A mediação corresponde a todos os processos de construção social onde o elemento intelectivo aparece como práxis social. A práxis articula tanto um processo objetivo quanto subjetivo, de modo que o subjetivo remete necessariamente à reflexão, fazendo conexão com o mundo real objetivo. Contudo, as formas de representação do real estão profundamente circunscritas a materialidade da vida social. De modo que apreender a dinâmica do real pelo pensamento, é uma construção mediativa, uma construção do conhecimento.
Assim sendo, as mediações retratam a história das relações do homem com a natureza e as relações sociais que decorrem desta, na variedade das formações sócio-humanas que a história registra. Estas mediações indicam o processo de enriquecimento humano, na sua dinâmica de se objetivar no mundo e incorporar tais objetivações, de modo a buscar mediações cada vez menos “bárbaras e
degradantes” para busca de mediações cada vez mais humano-igualitárias, tanto no âmbito do ser social, quanto no controle da natureza (PONTES, 2009, p.78).
O homem produziu formas históricas de mediação do mundo, ou formas sóciometabólicas - homem corpo orgânico x corpo inorgânico, por meio da práxis que é o núcleo fundante da mediação. Das formas de práxis oriundas da ação cotidiana humana resulta um acúmulo qualitativo de conhecimento, possibilitando um salto ontológico, que pode ser compreendido como respostas às necessidades humanas pela práxis, pela experiência e pela mediação. As formas de mediação no mundo têm seu fundamento no conhecimento e o conhecimento é produto das necessidades objetivas e subjetivas do mundo.
O homem é um ser mediativo - as mediações são o clareamento da relação do homem com o mundo - e de conhecimento do homem por si mesmo - automediação do homem consigo mesmo. “[...] o concreto se torna compreensível através da mediação do abstrato, o todo através da mediação da parte [...]” (KOSIK, 1976, p.36).
[...] Esta recíproca conexão e mediação da parte e do todo significam a um só tempo: os fatos isolados são abstrações, são momentos artificiosamente separados do todo, os quais só quando inseridos no todo correspondente adquirem verdade e concreticidade. Do mesmo modo, o todo de que não foram diferenciados e determinados os momentos é um todo abstrato e vazio (KOSIK, 1976, p.49).
Lukács (1967, p.213) coloca a mediação como uma forma de reflexo de caráter puramente objetivo. Isto significa que a consciência humana não consegue apreender, comprovar ou conceber muitas das mediações, porque os objetos do mundo externo estão vinculados em interconexão e são a consciência das mediações. Ou seja, a contraposição da dialética do imediato, em relação à mediação, existe objetivamente independentemente da consciência:
El que en la teoria del conocimiento desta quen y tengan que estudiarse relaciones con el sujeto conocedor depende de la estructura objetiva de la realidad, tanto en el Qué cuanto en el Cómo. Encuanto se captan intelectualmente las mediaciones - formalmente, ante todo, en la doctrina lógica de la inferencia, pero también, desde el punto de vista del contenido, em muchas exposiciones cientificas o filosoficas - la mediación ocupa gran número de casos una posición central [...] (LUKÁCS, 1967, p.213).
A mediação se expressa na vida cotidiana dos homens, pois é na vida cotidiana que os homens são impelidos a encontrar respostas para suas
necessidades de produção, reprodução e manutenção da vida o que, de certa maneira, "no processo de construção de formas mediativas na relação sociometabólica do homem com o mundo material e, consequentemente, na estruturação de superiores qualidades ideo-reflexivas da realidade objetiva na consciência cotidiana" (MAZZEO, 2009, p.28).
1.7 A categoria mediação na dialeticidade da singularidade-particularidade-