2.3. Türk Kadını ve Siyasal Yaşam
2.3.3. Çok Partili Hayata Geçiş İle Siyasal Yaşamda Kadının Yeri
É salientado em Sexo, casamento e economia, pesquisa da Fundação Getúlio Vargas divulgada em 2005, que, no Brasil, são 19 milhões de mulheres com mais de 20 anos que vivem sem marido ou companheiro. Carlos Haag (2008) evidencia que a diferença de 62% entre a renda das mulheres solteiras em relação a renda de mulheres casadas ou informalmente unidas poderia explicar, de certa forma, o aumento da “solteirice”.
Numa outra pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, intitulada Fatores Econômicos e
Incidência de Divórcios, podemos acompanhar um outro vértice desta questão. De acordo com o relatório produzido nesta pesquisa, um incremento na renda da mulher contribuiu para o aumento do índice de divórcios, salientando o valor que a mulher atribui à condição de solteira. Maurício Canêdo-Pinheiro, Luis Renato Lima e Rodrigo Leandro de Moura (2008), redatores do relatório, apontam que o aumento no nível educacional das mulheres e sua centralização regional em áreas urbanas e metropolitanas contribuíram para que elas fossem “expostas a maiores oportunidades fora da relação”. Decorrente disso, a inserção no mercado de trabalho veio a favorecer o alto número de divórcios. Todavia, embora a diferença entre a renda de homens e mulheres torne-se uma variável importante no amento das dissoluções
matrimoniais, ainda não dá conta de expressar uma maior independência financeira das mulheres.
Em parte, convergem com estes dados os indicativos da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios de 2006 (IBGE-BRASIL, 2007). Segundo este órgão de pesquisa, 73% das mulheres na condição de casada, mas não de chefe domiciliar66 ganham menos que
seu marido. Este índice se inverte no caso dos homens, sendo que 70% destes, estando no lugar de cônjuge, mas não de chefe domiciliar, apresentam um rendimento salarial superior ao da sua mulher.
O índice de mulheres economicamente ativas em 2006 foi de 43,7%. Já os homens somam 56,3% do total da população brasileira economicamente ativa. Neste mesmo ano, a PNAD (BRASIL-IBGE, 2007) revelou que o rendimento médio mensal da população brasileira masculina economicamente ativa era de R$ 966,00, enquanto que as mulheres ganham mensalmente, em média, de R$ 634,00.
A PNAD de 2006 (IBGE-BRASIL, 2007a) traz outros dados de relevância para nosso estudo. Constata-se um aumento significativo, nos últimos anos, do número de mulheres ocupadas, principalmente na área urbana da região Sudeste. Com relação ao nível de escolarização, destaca-se o índice de mulheres que, no ano de realização da pesquisa, somavam 57,5% das pessoas que freqüentavam universidades. Há de se notar, todavia, que a presença de mulheres com doze anos ou mais de estudo no mercado de trabalho é bastante discrepante quando se consideram as grandes categorias de trabalho. Apenas 4,4% das mulheres ocupam cargos de direção, contra 6% de homens. 11,8% da mão de obra feminina se enquadra em “serviços administrativos”; sua presença é intensa nas atividades de educação, saúde e serviços sociais (44,5%). Isto nos leva a inferir que as ocupações destinadas à mulher no mercado de trabalho ainda se moldam pelo significado de sua força de trabalho como extensão das atividades domésticas e familiares, assim como nota Perrot (1998), quando observa as ocupações femininas na França do início do século XIX.
A pequena presença das mulheres nas áreas mais bem remuneradas tende a ser usada, até mesmo, como explicação para a grande desigualdade salarial entre homens e mulheres. E, como aponta Cristina Bruschini (2007, p. 569-570), ao analisar dados de sua pesquisa sobre trabalho e gênero no Brasil, “(...) nos últimos dez a quinze anos (1992-2005) as trabalhadoras brasileiras obtiveram algum progresso no mercado de trabalho, embora tenham persistido, ao
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O IBGE reconhece como “pessoa de referência no domicílio” ou “chefe de domicílio” a pessoa da casa que é livremente elegida pelos demais moradores, sem que, necessariamente, esteja ligada ao papel de provedor.
mesmo tempo, inúmeras condições desfavoráveis”. A autora acrescenta, então, outros fatores que refletem desigualdades de sexo e de gênero, tais como o elevado desemprego das mulheres, a má qualidade do emprego feminino, o predomínio do trabalho feminino em atividades precárias e informais e a permanência da responsabilidade feminina para com os afazeres domésticos e cuidados dos familiares.
Um programa de pesquisa continuada da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (SEADE), em parceria com o Conselho Estadual da Condição Feminina (CECF), disponibilizou os dados do levantamento realizado no período de 2008-2009 sobre as relações de gênero e o mercado de trabalho na região metropolitana de São Paulo. A vigésima primeira edição do boletim Mulher & Trabalho, que divulga os resultados da pesquisa reafirma “a desvantagem da inserção produtiva das mulheres quanto à qualidade do emprego e ao nível de remuneração” frente os homens (SEADE, 2010, p. 5). Outro dado que nos chama a atenção é a ocupação das mulheres de cargos antes considerados exclusivamente masculinos, como os cargos que pedem nível superior (medicina, arquitetura, direito) e em níveis de gerenciamento e chefia. Todavia, entre as assalariadas mais escolarizadas, mantêm- se as diferenças de rendimento entre os sexos.
No boletim Mulher & Trabalho de número 19 divulgado pelo SEADE (2009) encontramos índices de discrepância que refletem o aumento das condições de desigualdade de gênero em cargos de maior reconhecimento e remuneração:
Segundo nível de instrução, os rendimentos horários médios das mulheres ocupadas aumentaram para as menos escolarizadas e diminuíram para as mais instruídas. Já entre os homens, o movimento foi o inverso: redução para os menos escolarizados e aumento para aqueles com maior instrução. (...) entre os rendimentos das mulheres com ensino médio completo ou superior incompleto (essa relação diminuiu de 69,6% para 68,3%) e aquelas com ensino superior completo (de 71,3% para 63,9%). Os rendimentos horários médios nos segmentos mais instruídos, que são os maiores, passaram a ser também os mais desiguais entre homens e mulheres. (SEADE, 2009, p. 13)
Uma edição especial (SEADE, 2009b) foi produzida para tratar os dados coletados no ano de 2008, em conjunto com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). Ganham destaque, neste boletim, a situação de mulheres que moram sozinhas, as que têm filhos, mas não contam com um cônjuge e as mulheres cônjuges em casais com ou sem filhos. Privilegiamos comparar os dados entre as mulheres que moram sozinhas e as mulheres casadas, com ou sem filhos. As mulheres com filhos acima dos cinco
anos e chefes de família tem maior presença no mercado de trabalho (59,6%). Entre as mulheres que moram sozinhas, uma elevada taxa de idosas, cujos rendimentos provêm de pensões e aposentadorias, incide no menor índice de participação no mercado de trabalho observado.
Conclui-se, neste relatório, que, embora a inserção da mulher no mercado de trabalho reflita mudanças culturais na nossa sociedade, o principal elemento indutor é a necessidade mais imediata de aumento ou manutenção do rendimento familiar. Disposição potencializada no caso de mulheres casadas, especialmente quando há filhos ou desemprego do cônjuge no lugar de chefe de família.
Expressivo, no caso das mulheres que moram sozinhas, é o baixo índice de desemprego, justificado pela maior possibilidade de inserção profissional que mulheres casadas e/ou com filhos. As mulheres que moram sozinhas também apresentam maior grau de formalização no contrato de trabalho e rendimentos médios mais elevados que as mulheres cônjuges, reflexo de “uma inserção mais qualificada no mundo do trabalho, especialmente, entre as mais jovens, podendo expressar a postergação ou mesmo abandono de projetos de vida familiar em função de uma carreira profissional.” (SEADE, 2009b, p. 16)
Além de todas as interfaces apresentadas, este último comentário trazido do relatório do SEADE indica, mais veementemente, a necessidade de se começar a considerar que um projeto de vida solteira não é só conseqüência de uma escolha por determinado “estilo de vida” ou contingência da opção por um projeto de vida profissional. A discussão deve contemplar as condições oferecidas para o ingresso das mulheres no mundo do trabalho, resguardando seus direitos, tanto para uma inserção equitativa, entre homens e mulheres e entre as diferentes mulheres, quanto para que necessidades que lhes são específicas sejam reconhecidas e assistidas. Bem como, abarcar os papéis de homens e mulheres na família e na sociedade, fornecendo formas alternativas para o cuidado das crianças e das tarefas domésticas.