No período estudado (2008 a 2013) não houve saída significativa de famílias do Assentamento Alecrim, sendo que só deixaram o Assentamento Alecrim em torno de 11% das famílias. A renda melhorou, com redução daqueles que recebiam menos de um salário mínimo e aumento percentual das famílias com renda superior a dois salários mínimos, mas a maior parte das famílias continuou obtendo renda monetária entre um e dois salários mínimos. O acréscimo da renda das famílias se deve em grande parte à contribuição dos trabalhos fora do lote e aos benefícios sociais que aumentaram sua participação no total da renda familiar, além da liberação do crédito do PRONAF “A”, em 2011, que levou ao aumento da produção leiteira, embora mantendo o baixo nível de tecnificação e de rentabilidade das atividades produtivas.
Com relação ao sistema produtivo permanecem inalteradas as escolhas realizadas, com a maioria das famílias se dedicando à pecuária de leite e um grupo menor a cultivos diversos. Praticamente todas as famílias mantêm criações de pequenos animais, sendo mais frequente atualmente (2013) a criação de aves e seus produtos, constituindo-se em um dos importantes produtos do Assentamento, assim como a produção de bezerros e suínos. As culturas com maior destaque são as voltadas para o autoconsumo das famílias como a mandioca, o feijão e o milho, demonstrando que a produção no Assentamento tem como foco principal a segurança alimentar da família, embora também visem complementar a renda monetária.
O crédito barato lhes ajudou na estruturação das atividades produtivas, mas ainda serão necessários outros investimentos para aumentar a produção. Para alguns produtores o crédito não parece ser muito atrativo, devido a alguns fatores, como institucionalização do crédito via bancos, aspectos burocráticos e documentais, necessidade de compreensão das relações bancárias e de financiamento, operacionalização via assistência técnica, obrigação de cumprir a programação e a aplicação do recurso conforme o projeto; esses fatores são agravados pelo baixo nível de escolaridade dos produtores. Porém o que consideramos mais relevante é o fato de que as famílias têm uma compreensão lógica das potencialidades e limitações que lhes são colocadas e isso se expressa em uma forma particular de organizar a unidade de produção. No caso de novos contratos de crédito do Pronaf, a famílias têm optado por diversificação de cultivos, garantindo sua segurança e soberania alimentar. Nem todos que financiaram a pecuária de leite compram mais cabeças de gado, pois o limite de área é bem definido, então alguns investiriam em infraestrutura que faltava para melhorar o sistema produtivo na pecuária, principalmente na alimentação animal. As estratégias dos produtores
parece não considerar, no curto prazo, a produtividade, o volume de produção e maiores rendimentos econômicos. Mesmo com crédito barato, vários produtores buscam um equilíbrio entre a produção, suas necessidades e capacidades produtivas, nestas incluídos principalmente o espaço físico disponível, a disponibilidade de mão de obra e a necessidade da produção, organizando a produção dentro da propriedade como um todo, colocando as necessidades da família como fator orientador das decisões.
Nas relações sociais as famílias não têm aumentado seu capital social, seus momentos de interações são poucos e restritos aos momentos de reunião com os profissionais da assistência técnica e em trabalhos feitos em lotes vizinhos, dificultando ainda mais ações que visam a cooperação produtiva e/ou a comercialização conjunta.
A assistência técnica, mesmo com algumas deficiências, tem sido, na opinião das famílias, um fator importante para o desenvolvimento do Assentamento e das atividades produtivas. Ao mesmo tempo, grande parte das famílias acredita que a presença da Eldorado Brasil e as prestadoras de serviços (Fábrica de pasta de celulose e os plantios de eucaliptos na região) oferecem oportunidade para o desenvolvimento das atividades produtivas e para consolidação do Assentamento. A grande maioria das famílias vê como fatores que dificultam o desenvolvimento do Assentamento as disputas políticas, a falta de união dos produtores e os entraves relacionados à comercialização. Isso a nosso ver é um reflexo do baixo capital social do Assentamento, principalmente devido à falta de espaços de convívio entre as famílias e os colaboradores do processo de desenvolvimento do Assentamento, pois nestes espaços muitas diferenças poderiam ser resolvidas e os laços sociais estreitados, facilitando a problematização da realidade e a busca de soluções.
De forma resumida podemos afirmar que a produção dos lotes tem aumentado, porém não de forma tecnocrática e produtivista visando apenas o lucro, como preconiza o modelo de empresa capitalista. No Assentamento Alecrim percebemos que o aumento da produção, na maioria dos casos, objetiva, essencialmente, atender às necessidades da família, ajustando trabalho e consumo, nos sistemas produtivos da unidade familiar, como demonstrado por Chayanov. Há também a valorização de outras dimensões da vida e do trabalho, como a moradia, a alimentação saudável, a liberdade e a autonomia do trabalho no lote, e não somente os aspectos econômicos da produção.
Acreditamos, que embora o pleno desenvolvimento das atividades produtivas do Assentamento Alecrim, assim como vários assentamentos Brasil a fora, dependa de vários fatores como melhoria na qualidade e aumento da quantidade dos produtos, criação ou
expansão de mercados locais ou regionais, organização das famílias para os processos de comercialização e capacitação para os processos produtivos entre outros, acreditamos que o processo de reforma agrária, assim como as diferentes formas de agricultura familiar continuarão existindo e, porque não, desenvolvendo dentro deste cenário. Os camponeses têm demostrado esta capacidade, graças as suas estratégias de vida frente as mais adversas situações. No entanto, defendemos que o acesso a terra não pode negar a necessidade da produção de excedentes. Sendo assim, as capacidades individuais e coletivas, as relações internas e externas da comunidade, a disponibilidade de recursos naturais, os investimentos, a infraestrutura e as políticas públicas, entre outros fatores, são determinantes para o processo de desenvolvimento. Estes elementos devem ser analisados com base nas potencialidades de cada local, mediados por suas limitações naturais, individuais e coletivas dentro de um contexto holístico, com o objetivo de proporcionar o desenvolvimento da comunidade de forma participativa, dentro de um projeto educacional não formal, continuado, de forma que as famílias tenham um real entendimento das questões envolvidas e sejam capazes de construir os processos necessários para superar suas possíveis limitações e não simplesmente ser colocadas a serviço do produtivismo tecnocrático que tem sido gerador de exclusão social, pobreza e miséria por todo o planeta.
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Produtos consumidos e comercializados pelas famílias no ano de 2012 Leite 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 15 42,86 Pimenta in natura 1 1 2,86 Pimenta molho 1 1 2,86 Café 1 1 2,86 Frango 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 13 37,14 Galinha 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 14 40,00 Suíno 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 16 45,71 Pães, doces, queijo. 1 1 2,86 Bezerros 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 17 48,57 Mandioca 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 14 40,00 Feijão 1 1 1 1 1 1 6 17,14 Milho 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 10 28,57 Ovos 1 1 1 1 1 1 1 1 8 22,86 Carneiro 1 1 2,86 Abacaxi 1 1 1 3 8,57 Queijo salgado 1 1 2 5,71 Abobora 1 1 1 1 1 1 6 17,14 Melancia 1 1 1 1 4 11,43 maxixe 1 1 2,86 Hortaliças 1 1 1 1 1 1 1 1 8 22,86
Galinha de Angola 1 1 2,86 Feijão guandu 1 1 2,86 Farinha 1 1 2,86 Quiabo 1 1 2 5,71 Abobora 1 1 2 5,71 Banana 1 1 1 1 1 5 14,29 Laranja 1 1 2 5,71 Pães 1 1 2,86 Frutas 1 1 2,86 Total de Produtos 6 2 1 6 5 3 6 9 11 7 5 5 4 4 2 4 1 5 2 5 8 6 4 4 3 6 5 4 5 4 4 4 3 3 6
1 Programa de Pós Graduação em Agronomia: Sistemas de Produção
PESQUISA: Análise do processo de escolha e da evolução das atividades produtivas desenvolvidas pelos agricultores familiares do Assentamento Alecrim em Selvíria-MS.
Entrevistador: Cícero Rogério Henrique Laluce Data: _____/_____/________
I - Caracterização Socioeconômica e cultural
Nome do Titular: _______________________________________________________________ Numero do lote: ______ Nome da propriedade: ____________________________________ 1. Informações do Entrevistado
1.1 Sexo: ( ) M ( ) F 1.2. Idade:___________ anos 1.3. Estado de Origem:_________________________
1.4. Escolaridade: ____________________________ 2. Informações do cônjuge
2.1. Sexo ( ) M ( ) F 2.2. Idade:___________ anos 2.3. Estado de Origem:_________________________
2.4. Escolaridade: _____________________________ 3. Qual é a situação do senhor (a) em relação ao lote?
Primeiro assentado Reassentado pelo INCRA·(2º dono)
Pegou do 1o dono e regularizou Pegou do 1o dono e não regularizou Outra situação (especificar):
4. O que o motivou a vir para o assentamento com sua família?
_____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________
2
Grau de parentesco Trabalha no lote ? Onde trabalha? Escolaridade Idade (anos)
5.2 Há membros da família que não moram no Assentamento? ( ) Sim ( ) Não (Caso sim) Quem são? _______________________________________________________ 6. Contrata mão de obra de terceiros para alguma atividade do lote? Sim ( ) Não ( ) 6.1. (Se contrata) Quantas diárias por mês e para qual atividade?
Tipo de Atividade Número de Diárias
7. Há membro da família recebe algum tipo benefício social? Sim ( ) Não ( ) 7.1. Caso receba, indique o beneficiário e o tipo de benefício:
M E O M E O M E O
Aposentadoria por idade Auxilio Doença Vale renda
Pensão por invalidez Pensão por morte Prouni
Auxilio acidente Salário maternidade Outro ?
Auxilio reclusão Bolsa família
M – Marido, E – Esposa , O – Outro
Identificar o(s) Outro(s) Membro(s) da Família: _______________________________________ 8. Atualmente a família tem algum ganho de dinheiro de trabalho que não seja do lote?
Sim ( ) Não ( )
8.1. (Se respondeu SIM) Qual a fonte deste rendimento?
A N/A A N/A
Empreita Aluguel Pensão alimentícia
Salário mensal Diarista Artesanato
Arrendamento Comércio
A: Agrícola/Rural N/A: Não agrícola
3
M E O M E O M E O
Artesanato Cabeleireira Panificação
Bordado Manicure Oficina mecânica
Crochê Marcenaria Comércio
Costura Borracharia Outra:
M – Marido, E – Esposa, O - Outro
10. Como são utilizados os recursos provenientes de trabalhos fora do lote e/ou não agrícolas? _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ 11. Quanto você considera ser, em média, a renda bruta mensal de sua família? (apenas aqueles que moram com a família ou contribuem regularmente com a renda familiar)
( ) Menos de 1 salário mínimo (menos de R$645,00)
( ) De 1 a 2 salários mínimos (entre R$645,00 e R$1.290,00) ( ) De 3 a 5 salários mínimos (entre R$1.291,00 e R$3.225,00) ( ) De 6 a 10 salários mínimos (entre R$3.226,00 e R$6.450,00) ( ) De 10 a 20 salários mínimos (entre R$6.451 e R$12.900,00) ( ) Mais de 20 salários mínimos (mais de R$12.900,00)
12. Houve mudança em sua renda familiar entre o momento em que entrou no assentamento e atualmente (2013)?
( ) Sim, aumentou a renda familiar ( ) Sim, diminuiu a renda familiar
( ) Não, não houve alterações significativas na renda familiar 13. (Se respondeu sim) A que o Sr.(a) atribui esta mudança?
_____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________
4 Associação de produtores Grupo de Jovens Não Participa
MST CUT
Fetagri FAF
15. Como está o funcionamento da organização social que o senhor ou a senhora fazem parte?
Ótimo Ruim
Bom Não funciona
Regular Não participo das reuniões
Outro comentário:
16. O que a família costuma fazer para se divertir?
17. Quais costumes sua família ainda guarda da tradição familiar ou do lugar de onde vieram?
Dança Comida típica Bebidas típicas
Música Toca instrumento musical Roupas típicas
Capoeira Uso de plantas medicinais Festas religiosas
18. Qual a água que a família utiliza para consumo em casa?
Rede distribuição dos poços artesianos ( ) Poço de boca (Cacimba) ( ) 19. A água é suficiente para o consumo da Família? Sim ( ) Não ( ) 20. Qual o tipo de tratamento na água que sua família utiliza para o consumo?
Filtro de barro Cloro Não Sabe
Fervura Não faz tratamento
Joga bola Vê Televisão internet
Pesca Escuta Rádio Sinuca
Caça Visita Parentes e amigos Não acha importante
Bocha Laço Comprido Não tem tempo
Rodeio Joga Baralho Nada, por falta de dinheiro
Baile Reúne com amigos
5 _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ 22. Antes de sua entrada no movimento de reforma agrária qual era a principal atividade