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Keban Barajı sol yamaç Petek Mağarası’ndan su kaçakları

BÖLÜM VII SONUÇ

Fotoğraf 2.3 Keban Barajı sol yamaç Petek Mağarası’ndan su kaçakları

Mencionamos anteriormente que o nosso propósito é de analisar criticamente a contística de Guillermo Meneses. Com esse intuito, lemos os contos do autor venezuelano e selecionamos La mano junto al muro, por inovar o tempo narrativo, a ciclicidade e a abertura da obra antecipando Umberto Eco e Julio Cortázar. A respeito do referido conto, Barrera Linares afirma (1997: 125):

Pode ser uma ousadia afirmar que um só conto seja suficiente para encontrar um lugar paradigmático na história da narrativa latino- americana, mas esse parece ser o caso de Meneses com 'La mano junto al muro'. Pode-se ler tantas vezes como se deseja e esse relato resiste fortemente à apreensão definitiva. Aceita cada leitura como se fosse a primeira e se sustenta sobre uma ambiguidade que quase esbarra no doentio.

Em outro momento, Barrera Linares continua, (1997:128): “Como se pode notar, a história jamais termina, cada vez que termina, seu final indica uma volta ao início, se esclarece dentro do próprio texto mesmo quando aparece a frase' Hay en esta pared un camino de historias que se enrolla sobre sí mismo”. A presença do mistério e do enigma é bem marcante na obra de Meneses. A história inicia com uma dúvida: quem matou a única personagem feminina? No local estiveram dois ou três marinheiros? E termina sem uma aparente solução. Isso demonstra o quanto

Meneses como contista perpassa a comparação que Julio Cortázar descreve ao comparar o fotógrafo e o contista (1993:385):

[…] O fotógrafo e o contista se vêm necessitados a escolher e limitar uma imagem ou uma coisa que acontece que seja significativa, que não valha por si mesma, mas que seja capaz de atuar no espectador ou no leitor como uma espécie de abertura, de fermento que projeta a inteligência da sensibilidade que vai mais além do visual vislumbrante ou um sucesso literário contido na foto ou no conto.

Percebemos nitidamente no conto La mano junto al muro no desenrolar da trama que o autor/narrador surpreende o leitor deixando-o perplexo com as surpresas que aparecem ao longo da obra, quando tudo se encaminha para o desfecho final mas, num passe de mágica, retoma a trama. Esta estratégia demonstra o quanto o contista é astuto e perspicaz ao surpreender o leitor.

Cortázar, em Algunos Aspecto del Cuento, refere-se ao bom contista, destacando alguns aspectos pertinentes ao que estamos afirmando sobre Meneses, (1993: 385): “[…] O bom contista é um boxeador muito astuto e muitos de seus golpes iniciais podem parecer pouco eficazes quando, na realidade, já estão minando as resistências mais sólidas do adversário”.

Essa definição que Cortázar faz do contista, respalda o que já detectamos na obra de Meneses, quando ele surpreende ao leitor ao retomar a trama no momento em que esta parecia estar terminando, como dissemos acima.

Cortázar acrescenta outras características ao afirmar que, (1993:390): “[...] o conto tem que nascer ponte, tem que nascer passagem, tem que dar salto que projete o sentido inicial descoberto pelo autor […]. Para o autor, não basta querer ser contista, pelo contrário, as técnicas de escrita devem ser seguidas com criatividade, ou seja, para ser contista não basta ter apenas “boa intenção”.

Enrique Anderson Imbert, em Teoría y Técnica del Cuento (1992), também faz alusão relevante a cerca do conto. Para o autor o mais importante é o uso da imaginação onde o narrador dá conta do real, mas articula este real com o imaginário: “O conto vem a ser uma narração breve em prosa que, por muito que se apoie em um suceder real, revela sempre a imaginação de um narrador individual”.

Nesse sentido, o conto La mano junto al muro segue essas técnicas, envolvendo o leitor. Não por acaso, esse conto foi reconhecido como a obra prima de Meneses e supera todas as demais escritas por ele, tanto na trama quanto na complexidade dos personagens. Vale ressaltar que essa obra foi escrita antes que Cortázar dissera a respeito do bom contista e do bom conto. Por isso, podemos afirmar que Meneses, no conto La mano junto al muro, antecipa a narrativa do real, do ficcional proposta posteriormente por Borges.

O conto apresenta uma narrativa formal escrita, embora tenha características de oralidade como, por exemplo, as constantes repetições de falas: “Hay aquí un camino de historias enrollado sobre sí mismo como una serpiente que se muerde la cola”. A imagem da serpente que morde a própria cauda poderia ser considerada como oroboros, mito de origem egípcia, druida, indiana ou hebraica, já que ob significa serpente. Como afirma Chevalier (1990: 716): ”Simboliza o ciclo da evolução voltando-se sobre si mesmo. O símbolo contém ideias de movimento, continuidade, autofecundação, e em consequência, eterno retorno”. Poderia também ser considerado símbolo da ressurreição.

Barrera Linares, embora com outras palavras, também afirma a ideia de movimento que o conto apresenta, (1997: 127): “Seu eixo fundamental gira em torno da predominância de um conjunto de histórias múltiplas, que se entrecruzam, se mesclam e se influenciam para finalizar em uma significativa atmosfera de ambiguidade”. Este caminho de histórias, enrolado sobre si mesmo, leva a conceituar o conto como um metatexto2, um texto que se volta sobre si mesmo. Quando se pensa que vai acabar, o conto reinicia desde o ponto de origem dando a ideia de “um beco sem saída”. Se por um lado, o texto se volta sobre si mesmo; por outro lado, a cada momento em que o narrador repete “Hay aquí un camino...” é como se a história recomeçasse, à semelhança de As mil e uma noites, uma narrativa milenar que foi registrada a partir da literatura oral.

Em As mil e uma noites, a personagem Sherazade conta a seu marido histórias para afastá-lo da terrível ideia de matá-la. Para seguir vivendo, ela deveria continuar a história sem que houvesse um final e, assim, sua existência não teria o

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metatexto] “serie de condiciones que preconstituyen la producción y la lectura de un texto, dentro de una estructura social dada. Ese medio para la transmisión y reactualización de ciertas reglas o principios”. In: BERISTÁIN (1992) pp.327-328.

fim trágico a ela destinado. Em La mano junto al muro também não há um fim, no entanto, a trama é distinta porque, no conto de Meneses, não é a personagem que dá continuidade à história, mas sim o próprio autor que, por meio do narrador, recomeça a história impossibilitando o desfecho, embora não se saiba ao certo quem a matou, e se eram dois ou três os marinheiros suspeitos.

A narrativa cíclica dá a ideia de ser uma história infinita, enrolada em si mesma e em um espaço limitado, em um ambiente fechado, a fortaleza. Como se fosse um círculo, apresentando um movimento constante de pessoas entrando e saindo, o que indica também a narrativa cíclica. O narrador conta a história em um tempo muito curto, como se a trama estivesse acontecendo em uma só noite e que essa noite fosse interminável.

Gaspar de Márquez cita o próprio Meneses, abordando o conto La mano junto al muro, ao afirmar (1992, 506): “Uma ação curta, fechada sobre si mesma, nela se oferece uma circunstância e seu término, um problema e sua solução”. No entanto, essa definição que Meneses propõe poderia se dizer que enquanto uma ação curta, fechada sobre si mesma procede, não se poderia dizer o mesmo do problema ora levantado pelo narrador no conto, porque não há uma solução no desfecho da trama, ou melhor dito, não há desfecho, somente trama. O leitor permanece sem saber quantos são os marinheiros e se o narrador era também um deles.

O mistério faz parte dessa narrativa do início ao fim. As dúvidas, as incertezas, são situações marcantes nesse conto. Como afirma José Balza (1955:13): “...considerar mentira a realidade e inventar mentiras como quem inventa realidade era um jogo, considerando que era um jogo no qual se jogava a vida mesma”. A vida estava em jogo e ao mesmo tempo era o próprio jogo. Esse é o grande enigma do conto La mano junto al muro. De uma maneira muito sutil, o narrador descreve o lugar onde ocorreu a trama, uma noite portenha, já que transcorre na região portuária, em um forte de frente para o mar, que no passado tinha sido uma fortaleza e que agora se transformara em centro de prostituição. O mar que pode ser abertura, saída, possibilidade, mas ao mesmo tempo também, pode ser porta de entrada de sujeiras, de piratas, de marinheiros sedentos de prazeres e de aventuras amorosas, que acabavam misturando-se ao ambiente de prostíbulo, tornando-o mais imundo. A descrição do local feita pelo narrador que,

aparentemente, pode ser uma ficção, torna-se real quando se sabe que o próprio Meneses passou alguns meses ali, como afirma Javier Lasarte (1968: VIII-IX):

Meneses vai de encontro à ditadura de Gómez. Muda então as salas de aulas do colégio Santo Inácio, pela prisão nos campos de concentração de Las Colinas e Palenque, para onde é transferido por vários meses ao Castelo de Puerto Cabello, próximo ao mar do Caribe. Depois aproveitaria intensamente, nos seus contos e novelas, essa experiência vivenciada.

Ao se referir a essa mesma prisão de Meneses, Douglas Bohórquez (2007: 125) corrobora com essa afirmação, porém não se detém nos detalhes como Lasarte, citado anteriormente. Para Bohórquez (2007: 125), “Guillermo Meneses é outro dos jovens narradores que depois de participar dos atos de rebelião contra o governo ditatorial de Juan Vicente Gómez, em 1928, é encarcerado durante um ano”.

O que se sabe a respeito do Castelo de Puerto Cabello – Castillo de San Felipe – é que foi construído entre os anos 1732 e 1741 e seria uma fortaleza para guardar mercadorias dos ataques dos piratas que circulavam no mar do Caribe. Após a Guerra da Independência da Venezuela, em 1821, essa fortaleza tornou-se o último ponto desse país a ser libertado e isso aconteceu somente em 1823. Já no início do século XX passou a ser uma prisão para onde o General Juan Vicente Gómez enviava seus inimigos políticos. Se pensarmos na história da Venezuela, poderíamos verificar em La mano junto al muro, fontes geográficas e históricas pontilhadas no espaço ficcional. Entretanto, Meneses extrapola este espaço e avança em direção ao imaginário 3.

Benzer Belgeler