3.1. Örnekler
3.1.4. Orta dönemli, miatl•, 5 ürünlü maksimum kar problemi
Para qualquer estudo onde a unidade de análise é a transação, é preciso montar um modelo que inclua todas as variáveis que determinam a relação entre os atores, pois estas vão influenciar na escolha da estrutura de governança. Todavia, além da especificidade dos ativos e dos atributos de incerteza e freqüência das relações (que estão no nível micro de análise), Zuurbier & Bremmers (1997) destacam o papel das estruturas macro nesse processo de escolha estratégica da forma de coordenação ideal. Os autores denominaram essas estruturas de “contexto do negócio”. O sistema legal, a cultura, os mecanismos de troca (mercado futuro, mercado spot), as instituições estabelecidas (P&D, subsídios, crédito), o grau de concentração do mercado, a abertura do mercado e a penetração do produto, a viabilidade de substitutos, dentre outras, são as principais variáveis. Os autores destacam, ainda, a necessidade de incorporar variáveis como cooperação, interdependência, confiança e comunicação numa análise de custos de transação.
No modelo de Williamson (1991), essas variáveis são parâmetros de deslocamento dos custos de transação, sendo que a análise se preocupa em verificar se os custos comparativos de governança aumentam ou diminuem com as mudanças nos parâmetros.
Há pelo menos três maneiras diferentes de se definir instituições, de acordo com Matthews (1986, p. 904-905). São elas: a) instituições como sistemas alternativos de direitos de propriedade; b) instituições como convenções ou normas de comportamento e, c) instituições como tipos de contrato, ou seja, arranjos institucionais escolhidos pelos agentes que os habilitam a cooperar de forma mais eficiente que anteriormente. Essas definições contemplam, então, as macro e as micro-instituições.
As macro-instituições, que conformam o ambiente institucional, seriam as regras e normas políticas, sociais e legais e os direitos de propriedade que determinam a estrutura de oportunidade para as ações dos atores. Já as micro-instituições, também chamadas de estruturas de governança, constituem arranjos entre unidades econômicas ou atores que governam os caminhos nos quais esses atores competem ou cooperam.
A ECT trabalha com o pressuposto, herdado do institucionalismo tradicional, de que as transações ocorrem em um ambiente institucional estruturado e que as instituições não são neutras, ou seja, elas interferem nos custos de transação. O ambiente institucional condiciona e limita a ação dos atores, influenciando na escolha do arranjo institucional, ou
seja, na determinação da forma mais eficiente de governar as transações. Os direitos de propriedade, por exemplo, influenciam os custos de transação, pois o desempenho econômico é largamente determinado pelo modo como os esses direitos são definidos.
É neste ponto que ocorre a articulação entre as duas correntes analíticas da ECT, a do Ambiente Institucional, representada principalmente por Douglas North e das Instituições de Governança, tendo Williamson como principal referência. Essa articulação permitiu estender e refinar o aparato da ECT, rebatendo as críticas de que a Nova Economia Institucional foi desenvolvida em dois estágios ou em dois caminhos distintos.
A Teoria Neoclássica superestimava o papel dos preços como alocador dos recursos e negligenciava os fatores institucionais, ou seja, considerava as instituições como um dado do problema (exógenas). Nesse caso, os resultados de mercados eficientes só eram obtidos quando não existiam custos de transação, ou seja, quando os agentes econômicos eram fiéis aos seus compromissos e quando os termos das transações eram completos e se faziam cumprir sem custos. Entretanto, quando estes custos tornam-se consideráveis, as instituições passam a adquirir importância e devem ser incorporados à análise econômica.
À medida que a Economia dos Custos de Transação incorpora a noção de informação incompleta e a habilidade limitada dos agentes para processar as informações, surge a necessidade de desenvolver um padrão de interação para as partes envolvidas numa transação - as instituições.
Douglas North foi o autor que mais se preocupou em estudar a importância do ambiente institucional e de suas alterações. North (1990) defende que as instituições (mercado, contratos e firmas) servem para simplificar problemas de coordenação e formas mais complexas de trocas, como as que caracterizam as sociedades modernas. Esse papel é possível porque as instituições estabelecem regras do jogo que definem limites a um conjunto de escolhas disponível para os agentes econômicos, reduzindo a incerteza à medida que estruturam as ações humanas. Além disso, os arranjos institucionais ampliam os benéficos da cooperação, ou seja, tornam possíveis relações de troca cooperativas ao longo de vários períodos entre indivíduos que não se conhecem, reduzindo os custos de “traição”, de transação e, também, de produção. Assim, instituições tornam-se soluções eficientes para problemas de organização.
Azevedo (1997) argumenta que uma definição completa de custos de transação necessita incluir, também, os custos de adaptações ineficientes desses arranjos (instituições no nível micro) às mudanças do sistema econômico (instituições no nível macro). Se esta
adaptação for ineficiente, ou seja, implicar perda de oportunidade de lucro, gera-se custos de transação. Zylbersztajn (1995) também destaca este aspecto.
Isso significa que mudanças no ambiente institucional, tecnológico e organizacional alteram os atributos das transações existentes (incerteza, freqüência e especificidade dos ativos), resultando na escolha, pelos agentes, de uma outra estrutura de governança que permita reduzir custos de transação e obter maior coordenação no sistema.
Uma inovação tecnológica num setor, por exemplo, pode influenciar os custos de transação e, consequentemente, a escolha da estrutura de governança pelas empresas neste setor, na medida em que pode alterar a especificidade dos ativos produtivos. A busca de vantagem competitiva, por outro lado, também pode agir sobre a especificidade dos ativos, alterando a estrutura de governança adotada.
A figura 2 ilustra como se dá o alinhamento das estruturas de governança com os fatores condicionantes teóricos propostos pela ECT:
Fonte: Zylbersztajn (1995, p. 23)
Barnard (1938) e Hayek (1945) já tratavam da importância da questão da adaptação das instituições às mudanças no ambiente econômico (às incertezas) como principal argumento da eficiência, sendo que o primeiro autor conclui pela supremacia da organização interna e o segundo pela supremacia do mercado como mecanismo com maior capacidade adaptativa.
Williamson (1991) considera que ambos os autores mencionados estão corretos, já que eles referem-se a adaptações distintas. O autor chama de adaptação do tipo A aquela induzida pelo sistema de preços, sem interferência institucional, e denomina de tipo C aquelas adaptações que necessitam de uma ação institucional para poderem se efetivar. O autor também ressalta que em alguns tipos de desequilíbrios, os agentes independentes não conseguem obter respostas coordenadas ou se adaptarem pela via do mecanismo de preços. Nesse caso, as estruturas hierárquicas, que são as mais privilegiadas em termos de capacidade de adaptação, emergem com uma resposta econômica, pois as disputas são resolvidas internamente, gerando menores custos de ajustamento.
Para a análise de cadeias agroindustriais, o problema da adaptabilidade torna- se ainda mais relevante, conforme a argumentação de Zylbersztajn (1995, p.153-155), já que, nesse caso, deve ser considerado o conjunto de transações que ocorrem ao longo de toda a cadeia produtiva. Assim, se toda a cadeia receber um choque externo oriundo de uma mudança no ambiente institucional ou tecnológico11, gera-se a necessidade de uma reação adaptativa, e a velocidade dessa adaptação afeta a competitividade de todo o sistema. O ajustamento às novas condições institucionais ou tecnológicas pode se dar de modo espontâneo (onde via mercado gera-se o menor custo) ou exigir estímulos/incentivos adicionais para motivar a adaptação dos agentes, como no caso da intervenção do setor público. O autor completa sua análise defendendo que, dado que os sistemas agro-alimentares estão sujeitos a freqüentes choques que requerem respostas coordenadas, os modos de governança híbrido e hierárquico devem prevalecer.
Por isso é preciso escolher a estrutura de governança mais adaptada ao ambiente tecnológico e institucional vigente, pois as regras formais (leis, estatutos, medidas provisórias) e informais (convenções, normas de comportamento, cultura, hábitos, símbolos,
11 A definição de áreas de produção livre de pragas e doenças é um exemplo de restrição no caso da cadeia
valores) construídas pelos atores para estruturar as interações econômicas, sociais e políticas é que determinam o sucesso ou o fracasso de uma forma organizacional.
Fonte: Williamson (1993)
FIGURA 3 - Esquema de relações institucionais
Nos casos de cadeias produtivas agroindustriais, conforme Zylbersztajn (1995), o processo de surgimento de organizações pode estar ligado à necessidade de adaptação a choques externos, melhorando a coordenação de determinado setor. Isso pode acontecer porque essas organizações podem lidar com o fluxo de informações que dão suporte para os tomadores de decisões, podem criar estrutura de apoio à comercialização e aquelas que resultam na diluição do risco para os agentes de uma cadeia produtiva.
A revisão do arcabouço teórico da Economia dos Custos de Transação mostra que a transação entre agentes de um sistema produtivo é a unidade de análise relevante; que essas transações envolvem custos que não podem ser negligenciados pela análise econômica (gerados pela racionalidade limitada dos agentes e pela probabilidade de comportamento oportunista) e que essas transações possuem características ou atributos particulares (especificidade de ativos, incerteza e freqüência) que, juntamente com o ambiente institucional em vigor, determinam a escolha de uma forma de governança específica (mercado, estruturas híbridas ou hierarquia).
Portanto, as contribuições de autores da ECT e, particularmente de Williamson, permitiram avançar a análise da questão da coordenação e da eficiência organizacional nos sistemas produtivos. Assim, conclui-se que estruturas mal-escolhidas ou mal-adaptadas à transação levam a dificuldades de coordenação. Usar estruturas complexas para governar transações simples incorre em custos desnecessários e, por outro lado, usar estruturas simples para governar transações complexas gera problemas de não-eficiência.