• Sonuç bulunamadı

4. ARAŞTIRMA BULGULARI

4.3 RNA izolasyonu ve RT-PCR Sonuçları

4.3.2 PDV PCR çalışmaları

Um MLGm também foi utilizado para verificar diferenças entre os grupos nas tarefas clássicas de memória episódica (I- Recordação Livre Imediata, II- Recordação Livre Tardia e III- Questões Inesperadas), como poder ser observado na figura 12.

Figura 12: Comparação entre adultos e idosos nas diferentes tarefas clássicas de memória episódica.

Nota. n/s = não significativo; *. p < .05; **. p < .01; ***. p < .001.

As provas clássicas de memória episódica apresentaram padrões adequados de distribuição normatizada (ver ANEXO 6). Uma análise por meio do teste de Levene mostrou

61 haver homogeneidade de variância entre os grupos para: RLI [F(1,68) = .201; p = .656], RLT [F(1,68) = .047; p = .830] e Questões Inesperadas [F(1,68) = 3,327; p = .073].

As análises estatísticas mostraram haver diferença significativa entre adultos e idosos para as pontuações do teste de RLI [F(1, 68)= 18,60; p <.001; η²= .215]. Também houve diferença significativa entre GA e GI para as QI [F(1, 68)= 6,33; p <.05; η²= .085], só que desta vez os idosos mostraram se sair melhor do que os adultos para essa tarefa. O Eta2 parcial mostrou um tamanho do efeito intermediário para a diferença registrada entre os grupos na RLI e QI. Não foi observado diferença significativa entre as amostras para as pontuações da prova de RLT [F(1, 68)= 3,99; p =.05; η² = .056]. Entretanto, para essa variável foi registrado um tamanho de efeito pequeno, levando a crer que pode haver uma diferença significativa marginal entre a pontuação RLT de adultos jovens e idosos.

4.8. Diferenças entre grupos para as medidas da tarefa “Que-Onde-Qual Contexto” Inicialmente foi verificada a incidência de respostas do tipo “lembrar” e “saber” comparadas ao acaso para os diferentes tipos de perguntas do teste “Que-Onde-Qual contexto” corretamente respondidas. Na figura 14 podem ser observadas essas comparações divididas de acordo com o grupo.

Figura 13: Taxa de experiências subjetivas associadas aos tipos de questão da tarefa "Que- Onde-Qual contexto", por grupo.

Nota. Q = Questões do tipo “Que”; QOQ = Questões do tipo “Que-Onde-Quando”; QOC = Questões do tipo “Que-Onde-Qual contexto”; n/s = não significativo; *. p < .05; **. p < .01; ***. p < .001.

Para o grupo de adultos, a proporção de respostas corretas associadas à experiência “lembrar” foi significativamente maior que o acaso para todas as questões investigadas:

62 “Que” (p< .001), QOQ (p< .01) e QOC (p< .001). Já para a experiência do tipo “saber” a proporção de respostas corretas associadas a ela não foi significativamente diferente do acaso nas perguntas do tipo “Que” (p = .07), “QOQ” (p = .66) e “QOC” (p = .82).

No grupo de idosos a proporção de respostas corretas associadas à experiência “lembrar” foi significativamente maior que o acaso apenas nas questões tipo “Que” (p< .001) e QOC (p< .01). Quanto à experiência do tipo “saber” a proporção de respostas corretas associadas a elas foi superior significativamente ao acaso apenas para as perguntas do tipo “Que” (p< .001).

Posteriormente foi investigado se os grupos estudados diferiram entre si para a quantidade de respostas corretas da tarefa. Vale destacar que para essa tarefa cada participante respondeu 9 questões, totalizando 315 por grupo. Na figura 14 são apresentadas as frequência de acerto por grupo.

Figura 14: Frequência de acerto total e por tipo de questão pertencentes a tarefa "Que - Onde - Qual contexto", divididas por grupo.

Nota. TAT = Frequência de Acerto Total da tarefa “Que-Onde-Qual contexto”; Q = Questões tipo

“Que” (total de 105 respostas possíveis por grupo); QOQ = Questões do tipo “Que-Onde-Quando” (total de 105 respostas possíveis por grupo); QOC = Questões do tipo “Que-Onde-Qual contexto”

(total de 105 respostas possíveis por grupo).

O grupo de adultos acertou mais TAT do que os idosos. Entretanto, a análise estatística inferencial permitiu afirmar que a frequência de acerto total da tarefa "Que-Onde- Qual contexto" independe da idade [χ2(1)= 3,19; p = .074; n= 630]. O tamanho do efeito, calculado através do V Cramer, foi de .07, mostrando que realmente houve um efeito

63 pequeno, se não, insignificante, da idade sobre o TATda tarefa de memória episódica baseada no contexto.

Observando as questões individualmente notou-se que os adultos obtiveram maior frequência de acerto do que os idosos para todos os tipos de questão. Contudo, não foi registrado efeito significativo da idade associado as questões do tipo: “Que” [χ2(1)= 3,78; p = .052; n= 210], “QOQ” [χ2

(1)= 1,23; p = .267; n= 210] e “QOC” [χ2(1)= 0,78; p = .376; n= 210].O V de Cramer = .134 evidenciou um tamanho de efeito pequeno para as questões tipo “Que”, indicando que pode haver uma diferença significativa marginal entre a frequência de acerto de adultos jovens e idosos neste tipo de questão. O tamanho do efeito para a comparação dos grupos na frequência de acerto das questões “QOQ” e “QOC” foi .07 e .05, respectivamente, indicando realmente que não houve diferença entre as frequências de acertos destas questões.

Outras comparações mostraram que as questões individuais diferiram significativamente entre si, no que diz respeito ao total de acerto, em ambos os grupos. Os adultos acertaram mais questões do tipo “Que”, seguido das do tipo “QOC” e “QOQ” [χ2

(2) = 46,23; p < .001; n= 630], registrando nesta análise um V de Cramer = .383, considerado um tamanho de efeito intermediário. O mesmo padrão se apresentou nos dados dos idosos, onde “Que” > “QOC” > “QOQ” [χ2

(2) = 43,24; p < .001; n= 630]. O V de Cramer desta análise foi de .371, sendo considerado de força mediana.

Foi realizada uma análise buscando associar o efeito da idade com a frequências das experiências subjetivas (lembrar/saber) atribuídas as respostas corretas de acordo com o grupo. Os dados são apresentados na figura 15.

64 Figura 15: Frequência de resposta "lembrar" e "saber" associada a respostas corretas total do teste "Que - Onde - Qual contexto".

Os dados mostraram que os adultos emitiram mais respostas de experiência do tipo “lembrar” do que os idosos. Em contrapartida, experiência do tipo “saber” associada as respostas corretas da tarefa "Que-Onde-Qual contexto" foi maior para a amostra de idoso. Contudo, a frequência de julgamentos de “lembrar” e “saber” associada a tarefa de memória episódica mostrou-se independe da idade [χ2(1) = 0,27; p = .601]. O valor do V de Cramer para esse análise foi .025, corroborado assim com a suposição feita pelo χ2 de que realmente não houve diferença associada a idade para a variável em questão

Foi verificada a incidência percentual de respostas “lembrar” versos “saber” em cada dos grupos separadamente. A porcentagem de experiência “lembrar” foi significativamente superior a experiência “saber” no grupo de adultos (p < .001) e idosos (p < .001), embora tendo sido registrado uma ligeira redução da diferença entre as experiências subjetivas no grupo de pessoas mais velhas.

Os componentes individuais da tarefa "Que-Onde-Qual contexto" também tiveram sua relação com a experiência lembrar/saber avaliada. Os dados estão descritos na figura 16.

85 28 75 29 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 lembrar saber Fre q u ên cia d a ex p er iên cia

Tipo de experiência associada a tarefa "Que - Onde - Qual contexto"

65 Figura 16: Frequência de resposta "lembrar" e "saber" associada a respostas corretas das questões individuais da tarefa "Que - Onde - Qual contexto", por grupo.

Nota. Q = Questões tipo “Que”; QOQ = Questões do tipo “Que-Onde-Quando”; QOC = Questões do tipo “Que-Onde-Qual contexto”.

Os adultos jovens emitiram mais respostas do tipo “lembrar” do que os idosos para as questões “Que”, “QOQ” e “QOC” do teste. A frequência registrada da experiência “saber” também foi maior para os adultos, mas apenas para questões do tipo “QOQ” e “QOC”. Entretanto, não foram registradas diferenças significativas entre os grupos para as experiências (lembrar ou saber) associadas às respostas corretas das questões “Que” [χ2(1) = 1,96; p = .16], “QOQ” [χ2(1) = 0,50; p = .82] e “QOC” [χ2(1) = 0,57; p = .44]. Os respectivos valores de V de Cramer dessas análises foram: .147; .029 e .094. A partir disso, foi encontrado um tamanho de efeito pequeno para a diferença entre os grupos na frequência das experiências subjetivas associadas as questões tipo “Que” corretamente respondidas. Para as demais questões da tarefa “Que-Onde-Qual contexto” a estimativa do tamanho do efeito corroborou com os achados do χ2

, que mostrou não haver diferença significativa associada a idade para a frequência de experiências subjetivas atribuídas as questões “QOQ” e “QOC”.

Em subsequente análise binomial, constatou-se que para a questão tipo “Que” o grupo de adultos apresentou uma porcentagem de experiência tipo “lembrar” superior significativamente a experiência “saber” (p< .001). O grupo de idosos também apresentou esse padrão significativo de porcentagem (p< .01) para essa questão. Já para as questão tipo “QOQ” não foi encontrado diferença significativa entre as experiências “lembrar” e “saber” em adultos (p= .09) e idosos (p= .24). Por fim, a análise binomial mostrou que a porcentagem

35 34 23 17 27 24 7 14 12 10 9 5 0 5 10 15 20 25 30 35 40

Adultos Idosos Adultos Idosos Adultos Idosos

Q QOQ QOC Fre q u ên cia d a ex p er iên cia

Perguntas que compõem a tarefa "Que - Onde - Qual contexto"

66 das experiências “lembrar” associada as questões “QOC” mostrou-se significativamente superior ao “saber” para os adultos(p< .01) e idosos (p< .001).

67 5. DISCUSSÃO

O presente estudo objetivou analisar o efeito da idade sobre a memória de integração, mensurada por dois paradigmas experimentais, um baseado no aspecto temporal (“Que-Onde- Quando) e outro nas características contextuais (“Que-Onde-Qual contexto”), além de estudar os correlatos destas tarefas com medidas clássicas de memória episódica (RLI, RLT e QI).

Inicialmente foram analisadas as características sócio-demográficas da amostra, buscando evidenciar se ambos os grupos foram homogêneos em relação a variáveis como idade e escolaridade, que são fatores associados a grandes alterações nas avaliações utilizando testes cognitivos. No grupo de adultos (GA) a média de idade ficou em aproximadamente 22 anos (mín. 18; máx. 28), enquanto que no grupo de idosos (GI) a média de idade girou em torno dos 63 anos (mín. 57; máx. 72). Durante a seleção dos voluntários foi adotada um critério de que apenas pessoas, com no mínimo, ensino médio completo, poderiam participar do estudo. Apesar disso, a maioria dos participantes avaliados, em ambos os grupos, tinha ou estavam cursando algum curso superior, inexistindo participantes com pós-graduação (ver tabela 2). Essa precaução foi adotada para reduzir ao máximo os efeitos do nível de educação sobre as pontuações obtidas.

A escala de doenças cumulativas (CIRS) mostrou que os participantes em ambos os grupos não apresentaram disfunções médicas gerais severas o suficiente para afetar seus desempenhos nas tarefas utilizadas. Tanto adultos jovens quanto idosos não demonstraram indicadores da presença de transtornos afetivos (ansiedade e depressão), verificado através da Escala de Ansiedade e Depressão Hospitalar (HAD), graves o suficiente para comprometer seus desempenho, tendo em vista obterem pontuações médias abaixo da linha de corte para amostra de brasileiros (Botega et al., 1995).

A avaliação neuropsicológica foi realizada apenas nos idosos, tendo como objetivo evidenciar possíveis indicadores de CCL ou outras demências, como DA. A média da pontuação dos idosos no MMSE foi de aproximadamente 28 pontos, índice acima da estimativa de corte desta prova para essa faixa etária (Bertolucci et al., 1994). Os valores dos testes que compõem a escala WAIS-III (Sequência de Letras e Números; Dígitos – Ordem Direta; Procurar Símbolos) mostraram-se dentro do intervalo de valores considerados normais para a faixa etária em questão, isso de acordo com manual normativo da escala. Pelo desempenho dos idosos nos testes neuropsicológicos não foi evidenciado a presença de CCL ou DA.

68 Sendo a memória episódica um dos primeiro processos cognitivos afetados durante o processo de envelhecimento normal (Craik, 2008; Craik & Rose, 2012; Sumida et al., 2016) e patológico (Piolino et al., 2006, 2010), o desenvolvimento de métodos eficazes de avaliação desta habilidade cognitiva são demasiadamente importante para a promoção da saúde da faixa etária da população que tem 60 ou mais anos (Malloy-Diniz, Fuentes, & Cosenza, 2013).

O processamento episódico codifica, armazena e evoca informações a respeito de eventos datados temporalmente, ressaltando a relação espaço-temporal entre eles. É um subsistema da memória declarativa que é composto apenas por informações sobre experiências particulares que foramincorporados emuma matriz deoutros eventos associados a linha de tempo subjetivo de cada pessoa (Tulving, 1984, 1985, 2001, 2002). Ao longo dos anos diversos foram os mecanismos de avaliação desenvolvidos para mensurar esse construto com: Tarefas de Reconhecimento (Yonelinas, 2001, 2002), de Recordação Livre (Tulving, 1985), e Questões que exploravam o componente incidental da memória episódica (Zentall et al., 2008). Perspectivas atuais desenvolveram novas formas de mensuração, a primeira delas, através de testes baseados no paradigma “Que-Onde-Quando”, postulando que a memória episódica diz respeito ao processo de recordação de informações sobre características especiais e temporais dos eventos episódicos, assumindo os critérios comportamentais “Que”, “Onde” e “Quando” (Clayton et al., 2003), com sendo as principais fontes de informações (Cheke & Clayton, 2013, 2015; Clayton & Dickinson, 1998; Holland & Smulders, 2011; Mazurek et al., 2015). A segunda perspectiva adota a substituição do elemento temporal “Quando” por um componente contextual “Qual contexto” (Eacott & Easton, 2010; Eacott & Norman, 2004).

De acordo com Cheke e Clayton (2015) cada uma das diferentes medidas apresentadas, e que se fizeram uso no presente trabalho (Recordação Livre, Tarefa de Reconhecimento, Questões Inesperadas, Testes “Que-Onde-Quando”, e Teste “Que-Onde- Qual contexto”), possibilitam acessar os distintos componentes que formam a complexa capacidade cognitiva que é a memória episódica. A partir disso propusemos a hipótese I do estudo, onde “Esperamos que as pontuações nas diferentes tarefas e/ou medidas de avaliação da memória episódica correlacionem entre si, tendo em vista estarem mensurando, teoricamente, o mesmo processo cognitivo”.

Para responder à todas as indagações propostas foram selecionadas apenas as pontuações dos componentes da prova F. Isso se deu em razão das medidas desta tarefa apresentarem bons indicadores de normalidade de dados, além das mesmas demonstrarem

69 valores de correlação, moderados na maioria das vezes, com os respectivos componentes das demais tarefas do teste QOQ.

Na tabela 14 é apresentada uma série de correlações entre os componentes da tarefa F do teste QOQ, medidas episódicas clássicas, as questões do teste QOC e as experiências da escala L/S. Esse procedimento buscou realizar um espécie de “validade convergente” para as provas baseadas nos dois paradigmas abordados nessa pesquisa. Já está consolidado na literatura (Tulving, 1985; Malloy-Diniz, Fuentes, & Cosenza, 2013) que medidas como recordação livre de objetos são boas estimativas do processamento episódico. Encontrar associações entre essas medidas e as novas, baseadas no paradigma “Que-Onde-Quando” e Que-Onde-Qual contexto”, são bons indicadores que essas novas perspectivas de avaliação possam vir a se tornar instrumentos eficientes e válidos de mensuração da memória episódica. Ao analisar inicialmente a associação dos componentes do teste QOQ, em ambos os grupos, nota-se que a RLI associou-se positivamente com o componente “Que” e “Quando” na amostra de adultos jovens. Já para os idosos essas correlações foram ainda mais acentuadas e englobaram os componentes “Onde”, “Quando” e “integração”, sendo que o componente “Que” apresentou correlações marginais, não destacadas na tabela 14. A RLT apresentou correlações com as pontuações das perguntas “Que” e “Quando” para os adultos, e associação apenas com “Quando” no grupo de idosos. Os resultados da RLI e RLT são similares aos descritos em outros estudos (Plancher et al., 2010; Sumida et al., 2016). Por fim, a última tarefa clássica de memória episódica que teve seu desempenho associado com as pontuações dos componentes do teste QOQ foram as QI. Foi registrado, apenas para o grupo de idosos, uma correlação moderada entre essas questões e o componente “Que”. Achado parcialmente similar a esse foi descrito por Cheke e Clayton (2013). Entretanto, a pesquisa por elas apresentada trabalhou apenas com uma amostra de jovens universitários.

Buscando evidenciar associação do teste QOC com outras medidas episódicas foram realizada as correlações ponte bisserial. Para os adultos as questões tipo “Que” da tarefa QOC mostraram correlações fracas com RLI, RLT e o componente “Que” da tarefa QOQ. No GI este tipo de questão da prova QOC apresentou correlação significativa apenas com a RLI. Esses achados indicam que, mesmo sendo associações fracas, essas medidas apresentam pontos de convergência, dando indícios que possam estar avaliando o mesmo componente, sendo resultados similares a esses destacados em estudos anteriores (Plancher et al., 2010). Para a análise das associações das questões baseadas na integração do elemento espaço- temporal (QOQ) da tarefa “Que-Onde-Qual contexto” foram encontradas correlações apenas

70 com o componente “Quando” da tarefa QOQ, na amostra de adultos. Já paras os idosos o mesmo tipo de questão da tarefa QOC correlacionou-se significativamente com todas as tarefas clássicas de memória episódica e com as pontuações do componente “Quando” da tarefa QOQ. Por fim, a questão do tipo QOC da tarefa “Que-Onde-Qual contexto” não apresentou correlações relevantes com nenhuma outra tarefa episódica investigada.

As análises por correlações confirmaram parcialmente a hipótese I do estudo, tendo em vista que as associações esperadas não se manifestaram entre todas as medidas da matriz de correlação construída, principalmente nos procedimentos estatísticos que buscaram investigar as correlações entre as pontuações observadas entre os testes QOQ e QOC. Na literatura não foram encontrados trabalhos que fizeram uso de ambos os paradigmas de avaliação da memória episódica, principalmente envolvendo amostras de adultos jovens e idosos. A partir dos nossos dados podemos inferir que questões baseadas na definição clássica “Que”, “Onde” e “Quando” da memória episódica, proposta por Tulving (1972), aparentemente estão avaliando algo em comum, tanto em adultos quanto idosos, e que independentemente da característica das perguntas utilizadas pelos distintos testes, seja por recordação livre (no caso do teste QOQ) ou reconhecimento (para as perguntas do teste QOC) obtém-se dados que, em menor ou maior magnitude, correlacionam-se com outras tarefas classicamente consideradas episódicas.

Além de procurar evidenciar a associação das diferentes tarefas de memória episódica utilizadas buscou-se verificar como as pontuações delas associaram-se a outras medidas neuropsicológicas aplicadas. Na tabela 15 foram apresentadas as correlações entre os diferentes componentes da tarefa F do teste QOQ e os testes da bateria neuropsicológica. Dentre todas as correlações, uma se sobressaiu. A pontuação na prova de DD mostrou-se associada com todos os componentes do teste QOQ. Essa tarefa neuropsicológica é uma subescala da WAIS – III, construída e validada para mensurar processos atencionais (Nascimento, 1998). Essa capacidade cognitiva é essencial para a recordação de diversos tipo de memória, principalmente a episódica. No caso da tarefa QOQ, os participantes necessitavam focar nos estímulos, os locais de esconderijo, e quando (1º ou 2º dia) guardaram determinado objeto, para que assim pudessem responder corretamente as perguntas. Quanto maior o nível atencional dos participantes, melhor foi o desempenho nos diferentes componente da tarefa QOQ. Estudos anteriores mostraram a relevância deste processo cognitivo para a realização de provas de memória episódica fundamentadas no paradigma “Que-Onde-Quando”, apresentando associações positivas entre essas medidas (Plancher et al., 2010; Sumida et al., 2016).

71 A memória operacional, avaliada por meio do SNL, mostrou ser um processo cognitivo associado com a recordação dos componentes “Que” (r = .37) e “Quando” (r = .43). A relação moderada com o elemento “Quando” do teste QOQ pode ser explicada em razão das perguntas de características temporais serem respondidas através do procedimento de escolha forçada, onde para que o participante pudesse responder adequadamente este tipo de pergunta necessitava manipular simultaneamente dois conjuntos de dados, fazendo ponderação que lhes permitiram decidir qual dos 2 itens apresentados na tela foi o primeiro a ser escondido.

A tabela 16 evidenciou que o desempenho em tarefas clássicas de memória episódica está associado a processos cognitivos como: memória operacional, atenção e velocidade de processamento. Esses achados evidenciam que estes construtos são requisitados para a boa execução de tarefas episódicas clássicas, com RLI e RLT. Uma explicação para isso seja a de que o córtex pré-frontal exerce papel fundamental para todas essas habilidades cognitivas, inclusive a memória episódica, auxiliando na codificação e recuperação deste tipo de informação (Craik & Rose, 2012; Dickerson & Eichenbaum, 2010).

Para a amostra de idosos também foi verificada a relação entre as diferentes questões da tarefa QOC e as provas da bateria neuropsicológica. Apesar de fracas, apenas as questões tipo QOQ da tarefa “Que-Onde-Qual contexto” mostraram associação com medidas neuropsicológicas (SNL, DD, PS). As pontuações deste testes já haviam demonstrado estarem associadas a outras tarefas episódicas utilizadas na presente pesquisa. Esses achados podem indicar que os processos avaliados por esse provas neuropsicológica provavelmente são importantes para o processamento da memória episódica.

Após a verificação de como as diferentes provas utilizadas no estudo estavam associadas, indagou-se sobre como o processo de envelhecimento afetou os múltiplos componente da memória episódica avaliados. Buscando atender a estes questionamentos foi construída, a princípio, a hipótese II, onde “Esperou-se que o grupo de idosos pontuem significativamente mais baixo do que os adultos jovens nas medias dos componentes “Que”,