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2. KURAMSAL TEMELLER

2.4 Kanser ve Nanoteknoloji

2.4.1 Kanser tedavisinde ilaç hedeflendirme

2.4.1.1 Pasif hedeflendirme

Dentre as formas de se compreender o patrimônio temos o seguinte conceito:

“Patrimônio” está entre as palavras que usamos com mais frequência no cotidiano. Falamos dos patrimônios econômicos e financeiros, dos patrimônios imobiliários; referimo-nos ao patrimônio econômico e financeiro de uma empresa, de um país, de uma família, de um indivíduo; usamos também a noção de patrimônios culturais, arquitetônicos, históricos, artísticos, etnográficos, ecológicos, genéticos; sem falar nos chamados patrimônios intangíveis, de recente e oportuna formulação no Brasil. Parece não haver limite para o processo de qualificação dessa palavra (GONÇALVES, 2003, p. 21-22).

Neste sentido, a noção de patrimônio encontra-se presente constantemente em nosso dia-a-dia. Além disso, tanta habitualidade permitiu que o patrimônio, assim como o termo cultura, se tornasse polissêmico, e pudesse acarretar diversas áreas como uma palavra composta, como exemplo: patrimônio cultural. Ele também constata que no Brasil, emerge nova categoria, a do patrimônio intangível.

Ferreira (2006) compara o termo patrimônio com o de memória, pois ambos possuem léxico de traços contemporâneos com expressões que têm como característica principal, diversos sentidos e definições que lhes são atribuídas. Por isto, a definição de patrimônio entrelaça-se à de memória, quando se diz que o “sentido evocado é o da permanência do passado, a necessidade de resguardar algo significativo no campo das identidades, do desaparecimento” (FERREIRA, 2006, p. 79). Igualmente:

[...] noções de tempo e identidade operam em conjunto para o reconhecimento de algo como patrimônio, e, mais do que reconstruir o passado supostamente conservado ou retido, a preocupação subliminar é garantir o presente e projetá-lo em um devir. Daí o porquê de, conforme Sibony, patrimônio não ser somente esse lugar de identidade, de passado contido, mas um apelo ao presente e ao futuro, uma ressignificação do mesmo (FERREIRA, 2006, p. 80).

Sob este enfoque, podemos entender que seu contexto histórico permite salientar que deriva de vocábulos latinos pater e monium, originando patrimonium, onde o primeiro vocábulo designa de pai, “não apenas no sentido de paternidade física, mas também social e religiosa, como algo que é transmitido e herdado dos antepassados” (SOUZA; CRIPPA, 2011, p. 245).

Já o segundo “indica condição, estado, função” (SOUZA; CRIPPA, 2011, p. 245). Mais adiante, outras iniciativas foram tomadas para reverter essa noção de patrimônio, porém ela ainda encontra-se atrelada a ideia de propriedade (GONÇALVES, 2003).

O patrimônio é usado não apenas para simbolizar, representar ou comunicar: é bom para agir. Essa categoria faz a mediação sensível entre seres humanos e divindades, entre mortos e vivos, entre passado e presente, entre o céu e terra e entre outras oposições. Não existe apenas para representar idéias e valores abstratos e para ser contemplado. O patrimônio, de certo modo, constrói, forma as pessoas (GONÇALVES, 2003, p. 27).

No âmbito da Antropologia, os estudos referentes ao patrimônio são vistos com destaque à mesma, sobretudo “porque proporciona conhecimento de linguagens diferenciadas e remete à memória social, através da qual se constroem e se reconstroem as identidades de grupos, de sociedades, de nações e de povos” (BELTRÃO; CAROSO, 2007, p. 45).

Ou seja, a área da Antropologia e os antropólogos em si, em suas diversas pesquisas de campo preocupam-se nos estudos no que se refere ao patrimônio, por perceber que os grupos em seus diversos estratos sociais tendem cada vez mais em preservar aquilo que lhe é construído no presente e que possa ser perpassado para o futuro e não deixe de lado sua identidade, por mais que ela perca alguns traços e renove-se com o passar do tempo, porém que mantenha o real sentido daquele grupo.

Nos estudos da antropóloga Elsa Peralta da Silva (2000a) o patrimônio é visto sobre a ótica da cultura em explicar a relevância dela no desenvolvimento daquilo que “herdamos do passado e transmitidos a gerações futuras, [de] todas as manifestações materiais de cultura criadas pelo homem” (SILVA, 2000a, p. 218). Contudo, é importante mostrar o âmbito dessas manifestações, as quais, muitas delas destroem-se, e, até desaparecem ou mesmo sobrevivem, mas essa sobrevivência permite acumular diversas formas que são expressas na materialidade.

No entanto, nem todos os vestígios do passado podem ser considerados patrimônio. O patrimônio não é só o legado que é herdado, mas o legado que, através de uma seleção consciente, um grupo significativo da população deseja legar ao futuro. [...] e existe também uma noção de posse por parte de uma determinado grupo relativamente ao legado que é colectivamente [Grifo nosso] herdado (SILVA, 2000a, p. 218).

A autora supracitada, evidencia que o patrimônio encontra-se atrelado ao valor que o indivíduo ou o grupo estabelece aos bens, por isto ele é considerado uma construção social ou cultural. Desse modo, saber compreender o que é ou não patrimônio irá depender tanto do grupo quanto do tempo que estes o possam considerar o mesmo para sociedades futuras. Por fim, complementa que os estudos referentes ao patrimônio são considerados “um processo simbólico de legitimação social e cultural de determinados objetos que conferem a um grupo um sentimento colectivo [Grifo nosso] de identidade” (SILVA, 2000a, p. 219).

O elemento determinante que define o conceito de patrimônio é a sua capacidade de representar simbolicamente uma identidade. [...] e sendo os símbolos um veículo privilegiado de transmissão cultural, os seres humanos mantêm através destes,

escritos vínculos com o passado. É através desta identidade passado-presente que nos reconhecemos colectivamente [Grifo nosso] como iguais, que nos identificamos com os restantes elementos do nosso grupo e que nos diferenciamos dos demais (SILVA, 2000a, p. 219).

Por fim, deve ser enfatizada a importância que os estudos referentes ao patrimônio nos proporcionam ao melhor entendimento do funcionamento do que nos é perpassado de outras sociedades humanas e que influenciam nos dias atuais. Saber compreender o que nos cerca e o que nós consideramos relevantes de forma direta para que nossas raízes sejam valorizadas como tal. E compreender também, que todo patrimônio tem seu caráter material e imaterial em sincronismo, pois o primeiro só existe a partir de uma demanda simbólica, sendo ela, imaterial, e o segundo é percebido por meio de suas manifestações, englobando assim, a materialidade. Essa junção de sincronismo é o que se entende por memória.

Benzer Belgeler