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2. KURAMSAL TEMELLER

2.4. Oyunun çocuğun gelişimine etkisi

Visando o interrogado, construímos o cenário no qual os alunos e pesquisadora, atentos ao focado, se propuseram a realizar um curso de extensão que tem como pano de fundo a Geometria, o espaço, os entes geométricos e relações entre eles. Objetivou-se nesse cenário compreender o movimento de ensino e de aprendizagem aí ocorrido.

Cenário é uma maneira de dizer do todo que motiva a atividade. Percebe-se que os sujeitos numa situação em que nunca estão em atitude predicativa falam, ou se expressam, como se movendo num todo. Esse todo é aberto: ao outro, aos pré-conhecimentos do mundo cultural de cada um, a todas as experiências passadas que se retomam, e, qual um fluido em gás, aberto como abertura, como propensão, na chegada do outro e suas ofertas de significados autênticos compreendidos como coerentemente possíveis nesse todo. (DETONI & PAULO, 2011, p. 107)

O cenário do curso em destaque foi estruturado para que fosse possível lançar luz sobre o fenômeno interrogado, visando compreendê-lo em sua manifestação. Nele, os sujeitos estão voltados para atividades de ensino, compondo uma coletividade que transcende as ações individuais, na direção de uma construção intersubjetiva. Essa construção se refere à explicitação do compreendido junto ao disponibilizado, como materiais e atividades propostas. A compreensão da totalidade desse processo de construção exige que se trabalhe a significação dos termos linguísticos, os atos intuitivos expressos nas diferentes linguagens, por exemplo, gestos e movimentação do corpo-próprio, processos dedutivos surgidos, atos cognitivos manifestados etc., e, ao tomar sua descrição como os dados construídos, analisá-los e interpretá-los, articulando convergências de seus modos de darem-se.

Almejamos nesse momento, expor como a produção do conhecimento geométrico foi se mostrando nos encaminhamentos dos encontros, tendo em vista dar conta de abarcar seus momentos significativos.

No cenário do curso, os sujeitos se articulam no todo coeso da realização das atividades desenvolvidas, que revelam aspectos da intencionalidade presentificadas, suas compreensões e suas articulações. É certo que a totalidade de intenções, intuições, modos de os sujeitos voltarem-se para as atividades, as evidências havidas e respectivas expressões linguísticas verbalizadas formam uma complexidade que escapa à possibilidade de

compreensão plena de seus aspectos. Mesmo diante dessa constatação, focamos o cenário do curso, entendendo-o como o local onde se desenrolam cenas significativas, ou seja, conjuntos de movimentos com duração temporal mantida pela disponibilidade dos cossujeitos de darem conta de uma ou várias atividades propostas, ao modo de todos amarrados pela intencionalidade dos atores – alunos e pesquisadora – direcionados ao tema trabalhado, denotando uma cocompreensão orgânica intersujeitos.

Na organização dos dados da pesquisa em cenas, não entendemos nem adotamos o termo no seu sentido tradicional dentro da dramaturgia: os atores da pesquisa não são sujeitos representando situações previamente vislumbradas por um autor que estabelece a priori tais cenas. Como esclarecem Detoni & Paulo (2011), nas “pesquisas qualitativas de base fenomenológica nas quais se trabalha no pré-reflexivo, isto é, nas quais as manifestações são livres de predicações, os sujeitos não estão representando como atores que se guiam por

indicações textuais”. Eles explicam ainda que, da perspectiva da análise fenomenológica, a

cena se constitui em torno de um motivo, na doação de significados pela ação do corpo- próprio, e o ator, ou sujeito, não é posterior à cena, ele incorpora e expressa significados ao estar com os outros.

Na cena, pode-se

(...) ver uma idéia sendo própria a uma série de manifestações convergentes para ela [...] Além de ver estas manifestações em cada sujeito, há uma atribuição comum de significados que o grupo todo de sujeitos intencionados na experiência deixa ressaltar na iminência do intersubjetivo. Cada sujeito articula compreensões que necessitam ser comunicadas ao outro. Há, portanto, sempre a experiência da alteridade, que se expressa numa rede comum de significados constituídos. (DETONI & PAULO, 2011, p. 109)

A cena, portanto, não é um fragmento retirado de modo aleatório das transcrições. Ela se constitui e é explicitada na medida em que revela um todo de sentido dado em suas perspectivas possíveis, desvelando o nexo entre as diversas falas, manifestações e ações ocorridas.

Ao organizar os dados em cenas, buscamos elaborar uma descrição textual que dê conta de abarcar e explicitar tudo o que, em nossa visão, se revelou como abertura de compreensões em Geometria, visualizado na complexidade do ambiente dos encontros do curso de extensão, no emaranhado das intencionalidades e expressões que se doam. Assim, as cenas se constituem e se desenrolam em torno de tema gerador, sendo, portanto, imprescindível que seja apresentada em sua totalidade a fim de possibilitar que se compreenda o desenvolvimento das ações e seu desfecho, em sua continuidade exigida.

Mas em cada cena, ao considerar os aspectos significativos que a compõem, ao atentar de modo mais focado às interpretações dos diálogos, dos gestos e de outras manifestações frente ao assunto abordado, destacam-se unidades significativas que se apresentam como totalidades de sentido que compõem a cena. Essas unidades são destacadas nas cenas por apresentarem evidências, ou pistas, quanto à constituição do conhecimento geométrico, no ambiente dos encontros junto aos sujeitos envolvidos.

Neste estudo, diante do interrogado, destacaram-se dois tipos de unidades significativas: aquelas relacionadas ao modo de proceder na apresentação de compreensões e interpretações na troca dos entendimentos havidos, às dificuldades advindas das questões propostas, à constituição da intersubjetividade etc.; e outra referente às manifestações pré- predicativas que direcionam para a compreensão de ideias e conceitos geométricos particulares, como plano, ângulo, perpendicular etc. Considerando o focado nos encontros e diante da questão diretriz, ambas se revelaram imprescindíveis para a compreensão da construção de conhecimento em geometria ocorrido.

Para destacar essas unidades na descrição das cenas, a primeira será denotada por unidade de significado (US) e a segunda, unidade de significado para o conceito geométrico (USG). A fim de explicitá-las em termos dos significados a que direcionam, são apresentadas como asserções elaboradas pela pesquisadora, buscando dar conta de reunir o sentido revelado ao nos atentarmos para a cena.

Almejando destacar os aspectos que se realçaram ao olhar da pesquisadora, revelando- se como importantes face ao questionado, as descrições das cenas serão apresentadas em quadros assim estruturados: cada quadro se refere a uma cena significativa e é composto de duas colunas, em que a primeira se refere à descrição da cena e a segunda explicita as asserções elaboradas quanto às unidades de significado para o conceito geométrico (USG) que são destacadas ao longo da cena (Figura.1); na linha subsequente a cada unidade significativa da cena apresentamos a asserção articulada pela pesquisadora referente a essa unidade de significado correlata àquela cena.

CENA Y–XXXXX

DESCRIÇÃO DA CENA USC Xxxxxx Xxx xxxxxx 21.USG: xxxx US: xxxxxx Xxxxxx Xxx 22-USG:xx

Figura 1: modelo do quadro das cenas

Asserção quanto à unidade de significado (US) Asserção quanto à unidade de significado para o conceito geométrico (USG) Descrição da unidade da cena

Para auxiliar na compreensão do movimento de redução efetuado e que será exposto a seguir, cada encontro e cada cena serão identificados por uma numeração sequencial. As unidades de significado (US) correlatas a uma cena serão identificadas por um código numérico formado por três números: o primeiro se refere ao encontro em que a unidade é destacada, o segundo à cena e o terceiro à unidade de significado, propriamente dita. Assim, US 1.2.5 se refere à unidade de significado 5 que se encontra na cena 2 do encontro 1.

US 1. 2. 5

Encontro Cena Unidade de Significado

As unidades de significado para o conceito geométrico (USG) serão identificadas por uma numeração sequencial acompanhada do nome do conceito geométrico relacionado e da asserção elaborada. Ao longo da descrição das cenas são destacados os trechos das falas e as manifestações dos sujeitos relacionadas às USG, os quais, em nosso entender, revelam-se como aberturas para a compreensão dos conceitos geométricos envolvidos. Buscamos, assim, não ofuscar o sentido constituído na dinâmica do momento, o que poderia ocorrer caso as manifestações dos sujeitos e as unidades fossem analisadas fora do contexto da situação descrita.

Ainda buscando contextualizar o leitor quanto ao ocorrido, antes da apresentação dos quadros com as cenas significativas de cada encontro, há uma breve síntese do encontro, de seus objetivos e de seu desenvolvimento.

Sempre que necessário, buscamos ilustrar a descrição com imagens retiradas do registro filmado, a fim de facilitar a compreensão do ocorrido na cena. Porém, em alguns casos, a filmagem não deu conta de fornecer uma boa imagem, ou simplesmente não focou o desejado. Para superar essa limitação, quando necessário há um esboço para auxiliar na explicação do acontecido na cena. A intenção é iluminar a interação ocorrida destacando momentos que se mostraram significativos.

Quanto à realização dos encontros, a própria formatação do curso deu margem para muitas ocorrências que não foram antevistas em sua elaboração, como é passível de ocorrer no desdobramento de qualquer projeto. A imprevisibilidade das interações e a possibilidade aberta para o diálogo que o cenário possibilitou resultaram em diversos momentos de improvisação. Privilegiamos dar destaque aos questionamentos e às intuições que pudessem

fomentar a coparticipação de compreensões, e esses momentos se mostraram comuns, à medida que o entrosamento empático se fortalecia.

Se essa abertura possibilitou momentos significativos, por outro lado algumas improvisações poderiam ser mais bem exploradas, não fossem as limitações que o próprio momento do improviso impõe e as surpresas que pode acarretar.

Pelo fato de a pesquisadora está com os alunos e se colocar como mais um cossujeito nesse cenário, ela também reelabora suas compreensões diante das falas, dos gestos, das dúvidas e das conclusões ocorridas em um diálogo, redirecionando suas ações diante do que se propôs a apresentar aos alunos.

Contudo, acreditamos que isso não seja um aspecto que obscurece a busca pelo focado neste estudo, mas é algo que deve ser esclarecer e que se conectará às próprias análises efetuadas, já que a produção do conhecimento geométrico em situações de ensino e de aprendizagem se dá na dimensão do diálogo, da troca e das (re)elaborações.

O leitor que já atuou no ensino de alguns dos temas aqui apresentados poderá perceber que certos diálogos surgidos não são desconhecidos ou totalmente inéditos. Muitas situações aqui apresentadas podem ter sido ou poderão vir a ser vivenciadas por um professor em aulas abordando os temas focados, mesmo que em diferentes níveis de ensino. Portanto, qualquer semelhança não é mera coincidência! Ela diz do modo como estamos inseridos nesse grande cenário que é o mundo-vida da Educação, em situações de ensino e aprendizagem, em que a Geometria se apresenta em sua objetividade diante das possibilidades de diálogo, atos intencionais de compreensão do sentido percebido e (re)elaborações advindas.