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I. BÖLÜM

1.4. EKONOMĠK SUÇLARIN TARĠHSEL GELĠġĠMĠ

1.4.1. Dünyada Ekonomik Suç

estou contente com tudo isso que aconteceu na USP.

Apesar de tudo... Apesar de tudo.

Nascido em Alta Gracia/Córdoba, Argentina.

Autor, entre outros: A saga do anti-herói. São Paulo: Nova Alexandria, 1994;

Lazariho de Tormes. São Paulo: Editora 34, 2005; Leituras de Literatura Espanhola (da Idade Média ao século XVII). São Paulo: Letraviva/Fapesp, 2010.

Como você já percebeu tenho sotaque estrangeiro porque nasci na Argentina, mais precisamente em uma cidade próxima a Córdoba, uma província localizada no centro do país. A trinta quilômetros da cidade de Córdoba existe uma cidade turística, onde se encontram as primeiras serras depois dos pampas, localiza-se Alta Gracia, minha cidade natal. Naquele momento era um povoado com aproximadamente sete mil habitantes, hoje deve ter seus cinquenta mil. Esta cidade tem muita história porque era uma fazenda pertencente aos jesuítas. Era um povoado indígena quando os conquistadores espanhóis chegaram lá. Depois, os padres jesuítas acabaram herdando essas terras e lá instalaram uma das cinco fazendas que tinham em volta da cidade de Córdoba. Com os produtos dessas fazendas eles sustentavam a Universidade de Córdoba que fundaram em 1613. Isso está até hoje muito bem conservado, é Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade, com seu convento do século XVII, suas igrejas barrocas e toda infraestrutura da época. Então é um lugar histórico e que foi muito aproveitado também pelo turismo e por pessoas que sofrem de problemas nas vias respiratórias em busca do ar das montanhas. Entre outros, esteve lá Manuel de Falla, um músico espanhol que acabou morrendo nesse lugar. Há um museu sobre ele. Outro personagem que passou boa parte da infância e da adolescência dele nessa cidade foi Che Guevara. Ele também sofria de asma e há um museu sobre ele lá. Enfim, é uma cidade que eu curto muito.

Eu me vejo e me sinto um brasileiro nascido em Córdoba. E sempre me pautei por isso, eu sou um brasileiro, nascido lá. Inclusive no meu trabalho profissional sempre procurei assumir a perspectiva do brasileiro. Claro que tenho a intimidade de um hispanista, conheço isso de perto, mas tenho o distanciamento do brasileiro para olhar aquilo. Isso foi sempre positivo no meu trabalho.

Minha mãe era cordobesa, de uma família que vivia ali há muitíssimos anos. Já o meu pai era do outro lado da Argentina, era um imigrante espanhol, veio criança para Buenos Aires, veio com os pais já no século XX fugindo da fome. Foi devido a problemas respiratórios que meu pai foi passar umas férias em Alta Gracia e lá conheceu minha mãe e acabaram casando. Mas meu pai não podia voltar a Buenos Aires por causa de seu organismo e tiveram que ficar lá. Minha mãe era professora primária rural, dava aula em uma escola a cinquenta quilômetros em plena serra. A serra lá chega aos três mil metros e faz muito frio. Então não havia outra opção senão morar na escola, que não tinha água, energia elétrica, nada. Nesse lugar só havia essa escola

rural que os vizinhos tinham construído. Passei meus primeiros seis anos de vida lá. Aprendi a ler e a escrever porque também não havia mais nada para fazer... Deve ter vindo daí, talvez, o grande gosto pela leitura, o que me encaminhou depois para as letras. Meu pai criava galinhas para ajudar a manter a família. Isso até que meu pai conseguiu um emprego e minha mãe foi transferida. Então, com seis para sete anos, fomos para Alta Gracia, onde eu havia nascido. Um ponto mais próximo do que havia de civilização.

Em Alta Gracia continuei meus estudos até terminar a escola secundária. E ai veio a pergunta: “E agora, o que faço?!”. Eu só sabia que gostava de ler e escrever. Mas não tinha clareza sobre qual profissão adotar. Meu pai nessa época administrava um hospital, então comecei a ter um interesse por medicina. Mas eu não teria sido um grande médico não... Meu primeiro ganha-pão foi ser locutor em uma rede de alto- falantes. Nessa cidadezinha havia uma rede de alto-falantes que eu curtia muito. E a partir daí cheguei a pensar em ser locutor, mas teria que largar tudo, inclusive a família, e ir para Bueno Aires. Mas a capital não me seduzia muito. Tive que fazer o serviço militar, que era obrigatório. Essa experiência me permitiu conhecer essa instituição por dentro, algo terrível. Este tempo prestando serviço militar me serviu para pensar muito.

Percebi que se gostava de ler e escrever deveria fazer Letras. Pensei, posso sobreviver de qualquer outra coisa, mas vou fazer Letras. Escolhi a Universidade Católica não porque sou religioso, nada disso. Mas pela instituição. Córdoba tinha duas grandes universidades na época, a Universidade Nacional, que era herdeira daquela criada pelos jesuítas, que era de muita tradição, e a Universidade Católica, que era uma coisa nova. E minha opção foi essa, queria estudar nessa instituição. Isso tudo ocorreu enquanto esperava a chamada de uma empresa que poderia me oferecer algum trabalho administrativo. Eu sabia datilografia e tinha já os estudos secundários completos. Mas aconteceu uma coisa incrível! Até hoje paro para pensar. Eu descobri duas coisas na universidade, primeiro: que a profissão de professor universitário é fantástica. Descobri que queria fazer o que meus professores faziam. Especialmente aquilo que a minha professora de Literatura Espanhola fazia. E, claro, descobri em segundo lugar a Literatura Espanhola. Três meses depois, aquela firma me chamou, mas o horário batia com o da faculdade e decidi que iria sobreviver de qualquer coisa e iria fazer meu curso. Defini que queria ser professor universitário de Literatura Espanhola e que iria jogar todas as fichas nisso. Fiz o curso em cinco anos, com boas notas. Eu me dedicava

muitíssimo! Meus pais davam casa e comida, mas o restante era comigo, tinha que me virar com os livros, as viagens diárias...

Formei-me em Letras em 1963 e a formatura ocorreu em 1964. Saí da formatura e peguei um avião para a Espanha com uma bolsa para fazer o doutorado lá. Passei três anos na Espanha fazendo cursos, tentando redigir minha tese, mas estava difícil porque eu tinha que me virar para sobreviver. Às vezes tive bolsa, às vezes trabalhei como clandestino, disfarçado de bolsista na própria instituição que me dava a bolsa. Depois, consegui uma bolsa para ir para Louvain redigir a tese. Mas recebi nesse momento uma notícia triste, meu pai estava doente, estava com câncer. E era uma coisa de poucos meses. Eu já estava com algumas coisas em Louvain já, mas voltei para a Argentina para ver meu pai. Cheguei em agosto e no dia 03 de outubro meu pai morreu. Lembro- me bem porque Che Guevara foi assassinado em 08 de outubro daquele ano.

Na Argentina as coisas estavam muito difíceis porque estávamos vivendo na penúltima ditadura argentina, a de 1967. Os militares ainda não tinham entrado com toda a violência, mas já controlavam a universidade. E não havia espaço, as universidades privadas eram muito poucas. E eu também queria ver o que tinha fora da Argentina. Eu havia tido muitos contatos na Espanha, contatos com possibilidades de trabalho em vários lugares, como Austrália, Estados Unidos e Canadá. Eram lugares em que bastava escrever uma carta e eu teria espaço, naquele tempo tudo era mais fácil. Mas acabaram acontecendo outras coisas...

Quando fui morar na Espanha, acabei em uma residência de estudantes, chamada Colégio Mayor, para estudantes hispano-americanos. Essa residência era do lado de outro colégio, a chamada Casa do Brasil. Aquela era a Espanha de Franco e aquele colégio era uma residência oficial do governo, parecia um convento, era cheio de restrições e fechadíssimo. A Casa do Brasil, que ficava ao lado, era outra coisa, um lugar onde se respirava, onde para grande escândalo dos espanhóis, em dois blocos diferentes, moravam moças de um lado e rapazes do outro. Havia áreas em comum, mas para os espanhóis moças e rapazes juntos, era um escândalo! E aquilo era tão bom que funcionava como uma extensão cultural do Brasil na Espanha. Toda noite havia ou um filme, ou uma palestra, uma exposição, sempre havia alguma atividade cultural relacionada ao Brasil. Eu estava sempre lá.

Conheci também brasileiros e brasileiras nos cursos que fazia, sempre ia tomar um cafezinho na Casa do Brasil e cada vez mais fiquei curioso em conhecer esse país.

Morava aqui do lado e só sabia do carnaval e do futebol. Quando comecei a conhecer melhor o Brasil descobri uma coisa que possui uma enorme diferença em relação à Argentina: este é um país que reúne muitas culturas e permite coisas muito diferentes. Isso me impressionou muito, porque venho da Argentina, que é um país vertical, ou seja, há uma submissão a um modelo cultural que vem de cima, de Buenos Aires e acabou. O restante tenta ser como Bueno Aires. Além disso, a simpatia das pessoas... Eu sempre digo que vim parar no Brasil por causa de três letras “m”: o mar, a música e as mulheres. É claro que são metáforas, não é? Ou metonímias, talvez. O mar é a natureza, fascinante! A música que representa especialmente essa cultura popular. Era o tempo da bossa nova e eu era fascinado por isso! E, depois, veio a Tropicália. E as mulheres são, enfim, a metonímia das pessoas. Naquela Espanha fechada, quando as pessoas pareciam ter medo de tudo, que eram controladas e pareciam controlando os outros, em um clima permanente de censura. Parecia que não podíamos conversar com as pessoas porque sempre havia uma espécie de receio. Afinal, quem era você? Por que estava falando? Era a Espanha de Franco, uma coisa terrível. Mas havia essa ilha que era a Casa do Brasil.

Então, durante esses anos fiz muitas amizades e só saía com brasileiros. Conheci muita gente aqui da USP e coincidiu de eu estar em 1967 na Argentina, com a morte de meu pai e sem saber exatamente o que fazer, quando me escreveram daqui dizendo que tinham criado a Escola de Comunicações Culturais, hoje Escola de Comunicação e Artes (ECA-USP), e como havia línguas estrangeiras no currículo dessa faculdade, criou-se um setor próprio de línguas estrangeiras. Uma das professoras que conheci na Espanha era professora da ECA e o diretor era um professor espanhol e catedrático da área, que era o Julio García Morejón. Ele disse que queria um hispano-americano, também para que os alunos conhecessem o espanhol da América do Sul. E essa colega disse a ele que eu estava disponível na Argentina e então veio a oferta de trabalhar no Brasil.

Na Argentina havia uma ditadura e eu não queria ficar. No Brasil havia outra. No entanto, a informação que tive em 1967 era que a ditadura brasileira estava a caminho de uma redemocratização e que não iria durar muito. Então pensei, tudo bem, vamos lá. Cheguei aqui em 7 de abril, na cidade de Santos, porque vim de navio. Última longa viagem de navio que fiz. Vim de navio porque eu queria trazer os meus livros. A primeira coisa que me disseram foi que aqui na USP não havia livros e que era para eu

trazer. Então peguei toda a minha biblioteca, eram cento e cinquenta quilos de livros, coloquei em caixotes e trouxe tudo de navio comigo. Cheguei no porto de Santos e, na alfândega, o camarada abriu um dos caixotes e – como trazia comigo um compromisso de contrato da USP – apresentei tudo e ele questionou: “Que professor o senhor é se aqui só tem romances?”. Até hoje dou boas gargalhadas com essa história. E tive que explicar que era professor de literatura, até que se convenceram de que estava tudo bem.

Um carro foi me buscar lá em Santos e a primeira sensação que tive do Brasil... Veio com aquela muralha! Era no final da tarde e estávamos contra a luz do sol quando me deparei com aquela serra enorme! Eu perguntava ao motorista se a gente ia subir tudo aquilo. Tive um choque com essa coisa imponente que é o Brasil. Sempre tento me colocar na perspectiva que tiveram os colonizadores que chegaram e encontraram isso aqui que não tinha nada a ver com aquilo que eles conheciam na Europa. Aquilo não parecia ser feito na escala humana, na Europa as coisas são feitas na escala humana, mas esse imenso bloco chamado Serra do Mar que existe aqui, não.

Comecei a trabalhar na ECA, mas naquela época todos que trabalhávamos com o espanhol, através dos convênios que a USP também tinha com a Filosofia, tínhamos uma espécie de local de trabalho, que era o Instituto de Cultura Hispânica, criado a partir de convênios com a Espanha. Ele se localizava onde hoje é a Faculdade Iberoamericana, na Avenida Brigadeiro Luiz Antônio. Aliás, a Faculdade Iberoamericana é decorrência desse instituto. Claro, a Faculdade de Filosofia funcionava ainda na Maria Antônia, quase não havia espaço lá. Apenas uma sala e uma cadeira com uma pequena biblioteca. E no Instituto nós tínhamos salas, havia uma biblioteca um pouco maior, tinha até uma gráfica, e aquilo funcionava como uma espécie de espaço para os gabinetes de professores e para extensão universitária. Nós dávamos cursos de língua espanhola e também um de Cultura e Civilização Hispânica. Eles eram dados às quintas à noite e aos sábados de manhã. Tudo como uma espécie de extensão. Esse era um trabalho muito bonito do qual eu já tinha ouvido falar na Espanha e um dos motivos que me incentivou a vir para cá. Era muito interessante a existência desse espaço. Então algumas coisas eram para os alunos e outras abertas ao público.

Quem dirigia tudo isso era também o catedrático de Língua e Literatura Espanhola. E como o catedrático era o dono da cadeira, ele nomeava os seus assistentes e mandava em tudo. Dizia quem iria dar aulas disso, quem daria aquilo e pronto e acabou. Ele definia os programas e, inclusive, o que seria dado em cada disciplina. Era a

autoridade absoluta. E a gente vinha com um contrato de três anos que podia ser rescindido a qualquer hora por qualquer uma das partes. Ou seja, eu podia ir embora quando quisesse, mas podia ser posto na rua quando o catedrático quisesse. Não havia nenhuma garantia trabalhista. Não havia concurso, estabilidade, nada, nada, nada. O catedrático era o todo poderoso.

No início do meu trabalho na USP fiz de tudo, dava aulas na ECA e no Instituto de Cultura Hispânica. Logo o catedrático descobriu que o que eu sabia mesmo era literatura espanhola, justamente aquilo que queria fazer. O projeto de doutorado que tinha na Espanha era sobre literatura espanhola, sobre elegia medieval castelhana, mas não podia ser feita aqui por que não havia bibliografia, não havia nada. Então tive que buscar outra coisa e acabei escrevendo sobre García Lorca. O então catedrático era fanático por Lorca e comprava tudo que era livro do Lorca e sobre ele, então havia ali uma bibliografia mínima. Quando ele descobriu que minha área era literatura espanhola, ele me trouxe para a Faculdade de Filosofia também. E acabei tendo dois contratos, um com cada instituição. Nessa época lecionava língua na ECA e literatura espanhola na Maria Antônia. Cheguei a dar aulas no antigo prédio da Maria Antônia até o dia que houve o conflito com o Mackenzie e houve o incêndio. Como queimaram o prédio, nós chegamos a dar aulas no chão, no pátio da Geografia na cidade universitária, com os alunos sentados no chão. Não havia salas! E tínhamos que terminar o ano letivo. À noite não havia espaço porque havia aula na História, então nós juntamos os alunos no Instituto de Cultura Hispânica para dar as aulas do noturno. Precisávamos fechar o ano de 1968 de qualquer maneira.

A queima da Maria Antônia foi no início do mês de abril de 1968, mas o ano letivo chegava até o fim de novembro. Durante esses dois meses a gente se virou em qualquer lugar. E, no ano seguinte, fomos para os chamados barracões da cidade universitária que eram umas cavalariças projetadas para a Veterinária. Onde hoje é a Psicologia, funcionavam os barracões que possuíam divisórias que não chegavam ao teto e foram usados como salas de aula. Elas sequer estavam terminadas, tivemos que começar as aulas com um mês de atraso em 1969 porque foi preciso primeiro terminar os barracos para a gente poder dar aulas. O problema é que você dava aula de Espanhol aqui e ouvia a aula de Latim ali. Ouvia-se aulas de Alemão e de Chinês, tudo ao mesmo tempo! Era engraçado porque se ouvia de tudo... Tudo isso significou uma convulsão geral, inclusive porque em 1969 houve uma série de desentendimentos do catedrático

com alguns dos membros mais antigos que havia nas cadeiras. Essa briga tinha um lado pessoal, mas acho que tinha outro político também. A gente que tinha acabado de chegar ainda não entendia muito bem o que estava acontecendo. Não sabia o porquê da briga em um grupo que trabalhava tão bem. Entendo que havia uma mistura de questões pessoais e políticas, porque em 1968 e 1969 houve lutas e nós que estávamos lá em baixo não tínhamos outra coisa a fazer senão dar aulas. E mais nada, não entrávamos no jogo das decisões daqueles que já tinham doutorado e já eram livre-docentes. A gente ficou como espectador de tudo isso. Mas acabou sobrando para a gente porque, de uma hora para outra, ficamos com o catedrático, um doutor e quatro auxiliares que, na época, eram chamados de instrutores.

Criou-se a cadeira de Letras Modernas, juntando as cinco línguas, Alemão, Espanhol, Francês, Italiano e Inglês. E nós éramos meia dúzia. Isso na teoria porque o catedrático podia dar aula, como também podia não dar, podia também viajar, como ele fez, e voltar apenas um ano depois. E o único doutor que havia sobrado decidiu ir embora para os Estados Unidos e largou tudo aqui. Então éramos quatro auxiliares de ensino tomando conta do que seria toda a cadeira de Letras Modernas. Tendo ainda que dar aulas na ECA, no Instituto de Cultura Hispânica e na Filosofia. Dávamos umas vinte e tantas horas de aulas semanais. Era uma coisa de louco, mas fazer o quê? Fazíamos de tudo, dávamos aula de Língua Espanhola, Literatura Espanhola e Literatura Hispano- americana.

Nesse momento de acúmulo de trabalho houve a reforma universitária. Eu estava inscrito no regime antigo da pós-graduação e iniciou-se um novo regime. E disseram que quem quisesse ascender ao cargo de assistente teria que defender o Mestrado. Como eu tinha créditos para o doutorado e tudo o que precisasse, aproveitei os mesmos e peguei o trabalho que tinha escrito na Espanha e apresentei como mestrado. E então defendi o mestrado da noite para o dia em 1970.

Não podíamos ter uma pós-graduação na área de espanhol porque na época não tínhamos doutores. A partir daí tivemos que fazer um trabalho de reconstrução desse grupo. A gente estava bem sozinho, porque os catedráticos eram figuras que exerciam o poder, mas trabalhavam se queriam, davam aula se queriam. Na época éramos eu, Irlemar Chiampi Cortez e uma moça que lecionava línguas, a Marilda Ramalho, que acabou se afastando da USP poucos anos depois. Como começaram a aparecer verbas,

contrataram mais pessoas. Um dos primeiros que conseguiram contratar foi o Jorge Schwartz.

Havia, inclusive, um caminho para entrar na USP, que era necessariamente começar a dar aulas de graça. Na época se chamava instrutor voluntário. Todo mundo passava por essa etapa, dando aulas de graça até ser contratado. Não havia concurso, não havia nada, prevalecia a vontade do catedrático. Inclusive não havia mais cadeira porque havia sido extinta com a Reforma, mas os antigos catedráticos conservaram o poder e, na prática, o exerciam. O Departamento, na prática, era uma reunião de catedráticos que decidiam em conjunto o que eles queriam. Isso durou durante todos os anos 1970. Em Letras Modernas continuamos sendo uma reunião de cadeiras com os