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1. GĠRĠġ

1.2. Folklorik Bir Unsur Olarak Halk Oyunları

1.2.1. Oyunun Tanımı ve DoğuĢu

QUADRO 1: Composição geral do MOVA-BRASIL. ... 30 QUADRO 2: Estrutura do MOVA-BRASIL por Estado. ... 30 QUADRO 3: Participação dos Estados nas edições do MOVA-BRASIL. ... 31 QUADRO 4: Turmas do MOVA-BRASIL em unidades prisionais de Pernambuco em 2010. ... 35 QUADRO 5: Turmas dos dois “Núcleos Prisionais” em instituições prisionais de Pernambuco em 2011. ... 36 QUADRO 6: Turmas dos dois “Núcleos Prisionais” de Pernambuco em 2012. ... 36 QUADRO 7: Unidades carcerárias de Pernambuco com turmas dos três “Núcleos Prisionais” em 2013. ... 37 QUADRO 8: Percurso pedagógico para a sistematização da “Leitura de Mundo”. ... 62 QUADRO 9: Características da população carcerária de Pernambuco em dezembro de 2013. ... 126 QUADRO 10: Características da população carcerária de Pernambuco em

dezembro de 2013. ... 128 QUADRO 11: Modalidades de ensino da Escola Dom Hélder Câmara, no Presídio de Igarassu, em dezembro de 2013. ... 134 QUADRO 12: Quadro parcial da “LEITURA DE MUNDO” da turma de alfabetização do Presídio de Igarassu. ... 146 QUADRO 13: Quadro da “LEITURA DE MUNDO” da turma de alfabetização do Presídio de Igarassu. ... 148 QUADRO 14: Quadro de “ORIENTAÇÃO DO CONTEÚDO PROGRAMÁTICO” da turma de alfabetização do Presídio de Igarassu. ... 151 QUADRO 15: Quadro de “RELATOS DOS SUJEITOS DA APRENDIZAGEM” da turma de alfabetização do Presídio de Igarassu. ... 155

QUADRO 16: Diário de Campo Inicial ... 178 QUADRO 17: Diário de Campo Intermediário ... 179 QUADRO 18: Diário de Campo Final ... 180

INTRODUÇÃO

Baseado na mudança de percepção pedagógica e rompendo com modelos tradicionais de ensino, o trabalho dissertativo sobre a nova concepção de Alfabetização de Jovens, Adultos e Idosos desenvolvida pelo programa MOVA- BRASIL no sistema de educação carcerária do Presídio de Igarassu nasce da necessidade de analisar e compreender sua criação, proposta, prática pedagógica, aplicabilidade, funcionamento e desenvolvimento no processo de aprendizagem dos alfabetizandos na perspectiva da inovação pedagógica.

Vivenciada pelos reeducandos e educadores da Escola Dom Hélder Câmara, no Presídio de Igarassu, o sistema de alfabetização prisional MOVA-BRASIL inspira-se nos princípios filosóficos, políticos e pedagógicos do educador Paulo Freire. Este modelo de prática pedagógica tem como instrumento inovador e transformador na sua ação que se desenvolve com base nas relações entre os sujeitos da aprendizagem e na “Leitura de Mundo do educando”, a partir da qual se identificam as situações significativas da realidade em que estão inseridos os aprendizes. Fazendo surgir desse processo os “Temas Geradores” que orientarão a escolha dos conteúdos de aprendizagem.

Pouco explorado pelos estudiosos em educação e desconhecida pela maioria da sociedade acadêmica, o programa de alfabetização MOVA-BRASIL no sistema de Igarassu chama atenção pelas particularidades que o diferenciam do que se tornou convencional em Educação de Jovens, Adultos e Idosos. Nessa diferenciação destacam-se quatro pilares fundamentais no processo e nas transformações da aprendizagem na alfabetização dos reeducandos: os alfabetizandos (encarcerados), o ambiente de aprendizagem (presídio), educadores (com formação e qualificação específicas para atender aos encarcerados) e principalmente a prática pedagógica (totalmente readaptada para inserir, desenvolver e vivenciar a aprendizagem no sistema prisional).

Com base nessas especificidades pedagógicas apresentadas como transformadoras e inovadoras no seu panorama de construção conjunta do conhecimento e consequentemente da aprendizagem, torna-se desafiador pesquisar as implicações

que este modelo de alfabetização cria, desenvolve e implica no sistema pedagógico carcerário de Igarassu.

Toda abordagem da prática pedagógica da alfabetização apresentada na educação prisional tem como relevância a exposição da credibilidade e encantamento pela inovação do programa MOVA-BRASIL e seus processos de aprendizagem que conduz a renovação e transformação do ser humano através da aprendizagem emancipadora e reconstrutora.

Nessa construção conjunta (educador/educando) do conhecimento destacada pelo MOVA-BRASIL, desperta-se o interesse e a sensibilidade em compreender os mecanismos práticos e as relações que induzem a aprendizagem a partir das práticas sociais vividas pelos reeducandos.

Na caracterização da inovação pedagógica, essa nova concepção de prática pedagógica denuncia uma posição pedagógica/ideológica contra a pedagogia bancária dos meros repasses, transferência, transmissão, repetição, memorização, percepção passiva de conteúdos impostos e conhecimentos descontextualizados da realidade e da história de vida dos reeducandos; ao mesmo tempo que anuncia a definição da construção de uma nova aquisição de aprendizagem.

Pois, como aprende-se a construir coletivamente o conhecimento, assim evidencia-se a realização da prática pedagógica diferenciada, vinculando permanentemente a teoria à prática, contextualizando a pratica, propondo e realizando mudanças e inovações com quem faz a prática.

Entender todo sistema de alfabetização MOVA-BRASIL aplicado nas turmas de reeducandos do Presídio de Igarassu tem como relevância mostrar a importância desse trabalho com sua diferenciação pedagógica e como contribuinte no processo de ressocialização dos apenados. Pesquisar todo mecanismo que envolve sua prática pedagógica e proporcionar a compreensão em torno de uma atividade pouco divulgada e brilhantemente realizada por profissionais que vencem diariamente o desafio de reeducar pessoas reclusas e excluídas da sociedade.

Um estudo detalhado da prática pedagógica que se desenvolve a partir da análise do comportamento e das relações dos reeducandos em concordância com suas

realidades e perspectivas “Leitura de Mundo” mostrará o quanto é necessária a alfabetização no sistema prisional, a partir de prática pedagógica inovadora ao ambiente e o público proposto para fortalecer o trabalho de recuperação do apenado. Haja vista, que através do conhecimento é possível melhorar a autoestima, mudar conceitos e adquirir novos valores para a vida social.

Conhecer o processo de desenvolvimento, os princípios e os mecanismos de aplicabilidade do programa de alfabetização prisional MOVA-BRASIL no meio prisional servirá para retratar uma nova e ousada prática pedagógica em alfabetização de jovens, adultos e idosos em situações incomuns e que difere dos padrões convencionais em educação.

Priorizar e divulgar a prática pedagógica da alfabetização carcerária do MOVA- BRASIL no sistema prisional de Igarassu é ressaltar o valor indispensável da educação neste ambiente para a ressocialização dos reeducandos. Além de desfazer a ideia errônea de que as instituições prisionais são apenas “escolas do crime” e que não cumpre com seu papel transformador. Descobrir e revelar esse novo modelo de prática pedagógica ultrapassa os limites da educação fabril ao desvendar o isolamento social, cultural e existencial de uma sociedade que sofre de dupla exclusão: da liberdade e da educação.

Dificilmente encontraremos informações sobre o desenvolvimento de trabalhos educacionais como extensão do processo de ressocialização nas prisões, principalmente da existência de cursos de alfabetização com prática pedagógica remodelada como o MOVA-BRASIL nas escolas prisionais. O conceito que se construiu na sociedade sobre unidades prisionais refere-se ao preconceito e a rejeição pelo local onde se encontram pessoas relegadas e excluídas por transgredirem as normas de convívio social.

Ainda nessa perspectiva de estudo, é válido destacar a evolução e a contribuição dos trabalhos educacionais desenvolvidos para a reinserção social de grupos excluídos. Nesta prática enquadra-se o programa de alfabetização MOVA-BRASIL com sua prática pedagógica de valorização, aprimoramento e compartilhamento dos saberes prévios para a construção conjunta dos conteúdos programáticos.

Por ser um tema pouco abordado no meio acadêmico a alfabetização no cárcere merece destaque para análise e compreensão ao fundamentar-se como um direito inalienável ao ser humano independente do ambiente e das condições em que se encontre. Levar ao conhecimento da sociedade científica essa prática de inovação pedagógica e de ressocialização é mostrar que o trabalho de resgate da cidadania dos encarcerados através de uma nova concepção de aprendizagem não é responsabilidade exclusiva do poder público, mas de toda sociedade que se envolve com o desenvolvimento da educação.

Porém, “esses reeducandos” serão reincluídos na sociedade após cumprirem suas dívidas com a justiça. Para que essa reinserção social não se torne um prejuízo ao Estado e uma ameaça a população é preciso é preciso que o processo da prática pedagógica na alfabetização carcerária seja estudado, discutido, analisado, compreendido e divulgado com base numa perspectiva educacional que atenda as expectativas desse público.

Logo, toda abordagem da pesquisa tem como foco o estudo e o desenvolvimento da prática pedagógica da alfabetização prisional MOVA-BRASIL para comprovação de uma inovação pedagógica no processo de aprendizagem e ressocialização dos reeducandos do Presídio de Igarassu.

Serão apresentados, também, o sistema educacional carcerário com suas propostas e práticas tradicionais para fins de comparação e para melhor entendimento da transição para o novo modelo de prática pedagógica onde valoriza-se a construção conjunta do conhecimento, os saberes prévios e as relações desenvolvidas pelos sujeitos da aprendizagem. Essa aplicabilidade terá como base o estudo das condições ao acesso, permanência e certificação dos apenados no cárcere nos termos da lei vigente e nos termos que a realidade prisional propicia.

Para essa abordagem reflexiva e minuciosa a respeito da prática pedagógica aplicada e desenvolvida pelo programa de alfabetização prisional MOVA-BRASIL, no Presídio de Igarassu, será apresentado no marco teórico desta dissertação um capítulo específico sobre inovação pedagógica com seus conceitos, exemplos e ponderações levantadas por autores de referência como Carlos Nogueira Fino e Jesus Maria Sousa.

Ainda neste contexto, haverá a descrição, definição e caracterização do MOVA- BRASIL com as peculiaridades de sua prática pedagógica os impactos causados pela aprendizagem na ressocialização dos reeducandos. Abordaremos o surgimento e desenvolvimento deste programa de alfabetização no âmbito prisional, analisando sua prática pedagógica e compreendendo o processo de aprendizagem de seus reeducandos.

Posteriormente será apresentada toda a história e configuração da educação carcerária incluindo a modalidade de alfabetização, com descrição do ambiente, condições e suportes para desenvolvimento dos trabalhos. Além dos dados estatísticos haverá a caracterização dos sujeitos envolvidos no processo de aprendizagem: educandos 9encarcerados) e educadores (como formação e capacitação específicas para atender esse público).

Com referência a metodologia aplicada para a realização da pesquisa será descrito o caráter essencialmente etnográfico utilizado para analisar de que forma o sistema de alfabetização prisional MOVA-BRASIL pode possibilitar aos reeducandos do Presídio de Igarassu eficiência no processo de aprendizagem e como as relações de são desenvolvidas por esses agentes da aprendizagem. Logo, essa modalidade de pesquisa evidencia que a etnografia compete fornecer meios para sondar, questionar, descrever e compreender a prática pedagógica enquanto práticas culturais fundadas na intersubjetividade dos que aprendem e dos que facilitam a aprendizagem.

Resultante desta pesquisa etnográfica, haverá a narração, descrição e caracterização documentada através de “diário etnográfico” dos acontecimentos e das relações desenvolvidas e vivenciadas no ambiente de aprendizagem da comunidade prisional. E ainda as impressões observadas nas intervenções participativas e/ou realizadas no cotidiano da turma de alfabetização carcerária, com o propósito de compreender as transformações educacionais ocorridas no presídio.

Logo, a pesquisa etnográfica realizada na educação e comunidade prisional ganhará relevância ao evidenciar as observações e intervenções participativas nessa sociedade. As situações significativas e peculiares que envolvem o convívio carcerário e que se refletem no processo de construção dos conteúdos programáticos e consequentemente na aprendizagem dos reeducandos ganham importância a partir

da interpretação que os próprios apenados fazem de suas ações, realidades e perspectivas. Pois, os símbolos significativos são necessários às interpretações entre as pessoas e são, ao mesmo tempo, reflexivamente produto dessas interações. Nessa dialogicidade que envolve os sujeitos da aprendizagem no trabalho de alfabetização carcerária MOVA-BRASIL, ou seja, no diálogo permanente entre educandos e educadores como forma de interação e troca de conhecimentos na aprendizagem. Logo, esses atores sociais tendem a interpretar continuamente o que se passa no contexto social local, onde atuam, e a dar um sentido aos atos dos outros para responder a eles.

Com o detalhamento das etapas dessa pesquisa dissertativa pretendemos possibilitar um novo caminho de estudo e interação na área de Inovação Pedagógica e contribuir para dotar o sistema educativo com informações significativas sobre a educação carcerária para intervir no âmbito escolar como verdadeiro agente de inovação e transformação humana.