3. OSMANLI DÖNEMİN’DE KURULAN KÜTÜPHANELER
4.4 Osmanlı Mühürleri
O presente item traz uma proposta teórica que relaxa o pressuposto tido como central nos modelos de Fisher (1930), Modigliani (1954; 1979) e Friedman (1957), qual seja: a preferência constante. Do contrário, a hipótese alternativa de que os indivíduos tomam suas escolhas de consumo intertemporal com base em descontos hiperbólicos, isto é, a partir de preferências temporais não constantes constitui a base para o modelo apresentado a seguir.
O estudo de Laibson, em 1997, intitulado Golden Eggs and Hyperbolic Discounting, insere na presente discussão um pouco daquilo que a literatura tem denominado de economia comportamental. Essa perspectiva analítica apresenta uma tentativa de desvendar os processos geradores de decisões, inserindo suposições psicológicas mais realistas que auxiliem os economistas em suas análises. Partindo do pressuposto de que a decisão humana precede qualquer fenômeno econômico – inclusive as escolhas entre consumo e poupança – Muramatsu e Fonseca (2010) ressaltam que o mérito desse modelo reside na sua capacidade de prever, a partir de uma estrutura teórica simplificada e com maior grau de previsão, comportamentos que a perspectiva tradicional é incapaz de acomodar.
Segundo Muramatsu e Fonseca (2010), a proposta da economia comportamental aponta para a substituição da noção de racionalidade plena dos agentes – a qual (por hipótese) conduz a maximização – por uma racionalidade com possíveis limitações, já que considera que a capacidade cognitiva desses indivíduos não é completa. Em função disso, Laibson (1997) analisa as preferências dos consumidores a partir das “anomalias” encontradas nas suas decisões intertemporais. Neste modelo os agentes apresentam funções de desconto hiperbólico ao invés de funções exponenciais, como preconizado nos modelos de Fisher (1930), Friedman (1957) e Modigliani e Brumberg (1954; 1979). Uma relação intuitiva entre as duas funções pode ser visualizada no Gráfico 5, a seguir apresentado.
Gráfico 5 – Descontos intertemporais, hiperbólicos e exponenciais.
Fonte: elaboração própria do autor, adaptado de Laibson (1997).
A taxa de desconto exprime a taxa pela qual os agentes ponderam no presente os incrementos no consumo ao longo do tempo. A escolha entre duas opções distantes no tempo podem sofrer uma reversão a favor da mais próxima, caso seja um recompensa; ou da mais distante, se for uma perda. Essa relação vai sendo modificada à medida que a distância entre as duas diminui. Com o desconto hiperbólico as preferências são conflitantes, isto é, levam as pessoas a consumirem mais do que elas tenham decidido anteriormente. Essa dinâmica inconsistente sugere explicações alternativas para os fatos estilizados de Kuznets (1946).
O comportamento de um agente cuja função desconto tem esse formato reflete a dificuldade de cumprir ao longo do tempo a taxa constante de consumo estabelecida, ou seja, de manter o autocontrole de suas decisões, já que a efetivação destas parece ser tomada por outro individuo (“como se” existissem vários “eus” em cada agente). Na ausência de autocontrole, uma maneira de fazer com que as decisões planejadas sejam executadas é a criação de mecanismos de autorrestrição às escolhas futuras. Esse compromisso assumido pelo “eu” presente objetiva reduzir o conflito existente entre suas decisões atuais e futuras.
A metáfora utilizada para ilustrar esse aspecto é a propriedade da galinha dos ovos de ouro. Ao assemelhar-se com sua prosperidade gradativa, o “eu” presente restringe possíveis erros nas decisões de consumo do “eu” futuro. Pois, tendo em vista que as suas preferências são inconsistentes no tempo, o agente aplica parte da sua poupança em ativos (como planos de pensão e imóveis). Conforme Magalhães e Westenberger (2010), tais ativos geram benefícios substanciais no longo prazo, mas que são de difícil, se não impossível, percepção imediata.
Sob a ótica de um agente representativo, o modelo de desconto hiperbólico analisa as escolhas intertemporais com base nas hipóteses de que: a) ele aplica sua poupança em dois tipos de ativos, 6 (líquido) e 7 (ilíquido); b) ele enfrenta uma sequência exógena de preços – taxa de juros (a mesma para ambos os ativos) e salários; c) suas decisões são tomadas em um
Valor do desconto
Anos
Função exponencial Função hiperbólica
tempo discreto, sendo cada período dividido em quatro subperíodos (retorno dos ativos do período anterior; oferta de trabalho e produção; remuneração, consumo e poupança; realocação dos ativos); d) sua vida inicia com 68, 78 ≥ 0, dada a presença de heranças; e) existe um mercado de crédito sem restrições; f) ele enfrenta horizonte infinito.
Nesse processo, a cada período o agente revê seu padrão de ordenação das preferências e espera que o seu “eu” futuro corresponda às expectativas do seu “eu” presente (uma espécie de jogo de consumo intrapessoal). Nele, o agente lida com o tempo e entende que deve ser previdente nas suas escolhas. No entanto, as emoções inerentes a essas escolhas podem resultar em diferenças entre o planejado e o executado. Sendo o autocontrole o atributo principal implícito no modelo, a questão relevante à modelação é saber o quanto os agentes estão conscientes dos seus limites de autocontrole.
Posto isto, o modelo de desconto hiperbólico sugere: a) o consumo seguirá a renda, já que altas taxas de desconto no curto prazo (geradas pelas taxas de desconto hiperbólico) revelam impaciência e resultam em elevada propensão a consumir a renda corrente; b) a propensão marginal a consumir a riqueza difere da propensão a consumir a renda do trabalho; c) a equivalência ricardiana não prevalece em um contexto de vida infinita dos agentes; d) a inovação financeira, a exemplo dos cartões de crédito, causa contínuo declínio das taxas de poupança, uma vez que o surgimento de mecanismos de liquidez imediata diminui a necessidade dos “ovos de ouro”; e) a inovação financeira tende a diminuir o bem estar dos agentes, pois se a eliminação da restrição autoimposta de liquidez faz com que os agentes gastem com consumo valores além do estoque de riqueza, gerando endividamento.