O GATS está composto de:
a) regras, princípios e acordos gerais;
b) compromissos específicos sobre tratamento nacional e acesso ao mercado;
c) compromisso de negociações periódicas para liberalizar o comercio de serviços de maneira progressiva;
d) acessórios que consideram particularidades dos setores.
No GATS, estão incluídos explicitamente quatro tipos de provisão de serviços (modes of supply) entre os países-membros:
a) do território de um ao território de outro (cross border supply); b) no território de um ao consumidor de outro (consumption abroad);
c) presença comercial do fornecedor de um membro no território de outro (commercial presence); e
d) presença de pessoas físicas de um no território de outro (presence of natural person).
O corpo central do GATS são os compromissos específicos dos Estados-membros da OMC. Assim, cada Estado-membro define quais serviços vão negociar, considerando as quatro formas mencionadas e os dois princípios (NMF e TN), a serem mencionados adiante.
Envolve todo serviço que forneça em condições comerciais, em competência e com vários fornecedores, excluindo as atividades governamentais. Os compromissos específicos somente se aplicam à lista de serviços que incluiu o Estado-membro. A quantidade de compromissos negociados no Acordo está longe de ser universal.
Nos anos das Rodadas do GATT/1994 (1986-1994), as negociações ficaram centralizadas no valor do comércio bilateral e suas respectivas tarifas alfandegárias.
Entretanto, o comércio de serviços não é restringido em maior medida pelas tarifas ou direitos alfandegárias, o qual dificulta a tarefa de liberalizá-lo.
A necessidade das regras tem determinado a complexidade associada com a identificação e quantificação das restrições no comércio de serviços.
Com isso, tem-se aplicado as regras do tratamento nacional (TN) e da nação mais favorecida (NMF), os quais têm um papel destacado, mesmo que o TN seja aplicado unicamente às atividades incluídas na lista positiva.
Contudo, além de identificar e quantificar as restrições, as normas estabelecidas têm determinado relações de reciprocidade.
A cláusula da NMF estabelece que cada membro outorgará, imediata e incondicionalmente, aos serviços e fornecedores de um Estado-membro um tratamento não menos favorável que o que se conceda aos serviços e fornecedores de serviços similares de qualquer outro Estado.
A única maneira de se desligar do NMF está prevista no anexo sobre isenções das obrigações do art. II.
O Conselho de Comércio de Serviços examinará todas as isenções para conhecer se ainda subsistem os motivos que as originaram em um prazo não maior do que cinco anos. A princípio, as mesmas não podem durar mais de 10 anos e estarão sujeitas à negociação em reuniões posteriores.
Mais de sessenta membros do GATS têm declarado isenções à cláusula da NMF, principalmente para os serviços audiovisuais, financeiros e de transporte.
Por exemplo, entre os Estados-partes do Mercosul e seus associados, foram incluídos determinados tipos de isenções: o Brasil no setor de
telecomunicações, Uruguai em transporte terrestre, Chile e Bolívia no setor de serviços de transporte terrestre e marítimo e em serviços audiovisuais.
O tratamento nacional (TN) representa o tratamento não menos favorável aos serviços e fornecedores de um Estado do que se concede a serviços e fornecedores locais.
Entretanto, nem sempre a cláusula do TN favorece a competição. Em outras palavras, se o tratamento for igual ao das firmas locais em certos casos – como o de financiamento – pode-se piorar a situação competitiva do fornecedor estrangeiro.
O GATS introduziu um novo conceito: o de acesso ao mercado. Isso incluir que cada Estado-membro outorgará aos serviços e fornecedores dos demais Estados um tratamento não menos favorável que o previsto de conformidade com os termos, limitações e condições convencionadas e especificadas em sua lista. Assim, o acesso ao mercado e ao tratamento nacional são considerados os compromisso específicos aplicados unicamente nas listas positivas dos membros e sujeitos às qualificações ou condições indicadas.
No entanto, a relação entre as regras de acesso ao mercado e tratamento nacional são temas complexos associados com a característica de independência das mesmas.
No corpo jurídico principal do GATT, o tema central é a não- discriminação. O TN e a NMF estão conformados como os instrumentos mais relevantes para alcançar a não-discriminação.
No GATS, o TN e a NMF também têm função relevante, mas o TN é aplicável às atividades incluídas unicamente na lista positiva.
O GATS enumera vários tipos de restrições ao acesso ao mercado do que estão, em princípio, proibidos.
Nos setores em que se fixem compromissos, nenhum membro terá limitações aos seguintes aspectos:
a) ao número de fornecedores, valor total dos ativos ou transações; b) ao número total de operações ou à quantia total da produção;
c) ao número total de pessoas físicas ou medidas que restrinjam o fornecimento de um serviço;
d) ao capital estrangeiro, expresso, como limite à tendência de ações ou como valor total de tais investimentos.
Além disso, o GATS inclui outras obrigações e disciplinas, entre as mais entre as quais:
a) transparência, consistindo na publicação de todas as regulamentações práticas administrativas de aplicação geral que se refiram ao GATS;
b) regulamentação nacional, velando para que as medidas de aplicação geral que afetem o comércio de serviços sejam administradas de maneira razoável e que, nos setores de onde tenham contraído compromissos, não se apliquem restrições que os anulem;
c) subvenções, iniciando negociações para evitar seus efeitos, avaliando também se corresponde estabelecer medidas compensatórias;
d) medidas de salvaguarda, permitindo-se tais ações baseadas no princípio para resguardar a moral pública, a ordem, saúde, segurança, defesa do consumidor e privacidade, e
e) negociação de compromissos específicos, por meio do qual o GATS permite aos países em vias de desenvolvimento negociar menores compromissos que aos países industrializados.
2.3.2 O Acordo Geral sobre o Comércio de Serviços (GATS/WTO) e a