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6. ALTINOVA ÇİMENTO FABRİKASI'NIN KURULUŞU

6.1. Altınova Çimento Fabrikası Hakkında Bulgular

6.1.12. Pazarlama

Ao analisar as interpretações a respeito do naturalismo em filosofia contemporânea desenvolvidas por Jesse Prinz116, podemos considerar as seguintes

relações entre naturalismo e normatividade moral: (i) no naturalismo metafísico, as normas morais, se existirem, não necessitam postular nada que vai além do que as ciências naturais permitem; (ii) a partir do naturalismo explicativo podemos relatar como qualquer norma moral é realizada por entidades naturais; (iii) considerando o naturalismo metodológico, podemos investigar as normas utilizando todas as ferramentas de pesquisas empíricas disponíveis; (iv) a partir do naturalismo de transformação devemos investigar as normas partindo do interior de nossos sistemas de crenças e, como resultado, as normas que aceitamos influenciam as nossas intuições a respeito de quais normas devemos sustentar. Se optarmos por mudar as nossas normas, não podemos fazer isso adotando uma postura transcendental que está sustentada fora daquilo que aceitamos em nossos sistemas de crenças.

Além de demonstrar as implicações de cada tipo de naturalismo na normatividade, Jesse Prinz afirma que o questionamento De onde surgem os valores morais? não é realizado com regularidade suficiente no debate filosófico, ressaltando que os filósofos estão mais interessados em questões normativas do que em questões descritivas. Os filósofos consideram irrelevantes os questionamentos acerca da origem de nossos valores morais porque a busca pela origem da moral dificilmente pode ser sustentada com argumentos convincentes. Jesse Prinz afirma que as teorias normativas são concebidas para abranger as intuições atuais, no entanto, essas intuições podem ter origens ignóbeis, e por isso não deveriam orientar projetos normativos. Essa seria a principal contribuição da filosofia de Nietzsche para pensar a moral, partindo de uma relação entre genealogia e normatividade moral.

Para Prinz, o ponto central da crítica de Nietzsche à moral trata da exposição da origem dos valores. Nietzsche acredita que é possível desestabilizar as nossas crenças se as suas origens forem expostas, demonstrando como surgem os nossos projetos normativos. O interesse nietzschiano de explicar como as pessoas funcionam em relação à moral se torna relevante não apenas por procurar a origem dos valores, mas

principalmente pelo método genealógico que Nietzsche utilizou para procurar a origem117.

Para Jesse Prinz, o método genealógico nietzschiano118 pode ser usado de forma

eficaz para investigar o surgimento dos valores, confirmando que algumas de nossas convicções são produtos de nossa história social. O filósofo considera que a proposta genealógica de Nietzsche foi, em parte, especulativa, inflamatória, que Nietzsche cometeu enganos, no entanto, genealogias plausíveis foram propostas por antropólogos e historiadores. Mesmo com um ceticismo exagerado a respeito dos valores morais do seu tempo, o método genealógico nietzschiano representa uma contribuição importante para o estudo da moral: devemos investigar a origem dos valores para entender e conhecer a origem da nossa normatividade moral.

A principal contribuição da genealogia de Nietzsche para a filosofia é a demonstração que os valores que atualmente prezamos possuem uma história. Além disso, a história dos valores pode não ser muito interessante. Ela pode não refletir uma progressão racional a respeito das ideias que são consideradas as mais verdadeiras e as usualmente mais benéficas. Ao invés disso, a história dos valores morais, como a história em geral, muitas vezes envolve lutas de poder e questionáveis motivações psicológicas (ganância, ressentimento, xenofobia, entre outras). O nosso desconhecimento dessa história proporciona uma falsa segurança em nossos valores. A partir disso, consideramos a nossa moral indiscutível. Nietzsche nos informa que podemos fazer melhor, podemos mudar radicalmente a moral e adotar um sistema de valores que possuam vantagens sobre os valores enraizados culturalmente. Isso significa afirmar que Nietzsche não é um niilista moral, ele acredita que precisamos de um sistema de valores, resultante de um novo sistema de normas. Para Prinz, otimismo de Nietzsche a respeito do progresso moral se fundamenta nos seguintes pressupostos: (i) quando descobrirmos a história de nossos valores teremos razão e capacidade para rejeitá-los;

117 Ibid., p. 215.

118 O método genealógico de Nietzsche foi influenciado por diversos fatores, principalmente pela leitura do

livro A origem das sensações morais (1877), de Paul Rée, o qual fora influenciado em suas ideias por Thomas Hobbes, John Stuart Mill e Charles Darwin. Além disso, a genealogia nietzschiana é resultante da formação em Filologia Clássica de Nietzsche, e de seus interesses e estudos em Filosofia, Artes, Psicologia e Ciências Naturais. Segundo Paul Rée no livro supracitado, termos morais como bom e mau surgiram como etiquetas para resultados positivos e negativos. Especificamente, os termos se referem ao que é bom ou mau para a sobrevivência da espécie. Eventualmente, a partir da associação e do hábito, esses termos passam a referir as ações que causam resultados positivos ou negativos, ao invés dos resultados propriamente ditos. Começamos a reconhecer a crueldade como má ao invés de reconhecer os efeitos da crueldade como realmente maus no sentido original do termo. Nietzsche rejeita em parte essa tese de Paul Rée e desenvolve uma teoria própria acerca da moralidade (Ibid., p. 215-216).

(ii) existe a possibilidade de substituir valores historicamente construídos por valores que são, de alguma forma, naturais.

Jesse Prinz sustenta que Nietzsche está correto a respeito da história da moral, mas que o pessimismo nietzschiano acerca dos valores existentes e seu otimismo acerca dos valores do futuro são equivocados. Além disso, afirma a necessidade de ilustrar e avaliar as implicações da genealogia, e, a partir disso, concorda que as análises históricas podem ser valiosas para a revisão da moral, no entanto, afirma que Nietzsche possui um otimismo exagerado na possibilidade de uma moral natural, e argumenta que não existe utilidade em distinguir normas culturais e normas naturais, porque a cultura modela todas as normas, mesmo quando elas possuem uma origem natural119 (independente do

que natural signifique nesse contexto).

Jesse Prinz parece estar correto em relação à importância que Nietzsche atribuiu à genealogia como estratégia de revisionismo moral. No entanto, Prinz não considera especificamente a importância dos significados de história e valor no contexto da genealogia nietzschiana (principalmente ao analisar o significado de análise histórica para Nietzsche). Nesse sentido, para compreender a genealogia como uma possibilidade de reavaliar o valor dos valores, é preciso enfatizar a importância do sentido atribuído por Nietzsche à noção de valor e à noção de história, algo que Deleuze e Foucault perceberam nas suas interpretações da filosofia nietzschiana.