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2.2 İş Performansı

2.2.3 İş Perfomansı Kişilik İlişkisi

O programa Pólos Turísticos foi criado na década de 80 do século passado, mas implementado, somente, no início de 1990 por interesse pessoal do Presidente Fernando Collor de

Melo em transformar Maceió, seu Estado de origem, num grande núcleo receptor de turistas estrangeiros no Brasil197.

A idéia de núcleos, na verdade, já aparecia como prioridade da Embratur em 1969, quando o órgão previa a formação de Zonas Turísticas Prioritárias, equivalentes aos Pólos de Desenvolvimento do economista Francês François Perroux, uma linha teórica sobre o desenvolvimento adotada pelas políticas territoriais no Brasil, por volta de 1950 .198.

O modelo foi copiado pela Política Nacional de Turismo da década de 1990 e amplamente adotado pelas políticas regionais de turismo no nordeste. Tiveram como objetivo principal a criação de pólos e corredores, pressupondo que a concentração espacial das atividades turísticas exerce efeitos atrativos sobre outras atividades no mesmo espaço econômico e geográfico (Becker, 1995).

Alguns autores criticaram as teorias que valorizavam sobremaneira a centralidade e a polarização. Entendendo que o que está por trás de tudo isto é realmente a questão da centralização na sociedade e no espaço dos benefícios do trabalho realizado por toda a sociedade.

Neste modelo de desenvolvimento, o turismo foi sendo introduzido no nordeste como força transformadora do território. Entretanto, segundo Cruz (2000), encontrando grande resistência dos sistemas de objetos constituídos, criados por sistemas de ações históricas e socialmente estabelecidos, ou seja, os núcleos urbanos já constituídos.199

O processo foi amplamente defendido e imposto pelo poder público200, que, por meio de discurso inverídico, cria o senso comum de que o turismo seria a saída econômica para o Nordeste, ou seja, uma possibilidade concreta de minimização das disparidades regionais existentes entre esta e as regiões mais desenvolvidas do país (Cruz, 2000). Discurso este já empreendido em outras épocas, mudando se, somente, a atividade produtiva. Toma se como exemplo o período do milagre econômico da industrialização no Nordeste, que, ao entrar em crise, coincide com o descobrimento desta região pelo turismo, concebido como espaço altamente atrativo, baseando, de um certo modo, na teoria das “Vantagens Comparativas” para o espaço nacional.

197 O Presidente Fernando Collor de Melo, unindo esforços com os governadores de Alagoas e Pernambuco,

idealizou um megaempreendimento que mais tarde seria chamado de Projeto Costa Dourada e que criaria um complexo turístico de grandes proporções ao longo do território dos dois Estados. As proporções de tal projeto induziram a criação do Programa de Ação para o Desenvolvimento do Turismo no Nordeste Prodetur/Ne.

198Uma leitura mais aprofundada das políticas territoriais brasileiras pode ser encontrada em Wanderley Messias

da Costa, O Estado e as Políticas Territoriais no Brasil.

199 A autora se refere à forma em que a nova funcionalidade se estabeleceu no espaço já ocupado. Imposta

autoritariamente, de cima para baixo, desrespeitando as comunidades, alijando as do processo de desenvolvimento turístico e desta forma encontrando oposição das mesmas.

200A participação do governo é determinante, pois os governos dos Estados nordestinos assumem o papel de

empreendedores, interferindo em todas as fases do processo de planejamento turístico. Porém de forma autoritária, ignorando a competência do município para gerir o uso de seu solo.

Dentro de uma rígida divisão inter regional do trabalho, este descobrimento parecia ser uma nova saída para o velho entrave desenvolvimentista na região, representando uma alternativa, um último recurso entre as desilusões encontradas por outros setores da economia.

A regionalização implementada no Nordeste baseia se na teoria da Polarização ou Pólos de Desenvolvimento da já citada escola francesa. Segundo Diniz (2001), neste país desenvolveu se a análise do desenvolvimento desequilibrado, inicialmente com as observações de Perroux, quando percebeu a natureza desigual do desenvolvimento francês. O pesquisador, influenciado pela teoria Schumpeteriana do progresso técnico, desenvolveu a noção de pólos de desenvolvimento, afirmando que um pólo era determinado pela existência de uma ou mais indústrias motrizes que exercem o papel dominante e geram efeitos multiplicadores sobre outras atividades. Entretanto, o conceito de Perroux tem sido mal interpretado, confundido com o conceito de indústria chave, com o de indústria básica, com o de complexo industrial; daí a confusão, segundo a qual o pólo de crescimento seria um tipo de monumento industrial construído para uma futura industrialização regional, garantia de crescimento assegurado”201(Paelinck,1977) Paelinck (1977) justifica tal afirmativa com a interpretação do artigo publicado em 1955, por Perroux, ele conceitua pólos de crescimento, esclarecendo que o crescimento não aparece simultaneamente em toda parte. Ao contrário, manifesta se em pontos e pólos de crescimento, com intensidades variáveis, expande se por diversos canais e com efeitos finais variáveis sobre toda economia. Refletindo sobre a afirmativa, uma interpretação simplista, como a de uma concepção da ação espontânea e geograficamente concentrada (pontos de crescimento) deve ser rejeitada, caso se considere que o pólo se define em termos de espaço econômico. O conceito de Perroux tem sentido funcional e econômico, que obrigatoriamente resulta em efeitos de encadeamento sobre outros conjuntos definidos no espaço econômico e geográfico.

De forma quase simultânea, Myrdal (1972) provou que o desenvolvimento econômico promove um processo de causação circular cumulativa, em que as regiões ricas tendem a se tornar mais ricas e as regiões pobres mais pobres. Embora o autor reconhecesse a existência de um efeito de espraiamento do desenvolvimento econômico.

Diniz (2001) cita Hirschman, que desenvolveu, de forma semelhante, a análise do processo de polarização por meio do qual as regiões mais desenvolvidas atraem capital e trabalho qualificado das regiões atrasadas, realimentando a desigualdade. Mas, mesmo assim, reconheceu a existência de efeitos de “gotejamento” das regiões desenvolvidas sobre as regiões atrasadas. Ele demonstrava a importância do investimento em capital social básico para a promoção do desenvolvimento regional.

201Ou ainda, um pólo de crescimento seria toda implantação de empresas importantes, de preferência industriais,

A metodologia de desenvolvimento de Pólos que influenciou a criação dos megaprojetos e pólos turísticos do nordeste utilizou como estratégia de desenvolvimento aumentar a acessibilidade202 e melhorar as condições de saneamento básico de locais que dispunham de potencial turístico, buscando em contrapartida a integração destes com as capitais nordestinas que já contavam com expressivo poder de atração de demanda.203

Entre os mais expressivos pólos turísticos do nordeste podem ser destacados : Projeto Parque das Dunas Via Costeira ( Natal); Projeto Cabo Branco (Paraíba); Projeto Costa Dourada ( Pernambuco e Alagoas) e o Projeto Linha Verde. O projeto tem como linha dorsal uma rodovia de 142 km de extensão que visa integrar o sul ao norte da Bahia.

A ordenação dos territórios seguiu um mesmo modelo na sua concepção global, ou seja, pólo de crescimento, que, geograficamente aglomerado e em crescimento, faz surgir efeitos de fomento das atividades econômicas, devido à proximidade e aos contatos humanos204 (Perroux in:Schwartzman, 1977)

No caso do nordeste, Cruz (2000) ressalta que, particularmente, os megaprojetos referidos apresentam, entre eles, significativas semelhanças e sutis diferenças. Exemplificando as diferenças, aponta a abrangência territorial expandida do projeto Costa Dourada205, e a posição territorial relativa de cada projeto nos contextos estadual e regional, além da capacidade de atração de investidores. Entre as semelhanças encontram se os seguintes aspectos: todos esses projetos estão localizados no litoral; todos têm os respectivos governos dos estados como principais empreendedores, sendo estes que idealizaram e que patrocinaram a implantação (incentivos fiscais e financeiros e implantação de infra estrutura de acesso, entre outras); todos tinham o objetivo de ampliar disponibilidade hoteleira nos respectivos estados.

O objetivo principal do projeto de pólos de turismo foi a identificação de oportunidades de investimento públicos e privados, além da proposição de projetos para atender tais oportunidades e, ainda, suprir de infra estrutura os trechos ou áreas eleitas para intervenção. Tal estruturação do

202Investimentos em rodovias, construção e melhoria da infra estrutura aérea e adaptação de portos marítimos

para utilização como terminal de passageiros.

203 Pólos de Turismo, Megaprojetos podem ser considerados modelos de urbanização turística que o Brasil

importou do México e que se tornaram conhecidos como “Modelo Cancun”, ou seja, grandes projetos, financiados por capitais transnacionais, altamente alijantes das comunidades locais. Eles procuram urbanizar, para o turismo, os trechos pouco urbanizados do litoral brasileiro, com grande participação do poder público como empreendedor ou como incentivador em busca de investimentos privados. (Cruz, 2000)

204A aglomeração suscita tipos de consumidores com padrões de consumo diversificado, necessidades coletivas

( habitação,transporte, serviços, etc.) emergem , o preço da terra sobe. No âmbito da produção, alguns tipos de produtores formam se e mutuamente se influenciam, criam uma cultura e, eventualmente, podem contribuir para um espírito coletivo.

205 Este projeto foi considerado um dos mais ousados, não somente em razão de sua extensão, mas,

principalmente, pela previsão de investimentos em infra estrutura e de benefícios fiscais concedidos (o que gerou competitividade entre os outros pólos no item atração de investimento). Previa se a urbanização turística de 120km. de costa, a construção de 14 mil unidades habitacionais. Sua idealização partiu de uma ação conjunta entre os governos estaduais, com o apoio do BID. Para efetivação do programa foi criado pela Sudene e Embratur, o Prodetur NE. (posteriormente ele se estendeu a toda área de influência da Sudene)

espaço induziria ao crescimento e conseqüentemente ao desejado efeito de encadeamento e espraiamento.

A necessidade de responder aos desafios da globalização, da abertura comercial e da inserção competitiva da economia brasileira com uma estratégia organizada de desenvolvimento, levou a uma proposta de espacialização baseada nas idéias de aglomerações produtivas de turismo, idéias de logística, competitividade, associada a grandes obras de infra estrutura. Porém, nos pólos eleitos, quanto ao espraiamento, muito pouco se concretizou, pois, somente, as capitais se beneficiaram. Os pólos mais fracos politicamente não conseguiram todos os investimentos previstos, as obras de infra estrutura feitas pelo governo não conseguiram atrair investimentos suficientes para sua efetivação.

Segundo Cruz (2000), o objetivo norteador das políticas de turismo no nordeste foi o de ampliar a atração de turistas estrangeiros por meio da adequação do território litorâneo regional a essa finalidade e de maciços investimentos em marketing.206. A lógica incentivaria a atração do capital estrangeiro, que investiria em equipamentos e serviços elitizados, o que exigiria dos governos locais a modernização territorial.

Neste sentido, rodovias foram pavimentadas, aeroportos reformados ou construídos, energia elétrica, heliportos, campos de golfe, entre outros objetos, são introduzidos nos territórios para possibilitar o investimento em hotelaria de luxo , trazendo novos fluxos ( de pessoas, de informação e de capitais). 207 Entretanto, a modernização, trazida pela política de megaprojetos, pólos turísticos e pelo Prodetur, se demonstrou social e espacialmente restrita208 .“Embutida no espaço quase como um adereço, essa modernização limita se a territórios eleitos e a objetos de fluxos pertinentes ao fazer turístico. Ela não tem história no lugar porque impõe a historia de outros lugares”. A criação de espaços alienados de seu contexto, tipo os não lugares definidos por Auge, constitui, “um entre os desdobramentos socioespaciais do processo de urbanização movido pelas políticas regionais de turismo no nordeste. Essa alienação se configura na materialidade dos objetos introduzidos nos espaços e nas barreiras materiais e imateriais que os separam de seu entorno, bem como pelo tipo de uso do território a que eles induzem, ou seja, espacialmente

206A autora acredita que o projeto de desenvolvimento turístico do nordeste visa mudar a posição marginal do

país, entre os destinos turísticos mundiais. Por outro lado, ele insere se na lógica mundial, comandada pelo mercado turístico internacional, que demanda, constantemente, novas conquistas espaciais. Sendo assim, os paraísos tropicais do Terceiro Mundo correspondem às expectativas da demanda mundial de turistas que está ávida em busca de praias, sol e ecossistemas relativamente preservados como a Amazônia e Pantanal. Mas o pano de fundo desse processo transformador de territórios, que recria os lugares em razão do uso turístico, está diretamente ligado à colocação dos destinos turísticos nos roteiros globais, o que constitui uma busca por inserção na atual divisão territorial do trabalho, ou seja, numa melhor tradução para o turismo uma divisão internacional dos locais turísticos.

207Infra estrutura concedida pelo governo, através de empréstimos com organismos internacionais.

208Os pólos desencadearam ônus social e ambiental elevados, traduzidos pelo custo das obras de infra estrutura

e dos impactos ambientais decorrentes de sua implantação, a exemplo da desestabilização do ecossistema dunar localizado na região.

concentrador, do ponte de vista da infra estrutura e dos fluxos de pessoas que por esses espaços devem circular”. ( Cruz, 2000:147)