3.5. Mandarin Melezleri 1. Minneola Tangelo
3.5.2. Orlando Tangelo
Para o autor, há dois lados na economia: o lado científico e o lado doutrinário. O lado científico se refere à explanação da vida econômica, aos eventos e fenômenos econômicos. Já a doutrina econômica é descrita pelo autor como uma expressão da maneira na qual a sociedade prefere seguir em sua vida econômica para a solução de seus problemas práticos. E no período da escrita do livro, ou seja, o princípio do pensamento islâmico econômico, o autor via somente um lado para a economia islâmica, o doutrinário. Havia em si somente o aspecto das escolhas referentes à busca econômica e não uma interpretação de eventos95.
Como parte de um todo, o modelo econômico islâmico organiza a vida. Sua busca é mudar a face de corrupção no mundo e não uma explanação. O autor defende a busca de um método científico, mas argumenta que é necessário que o Islã seja implementado como um todo.
Como se tratava do início do desenvolvimento do modelo, para Assadr ainda não era possível que houvesse uma análise com base na coleta de dados, mas somente com a implementação deste modelo seria possível que se conseguisse o desenvolvimento de
93 “Não adorais a Ele, mas a nomes que inventastes, vós e vossos pais, para o que Deus não vos
investiu de autoridade alguma. O juízo somente pertence a Deus, que vos ordenou não adorásseis senão a Ele. Tal é a verdadeira religião; porém, a maioria dos humanos o ignora. ”(Corão 12:40)
94 “Quando dizemos, sobre o Islã, que ele não é uma ciência, queremos dizer que o Islã é uma
religião que garante um chamado à organização da vida econômica do mesmo modo que trata os demais aspectos da existência, e que não é uma ciência do tipo da economia política. Em outras palavras, o Islã significa uma revolução com o intuito de transformar uma realidade corrupta em uma realidade sã, e não uma explicação objetiva sobre esta realidade, então, quando o Islã determina o principio da dupla propriedade, por exemplo, não afirma com isso que explica o fato histórico acerca de um certo estágio da vida da humanidade ou que prefere os resultados das leis naturais da história como o Marxismo o faz quando anuncia as boas novas do princípio da propriedade socialista, como se fosse uma condição inevitável para um certo estágio da história e única explicação para isso”. (ASSADR, 2012, p.282)
95“[...] uma ciência pode ser constituída para a economia islâmica – depois que seja analisada
como um estudo religioso abrangente – através da análise da estrutura. [...] a explanação científica dos eventos da vida econômica se concentra nas duas matérias seguintes: Um – reunir os eventos econômicos da experiência vivencial e ordena-los cientificamente de tal modo que possam revelar as leis efetivas no campo da existência e suas condições específicas. Dois: iniciar uma pesquisa científica a partir de fatos específicos e deduzir deles, a direção econômica e o curso dos eventos”. (ASSADR, 2012, p.283)
forma científica96. Não há nenhuma sociedade islâmica que esteja por completo vivendo
de acordo com a lei islâmica.
Outro ponto trazido pelo autor é a possibilidade explicar alguns fatos da economia islâmica a partir de determinados pontos religiosos e formular à luz deles um modelo científico para a economia islâmica. No entanto, tal simulação hipotética não poderia ser considerada como científica, porque frequentemente a realidade é diferente da simulação hipotética.
Além disso, os aspectos espirituais e ideológicos de uma sociedade islâmica também têm efeitos na vida econômica das pessoas97. Portanto, o autor conclui que a
ciência da economia islâmica não pode levá-la a um nascimento real, a menos que seja aplicada em uma sociedade que seja totalmente baseada nos princípios da šari‘ah. 2.8 O Problema Econômico à Luz do Islã
De acordo com o autor, todo sistema econômico acredita que há um problema no campo econômico que deve ser combatido.98 O capitalismo acredita que o problema
básico são os recursos limitados e esses recursos não se manterão com o desenvolvimento da civilização99. Similarmente, o marxismo mantém a visão de que o problema econômico
está no desacordo entre as formas de produção e as relações de distribuição100.
96“Porém, nada semelhante a isso está disponível aos economistas muçulmanos enquanto a
economia islâmica permanecer afastada da realidade concreta. Eles não podem tirar proveito de experiências da vida diária sobre a economia islâmica durante a implementação de modo que possam perceber neste processo a natureza das leis que dominam a vida que esteja baseada no Islam”. (ASSADR, 2012, p.283)
97 “[...] o elemento espiritual e ideológico ou em outras palavras, o temperamento psicológico da
sociedade islâmica, possui uma grande influência no curso da vida econômica. Porém, este temperamento não possui um grau limitado ou uma forma particular que possa ser suposta e sobre a qual diferentes teorias possam se basear”. (ASSADR, 2012, p.284)
98 Mannan (1995, p.4) também irá abordar a questão do problema econômico na visão islâmica.
“The eternal conflict between multiplicity of wants and the scarcity of means forces us to make a choice between our wants, to fix up a list of priorities and then distribute our resources in such a manner as to be able to secure maximum satisfaction of wants.”
99 “O capitalismo acredita que o problema econômico básico seja a diminuição comparativa dos
recursos naturais em vista do fato que a natureza é limitada, já que não é possível aumentar a exploração da terra sobre a qual o homem vive, tampouco a quantidade dos vários recursos nas entranhas dela, ao passo que as necessidades do homem continuam crescendo continuamente, com o progresso e a prosperidade da civilização, o que resulta na incapacidade da natureza de satisfazer todas as necessidades em relação a todos os indivíduos”. (ASSADR, 2012, p.295)
100 “O Marxismo é de opinião que o problema econômico é sempre o problema da
O Islã, de acordo com Assadr, está em desacordo com ambos os sistemas. O problema não está nos recursos naturais e nem na inconsistência entre as formas de produção e as relações de distribuição. O problema real está no homem101, pois Deus
supriu e suprirá o homem em suas necessidades. Na visão do autor, caso este ande pelo caminho determinado por Ele, não haverá problema com os recursos e o sistema deverá ser regido pelo homem, para que haja um equilíbrio. Sobre esse tema, o Professor Tavakoli comenta:
“Portanto, tudo deve estar em uma harmonia, de modo que este tipo de lição da fundação, se, você tem harmonia ou desarmonia. Adam Smith costumava dizer que tudo estaria em harmonia, sem intervenção. Mas alguns economistas disseram que não é o caso, não há esse tipo de equilíbrio, então se você deixar a economia, ele deve ir para um tipo de desequilíbrio e que o governo deveria intervir, ok. Assim, Karl Marx está dizendo que o problema é com o tipo de propriedade privada e Adam Snith apenas dizia ... o problema é com o governo, porque o Estado está intervindo. E nunca, entendi, por exemplo, Assadr e algum economista islâmico, dizer que não é a posse o problema e sim a intervenção do Estado. O problema é com as pessoas. Porque quando elas são (...) o risco eles destroem o que mesmo produzem produzindo mais. Eu não sei ... para incentivar as pessoas a consumirem mais, porque eles querem produzir mais, porque eles querem ganhar mais. Então não há esse tipo de responsabilidade que é valida, ok, nós ... os americanos justificamos o consumo quatro vezes mais do que outro tipo de população, só porque estamos no controle do dinheiro internacional, como dólar, ok? E então, a contraparte islâmica tenta criticar a maneira como eles estão introduzindo o problema.”
Reside, portanto, um problema central no comportamento humano em sua vida prática e sua falta de gratidão para com o que é oferecido por Deus. Sendo assim, o problema econômico está em como o homem vive diariamente. De acordo com o autor, a injustiça no campo econômico ocorre devido à má distribuição de riqueza e à má exploração dos recursos naturais102. Quando estes problemas forem resolvidos, haverá
uma sociedade mais justa.
incompatibilidade entre ambos, há estabilidade na vida econômica, não importando o sistema social resultante desta adequação”. (ASSADR, 2012, p.295)
101 “Deus foi quem criou os céus e a terra e é Quem envia a água do céu, com a qual produz os
frutos para o vosso sustento! Submete, para vós os navios que, com a Sua anuência, singram os mares, e submeteu, para vós, os rios. Submeteu, para vós, o sol e a luz, que seguem os seus cursos: submeteu para vós, à noite e o dia. E vos agraciou com tudo quanto Lhe pedistes. E se contardes as mercês de Deus, não podereis enumerá-las. Sabei que o homem é iníqua e ingrata excelência”. (Corão 14:32-34)
102 “A injustiça no campo econômico se constituí na má distribuição, ao passo que a ingratidão
pelas dádivas divinas se encontra na negligência da exploração da natureza e na atitude negativa em relação a ela”. (ASSADR, 2012, p.296)