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2.2. Türk Sineması ve Sansür

2.2.1. Osmanlı Döneminde Sansür

Sob a orientação da professora Maria Odila Leite da Silva Dias foram realizadas algumas dissertações, teses24 e publicações que reorientaram as pesquisas desenvolvidas sobre o assunto.

Uma preocupação menor com os aspectos mais gerais e um olhar mais atento às particularidades, voltado para o interior da colônia, enfatizando suas complexidades e características específicas, permitiu a valorização de determinados elementos da vida colonial que conduziu, conseqüentemente, a uma releitura histórica e documental, evidente e perceptível na historiografia do período.

No interior desta paisagem, o livro de Alencastro (2000), partindo de uma perspectiva que toma o Rio de Janeiro como espaço de importância estrutural no conjunto do império português e desenvolvendo um pensamento que se articula numa lógica ancorada na história econômica, contemplou a conjuntura atlântica como fundamental para a interpretação da formação do Brasil, recolocando, agora noutra dimensão, a rede constitutiva das relações comerciais e intercoloniais ligadas aos mecanismos da exploração colonial e a toda a dinâmica imperial portuguesa (BICALHO, 2003, p. 19).

Noutro contexto, estudando o imaginário da restauração de Pernambuco, Mello (1997) analisa as reivindicações de cargos, honras e mercês por parte dos pernambucanos à Coroa portuguesa, como forma de retribuição por seu desempenho na luta contra os holandeses, que culminou com a expulsão destes últimos. Noutra obra (MELLO, 2003), em que faz um denso mergulho na já conhecida Guerra dos Mascates, descreve e analisa o longo conflito que envolveu a nobreza de Olinda e os comerciantes do Recife, após o episódio da expulsão dos holandeses, que teve como alvo as disputas pela câmara municipal, envolvendo ainda governadores e outros agentes da Coroa.

A abordagem de ambos os autores tem como mérito a recuperação do colono luso- brasileiro como agente e sujeito político ativo, que tem a capacidade de modificar,

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Influenciados pelas propostas da professora Maria Odila Leite da Silva Dias, realizaram-se estudos sobre temas diversificados, basicamente a respeito do comércio e sua interdependência com os interesses rurais e administrativos, quase todos orientados e voltados para a região Centro-Sul da colônia. Destacam-se principalmente os trabalhos de Martinho & Gorestein (1993); Lenharo (1979); Blaj (1993); Fragoso (1992); Fragoso & Florentino (1993).

interpretando a seu modo, as determinações legais e exclusivistas emanadas da metrópole (BICALHO,2003, p. 19).

A partir da orientação estabelecida por tais estudos, pôde-se encontrar nas redes de negociação e poder espalhadas pela sociedade colonial, exemplos do imaginário que levou – como em Pernambuco de início do século XVIII, por ocasião dos confrontos entre comerciantes do reino e a nobreza da terra – vassalos e súditos do rei a atuarem como sujeitos políticos na dinâmica permanente dos poderes locais. Através de uma intrincada negociação, estes agentes-sujeitos defendiam suas prerrogativas e interesses que, segundo Bicalho, constituía a própria política imperial (2003, p. 21).

Como conseqüência, a dinâmica dos poderes locais assumem novos contornos, cujas cores passam a refletir a importância pontual de seu estudo, como vetor indispensável para a historiografia do período colonial.

Na redefinição que Bicalho (2003) empresta aos contornos da cidade colonial, podemos vê-la como território de embates de projetos políticos e interesses econômicos, cenário e veículo de interlocução, núcleo ordenador do diálogo produzido com a metrópole, cujo vértice estaria ancorado na atuação das câmaras municipais.

Neste contexto, revelam-se as funções essenciais das câmaras, espalhas na paisagem política da América portuguesa, contempladas como centros de poder e redes de negociações, associadas às possibilidades de representação e participação política na sociedade colonial (GOUVÊA, 1998, p. 299).

Esta historiografia25, realizando em grande medida a recuperação de obras clássicas26, tem experimentado o impacto de alguns trabalhos publicados recentemente27. O que decorre

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Os trabalhos clássicos de Boxer (1965) colocaram as câmaras municipais coloniais como elementos fundamentais nas estratégias de controle imperial sobre o ultramar, evidenciando interesse especial da metrópole em conservá-las como canais de expressão das prerrogativas dos colonos. Esta foi, de acordo com Bicalho (2003, p. 35), a base para outros reinos sobre a qual se fortaleceram as monarquias de Antigo Regime. Referindo-se à constituição do Estado na França, cita a cidade como misto de poder real e de poder comunal, proposta por Le Roy Ladurie (1994) e, na mesma linha de argumentação, exemplifica o caso espanhol estudado pelo historiador Pujol (1991). Nestes casos, o processo de afirmação das dinastias e de imposição do poder monárquico às periferias seriam exemplar para demonstrar a existência concreta e, ao mesmo tempo, a importância central da negociação entre poder central e elites locais na articulação das relações entre metrópole e colônia.

também de influências provenientes além das fronteiras nacionais, notadamente a produção historiográfica portuguesa28 produzida nos últimos tempos (GOUVÊA, 1998, p. 300).

Comentando o estado das pesquisas historiográficas realizadas sobre o Brasil Colonial, Russel-Wood faz questão de frisar, que o estágio atual constitui-se no ápice de um processo que teve início na década de 1970 (2001, p.11). Em sua opinião,

O que os historiadores têm demonstrado é que a visão de pacto colonial, baseada em noções dualistas, polarizadas, ou mesmo bipolarizadas, necessita ser recolocada a partir de uma perspectiva mais aberta, mais holista e flexível, que seja mais sensível à fluidez, permeabilidade e porosidade dos relacionamentos pessoais, do comércio, da sociedade e do governo dos impérios, assim como da variedade e nuança de práticas e crenças religiosas (RUSSELL-WOOD, 2001, p. 14).

O que vemos aqui, é a fluidez e a permeabilidade da própria historiografia: se por um lado, havia uma despreocupação com o fenômeno de enraizamento da metrópole na colônia, a partir da observação de Dias (1982) caminhou-se, por outro lado, em direção a um desapego à importância excepcional conferida à metrópole e a um olhar mais atento nas relações inter e intra-coloniais29.

Quanto ao dualismo rígido e inflexível entre metrópole e colônia, móvel de debates freqüentes na historiografia, alguns historiadores vêm promovendo uma reinterpretação que, segundo Russel-Wood, tem facilitado a compreensão da existência de um grande potencial para negociação entre os representantes da coroa e os naturais da terra. Na opinião dele,

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Especialmente os trabalhos de Boxer (1965), Alden (1968) e Schwartz (1979). 27

Dignos de nota são as teses de doutoramento de Bicalho (1997), Figueiredo (1996) e Souza (1997); livros que reúnem textos de autores de diversas regiões brasileiras, tais como Furtado (2001) e Fragoso; Bicalho & Gouvêa (2001); bem como diversos artigos publicados em periódicos nacionais: Pereira (2001), Souza (2003), Souza (1998), Pijning (2001) e Russel-Wood (1998).

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Com relação à historiografia portuguesa é notável a utilização e influência das obras de Alexandre(1993), Cruz Coelho & Magalhães (1986), Hespanha (1993; 1994), Vidigal (1998) e Monteiro (1996).

29 Estudando a mecânica do contrabando e as medidas políticas portuguesas, metropolitanas e coloniais, implementadas com o objetivo de impedir o comércio clandestino no Rio de Janeiro do século XVIII, Pijning parece tratar do mesmo fenômeno na historiografia colonial brasileira. De acordo com ele, “A partir da década de 1980 os historiadores afastaram-se desse conceito rígido de exploração da periferia pelo centro, buscando uma análise mais cuidadosa do desenvolvimento autônomo da colônia, ou da negociação, resistência e acomodação existentes entre os interesses metropolitanos e os coloniais”. Para ele, “Se o trabalho de Novais foi inovador ao compreender o comércio e a administração coloniais em seus aspectos mais intrincados e flexíveis, uma nova geração de historiadores compreendeu as mesmas relações de forma menos antagônica” (2001, p. 399).

Isso tem concorrido para uma reavaliação dos mecanismos de representação local – tais como os Senados da Câmara no império português – e da maneira pela qual os colonos conseguiam negociar as políticas e práticas da coroa no sentido de torná-las menos opressivas e/ou mais de acordo com as prioridades, necessidades e práticas da sociedade colonial (RUSSELL-WOOD, 2001, p. 12-13).

Nesta linha de raciocínio, é lícito afirmar que o último quartel do século passado constituiu-se em território fértil para uma espécie de renascimento de interesses por temas ligados ao estudo das redes e da dinâmica de poder local no período colonial, inaugurando novas perspectivas de análise (SANTOS & SANTOS, 2003, p. 4).

Nos limites desta renovação, aspectos à primeira vista pouco considerados ou mesmo esquecidos tomam relevo e destacam-se em meio aos estudos e pesquisas realizadas. Tomam vulto, neste cenário, a consideração das diferenças regionais, as diferentes fases do Brasil Colonial e, até mesmo, a diversidade da estrutura social entre uma vila e outra, antes praticamente imperceptível (SANTOS & SANTOS, 2003).

Estudos como o das relações entre a dinâmica dos poderes locais e as redes familiares; das articulações realizadas pelos grupos de poder locais, detentores de bens e riqueza material, para a manutenção de seu domínio através da ocupação de cargos e funções nas câmaras municipais; ou, ainda, as análises sobre estruturas políticas criadas e mantidas a partir de relações de parentesco, embora localizados e possuindo caráter específico e particular, têm clareado as sombras que lançam inúmeras dificuldades nos caminhos dos historiadores30.

Por estes caminhos da história, a documentação das câmaras municipais, que registra o pulsar cotidiano de nossas comunidades, assume contornos e formas de valor inestimável e reveste-se de considerável importância.

2.2 TECENDO UMA OUTRA TRAMA: DIRETRIZES FUNDAMENTAIS DA

Benzer Belgeler