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Belgede T. C. ANKARA ÜN (sayfa 67-84)

O tema que se refere às divergências existentes em normas contábeis de diferentes países tem estado presente em pesquisas acadêmicas, tendo sido, também, tratado sobre diferentes enfoques. Exemplos são: i) Costa e Lopes (2007), estudando a significância dos ajustes que as empresas devem providenciar em seus relatórios no padrão BRGAAP (princípios de contabilidade geralmente aceitos no Brasil) para se mostrarem adequados ao padrão USGAAP (princípios de contabilidade geralmente aceitos nos Estados Unidos); e ii) as diferenças apresentadas nos valores de contas patrimoniais, em virtude de aplicação de normas de países diferentes (ver: LEMES e CARVALHO, 2004; HAVERTY, 2006; SANTOS, CIA e CIA, 2007; LEMES, CARVALHO e OLIVEIRA-LOPES, 2007).

Perante o aumento das atividades e negócios em nível global, “a comparabilidade das informações financeiras entre empresas de diferentes países tem se tornado um importante assunto” (TARCA, 2004, p. 61). Para Haverty (2006, p. 50), “a diversidade nas normas de contabilidade é causada por razões culturais, econômicas, históricas, legais e políticas [...]. [Tal diversidade] infelizmente se mostra como uma barreira para o fluxo internacional de capitais”.

Em razão das diferenças entre as normas contábeis e as conseqüentes diferenças no tratamento das informações financeiras, apresenta-se o contexto das correntes de pesquisa que estudam a convergência das normas de contabilidade. Com esta convergência, as regras de contabilização poderiam até não serem idênticas entre diferentes países, mas permitiriam que o valor dos ativos, passivos, patrimônio líquido e resultados fossem idênticos para uma mesma companhia em diferentes mercados de capitais.

O órgão que busca essa convergência é o IASB, emitindo pronunciamentos em nível internacional, cujo objetivo é “prover a interação dos mercados de capitais de todo o mundo com uma linguagem comum para relatórios financeiros” (IASB, 2008a, p. 1).

A conveniência de as normas emitidas pelo IASB servirem de base para a contabilidade em nível internacional tem também provocado discussões. Mir e Rahaman (2005, p. 820) apontam trabalhos já realizados e que criticam as exigências das normas emitidas pelo IASB, argumentando serem elas muito semelhantes às normas existentes no Reino Unido e nos Estados Unidos e, ainda, apresentarem orientações que visam à maximização da riqueza dos acionistas acima de outras funções sociais, que também são objetivos da contabilidade.

Em síntese, tais trabalhos “argumentam que a contabilidade não deve ser tratada como um objeto que proporciona informações úteis somente aos investidores, mas também atende ao propósito de diferentes grupos de usuários” (MIR e RAHAMAN, 2005, p. 820). No entanto, mesmo com tais oposições, o IASB continua servindo como referência para a convergência contábil. “Desde 2001, mais de 100 países passaram a requerer ou autorizar o uso das IFRS” (IASB, 2008a, p. 5). O Quadro 4, a seguir, apresenta os principais fatos que reforçam o processo de convergência empreendido pelo IASB, em anos mais recentes.

Ano Fato Destaque

2002 A União Européia passou a exigir a adoção das IFRS para companhias listadas em 2005;

IASB e FASB anunciaram iniciativas para o alcance de comparabilidade em suas normas para relatórios financeiros e também para coordenarem futuros programas de trabalho.

2003 IASB emite a norma para a primeira adoção: IFRS 1;

Austrália, Hong Kong e Nova Zelândia passam a adotar as IFRS.

2005 Na Europa, aproximadamente, 7000 empresas listadas em 25 países passaram a adotar as IFRS. 2006 IASB e FASB fizeram um acordo para trabalhar na convergência entre IFRS e USGAAP;

2007 O Brasil, o Canadá, o Chile, a Índia, o Japão e a Coréia estabeleceram cronogramas para a adoção ou convergência com as IFRS;

A SEC removeu as exigências de reconciliação para os relatórios das companhias que não fossem norte-americanas e que adotassem as IFRS, e passaram a levar em conta as IFRS para empresas domésticas.

Fonte: IASB, 2008a, p. 5.

Quadro 4: Principais fatos do processo de convergência

Em uma pesquisa realizada em cinco países (Reino Unido, França, Alemanha, Japão e Austrália), em que se separaram as empresas listadas somente no mercado doméstico daquelas listadas também em mercados estrangeiros, Tarca (2004, p. 60) investigou as variáveis ligadas à adoção voluntária pelos países de normas internacionais, considerando-se como tais as disposições em USGAAP e IAS/IFRS. O estudo também testou a preferência por alguma das duas normas e considerou a relação da escolha com as características das empresas. Entre os dois tipos de normas considerados para o estudo, Tarca (2004, p. 77) identificou que a escolha predominante entre os países, em geral, é pelo USGAAP. No entanto, particularmente, as empresas alemãs se utilizam com mais freqüência das normas emitidas pelo IASB.

Os resultados obtidos pela autora também mostram uma utilização voluntária significante de normas internacionais em todos os cinco países estudados. Esse fato também foi válido tanto para as empresas listadas nos mercados somente domésticos quanto para as que se estendiam para os mercados estrangeiros. No contexto dos mercados analisados, empresas que adotam normas internacionais: i) tendem a ser maiores (tamanho medido pelo

market capitalization, ou seja, a cotação de suas ações multiplicada pelo número de ações emitidas pela empresa); ii) apresentam receitas em moeda estrangeira; e iii) estão listadas em, pelo menos, um mercado de capitais estrangeiro (TARCA, 2004, p. 60).

Leuz (2003, p. 468-469), desenvolvendo um estudo em uma perspectiva que debate sobre a qualidade dos padrões de contabilidade internacionais e os USGAAP, pesquisou, em empresas listadas no mercado alemão, se as normas em USGAAP estariam produzindo demonstrações financeiras com maior qualidade informacional que aquelas sujeitas à regulamentação disposta pelo IASB. Os resultados não mostraram evidências de que as demonstrações contábeis no padrão USGAAP apresentaram maior qualidade de informações que aquelas sujeitas ao padrão do IASB.

Amenábar (2001, p. 165), analisando a estrutura contábil de cinco países da América do Sul, aponta que não existe harmonia nas práticas de contabilidade. Exemplos de itens que recebem tratamentos totalmente diferenciados são: i) o tratamento dos efeitos inflacionários;

ii) o índice de ajuste para o reconhecimento de inflação nas demonstrações contábeis; iii) a aplicação do método da equivalência patrimonial; e iv) o tratamento do leasing.

Manzano e Conesa (2005, p. 116) mostram que, apesar dos resultados já alcançados com o processo de convergência empreendido pelos organismos emissores de normas nos países analisados em sua pesquisa (Argentina, Brasil, Chile e México), “constatou-se que ainda existe um número significante de diferenças entre os princípios de contabilidade latino- americanos geralmente aceitos, as normas internacionais e os USGAAP”.

Para o contexto brasileiro, Capelletto, Carvalho e Oliveira (2005, p. 14), abordando o reconhecimento, a mensuração e a divulgação de operações de hedge existentes em pronunciamentos internacionais, norte-americanos e brasileiros, concluem que “as normas brasileiras apresentam diferenças significativas em relação aos pronunciamentos internacionais e não prevêem o registro de determinados tipos de operações de hedge”.

Estendendo-se, ainda, a visão sobre o contexto de convergência, têm-se estudos realizados cujo tema é a maneira pela qual a disciplina de Contabilidade Internacional está sendo atendida no currículo dos cursos de Ciências Contábeis das Instituições de Ensino Superior (IES) do Brasil. Com dados do ano de 2006, Echternacht (2006, p. 80) verificou que tal nível de atendimento ainda é muito baixo (25,3% da amostra). Os resultados obtidos também mostram que, das IES que não haviam incluído a disciplina de Contabilidade Internacional em seus currículos, algumas estavam em processo de implementação e reformulação de todo o projeto do curso de Ciências Contábeis, visando ao atendimento dessas necessidades.

Quanto ao estágio da convergência entre normas contábeis de diferentes países, conforme esclarece Lemes, Carvalho e Oliveira-Lopes (2007), as organizações com ações listadas em bolsas de valores dos países da União Européia deveriam já apresentar suas demonstrações contábeis de 2005, publicadas em 2006, com uma declaração explícita de cumprimento das normas internacionais de contabilidade.

Outros países, como a Austrália e a Nova Zelândia, também já determinaram a transição para as IFRS. Em relação aos Estados Unidos, tem-se que o FASB, em 2002, assinou um acordo de convergência com o IASB, prevendo que, até 2008, deveriam ser ajustadas as diferenças existentes entre as normas de contabilidade norte-americanas e as emitidas internacionalmente (LEMES, CARVALHO e OLIVEIRA-LOPES, 2007).

Nessa mesma linha, conforme já citado anteriormente, a CVM (2007, p. 1) determinou que as companhias abertas brasileiras deverão, a partir do exercício findo em 2010, “apresentar as suas demonstrações financeiras consolidadas adotando o padrão contábil

internacional, de acordo com os pronunciamentos emitidos pelo IASB”. Com isso, tal determinação mostra as perspectivas mandatórias do cenário contábil brasileiro em relação à convergência das normas de contabilidade.

Belgede T. C. ANKARA ÜN (sayfa 67-84)

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