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2.2. Likidite Arz ve Talebinin Kaynakları

2.2.1. Basitle ş tirilmi ş Merkez Bankası Bilançosu

2.2.1.2. Otonom Likidite Faktörleri

No tocante à liberdade de opinião, Mill defende que a supressão de uma opinião, qualquer que seja ela, causa um dano irremediável para a humanidade presente e futura. Isso acontece porque ela representa uma dupla privação. Se a opinião estava correta, a sua

31 No original: “refuses to prohibit anything that does not directly threaten the vital interests of other

individuals”.

32 De fato, Mill não se refere a sua teoria da liberdade de ação como uma teoria de autonomia. Entretanto, os

conceitos apontados pelo autor levam a crer que, conforme disposto nos tópicos seguintes, existe uma concepção de ação autônoma que subjaz o conceito de liberdade de ação proposto por Mill.

repressão impede que a pessoa que está no erro se volte para a verdade. E se a opinião reprimida estava errada, ainda assim perde-se o benefício epistemológico que goza a verdade, quando confrontada com o erro. Segundo o autor,

o mal peculiar de silenciar a expressão de uma opinião é do que se está pilhando a raça humana: a posteridade assim como a geração existente: aqueles que discordam da opinião, ainda mais do que aqueles que detêm. Se a opinião está correta, eles são privados da oportunidade de se trocar o erro pela verdade; se errada, eles perdem, o que é quase como um grande benefício, a percepção mais clara e a mais vívida expressão da verdade produzida por seu choque com o erro (MILL, 2006, p.36).

A defesa da liberdade de opinião se baseia, portanto, em duas espécies de argumento. O primeiro deles, o argumento da pretensão de infalibilidade (ou argumento do direito ao erro), é de natureza epistemológica. O segundo deles, o argumento da discussão livre, é de fundamentação pragmática.

Segundo o argumento da pretensão de infalibilidade, não há como provar, racionalmente, a certeza de que a opinião que se oprime é falsa. E, ainda que certa sua falsidade, sua mera repressão continuaria sendo um mal. Desse modo, ao suprimir uma opinião, sempre se corre o risco dela ser verdade, e aqueles que negam absolutamente essa possibilidade fazem isso baseados em uma pretensão de infalibilidade.

De fato, para Mill, o indivíduo compreende o mundo a partir daquilo com o qual ele entra em contato acidental. Essa experiência, entretanto, é parcial e determinada pelas particularidades de cada época. Ocorre que, para o autor, esse processo não é infalível, pois

as épocas não são mais infalíveis do que os indivíduos. Cada época defendeu muitas opiniões que épocas subsequentes julgaram não apenas falsas, mas absurdas: e é tão certo que muitas opiniões, agora gerais, serão rejeitadas por épocas futuras, e que tantas, também gerais, serão rejeitadas no presente (MILL, 2006, p. 38).

Portanto, o único critério pelo qual é possível julgar a opinião alheia como falsa ou verdadeira é medindo o grau de correspondência que ela possui com a opinião própria. Todavia, como já foi dito, essa opinião é fruto de uma experiência parcial e acidental, de modo que “recusar ouvir uma opinião, porque eles têm certeza de que ela é falsa é assumir que a sua certeza é a mesma coisa que a certeza absoluta” (MILL, 2006, p. 37). Dessa maneira, proibir a propagação de uma opinião, mesmo que ela esteja fundada no erro, é, por si só, fundada em uma pretensão de infalibilidade injustificada.

Aduz-se do argumento da pretensão de infalibilidade outra consequência epistemológica. Como já foi dito, se aquilo que constitui a verdade para uma pessoa é fruto de

uma visão parcial do mundo, logo nenhuma opinião geral dará conta de toda realidade, ou representará a verdade inteira. Por esse motivo, uma opinião silenciada, ainda que seja considerada errada pelo costume majoritário, pode conter uma parcela de verdade que passou despercebida às experiências da maioria. Segundo Mill,

embora a opinião silenciada seja errônea, ela pode, e muito geralmente o faz, conter uma parte da verdade: e uma vez que a opinião geral ou prevalecente sobre qualquer assunto seja raramente, ou nunca, a verdade inteira, é apenas através do conflito de opiniões adversas que o resto da verdade tem alguma chance de ser fornecida (MILL, 2006, p.80).

Isso significa, portanto, que a certeza da opinião é algo difícil de alcançar, porque ela se baseia em experiências e costumes que não dão conta da totalidade do mundo. Mas, se considerarmos esse argumento como correto, então nenhuma opinião será certa ou errada, podendo cada uma delas conter uma parte de ambas. Para superar esse dilema, Mill lança mão do seu segundo argumento em favor da liberdade de opinião, qual seja, o argumento da discussão livre.

Para Mill, apesar de todas as controvérsias, é tarefa dos governos e dos indivíduos formarem as opiniões mais verdadeiras que puderem. Nesse sentido, não existiria a certeza absoluta, mas haveria um tipo de certeza suficiente para os propósitos da vida humana. Para alcançar essa meta, o ser humano deve utilizar-se do uso da razão, bem como de sua capacidade de retificação dos erros através da discussão e da experiência.

Por esse motivo, Mill afirma que, em prol da verdade, é preciso estar de ouvidos abertos a todas as opiniões possíveis, a fim de discuti-las racionalmente e livremente e, assim, pôr em prova, de forma contínua, a verdade ou a falsidade da opinião adquirida. Para o autor,

a única forma para a qual um ser humano pode tentar alguma aproximação para conhecer a inteireza de um assunto é ouvir o que pode ser dito sobre ele por pessoas de variadas opiniões e estudar todos os modos nos quais tal assunto pode ser examinado por qualquer natureza de mente (MILL, 2006, p. 41).

A certeza de uma opinião, portanto, só pode ser garantida se essa opinião for colocada constantemente em prova, perante as diversas outras opiniões existentes no mundo. A repressão de uma opinião dissidente ocasiona a quebra desse processo epistemológico, porque não haverá mais opositores para a opinião prevalecente e, assim, não haverá progresso da humanidade, pois a gerações presentes e futuras permanecerão no erro. Logo, é salutar que se mantenha a pluralidade de opiniões, ainda que elas sejam erradas, porque elas são necessárias no processo de busca pela certeza.

Entretanto, existe a tendência de proteção das crenças prevalecentes sob o argumento da sua utilidade, ou seja, de que elas são importantes para a sociedade. Para Mill, entretanto, essa é uma premissa ilógica, porque a verdade de uma opinião é parte da sua utilidade e, nesse sentido, “a utilidade de uma opinião é em si um assunto de opinião: tão questionável quanto aberta à discussão, e exigindo discussão tanto quanto a própria opinião” (MILL, 2006, p. 43).

Ademais, para Mill, negar o argumento da discussão livre causa diversos problemas quanto ao modo pelo qual as opiniões prevalecentes são aprendidas e sustentadas. Segundo o autor, quando a verdade de uma opinião não é livremente aberta e investigada, o meio alternativo de se obter uma opinião é através da autoridade. Isso significa que as pessoas apenas decoram teoremas, ou aceitam indistintamente os discursos e designações de chefes religiosos. O resultado desse processo é a perda, não só da capacidade argumentativa, mas também do próprio significado da opinião em si, que se esvazia em seus fundamentos.

Não apenas os fundamentos da opinião são esquecidos na ausência de discussão, mas muito frequentemente o significado da opinião em si. As palavras que a comunicam, cessam de sugerir idéias, ou sugerem apenas uma pequena parte daquelas que eles originariamente empregaram para comunicar. Ao invés de uma concepção vívida e uma crença viva, restam apenas poucas frases retidas mecanicamente: se apenas a casca e a parte externa sem valor do significado é retida, a essência mais fina é perdida (MILL, 2006, p.64).

Por esses motivos, segundo o argumento da discussão livre, o debate constante entre opiniões divergentes é necessário, seja em prol da própria verdade, seja a favor da manutenção do próprio significado intrínseco da doutrina a que se filia a opinião.

Benzer Belgeler