Um momento marcante na evolução das atividades produtivas e, consequentemente, no processo de consolidação do Assentamento Alecrim, foi a liberação do crédito do PRONAF – Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, visto que 60% das famílias entrevistadas (21famílias) contrataram a operação e 90,4% delas (19 famílias) responderam que o crédito lhes ajudou. Como principal forma contribuição do credito a grande maioria citou os investimentos feitos na produção ou lote (compra de bovinos, aplicação em infraestrutura do lote) e o consequente aumento da renda da família (Figura 15).
Apenas 5% das famílias que contrataram o crédito se disseram insatisfeitas com os resultados alegando que o credito não lhe ajudou. O principal motivo do insucesso foi atribuído à falta de assistência técnica e à divida junto ao Banco do Brasil. Desvio do recurso declarado foi citado por um dos beneficiários apenas (compra de carro e moto).
Figura16 - Forma de contribuição do recurso dos Pronaf, segundo famílias entrevistadas que receberam o crédito.
Fonte: Questionário da pesquisa, 2013
No caso do Assentamento Alecrim, onde as famílias foram assentadas pelo INCRA,
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este emite um documento denominado DAP-Declaração de Aptidão do Produtor atestando que o mesmo se enquadra na categoria de agricultor familiar, assim passa a ter direito a contratar o crédito do Pronaf, na categoria Pronaf A, destinado a investimentos, podendo ainda ser direcionado em parte para custeio, no momento da contratação. A taxa de juros foi de 0,5%, com 44,5% de desconto por adimplência, ou seja, os produtores que pagassem a parcela até o vencimento receberiam um desconto de 44% sobre os juros e capital. Os contratos tinham um prazo de pagamento de 10 anos, com 3 anos de carência. Segundo o Plano Safra da Agricultura Familiar do ano de 2011 o crédito do PRONAF “A” deveria ser liberado em três etapas, cada etapa precedida de um projeto de investimento elaborado pela assistência técnica. No caso do Assentamento Alecrim a assistência técnica é prestada pela AGRAER- Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural, empresa pública ligada a SEPROTUR – Secretária de Estado de Desenvolvimento Agrário, da Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo do Estado de Mato Grosso do Sul.
O responsável pela assistência técnica, no caso do Assentamento Alecrim, juntamente com a comunidade convenceu o INCRA, por meio de uma nota técnica, que o melhor seria fazer a liberação em uma única parcela de investimento, com custeio associado. A argumentação foi de que as famílias tinham interesses diferentes, estando divididas em grupos distintos, um vocacionado para produção de pecuária de leite e um segundo com interesse em desenvolver atividade de agricultura, com cultivos diversos e criação de pequenos animais. Para isso seria preciso o custeio das criações e compra de insumos que não se enquadram como investimento.
Segundo o responsável pela assistência técnica a elaboração dos projetos foi discutida com a comunidade e a mesma foi orientada sobre as condições de pagamento e operacionalização do crédito junto ao Banco do Brasil, entidade responsável pela contratação do recurso, assim como foi passado para cada produtor, após a contratação, as responsabilidades na aplicação do crédito.
Das famílias entrevistadas 60% fizeram financiamento nos últimos anos, segundo assistência técnica um número considerável de produtores não optaram por contratar o crédito por vários motivos, entre os quais a restrição cadastral foi o motivo mais frequente. Na aplicação do questionário, 22% das famílias pesquisadas responderam que não contrataram o crédito nos últimos anos, alegando em 8,57% do total das respostas restrição no CPF, em 5,71% que não precisavam do crédito e em 5,71% mencionaram outros motivos (não possuir DAP por motivo de falta de regularização do lote; achar o processo muito complicado; ter
medo do banco e porque o crédito não era para roça, ou seja, era específico para investimento).
Na elaboração dos projetos se repetiu a tendência apontada nas intenções de implantação de atividades produtivas ao longo do período estudado, ou seja, as famílias continuaram em número maior na atividade de pecuária de leite e um grupo menor voltado para agricultura e criação de pequenos animais. Porém a assistência técnica salientou que mesmo com todo esforço para dar liberdade aos produtores na escolha de suas atividades produtivas, dentro da viabilidade técnica e econômica exigidas pelo agente financiador e pela razão, alguns produtores entenderam que o financiamento era para compra do gado (bovinos). Isso causou de certa forma um direcionamento de parte dos projetos para compra de bovinos.
Das famílias entrevistadas, a maioria usou o recurso para investimento na pecuária de leite, compraram gado, triturador, plantaram capineira de cana, reforma de pasto e investiram em uma estrutura para tirar leite (Figura 16) Podemos verificar uma tendência na maioria das famílias de priorizar a compra do gado e investiu menos recursos no suporte a produção como capineira e reforma de pasto, o esperado, por conta do projeto técnico de investimento, seria que o mesmo número de famílias que comprou gado investisse na estrutura de produção. Figura 17- Aplicações do crédito do PRONAF A feito pelas famílias entrevistadas
Fonte: Questionário da Pesquisa 2013.
foi elaborado projeto técnico para liberação do crédito e destas 100% responderam ter participado da elaboração do Projeto, ou seja, os projetos foram discutidos e elaborados com base nas necessidades e anseios da comunidade, permitindo que as famílias adequassem os recursos, na medida do possível, à realidade de cada lote e das vocações do produtor. Quanto à orientação no momento da aplicação do crédito, 60% afirmaram ter sido orientadas para aplicação do crédito e 40% responderam não ter sido orientada. Isso demonstra que houve uma falha na assistência técnica no acompanhamento individual dos produtores.
Das famílias entrevistadas 37% alegaram que não foram atendidas pela assistência técnica e 48% responderam ter sido atendidos pela assistência técnica, sendo que destes 47,5% declararam receber assistência regularmente e 47,5% esporadicamente (demais outras respostas).
Podemos considerar que o crédito foi um dos responsáveis pelo aumento da renda no assentamento e pelo fomento das atividades produtivas principalmente no caso da pecuária de leite, conforme Figura 12. As famílias que contrataram crédito em sua maioria não se arrependeram e 70% delas responderam que se houvesse mais crédito contratariam novamente. Isso demonstra a importância deste tipo de recurso, ou seja, crédito subsidiado, para as famílias de baixa renda.
Das famílias que contratariam mais crédito 35 % mencionam que pretendem aplicar em “cultivos”, 27% investiria o recurso na infraestrutura produtiva e 19 % compraria mais gado, 8% investiriam respectivamente em reforma de pasto e compra de insumos e apenas 4% investiriam na verticalização da produção (figura 17). Isso demonstra que o crédito poderia ser utilizado como uma ferramenta fundamental para soberania e segurança alimentar destas famílias, porém fica o gargalo da burocratização, pois a liberação é feita por meio do sistema financeiro tradicional.
Figura 18 - Atividades que os produtores do Assentamento Alecrim aplicariam um possível novo crédito contratado.
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Fonte: Questionário da Pesquisa 2013
Das 20 famílias que contrataram crédito do PRONAF “A” 30% responderam que não mais contratariam, sendo que todas alegaram que o motivo era o fato de ainda possuírem dívida do Pronaf para pagar. Uma delas acrescentou que não vale à pena se endividar, pois já teria o suficiente e outra que tinha receio de investir no que pode não dar certo.
4.4 ASPECTOS GERAIS DO DESENVOLVIMENTO DO ASSENTAMENTO ALECRIM