A Unidade de Aprendizagem (UA) é uma reorganização curricular que vem sendo praticada por docentes da educação básica. Tem por base a educação pela pesquisa, e visa a superação do planejamento atual que impera na maioria dos currículos e livros didáticos das escolas brasileiras (MORAES; GALIAZZI; RAMOS, 2004).
A UA consiste em uma abordagem nova no sistema escolar. Uma espécie de sequência didática sobre determinado tema, cujo principal objetivo é levantar questões referentes a determinado assunto, levando em consideração os conhecimentos prévios dos estudantes acerca do tema proposto, para que, a partir daí, venham à tona discussões,
reflexões e ações visando aprofundar os conhecimentos prévios trazidos pelos alunos. A UA permite que o aluno seja agente da própria aprendizagem, oportunizando que desenvolva a capacidade de expor seus conhecimentos, de incorporar novos conhecimentos, deixando de ser espectador em sala de aula. Segundo Galiazzi e colaboradores (2004, p. 12) a “UA é um sistema de planejamento, organização e realização de atividades, construída entre professores e alunos no ambiente de sala de aula.”
Para Ponte et al. (2003, p. 22):
[...] o envolvimento ativo do aluno é uma condição fundamental da aprendizagem. O aluno aprende quando mobiliza os seus recursos cognitivos e afetivos com vista a atingir um objetivo. Esse é, precisamente, um dos aspectos fortes das investigações. Ao requerer a participação do aluno na formulação das questões a estudar, essa atividade tende a favorecer o seu envolvimento na atividade.
A UA é um sistema de planejamento, organização e realização de atividades, constituída e construída entre professores e alunos no ambiente de sala de aula (GALIAZZI et al., 2004). Resumidamente, é uma organização ou um plano didático, de maneira que coloca em prática o Educar pela Pesquisa, proposto por Pedro Demo (1997). Nela o estudante passa a ser agente do processo, tornando-se então responsável pela qualidade da aprendizagem que está desenvolvendo (GALIAZZI; GARCIA; LINDEMANN, 2004). Assim, o aluno tem condições de “comparar criticamente vários livros didáticos, desconstruir apostilas para mostrar o quanto são reprodutivas, procurar dados, teorias, conceitos em livros e outros materiais, inclusive eletrônicos, para que sejam, todos, reconstruídos” (DEMO, 2004, p. 73).
A UA se reflete em uma prática que se opõe à da escola que trata o aluno como se este fosse destituído de conhecimentos prévios, na qual o professor é o portador do conhecimento e simplesmente o transmite. Busca fazer com que a aprendizagem seja envolvente, convincente, exploratória, com os estudantes inseridos de forma efetiva e prática, para formar suas próprias opiniões e reconstruir seus conceitos.
A escola de hoje não pode mais tratar o aluno como se fosse uma tábula rasa, um papel em branco, como se o professor fosse detentor de todo o conhecimento, e simplesmente o transmitisse. A UA vai ao encontro desse tipo de ensino, fazendo com que os processos de ensino e de aprendizagem seja mais envolvente, mais convincente, mais exploratório, com os estudantes inseridos de forma efetiva e prática, para formar suas próprias opiniões e reconstruir seus conceitos, ideias e conhecimentos.
Outro fator importante para que se obtenha uma aprendizagem significativa é a inserção do aluno em seu contexto social, ou seja, deve-se levar em conta a realidade do
aluno, de forma a considerar o máximo de fatores que o cercam e moldam suas relações com o meio em que vive. É intrínseca à UA a utilização de um mapeamento dos conhecimentos prévios a fim de que o professor tenha uma noção das experiências anteriores dos estudantes. Essas respostas podem ser obtidas por meio de questionários escritos, perguntas orais, conversas formais ou informais, debates, textos, ilustrações, entre outros. Essa investigação preliminar indica ao professor o nível de interesse dos alunos pelo tema a ser trabalhado, lembrando que o interesse e motivação dos estudantes são fundamentais para que haja melhores resultados no que diz respeito à aprendizagem.
A utilização de UA implica também atividades investigativas desenvolvidas individualmente e em grupos. Esse tipo de trabalho tem a capacidade de desenvolver nos estudantes o senso de responsabilidade perante seu grupo, além de permitir que cada aluno aprenda a conviver e respeitar as distintas opiniões que eventualmente possam surgir no decorrer do tempo, pois, segundo Freschi (2008, p. 29): “[...] a Unidade de Aprendizagem contribui para a formação conceitual, para o desenvolvimento de competências e habilidades, para criar uma adequada convivência dentro do grupo e para aprender a trabalhar em equipe”.
Outra característica da UA é que ela permite que estudos possam ser abordados de maneira interdisciplinar, uma vez que um tema em comum pode ser trabalhado por diversas perspectivas, integrando diferentes disciplinas, em um trabalho conjunto, e não fragmentado.
Segundo Gonzáles (1999), a UA gera contribuições para o desenvolvimento e aplicação de propostas interdisciplinares, envolvendo atividades estrategicamente selecionadas, valorizando o conhecimento dos alunos, além de possibilitar a compreensão mais complexa de cada fenômeno estudado, tanto pelos professores, quanto pelos alunos.
Por fim, após as várias situações que a UA proporciona, fica cada vez mais evidenciado o seu objetivo, que é investigar o conhecimento inicial dos alunos, fazer com que os eles percebam suas limitações e possam se sentir motivados a buscar novos conhecimentos em conjunto com os professores, aumentado assim, sua capacidade de argumentação e formulação de novos conceitos, seja sobre os aspectos educacionais ou até mesmo sociais. Nesse contexto, a utilização da UA no Programa Clube de Ciências mostrou-se uma boa fonte de estruturação metodológica de ensino, uma vez que proporcionou aos estudantes liberdade para pesquisar, discutir, elaborar novas ideias, e estabelecer novos horizontes.
3 METODOLOGIA DA PESQUISA