1. GĠRĠġ
1.16. Kuvvet
1.16.6. Statik ve Dinamik Kuvvet
Sobre as diversas discussões, designações e caracterização da inovação, não apenas do âmbito geral, mas estritamente no sentindo pedagógico como modelo específico dessa inovação foi possível encontrar em Sousa, Fino e Toffler essa classificação pedagógica da inovação. Com uma linha de pesquisa em inovação pedagógica seletiva, nova e rompedora, é nesses autores e reflexão sobre o assunto que se baseia este trabalho.
Logo, a inovação pedagógica combate culturalmente às práticas tradicionais a que se mostram ortodoxamente ligadas à escola paradigmamente fabril, “e consiste na criação de contextos de aprendizagem incomuns aos que são habituais nas escolas, como alternativa à insistência nos contextos de ensina”. (FINO. 2008, p. 1). Entende- se ainda por inovação pedagógica como um posicionamento crítico, explícito e implícito que envolve as práticas pedagógicas, como ressaltou Fino (2008) porque não se restringe unicamente às reformas de ensino, de currículo e programas, embora elas também se façam necessárias e sugerem qualidade no fazer pedagógico.
Romper com paradigmas que direcionam uma organização e seu funcionamento, há tempo, e com os paradigmas burocráticos e autoritários que ditam as práticas dos professores em sala de aula confere o ato de inovar pedagogicamente no interior de uma turma. Logo, de acordo com Fino (2006): “[...] esta inovação implica mudanças qualitativas nas práticas pedagógicas envolvendo sempre um posicionamento crítico, explícito e implícito face às práticas tradicionais”.
Ao compreender-se como alterações qualitativas nas práticas pedagógicas, através de um processo crítico, a inovação pedagógica leva a uma descontinuidade com paradigmas tradicionais. Pressupondo, neste sentido, a criação de contextos de aprendizagem contrastantes com os tradicionais contextos de ensino. Como tal, o objetivo do paradigma construcionista está especialmente centrado nas atividades do educando, potencializando os níveis de aprendizagem, servindo o educador apenas como guia de aprendizagem. Assim, para Saymour Papert, o construcionista deverá provocar o máximo de aprendizagem com o mínimo de ensino.
Sobre a mudança de paradigma educacional, e do paradigma institucionalista para um novo paradigma construcionista como forma de atender e responder aos desafios colocados à escola pela inquietação social, Papert ressalta o acompanhamento às profundas transformações e aceleradas mudanças tecnológicas apontadas como proposta de adequação às evoluções iminentes e potencialização da aprendizagem. Ainda nessa perspectiva de novos paradigmas e segundo T. S. Kuhn (1962), as crises conduzem a mudanças de paradigmas. A evidência da crise de paradigma que persiste nos sistemas educativos manifesta-se, fundamentalmente, no processo de colapso proveniente da fragilização e do descompasso entre a escola e o
desenvolvimento social acarretou a desmotivação e a falta de qualidade dos sujeitos envolvidos.
A evidência dessa crise de paradigma estruturante da escola se tornou clara a partir do momento em que a sociedade industrial começou a enxergar e a dar lugar a uma nova realidade de interações sociais, na qual o conhecimento e a informação se tornam fatores preponderantes. E quanto a um novo paradigma educacional advindo das mudanças de um velho paradigma pela sua crise Fino e Sousa destacam que:
No entanto, o próximo paradigma educacional não cairá do céu, como do céu não caiu o anterior. Ele foi imaginado, inventado para as necessidades muito concretas, segundo uma perspectiva econômica de se conseguir o máximo de instrução com o mínimo de investimento, por pessoas que, na opinião de Toffler lograram uma solução genial. O próximo paradigma cristalizará também em torno do gênio humano. E há longo tempo que o gênio humano tem vindo a construir os materiais a partir dos quais o novo paradigma educacional cristalizará. (FINO, SOUSA. 2001, p. 11).
E quanto à capacidade ideológica do homem reconhecer a sociedade e suas relações com outro nível cultural e estético, dado ao contexto da Revolução Industrial remete a escola quando passa a ser repensada em seu papel enquanto lócus de informação. Pois, essa escola é um espaço (ambiente formal) quer seja físico, mas cultural de interação social. Desse modo a inovação se apropria do aspecto interacional ao ampliar seus contextos de aprendizagens, não excluindo os ambientes informais para a construção do conhecimento, haja vista que as práticas pedagógicas coexistem onde há pessoas e com desejo de aprender algo coletivamente.
Ainda sobre a perspectiva de descontinuidade com paradigmas educacionais ultrapassados em contextos de aprendizagem, Sousa destaca a importância dos elementos que emergem para a configuração da inovação pedagógica nos parâmetros que o caracterizam.
Não cabe, portanto neste paradigma, o modelo triangular clássico professor, aluno e matéria. Assistimos à [...] proliferação de modelos que incluem já outros elementos de análise, como os métodos, os objetivos, os materiais, o tempo, o espaço, a avaliação, a relação afetiva, etc, tendo em vista captar a “realidade” o mais aproximadamente possível. Qualquer tentativa de simplificação pela fragmentação deste processo, qualquer tentativa de separação, por exemplo, dos conteúdos face aos métodos, do ensino face à aprendizagem, dos fenômenos de sala de aula face aos contextos em que estes são gerados, das decisões técnico-pedagógicas em relação às decisões políticas, ou da dimensão cognitiva em relação à dimensão afetiva,
qualquer tentativa de isolamento acaba por sair frustrada dada a visão inevitavelmente parcelar e restritiva incompatível com a visão sistêmica. (SOUSA, 1997, p.04).
Dessa forma, o estudo e aplicação da inovação pedagógica pretende contribuir para dotar o sistema educativo com quadros aptos a intervir no interior e no exterior das escolas como verdadeiros agentes de inovação e de mudança. Logo, evidencia-se o comprometimento deste sistema com o futuro da educação e com as rupturas paradigmáticas que inevitavelmente trará ao estabelecimento de ensino e aprendizagem estruturas prospectivas.
Nesse aspecto, a inovação compreende as práticas de um processo interno que implica a reflexão e a criticidade, colocando-se de lado a ideia de que a escola é o único local onde se pode receber e ascender à informação. Qualquer espaço onde exista uma interação social onde as pessoas tenham como objetivo a aprendizagem e a aquisição de conhecimento passam a ser conhecido como campo de inovação pedagógica.
Com esse propósito, uma determinada mudança introdutória nas práticas pedagógicas desenvolvidas em um dado contexto deve ser submetida ao crivo dos fins que a motivaram para determinar em que medida pode ou não ser significante. Pois, essa descontinuidade com o paradigma anterior coincide com o que se considera ser um processo de inovação pedagógica.
No entanto, é claro que a escola fabril foi incapaz de analisar, discutir e repensar suas práticas e agregar as transformações da sociedade pós-moderna. E ainda justamente criticada por não ser receptiva aos novos impactos culturais que recebem diariamente e intensamente a infância e a juventude e que vão formando novas identidades, com outros modelos de pensar e comportar-se.
Esta nova compreensão da realidade indica mudanças de atitude diante da evolução social e isto remete a inovação como um conjunto de interversões, decisões e processos, com certo grau de intencionalidade e sistematização, que tratam de modificar atitudes, ideais, culturas, conteúdos, modelos e práticas pedagógicas. Cujo olhar pouco foi ativado no século XIX para transformações que batiam em nossa porta, o “Choque do Futuro” de que fala Toffler (1972) diz respeito à grandiosa e acelerada
mudança ideológica que o mundo está imerso, nos exigindo um novo olhar e novos papéis.
Na perspectiva da inovação como ruptura paradigmática e de uma intenção planejada pelo professor, amplamente discutida por autores como Fino e Sousa, tem-se a lógica de que para inovar a prática pedagógica requer antes de tudo atitude e coragem para romper dogmas e paradigmas. Pois, essa mudança de prática está centrada no aluno, ele é foco, seja qual for a ferramenta usada pelo professor no estimulo à aprendizagem.
Para o sucesso desse processo evidencia-se também a preparação dos educadores para o uso dos novos recursos de aprendizagem e a conscientização de que a consolidação de um novo modelo de escola voltada para a inovação pedagógica não depende unicamente da utilização das tecnologias, mas da realização de práticas de ensino e situações de aprendizagem significativas. Referendado pelo caráter de mudança e transformação crítica, Carlos Nogueira Fino destaca que:
A inovação pedagógica implica mudanças qualitativas nas práticas pedagógicas e essas mudanças envolvem sempre um posicionamento crítico, explícito ou implícito, face às práticas pedagógicas tradicionais. É certo que há fatores que encorajam, fundamentam ou suportam mudanças, mas a inovação, ainda que se possa apoiar nesses fatores, não é neles que reside, ainda que possa ser encontrada na maneira como são utilizados. Se quisermos colocar a questão em termos de ruptura, no sentido de Khun (1962) atribui à ruptura paradigmática, a inovação pedagógica pressupõe um salto, uma descontinuidade [...]. E consiste na criação de contextos de aprendizagem, incomuns relativamente aos que são habituais, nas escolas, como alternativa à insistência nos contextos de ensino. (FINO, 2008, p.01).
De acordo com as concepções em torno do contexto em que se insere a necessidade de inovar em educação, percebe-se o lugar desse setor na evolução histórica das transformações. Mais do que provocar mudanças sociais, o sistema educacional sempre foi convidado a se adequar para o atendimento das exigências do desenvolvimento social, político e econômico. Pois, podem ser suscitadas pela absorção de pressões internas à escola e por pressões externas provenientes de processos de transformação também social, política e econômica.
Entretanto, o conceito de experiências inovadoras em educação representa uma referência de processos de transformações que impactam nos macros sistemas a partir das práticas desenvolvidas nos microssistemas, ou seja, as inovações
referenciam as transformações que podem impactar sistemas educacionais e escolares a partir da sala de aula.
Sobre os desafios reservados à educação frente às mudanças sociais ocasionadas, principalmente, pela era industrial, Alvin Toffler (1973) já relatava como o ambiente educacional deveria se portar.
O homem industrial foi modelado maquinalmente pelas escolas, a fim de ocupar uma posição comparativamente permanente dentro da ordem econômica e social. A educação superindustrial deve preparar as pessoas para atuarem em organizações temporárias – as ad-horacracias do amanhã. (TOFFLER, 1973, p.340).
Tudo isso representa as possibilidades de organização do sistema educacional, das escolas, ou da própria sala de aula, no enfrentamento das mudanças que poderiam se instalar a partir da realidade social exigida pela pós-modernidade. Há compreensões de que a inovação é um instrumento de resposta a um contexto evolutivo, como é o caso da sociedade em mudanças aceleradas. E sobre essas mudanças Toffler salienta que:
[...] exercem uma significativa pressão sobre a escola, sistema educativo e mundo de trabalho [...] exigindo a sua transformação para uma melhor resposta às necessidades da nova era. A valorização dos recursos humanos e elevação do seu nível geral de qualidade requerem o prolongamento da educação e formação ao longo da vida e a articulação dos sistemas e educação e formação, de forma a evitar que ocorram novas fraturas sociais e situações de exclusão entre os cidadãos. A pressão para a mudança origina novas concepções de educação e formação, agora necessárias ao longo da vida e não circunscritas a um período determinado, e altera o conceito de escola, uma organização dinâmica, portadora de sentido e não um espaço físico, despersonalizado e tutelado à distância pelo poder central. Surge também uma outra visão da profissão docente que encara o professor como um profissional capaz de refletir sobre as suas práticas, de as questionar criticamente e de, consequentemente, as mudar, questionando-se a concepção tradicional que o vê como técnico que aplica teorias e princípios que outros conceberam. (TOFFLER, 2000, p.32).
Na compreensão de Fino e Sousa (2005) sobre o conceito de inovação ao situa-se em relação à necessidade emergente da escola para atender às novas exigências que lhes são colocadas frente do desenvolvimento social, político e econômico que as tecnologias da comunicação e informação lhe impõem, cabe destacar que:
Partindo-se da análise crítica da escola, enquanto produto da modernidade, e perante o fosso, cada vez mais acentuado, entre ela e a sociedade, como um todo, há que se questionar o defasamento do sistema educativo nomeadamente escolar relativamente às novas exigências que lhes são colocadas. (SOUSA e FINO, 2005, p.5).
Compreender que inovar na escola não significa buscar soluções paliativas e considerar que a inovação como uma ruptura paradigmática e ação assumida pelos professores sugere um olhar para a escola imaginando outra, bem diferente sem serem tolhidos pela força de uma escola ou qualquer outra instituição idealizada no passado.
Nessa perspectiva, a inovação rompe com o paradigma tradicional. Ela pressupõe, segundo Fino (2008), [...] uma descontinuidade relativamente ao velho e onipresente paradigma fabril [...] e acontece localmente [...] no espaço físico ou virtual, onde se movem aprendizes e professores, funcionando estes, deliberadamente, como agentes de mudança.
Nesse contexto, o modelo fabril citado por Fino está relacionado ao período industrial em que nele a escola fora desenhada segundo o modelo literal das fábricas. Toffler descreve que a escola no período industrial tornou-se um espelho antecipatório, uma introdução perfeita à sociedade industrial. Segundo ele, as características pais criticadas, em relação à escola, prendem-se a regimentação e falta de individualização, os rígidos sistemas de locação, agrupamento, graduação e escalas de valorização de notas, o papel autoritário do professor é o mesmo que produziu a educação em massa do industrialismo. Dessa forma, entende-se que a inovação pedagógica vai de encontro ao desenho de práticas pedagógicas consubstanciadas no modelo fabril da escola organizada para atender aos interesses da sociedade industrial.
Pelo exposto, o autor referido anteriormente se posiciona através de algumas reflexões importantes sobre aquela inovação quando se coloca em termos de mudanças e transformações da escola e de seus pressupostos fabris “[...] no espaço onde se movimentam aprendizes concretos, assessorados por professores que estão empenhados em garantir o máximo de aprendizagem com o mínimo de ensino” (PAPERT apud FINO, 2010, p.05).
Essas mudanças a que se refere Fino (2008) implicam em um processo de transformação interna, não induzida de fora, e que provocam reflexão, criatividade, senso crítico e autocrítica. E, que envolvem, sobretudo, a cultura local e as práticas, não como imposição, mas como uma opção individual e local. Assim, Fino salienta em
seus trabalhos que essa heterodoxia que envolve a inovação assume uma deliberada intenção diante do inesperado.
Inovação pedagógica como ruptura de natureza cultural, se tivermos como fundo as culturas escolares tradicionais. E abertura para a emergência de culturas novas, provavelmente estranhas aos olhares conformados com a tradição. Para olhos assim, viciados pelas rotinas e escolares tradicionais, é evidente que resulta complicado definir consensual. No entanto, o caminho da inovação raramente passa pelo consenso ou pelo senso comum, mas por saltos premeditados e absolutamente assumidos em direção ao muitas vezes inesperado. Aliás, se a inovação não fosse heterodoxa, não era inovação. [...] ainda, que a inovação envolve obrigatoriamente as práticas. Portando, a inovação pedagógica não deve ser procurada nas reformas do ensino, ou nas alterações curriculares ou programáticas, ainda que ambas, reformas e alterações, possam facilitar, ou mesmo sugerir mudanças qualitativas nas práticas pedagógicas. (FINO, 2008, p.2).
No entanto, as transformações que se desenvolvem em sala de aula e pensadas pelos educadores para os educandos podem ser entendidas como inovação pedagógica, logo, de acordo com Fino, essa transformação passa ainda pela mudança de atitude do professor que se conecta mais aos processos de aprendizagem dos estudantes. O sentindo de inovação pedagógica em sala de aula, no aspecto micro do sistema, será considerado apenas se as situações educativas forem modificadas para que se transformem também as pessoas que nela estão envolvidas (os aprendizes e os educadores).
Logo, a transição paradigmática é um ambiente de incerteza, de complexidade e de caos, que se repercute nas estruturas e nas práticas sociais, nas instituições e nas ideologias, nas representações sociais e nas inteligibilidades e nas relações. Neste sentido e com referência ao cenário de transição Sousa (2007) salienta que, “existe uma consciência crescente de descontinuidade, da não linearidade, da diferença, da necessidade do diálogo, da polifonia da incerteza, da dúvida, da insegurança, do acaso, do desvio e da desordem”.