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2.3. TÜRKİYE’DE DOLAYSIZ YABANCI SERMAYE YATIRIMLARI

2.3.1. Türkiye’de Dolaysız Yabancı Sermaye YatırımlarınınTarihsel Gelişimi

2.3.1.1. Osmanlı Dönemi

Durante muito tempo, os estudos urbanos tiveram como foco a morfologia das cidades e sua transformação ao longo dos tempos, caindo, muitas vezes, na descrição de fenômenos, tais como a centralização, a metropolização e a segregação, sem, no entanto, desvendar a sua essência, ou seja, sem compreender o que está por trás desses fenômenos, qual a força motriz dessas transformações espaciais.

A ecologia urbana, corrente de pensamento desenvolvida pelos estudiosos da Escola de Chicago na década de 1920, teve uma forte influência nesse sentido. A ecologia urbana encarava o crescimento urbano como um desenvolvimento “natural” das cidades e o espaço urbano era visto como locus da produção capitalista, palco da vida humana, ou seja, um elemento passivo. A cidade era encarada como um órgão social, visto que a forma assumida pelo espaço urbano é compreendida como materialização de processos de organização social. Essa analogia biológica tinha inspiração direta nas teorias ecológicas, como, por exemplo, a teoria da evolução de Darwin. Grosso modo, essa corrente de pensamento entende a cidade como um sistema em busca de equilíbrio, onde através da diferenciação funcional e da integração, as partes do sistema urbano procuram se ajustar num todo harmônico. Essa concepção de cidade exclui a idéia de conflito e de desenvolvimento desigual, mistificando o jogo de forças que produzem o espaço (GOTTDIENER, 1997). Assim, para a ciência urbana convencional:

“[...] a sociedade é concebida como um sistema formal, integrado, sem

dúvida, por mecanismos parsonianos de consenso de valor, que se ajustam coletivamente a distúrbios ambientais de maneira equilibrada. A partir de tal perspectiva, o desenvolvimento metropolitano é entendido como um processo natural que decorre das pressões inexoráveis por mudança social exercidas pela inovação tecnológica e

da crescente escala societária que essa inovação possibilita”

(GOTTDIENER, 1997, p. 77).

O crescimento do desenvolvimento urbano desigual e das injustiças sociais tornou clara a incapacidade da ecologia urbana em explicar esses fenômenos. Nesse contexto, a partir da década de 1970, uma nova tendência começou a se configurar em contraposição a essa linha de pensamento. Muitos pensadores passaram a se valer do marxismo como forma de pensar o espaço. Apesar do foco da obra de Marx não ser a questão urbana, os pensadores marxistas se utilizaram dos conceitos e teorias desenvolvidos por Marx para explicar a estruturação do espaço. Em suma, dois processos distintos e, ao mesmo tempo relacionados, norteiam essa nova forma de análise do espaço urbano: o conflito de classe e a lógica de acumulação de capital. Diferentemente da ecologia urbana, os pensadores marxistas não acreditam no caráter “natural” e harmônico do desenvolvimento urbano, mas sim que este se dá através de conflitos e lutas de classes. Outro aspecto é a relação entre espaço e acumulação de capital, onde as transformações sócio-espaciais são reguladas pela lógica de acumulação de capital e, consequentemente, o desenvolvimento

urbano, assim como o capitalista, se dá de forma desigual. Apesar dos avanços na análise urbana, essa linha de pensamento recai muitas vezes em um determinismo econômico. Sua análise também se torna limitada por entender a relação economia x espaço como uma relação de via única, de causa e efeito, onde o espaço seria apenas um receptáculo de processos econômicos e políticos, caindo assim em um fetichismo espacial (GOTTDIENER, 1997).

Entretanto, alguns pensadores marxistas conseguiram superar esse determinismo econômico, trazendo grandes contribuições para a teoria da produção do espaço. Nessa safra de estudos urbanos de tradição marxista, destacam-se dois pensadores: Manuel Castells e Henri Lefebvre.

Em seu livro intitulado “A questão urbana”, Castells defende a idéia de que as estruturas produtivas e sociais determinam a organização do espaço. Assim,

Analisar o espaço enquanto expressão da estrutura social resulta, conseqüentemente, em estudar sua modelagem pelos elementos do sistema econômico, do sistema político e do sistema ideológico, bem como pelas combinações e práticas sociais que decorrem dele (CASTELLS, 1983, p. 159-160).

Além da relevância da sua crítica à sociologia urbana, principalmente à ecologia urbana, Castells avança ao destacar a importância da dimensão política na gestão e na organização do espaço, destacando o papel do Estado e dos movimentos sociais enquanto fatores de organização socioespacial. Entretanto, em suas análises, Castells continua a considerar o espaço como elemento passivo.

Já Henri Lefebvre conseguiu alcançar um entendimento mais complexo da dimensão espacial em seu livro “A produção do espaço”. Para Lefebvre, o espaço apresenta um caráter complexo e multifacetado, sendo, ao mesmo tempo, meio de produção, elemento das forças de produção, e também um produto dessas relações, ou seja, um objeto de consumo em si. Nessa linha de pensamento, o espaço é visto como produto e como processo, influenciando de forma dialética as estruturas que o produzem. Lefebvre destaca ainda o papel do espaço como instrumento político de grande importância para o Estado e de reivindicação, alimentando assim o conflito de classes. Para o autor, o espaço apresenta uma multiplicidade de facetas e contradições, como o

espaço abstrato de expropriação e o espaço social de usos, por exemplo. Dentro de uma perspectiva dialética, Lefebvre acredita que o espaço:

Tem ao mesmo tempo uma realidade material e uma propriedade formal que o capacita a encerrar a realidade material de outras mercadorias e suas relações sociais. Exatamente como outras mercadorias, ele representa ao mesmo tempo um objeto material e um processo que envolve relações sociais. Ao contrário de outras mercadorias, ele recria continuamente relações sociais ou ajuda a reproduzi-las; além disso, elas podem ser as mesmas relações que ajudaram a produzi-lo no primeiro local. É, portanto, ao mesmo tempo objeto material ou produto, o meio de relações sociais, e o reprodutor de objetos materiais e relações sociais (GOTTDIENER, 1997, p. 133). Dessa forma, a teoria da produção do espaço eleva o elemento espaço a um foco principal de análise juntamente com as dimensões política, econômica e social. Ao reconhecer o aspecto ambíguo do espaço, que se caracteriza tanto como produto quanto como processo, supera a concepção de espaço enquanto elemento passivo. Assim, o espaço é visto como produto do processo de reprodução do capital, ou seja, uma mercadoria, e também como condição para a realização desse mesmo processo de produção do capital, que engloba a própria (re)produção da sociedade, fazendo parte dele. Essa relação entre espaço, sociedade e modo de produção também implica em considerar o espaço como produto de um processo histórico, específico a cada tipo de organização da sociedade e da produção, e entender as contradições espaciais como reflexos das contradições sociais e econômicas (CARLOS, 1994; GOTTDIENER, 1997). Nesse sentido, Ana Fani Carlos afirma:

[...] os homens, ao produzirem seus bens materiais e se reproduzindo como espécie, produzem o espaço geográfico. Entretanto, dependendo do momento histórico o fazem de modo específico, diferenciado de acordo com o estágio de desenvolvimento das forças produtivas. O espaço passa a ser produzido em função do processo produtivo geral da sociedade. No capitalismo, as necessidades de reprodução do sistema fundado no capital vão estabelecer os rumos, objetivos e finalidades do processo geral de reprodução, no qual o espaço aparecerá como condição e meio, desvanecendo-se o fato de que também é produto (CARLOS, 1994, p. 22).

Assim, o espaço urbano se apresenta como um elemento “fragmentado e articulado, reflexo e condicionante social, um conjunto de símbolos e campo de lutas” (CORRÊA, 1989, p. 9). Ou seja, a estrutura espacial fragmentada e articulada, onde as

diferentes áreas da cidade mantêm relações espaciais entre si, reflete a própria estrutura social, suas complexidades e desigualdades. Entretanto, as formas espaciais fixadas pelo homem também condicionam as relações sociais e de produção, daí o seu caráter ativo. Enquanto locus da vida humana e materialização das relações sociais, o espaço urbano também reflete a cultura de uma sociedade, seus valores, crenças e mitos, materializando- os através de monumentos, lugares sagrados e profanos, etc., assumindo assim uma dimensão simbólica. Esse mesmo espaço também é palco e objeto de lutas de classes, visto que as desigualdades da sociedade capitalista também se manifestam na dimensão espacial (CORRÊA, 1989).

Os proprietários dos meios de produção, os proprietários fundiários, os promotores imobiliários, o Estado e os grupos sociais excluídos são os agentes desse processo de produção do espaço. Esses agentes podem atuar de forma integrada ou conflitante, dependendo dos interesses em jogo. Suas ações são complexas e derivam da dinâmica da acumulação de capital, das necessidades de reprodução das relações de produção e do conflito de classes. Esses processos sociais se materializam em formas espaciais, moldando a organização espacial da cidade. Essa materialização se dá através de processos espaciais, que constituem um “conjunto de forças atuantes ao longo do tempo, postas em ação pelos diversos agentes modeladores, e que permite localizações e relocalizações das atividades e da população da cidade” (CORRÊA, 1989, p. 36). E são esses processos espaciais o foco da discussão do próximo item.

Benzer Belgeler