BÖLÜM V BOYABAT BARAJI ENJEKSİYON İŞLERİ
5.3 Boyabat Barajındaki Başlıca Enjeksiyon Uygulamaları
5.3.4 Perde enjeksiyonları
Faz parte da cultura italiana viajar de férias no fim de ano, nas épocas de Natal e Ano- Novo. Assim, mesmo o país enfrentando uma recessão, o sujeito-comunicante não deixa de
lançar uma matéria falando sobre viagens e férias de fim de ano, como de costume, e busca se identificar com os milhares de italianos que mesmo com medo da crise desejam viajar, de uma certa forma até mesmo instigando aqueles que não pensavam nisso e oferecendo meios para ajudá-los a realizar seus desejos. No parágrafo seguinte, será mais bem explicado como o sujeito-comunicante satisfaz essa condição de identidade por meio da enunciação.
O enunciador trabalha no título com duas palavras que transmitem ideias paradoxais, “crisi” (ideia negativa) e “in vacanza” (ideia positiva), as quais foram realçadas com a cor amarela para chamar a atenção. Vale ressaltar, porém, que a palavra “crisi” não está em letra maiúscula, como ocorre com a palavra “vacanza”, indicando que o enunciador quer ressaltar a palavra que aguça emoções positivas e suscita prazer. Tal positividade se concretiza por meio do enunciado: “La crisi va in vacanza” (A crise tira férias), dando a entender, em um primeiro momento, que a crise econômica está passando ou pelo menos dando um tempo. O subtítulo, também em amarelo e caixa alta, esclarece o título por dizer: “Viaggiare per dimenticare la recessione (alla faccia del caos Alitalia)” – Viajar para esquecer a recessão (em face do caos Alitalia). Assim, não é exatamente a crise que vai tirar férias, mas as pessoas, a fim de esquecer a recessão. Interessante observar que apesar de o enunciador mencionar a crise enfrentada pela empresa aérea Alitalia e que poderia ser considerada um impedimento para viajar, tal aspecto negativo é colocado entre parênteses, como se fosse uma observação de um outro enunciador que quer lembrar o leitor da crise econômica. A frase “alla faccia del caos Alitalia” aparece como se fosse uma oração concessiva implícita: “Apesar da crise que a empresa Alitalia está enfrentando”. A concessão é uma forma de preservação da face do enunciador, de modo que ele se coloca no lugar daqueles que consideram imprudente viajar em plena crise econômica e mostra que não a esqueceu, a fim de não ser acusado de estar incentivando o povo a viajar diante de uma crise econômica. Assim, ele lembra o leitor deste fato, mesmo que de maneira breve e sem dar muita relevância e busca se identificar não só com os possíveis leitores que queiram viajar durante as férias e conhecer roteiros interessantes de viagem, mas também com os que estão preocupados com a crise econômica. No entanto, ao mesmo tempo em que ele se identifica com a preocupação destes, seu objetivo de instigá- los a viajar de férias se revela pelo realce que se dá aos vocábulos que suscitam prazer, tais como “vaccanza”, “viaggiare”, “dimenticare la recessione”, assim como pela mensagem não- verbal, o rosto de uma mulher bonita, em cujos óculos de sol se reflete uma praia ensolarada, remetendo o leitor a um local de veraneio fora da Italia, visto que nessa época é inverno no país.
Uma das técnicas do enunciador para justificar seu direito à fala e ganhar credibilidade é utilizar-se de números que normalmente se acredita basear-se em pesquisa (“Dodici milioni di italiani pronti a partire per Natale e Capodano” – Doze milhões de italiano prontos para partir no Natal e Ano-Novo), outra é colocar-se em posição de superioridade como se ele tivesse algo a oferecer que o leitor desconhece, mas que lhe interessa (“le mete dove si può ancora prenotare” – as metas onde se ainda se encontram reservas). O uso do vocábulo “ancora” (ainda) dá a entender que a maioria dos hoteis nos locais de veraneio mais procurados pelos italianos no fim de ano já estão reservados, portanto, o leitor precisa da ajuda do enunciador, que vem ao seu auxílio por oferecer-lhe um artigo por meio do qual ele poderá conhecer os locais que ainda tem vaga. Assim, o sujeito-comunicante satisfaz a condição de finalidade por meio do objetivo “páthos” (fazer sentir), que procura motivar o consumidor a se identificar com os milhões de italianos que já reservaram seus hotéis e a sentir o desejo de fazer o mesmo e por meio do objetivo “incitativo” (fazer crer), que busca motivá-lo a crer que na revista ele econtrará o resultado que procura, os locais onde ele ainda pode encontrar vagas de hotéis. A fim de instigar ainda mais o desejo de viajar de férias, o enunciador acrescenta que aqueles milhões de italianos prontos para viajar estão dispostos até a endividar-se para não renunciar o fazer as malas (“Sono disposti anche a indebitarsi pur di non rinunciare a far le valigie”), o que pode levar o sujeito-destinatário a pensar que vale a pena se endividar para ter esse prazer, e sentir-se motivado a fazer o mesmo. De modo que o enunciador indica ter um “saber de conhecimento” que o leitor não possui, por reportar-se a fatos e pesquisas que indicam o número de reservas e de dívidas já feitas para bancar uma viagem, o que provoca um efeito de verdade e aguça a curiosidade do leitor de saber mais.
Interessante observar a técnica de influência do enunciador, ele lança um título que leva o leitor a pensar que a crise está acabando, identifica a existência de milhões de italianos que já fizeram suas reservas e estão prontos para viajar no fim de ano, como de costume, aguçando tal desejo em seu destinatário, e por fim, oferece-se a ajudá-lo a encontrar um local que ainda tenha vaga.
Quanto aos modos de organização discursivos, pode-se dizer que a encenação descritiva montada pelo enunciador provoca efeitos de realidade e de ficção, baseando-se no imaginário do leitor. Utilizam-se tanto palavras negativas que remetem à realidade já conhecida do leitor, como a crise e o caos na empresa aérea Alitalia, quanto palavras positivas que remetem à possibilidade de se concretizar o desejo de viajar que até então parecia impossível (ficção) ao consumidor real, mas que no circuito interno da enunciação colocou-se como possível (realidade). De modo que a mulher na foto pode representar qualquer pessoa
que esteja disposta a se endividar para viajar de férias. Mais uma vez utiliza-se a imagem de uma mulher em uma capa que quer estimular o consumo, provavelmente, como já comentado na capa de 23 de outubro, pelo estereótipo criado em torno das mulheres como sendo mais consumistas.
Quanto à encenação argumentativa, percebe-se que os procedimentos semânticos ligados ao domínio do hedônico e da verdade, assim como os procedimentos discursivos de citação e reiteração são utizados com o intuito de validar a argumentação, de modo que é possível montar o seguinte dispositivo argumentativo implícito:
Proposta (tese): Muitos italianos querem viajar de férias.
Proposição(posição em relação a tese): Apesar da crise econômica, é possível viajar de férias no fim de ano.
Persuasão(provas): Título indica que a crise tirou férias. Subtítulo indica que viajar é bom para esquecer a recessão. Doze milhões de italianos estão prontos para viajar no final do ano, mesmo que isso signifique endividar-se e mesmo diante do caos em que os voos da Alitalia se encontram. Enunciador sugere um artigo indicando locais, da Autrália ao Zanzibar, onde ainda se pode encontrar reserva.
Quanto ao comportamento enunciativo, verificou-se um comportamento delocutivo, em nenhum momento o enunciador emite opinião em primeira pessoa nem do singular nem do plural, não se inclui entre os que irão ou querem viajar, mas coloca-se como testemunha de uma constatação aparentemente feita por terceiros, de que milhões de italianos viajarão de férias mesmo diante de uma recessão. No último período(que periodo), o enunciador comporta-se alocutivamente (delocutivo com subjetividade na verdade), por sugerir que ao ler a revista o leitor tomará conhecimento dos lugares, da Austrália ao Zanzibar, onde ainda se pode encontrar vaga de hotel, portanto ele se coloca em uma posição de superioridade em relação ao consumidor-leitor que desconhece o assunto.