BÖLÜM V BOYABAT BARAJI ENJEKSİYON İŞLERİ
5.3 Boyabat Barajındaki Başlıca Enjeksiyon Uygulamaları
5.3.7 Derz enjeksiyonları
O título instigante “George W. Obama” unindo os nomes do ex-presidente (George W. Bush) e do atual presidente dos EUA (Barack Obama), reforçado pela imagem de uma face dividida, mostrando de um lado o rosto de Obama e de outro o rosto de Bush dá indícios de que o enunciador pretende mostrar pontos de semelhança entre ambos. Até mesmo a imagem de Obama já não é mais a do homem sorridente e emocionado da capa de 13 de novembro de 2008, mas de um homem mais sério e preocupado. O sujeito-comunicante quer se identificar
com os leitores curiosos em saber se a realidade do governo Obama cumprirá com as expectativas criadas em torno de suas propostas pré-eleitorais.
No subtítulo “La rivoluzione può attendere” (A revolução pode esperar), o enunciador explora o imaginário social sobre “revolução” e usa a palavra conotativamente referindo-se à expectativa de mudanças políticas radicais sob a gestão de Obama, provavelmente remetendo o leitor às notícias correntes da época que mostravam uma mudança no discurso de Obama, já não tão revolucionário, mas pragmático, daí a semelhança com o presidente anterior. O título pode ser compreendido como sendo a fala do próprio Obama ou como sendo uma opinião do enunciador a favor do novo presidente americano. O verbo “può” modaliza o enunciado indicando que tal revolução, ou mudança política, ocorrerá, mas pode esperar, não precisa ser imediata.
Os comentários explicativos provocam um efeito de gênero como se se tratasse de um conto em que o narrador situa as expectativas que giravam em torno do herói: “Doveva azzerare tutto quello che ha fatto il suo predecessore. Doveva segnare una svolta radicale nella politica americana” (Devia zerar tudo que seu predecessor fez. Devia marcar uma mudança radical na política americana). A conjunção “Ma” (Mas), no período seguinte, marca a oposição entre ficção e realidade: “Ma alla vigilia del suo ensediamento la crisi economica e le guerre obbligano il nuovo presidente degli Stati Uniti a essere più pragmatico” (Mas às vésperas de sua posse, a crise econômica e as guerras obrigam o novo presidente dos Estados Unidos a ser mais pragmático). Percebe-se uma lógica argumentativa implícita a partir da seguinte relação de causalidade: por causa da crise econômica e das guerras, a mudança não será tão radical quanto se esperava. Assim, o enunciador isenta o novo presidente de culpa por terceirizar a causa de sua mudança de plano, o uso do verbo “obbigano” (obrigam) indica que ele foi forçado a mudar mesmo contra sua vontade. Assim, o enunciador, mesmo confirmando que a realidade do governo Obama não será como o esperado, posiciona-se a seu favor, indicando que a culpa é de terceiros e mantém uma expectativa positiva, confirmada também pelo último enunciado: “I suoi cambiamenti saranno graduali, l‟archiviazione dell‟era Bush più lenta” (As suas mudanças serão graduais, o arquivamento da era Buch mais lenta). Percebe-se novamente uma relação de causalidade implícita: Em vista da posição pragmática tomada por Obama, as mudanças políticas ocorrerão de forma gradual. Assim, o enunciador mantém a expectativa de mudança política e de arquivamento da era Bush, mas não de forma revolucionária como se esperava antes, e sim de forma gradual e lenta.
Vale ressaltar ainda, que além da conjunção adversativa já mencionada, o enunciador faz uso de outros procedimentos semânticos para provocar efeito de realidade e ficção,
especialmente pela oposição entre vocábulos negativos voltados para a realidade (attendere, crisi, guerre, graduali, lenta) e vocábulos e expressões positivas voltados para a ficção (rivoluzione, azzerare, svolta radicale, cambiamenti, archiviazione). Também a imagem utilizada provoca tal efeito, de modo que Obama representa a ficção e Bush, a realidade. Tendo a face se iniciado em Obama e terminado em Bush pode-se compreender que Obama iniciou um conto de fadas, mas acabou mostrando ser a mesma realidade de Bush.
Portanto, percebe-se que tanto as descrições quanto a referência narrativa utilizada pelo enunciador fazem parte de uma encenação argumentativa implícita, cujo dispositivo pode ser compreendido da seguinte forma:
Proposta (tese): Governo de Obama não atente às expectativas iniciais.
Proposição (posição em relação à tese): Crise econômica e guerras fazem novo presidente dos EUA mudar seu plano de governo e ser mais pragmático.
Persuasão (provas): A mistura dos nomes “George W. Obama” no título sugere semelhança no plano de governo de George Bush e Barack Obama. O subtítulo “A revolução pode esperar” sugere o novo discurso de Obama, indicando mudança em seu plano de governo. O uso dos verbos no pretérito imperfeito (“Doveva”) indicam que planos de mudança radical na política americana não acontecerão. Enunciador indica que as mudanças e o arquivamento da era Bush não serão tão radicais quanto se esperava.
Quanto à cena enunciativa, o enunciador mostra-se por meio de um comportamento delocutivo, procurando não deixar transparecer uma opinião em primeira pessoa, assim como não exige do leitor uma ação. Ele angaria credibilidade por se basear em fatos já noticiados referentes ao novo posicionamento de Obama após as eleições, também pelo uso de verbos no indicativo, demonstrando certeza do enunciador em relação aos seus enunciados, mostrando ter “saber de conhecimento”. Apesar de não exigir uma atitude do consumidor-leitor, ele procura motivá-lo a comprar a revista por estimular sua curiosidade em saber mais sobre a nova gestão americana. Faz isso por meio dos raciocínios lógicos já apresentados nos parágrafos anteriores e por mencionar antecipadamente algumas características dessa nova gestão (più pragmatico, graduali, più lenta), sugerindo implicitamente que por meio da revista o consumidor-leitor terá acesso a um informação que ele ainda não possui, o verdadeiro plano de gestão que Obama se viu obrigado a seguir.
7 CONCLUSÃO
Ao se fazer uma interação entre a parte teórica e a análise prática das capas de revistas voltadas para o tema “Crise econômica mundial”, pode-se perceber a comprovação de várias questões teóricas.
Levando-se em conta que o objetivo das capas é persuadir o leitor a comprar a revista, era de se esperar que o enunciador sugerisse tal ação. Porém, tal comportamento alocutivo só foi percebido de maneira explícita na capa de 23 de outubro, na qual ele utiliza o vocábulo “Ecco”, indicando oferta. Nas capas de 27 de novembro e 4 de dezembro, o enunciador sugere uma ação por meio de comportamento delocutivo (“Una guida completa”, “le mete dove si può ancora prenotare”). Nas demais capas, o enunciador não sugere qualquer ação da parte do leitor, de modo que este é motivado a comprar a revista por conta da curiosidade em aumentar seu conhecimento, a qual é estimulada pelo enunciador.
Portanto, em todas as capas foi marcante o comportamento delocutivo do enunciador, que procurou manter-se neutro e manter certo distanciamento, como se a sua fala fosse na verdade fala de terceiros e como se ele estivesse se reportando a verdades absolutas inquestionáveis. Em apenas duas capas (9 de outubro e 13 de novembro), ele se inclui como um consumidor em busca de resposta, para então colocar-se como tendo-a descoberto e oferecendo-se implicitamente a compartilhá-la com o leitor.
Conforme mencionado na introdução, essa pesquisa foi iniciada a partir da hipótese de que seria possível verificar nas capas das revistas a existência de uma “encenação argumentativa”. Interessante observar que apesar de as capas não conterem muitos dizeres, e mesmo sendo eles muito específicos, foi possível identificar em todas elas um raciocínio lógico e uma encenação argumentativa implícita. Mesmo que de forma implícita, pôde-se perceber oposições, concessões e relações de causa e consequência, especialmente em vista da pontuação utilizada, como as reticências, os parênteses, os dois-pontos e o ponto.
Os imaginários sociais também foram utilizados como modo de persuasão e puderam ser percebidos por meio de vocábulos utilizados de forma conotativa e especialmente por meio das imagens e fotografias. Também os efeitos de saber provocados pelas descrições e os efeitos de realidade e de ficção, provocados especialmente pelo uso de antíteses e parodoxos, foram formas de persuasão utilizadas pelo enunciador. O efeito de realidade e de ficção foi percebido em quatro das capas analisadas: 23 de outubro (queda de preços durante crise econômica), 13 de novembro (novo presidente americano eleito), 27 de novembro (viagem de fim de ano) e 22 de janeiro (propostas reais de Barack Obama). Percebe-se em todas elas a
intenção do enunciador de manter a positividade e mostrar a possibilidade de ficção tornar-se realidade.
Verificou-se ainda algumas semelhanças entre o gênero capa de revista e o gênero publicidade. Por exemplo, o fato de o enunciador da capa assim como o da publicidade, mostrar-se como um benfeitor que possui o que o consumidor precisa para satisfazer seus desejos ou suas necessidades, também o fato de na maior parte das vezes o enunciador da capa se apresentar como uma terceira pessoa (comportamento delocutivo), e ainda, por se criar uma imagem de sujeito-destinatário interessado no que seu produto oferece e por utilizar-se de descrições sugestivas que suscitem prazer e seduzam o consumidor.
Portanto, em vista de tantas semelhanças, pode-se concluir, conforme sugerido na hipótese, que as capas de revistas também fazem parte do contrato de comunicação publicitário. Além disso, percebe-se ainda o cumprimento da hipótese de que as estratégias de persuasão e de sedução estejam mais associadas ao campo das emoções. Partindo do princípio da sedução, poder-se-ia dizer que o tema não é nada sedutor. De qualquer forma, percebe-se em quase todas as capas a tentativa do enunciador de manter certa positividade. Especialmente nas capas de 23 de outubro e de 27 de novembro, o enunciador procura estimular o consumismo, mesmo diante de uma crise econômica. Nessas capas, percebe-se claramente a utilização de imagens sedutoras associadas a vocábulos que estimulam o desejo e o consumo, de modo que a revista não será seu objeto de desejo, mas será seu auxiliar para alcançar o objeto de seu desejo. Assim, a capa não trabalha apenas para estimular a compra da revista, mas também para estimular o desejo do consumidor, que verá na revista um meio de alcancá-lo. Interessante observar que mesmo nas capas em que o tema em questão era mais sério e incitava certa preocupação no leitor, o enunciador mantém a positividade por colocar- se como sendo detentor da informação que o leitor precisa e estando disposto a ajudá-lo.
Portanto, pôde-se verificar que os imaginários sociais explorados por meio de vocábulos e imagens, as relações lógicas implícitas e as descrições sugestivas foram algumas das formas de persuasão utilizadas pelo enunciador. Mas acima de tudo, deve-se ressaltar que o posicionamento do enunciador para angariar credibilidade e provocar efeito de verdade em seus enunciados são a base de qualquer persuasão. Afinal, dificilmente o consumidor-leitor se sentiria motivado a ler algo em que ele não acredite ser verdadeiro. Percebe-se claramente que o enunciador procura sempre se colocar como um benfeitor que possui as informações das quais o leitor precisa ou as quais ele deseja. Procura também mostrar ter conhecimento e provocar efeito de verdade em seus enunciados por se reportar a terceiros (como notícias ou
fatos já conhecidos pelo leitor) para então sugerir informações adicionais que podem ajudar o leitor a formar uma opinião ou a tomar uma decisão.
Ao se verificar a finalidade do sujeito-comunicante, observa-se que apesar de ele projetar um sujeito-enunciador que se identifica com destinatários preocupados com a crise, em muitos momentos ele sugere a manutenção de um estilo de vida consumista, dando ênfase a expectativas positivas, conforme verificado pelas capas de 31 de julho, 23 de outubro, 13 de novembro, 27 de novembro e 22 de janeiro. Especialmente em relação a revista de 27 de novembro, nota-se que ele não deixa de lançar uma revista sobre viagens de fim-de-ano, como costuma fazer anualmente. Apesar de se reportar à crise econômica, fica claro que seu objetivo não é falar de crise econômica. O assunto é utilizado como pretexto para chamar a atenção do leitor, já que é de se esperar que este esteja preocupado com a crise econômica mundial nessa época. Portanto, observa-se que o sujeito-comunicante projeta a capa com o objetivo de captar o maior número possível de leitores e faz isso por relacionar a crise econômica ao tema proposto, provocando um efeito dramatizante e seduzindo o leitor.
REFERÊNCIAS
AMOSSY, Ruth. O ethos na intersecção das disciplinas: retórica, pragmática, sociologia dos campos. In: AMOSSY, Ruth (org.). Imagensde si no discurso:a construção do ethos.
São Paulo: Contexto, 2005. p.69.
AMOSSY, Ruth. Ethos. In: CHARAUDEAU, Patrick / MAINGUENEAU, Domenic (org.).
Dicionário de Análise do Discurso. São Paulo: Contexto, 2004. p.220.
ABREU, Antônio Suarez. A arte de argumentar: gerenciando razão e emoção. Cotia: Ateliê Editorial, 2006.
CARVALHO, Nelly. Publicidade: A linguagem da sedução. 3 ed. São Paulo: Ática, 2009.
CHARAUDEAU, Patrick. Linguagem e discurso: modos de organização. São Paulo: Contexto, 2008.
CHARAUDEAU, Patrick. Discurso das Mídias. São Paulo: Contexto, 2007.
CHARAUDEAU, Patrick. Discurso Político. São Paulo: Contexto, 2006.
CHARAUDEAU, Patrick & MAINGUENAU, Domenic. Dicionário de Análise do Discurso. São Paulo: Contexto, 2004
CHARAUDEAU, Patrick. Para uma nova análise do discurso. In: Carneiro, Agostinho et alli.
O Discurso da Mídia. Rio de Janeiro: Oficina do autor, 1996. p.5-43.
GARCIA, Othon Moacyr. Comunicação em prosa moderna. 2.ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1974.
EGGS, Ekkehard. Ethos aristotélico, convicção e pragmática moderna. In: AMOSSY, Ruth (org.). Imagens de si no discurso:a construção do ethos. São Paulo: Contexto, 2005. p.29.
KERBRAT-ORECCHIONI, Catherine. Os atos de linguagem no discurso. Niteroi:EdUFF, 2005.
KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça. Argumentação e linguagem. 3.ed. São Paulo: Cortez, 1993.
MAINGUENEAU, D. Novas tendências em análise do discurso. Campinas,SP: Pontes, 1993.
MAINGUENEAU, Dominique. Gênese dos Discursos. Curitiba: Criar, 1995.
MAINGUENEAU, Dominique. O contexto da obra literária. São Paulo: Martins Fontes: 2001.
MAINGUENEAU, Dominique. Ethos, cenografia, incorporação. In: AMOSSY, Ruth (org.).
Imagensde si no discurso:a construção do ethos. São Paulo: Contexto, 2005. p.69.
MONNERAT, Rosane Mauro. A publicidade pelo avesso: propaganda e publicidade, ideologias e mitos e a expressão de idéias – o processo de críticas da palavra publicitária. Niterói: EdUFF, 2003.
ORLANDI, Eni Pulcinelli. A linguagem e seu funcionamento: as formas do discurso. 2.ed. rev. e aum. Campinas, SP: Pontes, 1987.
PERELMAN, Chaim./OLBRECHTS-TYTECA, Lucie. Tratado da argumentação: A Nova Retórica. São Paulo: Martins Fontes, 1996.