1.4. Basitle ş tirilmi ş Bankacılık Kesimi Bilançosu
1.5.2. Ş ubat 2001 Krizi
Muitos foram os métodos e procedimentos utilizados para que os objetivos da presente pesquisa fossem alcançados.
Nos dois primeiros capítulos, a pesquisa pautou-se, fundamentalmente, por revisão bibliográfica para elaboração dos referenciais teóricos relativos à Constituição Dirigente e ao Microcrédito. Foram utilizados alguns métodos de procedimento, tais como: o método hermenêutico, quando da consulta e análise dos textos normativos, principalmente, do texto da Constituição Federal de 1988 e da legislação que institui e regulamenta o Empreender/JP; e o método histórico, que foi utilizado quando se investigou o percurso do constitucionalismo, do dirigismo constitucional e, ainda, quando se averiguaram as origens dos institutos do crédito e do microcrédito.
A exceção ao perfil de revisão bibliográfica presente nos dois primeiros capítulos ficou a cargo de alguns temas e informações trazidos acerca do Empreender/JP. A maior parte dos dados não foi resgatada a partir de revisão bibliográfica, mas sim por meio de investigação empírica, contudo, constitui-se na
única passagem que fugiu à regra124.
Na seção anterior, buscou-se efetuar transição entre o discurso teórico que vinha ocorrendo e a prática de campo que estava por vir. Tratava-se de afunilamento no discurso, que saía de categorias mais gerais e encaminhava-se para tópicos mais particulares, através de percurso dedutivo.
O caminho a ser trilhado a partir deste ponto encontra-se atrelado ao método de procedimento empírico. O objetivo principal da pesquisa é tentar encontrar solução para o seguinte problema: a política estatal de microcrédito do Empreender/JP promove efeitos de desenvolvimento econômico e humano tendentes à concretização dos incisos III e IV do artigo 3º da Constituição Federal de 1988? Para essa indagação, elaborou-se resposta provisória no sentido afirmativo, ou seja, a hipótese provisória da pesquisa é no sentido de que o Empreender/JP consegue promover efeitos de desenvolvimento econômico e humano tendentes à
124 Decidiu-se inserir seção relativa ao Empreender/JP no Capítulo II, pois o caminho percorrido pelo discurso naquele capítulo partia das experiências de microcrédito ocorridas em vários países do mundo, passando pela América Latina, pelo Brasil até chegar ao caso local relativo ao Empreender/JP.
concretização dos incisos III e IV do artigo 3º da Constituição Federal de 1988. A forma escolhida para averiguar a consistência da hipótese provisória de resposta foi a pesquisa empírica, isto é, o método de procedimento empírico.
Contudo, visualizando-se a pesquisa a partir de panorama geral, percebe- se que a linha central de raciocínio que conduz todo o discurso caracteriza-se pela adoção do método de abordagem hipotético-dedutivo de KARL POPPER. Como dito, a utilização do método de procedimento empírico busca averiguar a consistência da hipótese provisória de resposta ao problema, esse objetivo nada mais é que a tentativa de falseamento, conforme descrita no método Popperiano. A intenção é testar a hipótese provisória de resposta, a partir do método de procedimento empírico, para poder concluir pelo seu falseamento ou corroboração. Em caso de corroboração, extrair-se-á, não apenas a conclusão de que o Empreender/JP constitui-se em caso particular de concretização das normas constitucionais referidas, mas extrair-se-á também que, por efeito indutivo, pode-se estender, ainda que em caráter sempre provisório, a mesma conclusão para outros programas de microcrédito.
Retornando ao método de procedimento empírico, passa-se a detalhar as ações desempenhadas para a coleta e análise dos dados da pesquisa de campo.
A intenção no estudo de caso do Empreender/JP foi coletar os dados necessários à pesquisa a partir de duas fontes, a saber: dos servidores que trabalhavam nos setores administrativos que gerenciam e executam o programa; e diretamente dos pequenos e microempreendedores.
A coleta de dados iniciou-se a partir de visitas à SEDESP, onde foram feitas observações e entrevistas abertas com servidores do mencionado órgão. Nessas observações e entrevistas abertas, foi colhida parte dos dados que dão suporte à seção que abordou o Empreender/JP, principalmente na parte relacionada à estrutura, funcionamento e os dados estatísticos da atuação.
Foi também por meio dessa abordagem inicial que se decidiu quais dados seriam coletados diretamente dos pequenos e microempreendedores. Evidentemente, essa decisão também levou em consideração os objetivos da pesquisa. A intenção era levantar dados que apontassem o incremento de renda e a variação no nível de bem estar do participante do programa, sendo que, neste último caso, a avaliação dos níveis de bem estar seria realizada pelo próprio participante
do programa, ou seja, constituir-se-ia em auto-avaliação. No que tange à primeira situação, era possível utilizar informações objetivas, mas na segunda situação seria recomendável a coleta de dados por instrumento que permitisse a exposição livre dos motivos que justificam a avaliação de bem estar ou, noutras palavras, se a intenção era colher a variação nos níveis de bem estar dos participantes do Empreender/JP a partir da avaliação pessoal deles próprios, seria mais conveniente que a exposição de motivos fosse feita de maneira subjetiva. A partir dessa constatação, tomou-se a decisão de coletar os dados dos pequenos e microempreendedores a partir da técnica de aplicação de entrevistas, no lugar de questionários. Com a entrevista sendo conduzida pessoalmente pelo pesquisador, seria possível captar melhor a subjetividade inserida em cada resposta.
Ainda dentro desse momento inicial de observação, percebeu-se que parte dos dados que seriam relevantes para a pesquisa não necessitaria ser coletado por meio das entrevistas. Os candidatos, no momento em que efetuavam sua inscrição no programa, forneciam informações relevantes. Estas informações eram complementadas adiante, no momento de elaboração do Plano de Negócio. As fichas individuais passavam a compor o banco de dados eletrônico, que é gerido a partir de sistema de informática específico da SEDESP. Analisando os registros individuais, percebeu-se que os mesmos eram úteis, não apenas para selecionar a amostra a ser entrevistada no universo do publico alvo da pesquisa, mas também
para colher, previamente, dados importantes que já estavam disponíveis125.
Elaborou-se, então, Roteiro de Entrevista Semi-estruturada, conforme o
modelo do Apêndice A126. No referido apêndice, vê-se que a primeira parte do roteiro
contempla informações pré-existentes, isto é, já coletadas a partir do banco de dados do Empreender/JP. São informações referentes à época de ingresso do participante no programa ou época de renovação do crédito; ao montante de renda nessa mesma época; ao sexo e ao segmento de atividade econômica do empreendimento. Os dados relacionados ao sexo e ao segmento de atividade econômica foram utilizados para aferir se interferiam nas outras variáveis que tinham
125 A referida análise e seleção da amostra contou com a colaboração imprescindível dos servidores Ruy Ribeiro das Chagas, Diretor de Fomento à Produção, e Magno Benevides Fontolan, Assessor Administrativo para Recuperação de Credito.
126 O modelo do Roteiro de Entrevista Sem-estruturada, que consta no Apêndice A, foi homologado pelo Comitê de Ética em Pesquisas com Seres Humanos do Hospital Lauro Wanderley da Universidade Federal da Paraíba, conforme certidão que consta no Anexo.
sido coletadas em campo. Já a informação acerca do rendimento foi necessária para efetuar-se a comparação com os dados coletados sobre a renda do participante do Empreender/JP no mês de referência. Para efeito da pesquisa, foi utilizado como mês de referência dezembro de 2010. A partir da comparação, tornou-se possível analisar a evolução da renda dos empreendedores entrevistados. Por fim, a informação relativa à época de ingresso no programa ou renovação do crédito complementa a informação sobre a renda auferida nesta mesma época, ou seja, serviu para situar a variação de renda no período compreendido entre àquela data e a renda obtida no mês de referência.
A segunda parte do roteiro refere-se aos dados efetivamente coletados por meio da entrevista. Compõe-se de cinco perguntas, sendo quatro perguntas fechadas e uma pergunta aberta, o que caracteriza roteiro de entrevista semi- estruturada (BONI e QUARESMA, 2005, p. 75).
Os dados coletados a partir das perguntas fechadas foram a renda do
entrevistado no mês de referência, denominada de renda atual127, e a avaliação que
o mesmo faz de três situações, a saber: a) como avalia o desempenho do Empreender/JP; b) como avalia seu bem estar antes de participar do Empreender/JP; e c) como avalia seu bem estar depois de participar do Empreender/JP.
Como já exposto, a primeira pergunta fechada, relativa à renda do entrevistado no mês de referência, foi coletada com o intuito de compará-la com a renda auferida à época de ingresso no Empreender/JP ou renovação de crédito. Essa informação foi necessária para poder comparar o incremento de renda dos entrevistados com o aumento da renda média no Brasil para o mesmo período.
A segunda pergunta fechada refere-se ao desempenho do Empreender/JP, na visão do entrevistado. O objetivo de coletar tais dados foi compará-los com os resultados das outras perguntas que abordam o bem estar do entrevistado, ou seja, o propósito foi aferir um possível vínculo entre o grau de satisfação do entrevistado com o desempenho do Empreender/JP e o bem estar que este programa pode ou não proporcionar em sua vida.
127 Na presente pesquisa, foram utilizadas como sinônimas as expressões renda no mês de referência e a renda atual.
A terceira pergunta fechada solicitava que o entrevistado avaliasse seu bem estar antes de participar do Empreender/JP. A quarta pergunta fechada, por outro lado, solicitava que o entrevistado avaliasse seu bem estar depois de participar do Empreender/JP. Tais perguntas são complementares e visavam aferir a variação no nível de bem estar do entrevistado no período compreendido entre a época de ingresso no programa e o momento da entrevista.
A resposta às perguntas sobre a avaliação que o entrevistado faz do Empreender/JP e do seu bem estar eram fornecidas por itens que variavam entre as seguintes opções: muito ruim, ruim, razoável, bom e muito bom. Essa estrutura de resposta decorre da opção pelo uso da Escala de LIKERT para aferir o grau de satisfação dos entrevistados (GÜNTHER, 2003, p. 26-27).
Ao final, era realizada a quinta e última pergunta, caracterizada por ser aberta. A intenção de elaborar pergunta aberta encontra-se atrelada ao motivo que foi apontado para realizar-se a opção por entrevista no lugar de questionário. A aferição do bem estar do entrevistado merecia exposição livre e subjetiva, sendo assim, as perguntas fechadas sobre o tema não seriam suficientes para melhor caracterizar a relação entre o Empreender/JP e o bem estar dos entrevistados. Nesta pergunta aberta, indagou-se especificamente por que o entrevistado acredita que o Empreender/JP contribuiu para a melhoria do seu bem estar. Obviamente, essa pergunta só foi respondida de maneira coerente, se o entrevistado reconhecesse nexo de causalidade entre o Empreender/JP e alguma melhoria em seu bem estar.
Os dados coletados por meio das respostas fechadas foram analisados a partir de suas freqüências e da investigação de possíveis correlações entre si. Para
tanto, foi utilizado o programa Statistical Package for the Social Sciences - SPSS128.
Por lado, a análise dos dados coletados por meio da pergunta aberta sobre o bem estar do entrevistado foi realizada através da técnica de Análise de Conteúdo. Este método pode ser aplicado ao conteúdo de qualquer expressão que possa ser convertida em texto.
Em preliminar, é necessário distinguir Análise de Conteúdo e Análise de Discurso. Na Análise de Discurso, o pesquisador investiga o discurso subjacente ao
128 Para o manuseio do referido programa, foi essencial a colaboração recebida da doutoranda do Programa Integrado de Pós-graduação em Psicologia Social, Dayse Ayres Mendes do Nascimento.
conteúdo que foi explicitado pelo emissor da mensagem, procura vincular o conteúdo ao contexto do qual parte a mensagem. Tem como pressuposto “uma rejeição da noção realista de que a linguagem é simplesmente um meio neutro de refletir, ou descrever o mundo” (GILL apud CARENGNATO e MUTTI, 2006, p. 680). Sendo assim, a Análise de Discurso pode ser realizada em objetos que não constituam texto, mas que, ainda assim, exprimam mensagens, tais como fotos, filmes e linguagem corporal.
Por outro lado, a Análise de Conteúdo não tem por foco o contexto subjacente à mensagem, preocupa-se com o conteúdo efetivamente veiculado pelo emissor. Não significa dizer que a Análise de Conteúdo seja indiferente ao contexto ou não reconheça a existência de intenções na mensagem veiculada, apenas se ressalta o conteúdo em si. O contexto não é o propósito principal da Análise de Conteúdo, podendo ser útil na interpretação da mensagem, mas a função interpretativa do contexto deve estar sempre vinculada à expressão material do conteúdo da mensagem, nunca buscando encontrar sentidos que não constem, expressamente, naquele conteúdo.
Em virtude dos objetivos da pesquisa e, ainda, tendo em vista o cenário de aplicação da mesma, pode-se utilizar métodos variados no que tange à Análise de Conteúdo, tais como: análise temática ou categorial, análise de avaliação ou representacional, análise da enunciação, análise da expressão, análise das relações ou associações, análise do discurso, análise léxica ou sintática, análise transversal ou longitudinal, análise do geral para o particular, análise do particular para o geral, análise segundo o tipo de relação mantida com o objeto estudado, análise dimensional, análise de dupla categorização em quadro de dupla entrada, dentre outras (OLIVEIRA, 2008, p. 571).
No caso da presente pesquisa, optou-se pela Análise de Conteúdo Temático-Categorial. Trata-se de análise quantitativa de categorias de respostas que foram previamente classificadas pelo pesquisador a partir de avaliação qualitativa. As etapas da referida análise foram assim distribuídas: a) a primeira ação refere-se à análise prévia do material coletado nas respostas à pergunta aberta, fez-se a leitura exaustiva do conteúdo para formular as hipóteses provisórias de categorias de respostas; b) a segunda etapa consistiu em definir as unidades de registros, as unidades de contexto e as categorias de respostas propriamente ditas, depois disso
e com base nessas definições, o conteúdo das respostas foram reorganizados para possibilitar as operações do passo seguinte; e c) na terceira etapa, procedeu-se à quantificação e interpretação das categorias de respostas (OLIVEIRA, 2008, p. 572- 573).