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3. OSMANLI DÖNEMİN’DE KURULAN KÜTÜPHANELER

3.6 Osmanlı Dönemin’de Kütüphane Personeli

3.6.1 Nazır

A Hipótese da Renda Permanente (HRP), proposta por Friedman em 195732 segue a lógica expressa nas duas seções anteriores e reafirma a redução da importância da renda corrente nas decisões de consumo. Ao introduzir os conceitos de renda permanente e renda transitória, ela trata de retomar a discussão das expectativas sobre a renda futura presente nos modelos de Fisher (1930) e Modigliani e Brumberg (1954; 1979).

A utilização destes conceitos tem implicações consideráveis no desenvolvimento teórico de Friedman. Ele reconhece a importância dos incrementos na renda dos agentes em suas decisões de consumir, mas propõe que tais variações irão impactar no consumo de

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Uma versão moderna da Teoria da Renda Permanente pode ser encontrada no modelo proposto por Hall (1978). Este combina as implicações desta teoria com as expectativas racionais formalizando um modelo de maximização intertemporal de utilidade esperada. Sua conclusão é que mudanças no consumo são imprevisíveis e que o consumo presente seguiria um passeio aleatório com uma tendência. Assim, a única variável relevante que influenciaria o consumo presente seria o consumo defasado com um período. Isto é, o melhor previsor do consumo futuro seria o consumo presente ajustado por uma tendência.

acordo com a percepção do tipo das variações no rendimento, se permanentes ou transitórias.33

Na HRP a renda em determinado período será constituída por dois componentes: um permanente (!" e outro transitório !# . O primeiro reflete os fatores que influenciam no valor do capital ou na riqueza do agente ao longo da sua vida; o segundo é interpretado como sendo os desvios ou ocorrências acidentais em torno da parte permanente. Em suma, a diferenciação do tipo de variação da renda está relacionada à média esperada pelo agente.

Da mesma maneira, o consumo divide-se em: consumo permanente ( " e consumo transitório ( # . Com uma análise semelhante à dispensada aos conceitos de renda, o consumo em um período t se configura como a soma dos componentes, permanente e transitório. Tal como na renda, alguns dos fatores serão particulares a cada individuo – a exemplo das necessidades de consumo derivadas de uma doença – e outros poderão afetar a comunidade, como no caso de quebra de safra de grãos ou de catástrofe ambiental.

Nesse contexto, ao assumir a impossibilidade de verificação direta das suas suposições teóricas (magnitudes ex ante) nas observações empíricas (fenômenos ex post) de consumo e renda permanentes, Friedman (1957, p. 21) deixa claro que sua ideia central é a de “interpret

empirical data as observable manifestations of theoretical constructs that are them selves regarded as not directly observable”. De modo que, a utilização de estimativas das

distribuições probabilísticas se torna desejável, por reduzirem a diferença entre os resultados empíricos e as construções teóricas.

Assim como em Fisher (1930) e Modigliani e Brumberg (1954; 1979), a decisão de consumir na Teoria da Renda Permanente consiste em uma escolha intertemporal. A partir da suposição de que as famílias preferem padrões estáveis de consumo, Friedman (1957) explora teoricamente a relação existente entre a renda e consumo permanentes e considera que flutuações temporárias de consumo e renda influenciarão apenas a renda corrente e a poupança, tal como no modelo do ciclo de vida.

A TRP sugere que a distribuição de probabilidade da renda permanente permanece inalterada ao longo de um período de anos, mas poderá ser distinta entre um período e outro. Esse fato decorre da incerteza e consequente adaptação da renda permanente ao longo do tempo às variações na expectativa da renda futura. Uma renda permanente entre uma faixa etária de 20 a 30 anos, por exemplo, tende a ser diferente da renda estimada para faixas de

33 A ideia principal deste tipo de modelo reside no fato de que as famílias decidem o quanto consumir levando em consideração todos os períodos da vida assim como toda informação disponível, ou seja, analisam a riqueza, a renda corrente, a taxa de juros e a expectativa de renda futura (LEITE; MARÇAL, 2011, p. 1).

idade superiores e inferiores. Desse modo, a renda permanente figura como uma espécie de média da renda corrente e da renda futura esperada em um dado período.

Formalizado esse pressuposto, o consumo permanente será dado por:

" = $ %, &, !" 2 O consumo permanente se apresenta assim como uma proporção $ da renda permanente dedicada ao consumo, que depende da sensibilidade à taxa de juros % ; da proporção riqueza-renda & ; e das características particulares da unidade consumidora, seus gostos e preferências frente a variações na riqueza , tais como o número de membros da família e a relevância dada aos fatores transitórios. Grosso modo, essa equação (2) especifica a existência de correlação entre consumo permanente e renda permanente, a qual não dependente do tamanho desta. Em contrapartida, estes componentes, por hipótese, não apresentam correlação com os seus respectivos valores transitórios e nem entre seus componentes transitórios, isto é, ()*)+ = (,*,+ = ()*,* = 0, seja ( o coeficiente de correlação.34

No entanto, Friedman (1957) ressalta que a tentativa de ajustamento entre o modelo da renda permanente e as observações aponta para divergências de magnitudes. A média do consumo se apresenta como uma fração menor no caso de rendimentos maiores, quando comparado a rendimentos menores. De modo que não parece razoável atribuir esse resultado a diferenças nos valores de i, w ou u, mas a diferenças imbricadas diretamente no componente permanente da renda, influenciadas, dentre outros fatores, por aqueles específicos ao rendimento – tais como a formação, capacidade e personalidade do agente econômico – bem como à atividade econômica desenvolvida, a exemplo da sua localização e sua natureza.

Dito isto, a proposta da hipótese da renda permanente implica que o consumo é determinado por considerações de muito longo prazo (semelhantes aos valores esperados de uma distribuição de probabilidade). Qualquer alteração transitória na renda não influencia o consumo, mas leva principalmente a adições nos ativos ou à utilização de saldos acumulados

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Segundo Simonsen e Cysne (2009, p. 395), para tornar o consumo função homogênea de primeiro grau da renda permanente, Friedman introduziu a ousada hipótese de “homotetia das superfícies de indiferença”, a qual implica restrição criticável ao comportamento das curvas de indiferença dos consumidores. Nada garante que se a renda de um cidadão for multiplicada por dez, seu consumo também o será. É mais provável que ele estenda seu horizonte de programação e deixe uma herança para seus descendentes. A hipótese em questão restringe significativamente, portanto, a generalidade do argumento do autor.

−s̅ +s̅ = ! Y = $!" = 0 + 1) ! = !" !"2 !2 J D E F G C I 0

anteriormente.35 Essa relação entre consumo, renda e poupança pode ser observada no Gráfico 4 seguinte, cujo exemplo supõe que a média dos componentes transitórios seja zero.

Gráfico 4 – Renda e consumo na Hipótese da Renda Permanente

Fonte: elaboração própria do autor, adaptado de Friedman (1957, p. 34).

Neste exemplo, a linha tracejada (de 45º) representa o caso em que tudo o que é recebido é consumido, ou seja, ! = . A linha 0E traz a proposta da teoria da renda permanente, isto é, a relação entre consumo e renda permanentes. A linha IF é uma reta de regressão de em !. À esquerda do ponto D (caso em que renda mensurada e a renda permanente são iguais), a renda permanente será menor que a renda atual, de modo que a renda transitória será negativa, enquanto à direita desse ponto ocorrerá o inverso.

Considerando que os consumidores preferem padrões estáveis de consumo, conforme o hiato entre a renda corrente e renda permanente for surgindo, os mecanismos de poupança e despoupança serão utilizados. Assim, no sentido de suavizar o consumo e aproximá-lo da renda permanente, o consumidor recorre ao mercado de capitais. A equação 3 demonstra uma situação de dois períodos. Para maximizar o consumo ao longo do tempo o agente recorre ao mercado de capitais. Seja C e C o consumo e Y e Y a renda nos respectivos períodos:

+ 1 + = + 1 + 3 Desse modo, as oscilações do consumo dependem da percepção da renda permanente em curso, e não do rendimento disponível, isto é, caso a renda permanente seja menor que o

35 Como percebem Simonsen e Cysne (2009, pp. 395-396), há uma incongruência aqui: é estranho supor que a renda transitória não seja correlacionada com a renda permanente, pois o acúmulo de poupança, ao aumentar o estoque de patrimônio, geraria renda permanente. Contudo, Friedman não trata dessa relação, o que, na opinião dos autores, constitui o “calcanhar de Aquiles” dessa teoria. Isso seria razão suficiente para preferir a versão de Keynes (incluindo o efeito riqueza) do que a de Friedman.

consumo no tempo 1, o agente poderá antecipar o consumo. De modo que, para manter o padrão de consumo ele utiliza dessa capacidade de emprestar e contrair empréstimos a uma taxa de juros , já que no presente modelo não há restrição no mercado de capitais.

No entanto, diferentemente da hipótese de Modigliani e Brumberg (1954; 1979), no modelo de Friedman (1957) esse mecanismo é dado pelo surgimento da renda transitória e não com base no ciclo de vida do agente. Se no primeiro a propensão a poupar a renda varia com a idade do indivíduo, neste último, ela varia de acordo com a diferença entre a renda transitória e a renda permanente, independentemente da idade do agente.