I. BÖLÜM
1.4. EKONOMĠK SUÇLARIN TARĠHSEL GELĠġĠMĠ
1.4.2. Osmanlı‟dan, Türkiye Cumhuriyeti‟ne Ekonomik Suç
dizendo e escrevendo. Isso mudou minha visão e
minha atitude intelectual.
Nascido em Belém/PA, em 1940.
Autor, entre outros: Sessenta Anos de Política Externa Brasileira. São Paulo: Núcleo de Pesquisa Em Relações Internacionais - Usp e Editoras Associadas, Obra Coletiva Em 4 Volumes, 1996; O desafio geoestratégico. Sessenta anos de Política
Externa Brasileira. São Paulo: Annablume/USP, 2001; As Relações Internacionais Contemporâneas. O Mundo Depois da Guerra Fria. Petrópolis: Vozes, 2005.
Minha família pertence à elite burocrática paraense. São funcionários públicos que estiveram ligados à oligarquia, mas nunca fizeram parte propriamente dela. Na família da minha mãe eles não eram proprietários e sim servidores públicos ligados à área jurídica. Já o meu avô paterno era originário do Piauí, viveu muito tempo em São Luiz do Maranhão e, depois, em Belém.
Ele também era servidor público, chegou a Diretor dos Correios em Belém. Então era uma família de certa forma paraense. Meu avô materno foi prefeito em Ourém, uma cidade do interior, e depois foi secretário da agricultura na época da Revolução de 1930, foi preso no processo revolucionário e depois se tornou getulista. O irmão dele foi chefe de polícia e desembargador, acho que isso mais ou menos caracteriza a origem social de minha família.
Meu pai justamente por questões políticas acabou sendo transferido para o Rio de Janeiro. Ele era agrônomo do ministério da agricultura, funcionário público federal. No Rio ele continuou a carreira dele e acabou se aposentando em São Paulo. Ele tinha um grande interesse pela política, apoiava gente aqui e ali, mas nunca concorreu a nada.
No Rio de Janeiro estudei em um colégio de padres voltados para uma coisa bem social, era um colégio bastante simples. Depois estudei em um colégio de classe média, católico também. Depois estudei no Colégio Pedro II que é uma escola pública federal e, mediante concurso, fiz o colegial lá. Nessa época eu me envolvi com a Juventude Estudantil Católica e, depois, já na universidade cursando Filosofia, fiz parte da Juventude Universitária Católica (JUC) que foi uma das origens da Ação Popular (AP). Tive um papel bastante marcante de liderança na minha faculdade, fui membro do Conselho, presidente do Diretório, e elegi meu sucessor. Mas nunca me filiei à Ação Popular, mesmo naquela época. Nunca me envolvi nesse movimento/partido, embora fosse amigo de toda direção na época do Golpe de 1964.
O que é importante na minha formação intelectual e política é que quando terminei minha faculdade eu já estava trabalhando no Instituto de Pesquisa da Marinha, colaborei por pouco tempo em pesquisas de metodologia científica aplicada à seleção de pessoal. Logo em seguida, fui trabalhar no Movimento de Educação de Base (MEB) que era um organismo criado pela Conferência dos Bispos, principalmente por dois bispos, entre eles Dom Helder Câmara. Havia um programa em convênio com o governo federal, na época do Jango (presidente João Goulart), o que, de alguma maneira,
prenunciou todos os convênios e associações que existiriam, a partir da Nova República, entre a igreja e o governo federal. Era um convênio voltado para a expansão da educação de base pelo rádio. Havia uma rede de rádios ligada à igreja católica e isso foi usado como instrumento para se fazer programas de rádio voltados para a educação de base. Por que educação de base? Não era uma coisa voltada para o ensino exclusivamente, havia também um toque eminentemente político. A origem dessas escolas radiofônicas está ligada ao bispo Dom Eugênio Gomes, que era um “príncipe”. Ele era um homem profundamente conservador, mas tinha certo espírito social que queria que fosse conduzido dentro dos limites da Igreja. Então fui trabalhar nesse projeto participando da equipe técnica nacional que coordenava as ações porque eu tinha um passado na JUC.
Como a Igreja tem uma organização feudal, em que cada bispo manda na sua própria área de poder, havia uma coordenação técnica nacional, que na prática não tinha muito poder sobre nada. Assim, para adotar qualquer tipo de política era preciso negociar com cada bispo e, às vezes, com cada padre que trabalhava como diretor como diretor. Nesse convênio havia dois lados na questão da educação de base. Um desses aspectos consistia em tentar passar idéias de cidadania e de direito à propriedade da terra. Naquele momento esse era um contraponto com movimentos marcadamente marxistas ou pós-marxistas. Havia também um programa paralelo no Movimento de Educação de Base que consistia em ações de sindicalização rural. Resultado, o MEB estava limitado à esquerda e à direita, de um lado havia a proposta de sindicalização via PCB e, além disso, as Ligas Camponesas que recusavam a via sindical.
Quanto ao Programa de Educação de Base, havia uma competição com o Plano de Alfabetização do Paulo Freire. Em relação ao Paulo Freire a competição era mais do ponto de vista metodológico e didático. Ele questionava a educação formal, especialmente o uso de cartilha para alfabetizar, e a gente não acreditava muito nos seus princípios metodológicos. Aliás, não tinham muitos fundamentos científicos ou filosóficos, o Paulo Freire que eu conheci era um educador visionário, e o sucesso de suas ideias acabou ganhando uma importância maior do que a pesquisa e o rigor conceitual.
Havia também limitações à direita impostas por bispos. Dom Helder era o secretário geral, aquele que tinha poder executivo em suas mãos por conta de sua grande capacidade de moderação e negociação, mas a maioria dos bispos não concordava com
a maioria das ideias que eram atribuídas a ele. Dom Helder tampouco era, nem nunca foi, um esquerdista. Ele era extremamente moderado. O problema é que ele era visto pela direita, pelo lado mais conservador, como alguém cujas idéias tinham que ser contidas. Dessa forma o MEB era contido pelos dois lados. Isso começou a ter conseqüências naquela época e, depois do Golpe de 1964, quando era muito fácil fazer de tudo uma coisa só, meter tudo no mesmo saco, ficou pior.
Em razão desse trabalho respondi a dois Inquéritos Policiais Militares (IPM). Os IPMs eram operados diretamente pelo Exército. Havia uma coordenação nacional dos IPMs, um deles focalizado no Plano de Alfabetização Nacional do Ministério da Educação, dirigido pelo Paulo Freire, e outro visava a Comissão Nacional de Cultura Popular, também do ministério da Educação, e na qual eu representava o MEB. O Coronel que dirigia um IPM ganhava diárias e, com isso, tinha um incentivo para esticar o assunto. Uma vez fui chamado lá e o responsável pelo meu IPM – depois descobri que era o então coronel Otávio Medeiros, mais tarde Chefe do SNI e quase candidato a presidente – repetia as mesmas perguntas das quais já sabia as respostas, não importava, eu tinha que repetir tudo de novo. Eu imagino que essa era uma coisa generalizada. Então era fácil amalgamar tudo, nós éramos ao mesmo tempo, reacionários para a esquerda e comunistas para a direita. Essa era a situação daquele momento.
O MEB sofreu uma série de revezes depois do Golpe. Até mesmo imediatamente antes, quando o Carlos Lacerda que governador da cidade do Rio de Janeiro (então Estado da Guanabara). A polícia do Lacerda invadiu uma gráfica e apreendeu umas cartilhas do MEB, que estavam para ser distribuídas. Eles confiscaram tudo e fizeram um grande auê! O MEB foi acusado de ter cartilhas comunistas. Era uma situação bastante complicada. Naquele momento eu era esquerda dentro do MEB e não fiquei muito satisfeito com os rumos mais conciliadores que foram tomados e achei que não tinha mais como continuar. E, por outro lado, com esses IPMs eu achava que não era muito seguro continuar no Brasil... Eu ia acabar me envolvendo cada vez mais com política clandestina. Por tudo isso resolvi tentar obter uma bolsa que estava sendo oferecida na área de humanas pelo governo belga em 1965. Era muito raro obter bolsa no exterior na área de humanas. Eu conhecia uma pessoa que já estava lá na Universidade de Louvain, estudando Filosofia e gente que no passado tinha sido da JUC. Então fui selecionado para a bolsa e fui para lá fazer Sociologia com aquela ideia de que a sociologia me daria os instrumentos de fazer a revolução que a gente não tinha
conseguido fazer. Eu tinha 24 anos em 1965... Eu ainda era muito ingênuo em relação a nossa capacidade de ação e de revolução.
Em relação a minha formação intelectual, eu fiz o curso de Filosofia na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil e me formei em 1962. Na época era um curso organizado com forte influência da filosofia cristã. Havia alguns professores mais ou menos ecléticos e os demais eram os herdeiros do padre Leonel Franca, que foi um dos iniciadores do ensino da Filosofia no Brasil. Esse padre era muito competente, sobretudo na área de lógica aristotélica. Havia também um professor que fez uma trajetória da filosofia cristã para o hegelianismo. O Álvaro Vieira Pinto, que escreveu
Consciência e Realidade Nacional, foi o primeiro chefe do Departamento de Filosofia
e, mais tarde, o diretor executivo do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB). Ele ficou muito conhecido e foi um grande inspirador da esquerda. Ele havia sido integralista e um católico dos mais conservadores e depois fez aquela virada hegeliana. Foi ele que formou intelectuais como o Wanderley Guilherme dos Santos e o Carlos Estevam Martins, o Estevão, que foi mais tarde meu colega na USP.
Consciência e Realidade Nacional, do ponto de vista da filosofia profissional, não
era grande coisa, era um livro considerado atrasado, fazia uma análise abstrata do processo político, inspirada na Ideologia Alemã, a obra mais hegeliana de Marx, que ele próprio legou à “crítica corrosiva dos ratos”. A gente ouvia falar que na USP havia um pessoal de Filosofia Analítica que interpretava textos, o que era uma grande novidade. O curso de Filosofia era um dos principais campos de batalha política, mas não de debate intelectual dentro da F.N.Fi.. Havia o Álvaro Vieira Pinto de um lado e os católicos de direita do outro, não havia muito o que fazer, não havia alternativa. Um daqueles que tinha estudado na Bélgica e vinha com novas ideias foi o José Américo Peçanha que foi meu professor. Depois esse professor abandonou a Filosofia e veio aqui para São Paulo trabalhar como editor na Editora Abril.
Havia uma grande agitação intelectual na Faculdade de Filosofia, mas que não tinha nada a ver com uma coisa acadêmica. A única pessoa que tinha uma paixão pela precisão conceitual, por incrível que pareça, era um monge beneditino. Ele era partidário dessa filosofia inglesa mais voltada para a teoria do conhecimento, ele conhecia bem os autores pragmáticos ingleses e era muito exigente com esse lado mais profissional da Filosofia.
Com a bolsa de estudos fui fazer Sociologia na Bélgica. Tratava-se de um curso novo que estava começando a se formar na Universidade de Louvain (de língua francesa). Depois dos estudos em Sociologia, fui em frente para fazer o doutorado, agora com uma bolsa de assistente. Era uma coisa tão nova a Sociologia que fui o primeiro doutor em Sociologia da história da Universidade. Como disse, era um curso novo, antes existia apenas a Graduação, e quando surgiu a oportunidade para fazer o doutorado fui o primeiro a terminá-lo. Foi uma tese na área da Sociologia do Desenvolvimento, baseada em pesquisa empírica com estudantes latino-americanos em Louvain. Eu queria entender como era a formação social e política dos estudantes. Esse foi o material com o qual trabalhei.
Pois então a minha formação sociológica se deu na Bélgica e foi ali que aprendi que eu não tinha aprendido a estudar e nem a pensar. Eu era mais velho do que a média dos alunos, que tinham 18 anos. Eu tinha 24 e já era casado, tinha família, já havia trabalhado, era outro mundo. Eu tinha que fazer algumas matérias de adaptação com alunos do primeiro e segundo ano para me preparar para a pós-graduação. Então, eu estudei com esses garotos de 18 anos... E não eram garotos brasileiros, eram europeus. Diante disso, é claro que eu me destacava, os professores me reconheciam. E durante as aulas eu levantava a mão e questionava os professores muitas vezes dizendo que não pensava da mesma forma. E aos poucos eles me fizeram entender que eu não tinha o direito de achar nada enquanto não entendesse o que eles estavam falando. Entendi, então, que o trabalho acadêmico começa pelo entendimento do que as outras pessoas estão dizendo e escrevendo. Isso mudou minha visão e minha atitude intelectual.
Foi muito duro, garanto a você que não foi fácil. Eu sentia isso como uma violência! Ter que ouvir o que os outros tinham a dizer! Eu achava que não estava podendo exercer o meu papel político. E, além disso, eu achava absurdo não poder colocar minha própria experiência como padrão de interpretação. Foi extremamente penoso no início. Depois essa prática se tornou uma espécie de segunda natureza. Então minha formação intelectual deve muito, muito mesmo a Louvain. Não só no conteúdo, mas na abordagem, na atitude.
Em relação, por exemplo, à Sociologia, fiz todo o trabalho para a tese em um centro de pesquisas como assistente. Havia uma série de projetos de pesquisa em andamento nesse centro e, de alguma maneira contribuí para vários deles além da minha pesquisa. Naquele momento minha pesquisa foi importante porque havia uma série de
estudantes estrangeiros e a universidade não sabia muito bem o que fazer com eles. O outro aspecto importante foi que a pesquisa era empírica, não falo do empiricismo. Aliás, o pessoal que não gosta de fazer pesquisa nem de ler antes de criticar, chama a pesquisa empírica de positivismo. Mas há poucas coisas menos positivistas do que as abordagens europeias da época, sobretudo dos franceses. Havia ainda a abordagem da Antropologia e da Psicanálise que eram abordagens opostas à positivista.
O meu orientador naquele contexto, que era o diretor desse centro de pesquisas, tinha uma formação marcadamente francesa, tendo sido discípulo do Alain Touraine. Também era muito próximo dos psicanalistas belgas, fortemente influenciados por Jacques Lacan e pelo estruturalismo. Digamos que, dentro da Sociologia, meu diretor de tese representava a esquerda. Em termos globais ele foi assessor pessoal do Eduardo Freire, o primeiro presidente democrata-cristão que antecedeu o Allende no Chile. Naquele tempo muitos intelectuais belgas se interessavam pela África, mas ele se dedicou mais à América Latina. E ele me aproximou do Touraine, que tinha uma vertente sociológica antipositivista. Ele não era marxista, mas a ideia dele era resgatar o espírito do marxismo, em contraponto ao funcionalismo, a escola então predominante nos EUA. Ele era um inimigo radical do funcionalismo, o que não impede que as pessoas aqui taxem a sociologia dele de funcionalismo.
Meu orientador de doutorado foi a primeira pessoa que mencionou em aula o Michel Foucault. Ele lia, comentava e eu achava aquelas ideias estranhas... A partir daí, me aproximei do movimento psicanalista, da antropologia estrutural, do Lévi-Strauss, e acabei me aproximando também do Althusser. Então, embora eu conhecesse o marxismo um pouco pela rama, às vezes me confrontava com o pensamento sociológico belga da perspectiva de um marxismo vulgar, daquele que eu nunca tinha estudado seriamente... Foi a partir do Althusser que comecei a estudar as obras do Marx mais seriamente. Mantive uma correspondência com ele e cheguei a me encontrar com ele uma vez, rapidamente. Tanto nos primeiros artigos que publiquei e, mesmo no trabalho que veio a ser minha tese de livre docência, fui muito influenciado pelo Althusser. Eu publiquei uma tradução do livro Aparelhos Ideológicos de Estado pela Editora Paz e Terra, na qual inseri uma longa apresentação interpretativa. Ela era maior do que o livro do Althusser. E muitos me criticaram: “Como você pode fazer uma apresentação maior do que o livro?”. É que, naquele momento, eu tinha mais coisas a dizer do que ele já tinha dito. Se fosse para dizer o que ele já tinha dito eu não faria isso... Essa minha
introdução crítica é um dos textos que eu mais prezo! Aliás, entre os livros que publiquei é o de maior sucesso até hoje, depois de Instituições e Poder. Mas é um texto datado! Eu hoje acho um texto muito chato de ler. Quando leio vejo uma pretensão, assim, incrível! Mas gostava muito dele e ainda gosto do rigor more matemático com que foi escrito.
Passei a ler o Foucault, muito influenciado por Maurice Chaumont, que foi meu orientador no doutorado. Também cheguei a esse autor por intermédio do Roberto Machado, um colega meu da JUC e do MEB, que também esteve em Louvain na mesma época. Ele é um grande tradutor e foi comigo o introdutor do Foucault aqui no Brasil. Comecei a ler Foucault em decorrência dessas influências, mas só comecei a dar mais atenção ao Foucault depois que voltei para o Brasil, quando o Roberto me convidou para traduzir e editar a sua obra. Eu não cheguei a me encontrar com o Foucault na Europa, mas acabei conhecendo-o pessoalmente tempos depois aqui no Brasil. O Roberto havia obtido do Foucault uma autorização para traduzir alguns textos que ele estava produzindo naquele momento. Tinha coisa que ainda não estava publicada e agente recebia antes... Começamos o trabalho Edições Graal, que depois foi comprada pela Paz e Terra. Então o Foucault é uma influência do período pós-doutorado. Minha leitura do Foucault foi, portanto, muito influenciada no começo pela leitura que o Roberto Machado fazia de sua obra, voltada para uma história filosófica das Ciências. Depois me inclinei para um lado, digamos assim, menos filosófico e mais voltado para a questão do poder. Então minha formação é essa. Quando vim para São Paulo minhas principais referências eram essas, então eu não tinha interlocutor nem no marxismo, porque o Althusser aqui era considerado um dissidente radical e traidor, nem em relação ao Foucault. Apesar dele ter vindo aqui, pouca gente o conhecia, em geral por intermédio do pessoal da Filosofia, mas não havia ninguém com quem pudesse discutir esses autores. Naquela época, havia sido publicado apenas um artigo sobre o Foucault, se não me engano, do José Artur Giannotti.
Comecei a estudar o Foucault no que diz respeito ao aspecto das relações de poder nas instituições. Eu não me interessava mais em trabalhar sem fazer pesquisa e então, na época, procurei a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Havia, nessa época, muito menos competição, a Fapesp era muito mais liberal e tinha muito mais recursos do que havia bons projetos. Assim que pude entrei com um projeto para estudar as instituições de saúde no Brasil a partir de uma documentação, mas
também havia pesquisa empírica com um pessoal que era atendido nos centros de saúde. Então sempre pesquisei o discurso das próprias pessoas tentando recuperar as estruturas de poder...
Depois desse trabalho eu me voltei para pesquisas eleitorais, pesquisas de intenção de voto e atitude política através do voto por meio de amostras nacionais e locais. Eu queria entender como funcionava a estrutura da decisão do voto. Foram mais de dez anos colhendo amostras. Nesse campo eu trabalhava em duas frentes. Em uma das frentes fazia análises estatísticas de pesquisas. Em outra fazia análises de estratégias políticas de campanha dos atores. Fiz uma pesquisa logo depois da eleição de 1986, que consagrou a grande vitória do PMDB - que venceu na maioria dos Estados e nas grandes cidades. Em São Paulo nós fizemos entrevistas em profundidade com uma amostra de candidatos que tinham sido ou não bem sucedidos, de diferentes partidos e com seus cabos eleitorais. A ideia era saber qual era a estratégia deles. Se eles tinham uma estratégia, qual era? Então a partir da análise interpretativa do discurso dos candidatos, a gente tentava recuperar qual seria a sua estratégia.