3. BÖLÜM : ORGANİZE SANAYİ BÖLGELERİYLE İLGİLİ
3.10. Organize Sanayi Bölgelerinin Organları
3.10.3. Organize Sanayi Bölgesi Genel Kurulu
Inaugurado em 1837, o Colégio Pedro II,
representou a primeira iniciativa do Governo Imperial de estabelecer o ensino secundário público, no Município da Corte, bem como de adotar um plano de estudo integral, estruturado em níveis ou séries (VECHIA, 2005: 83)
Fundado com o objetivo de educar a elite intelectual, econômica e religiosa brasileira, foi concebido para ser o centro difusor de ideia educacionais acerca do ensino e também para ser o padrão a ser seguidos pelos colégios de mesmo nível de ensino em todo o país. Para Guimarães (1997),
a sociedade brasileira do século XIX se desenvolve enquanto desenvolve entre outras coisas o conhecimento científico. E este conhecimento se dá como tecnologia para o ensino porque é parte das condições históricas do momento e porque ocupa um lugar institucionalizado.
[...]
A questão do ensino e da língua estão indissoluvelmente ligadas, e a Escola é diretamente ligada ao Estado que, minimamente, regula o modo de funcionamento escolar.
Além disso, o conhecimento e o ensino se fazem necessariamente em uma língua. Não qualquer língua, mas a língua, ou línguas próprias de um país, no nosso caso o Português. (GUIMARÃES, 1997: 13)
O Colégio Pedro II cumpria um papel chave e centralizador do regime educacional brasileiro, pois tinha como tarefa determinar quais seriam os programas de ensino, para difundi-los pelas escolas oficiais brasileiras – que eram poucas, nessa época.
O modelo para isso foram os liceus franceses: os estatutos do colégio eram uma adaptação das disposições que se aplicavam na Franças, e – em muitos casos não passavam de “cópias literais” deles (cf. VECHIA, 2005) .
A preocupação com a distribuição e seleção dos conteúdos a serem ministrados advinha da constatação de que realmente faltava organização, sistematização e, sobretudo, aplicabilidade ao ensino público, o que resultou, muito tempo depois de sua fundação – em janeiro de 1856 –, na aprovação provisória dos primeiros programas de ensino do Colégio Pedro II, organizados pelo Conselho Diretor, os quais representavam um grande progresso para a instrução, não só porque orientavam os estudos de modo analítico, mas também porque trazia a indicação de livros didáticos:
Teria especialmente a seu cuidado: a) o exame dos melhores métodos e sistemas práticos do ensino; b) a designação e revisão dos compêndios; c) a criação de novas cadeiras; d) o sistema e matéria dos exames. Em geral será ouvido sobre todos os assuntos literários que interessem à instrução primária e secundária, cujos melhoramentos e progressos deverá promover e fiscalizar, auxiliando o inspetor geral. (ALMEIDA JR., 1937:15)
Porém, foi somente em 1887 que os olhares dos catedráticos daquele estabelecimento começaram a ser direcionados de forma mais atenta aos programas. Emígdio Victório, então Diretor Geral da Instrução Pública, determinou que todos os professores do Colégio Pedro II debruçassem-se sobre seus planejamentos a fim de organizá-los de acordo com os novos ditames políticos e pedagógicos.
Apesar de ter sido criado em 1837, só se tem registros desses programas a partir de 1850, e ainda de forma irregular . Souza (1999), então, deduz que
a prática de publicar os programas se inaugurou naquele ano [...]. Pode-se supor, assim, que nos treze primeiros anos de existência a organização era incipiente e não havia sido alcançado o status de estabelecimento padrão
do ensino oficial, que justificasse ou mesmo tornasse obrigatória as publicações. (SOUZA, 1999: 157-8)
Fausto Barreto foi o catedrático de português do Colégio Pedro II encarregado de elaborar os programas oficiais de língua portuguesa48. Esses novos programas de Barreto abriram nova fase no ensino da língua, pois seu empreendimento promoveu o aparecimento de novas gramáticas em consonância com as diretrizes pretendidas pelo Governo.
O programa elaborado por ele estabelecia duas provas para os exames preparatórios: uma escrita e outra oral. A escrita consistia em uma “composição” sobre assunto a ser sorteado no momento da prova, a partir de uma lista de pontos organizada diariamente pela comissão julgadora. A prova oral cobrava uma análise “fonética, etimológica e sintáxica” a ser feita sobre um trecho escolhido pela comissão, a partir de uma exposição de um dos pontos apresentados pelo programa, sendo a escolha do ponto também por sorteio. A prova de português precedia a todas as outras.
Segundo Guimarães (1997), à época, Júlio Ribeiro comenta que o programa apresentado se formulava em bases científicas, pois distinguia como partes da gramática a lexicografia e a sintaxe, ou seja, a ortografia não era mais considerada uma parte autônoma da gramática, como o era na gramática geral. Já as observações feitas por Maximino Maciel49 consideravam Fausto Barreto um multiplicador de ideias, pois como catedrático do Colégio Pedro II podia difundir e firmar novas doutrinas; o programa marcou um novo momento no ensino da língua emancipando-a das doutrinas lusitanas.
Foi a partir desse programa que várias gramáticas apareceram – como a de Pacheco Silva e Lameira Andrade –, mudando o ensino de língua naquele momento.
48 Para ver todos os programas do Colégio Pedro II, publicados entre 1850 e 1949, consultar: SOUZA,
Roberto Acízelo de. O império da eloquência. Rio de Janeiro: EdUERJ, EdUFF, 1999.
49 Maximino Maciel nasceu em Sergipe, aos 20 de abril de 1866. Mudou-se para o Rio onde fez o curso de
Direito de 1890 a 1894 e depois o de Medicina de 1896 a 1901. Exerceu a medicina e lecionou no Colégio Militar para o qual foi nomeado catedrático de Português em 1893. Faleceu no Rio de Janeiro em 1923.
Nota-se no ensino do português no Brasil uma mudança de paradigma de conhecimento, e o que levou à mudança foi este novo conhecimento formulado como voz oficial do estado por meio do programa de Fausto Barreto. Ou seja, uma certa posição científica formulada como posição institucional e isto a partir de uma pessoa destacada, vista como liderança intelectual.
O Colégio Pedro II torna-se o modelo a ser seguido, e por isso é visto como “a joia da coroa”. O Imperador D. Pedro II tinha grande admiração pelo Colégio e cuidava para que lá tudo estive bem. Conta Schwarcs (1998) que,
com seu uniforme imponente, a lembrar as cores do Brasil – casaca verde com botões amarelos (que a partir de 26 de dezembro de 1855 traziam em relevo o símbolo “P II” do monarca), chapéu alto de pêlo, a gravata de volta, o boné chato –, o colégio [Pedro II] convertia-se aos poucos na forte imagem do imperador. (SCHWARCS, 1998: 150)
Era um colégio para elite. Needell (1993) lista alguns dos ilustres professores do Colégio50:
Sem dúvida a lista de professores impressiona, incluindo alguns dos maiores nomes das letras, das ciências e da história brasileira do século XIX: barão de Tautphoeus, Sílvio Romero, Capistrano de Abreu, Carlos de Laët, Paulo de Frontin, João Ribeiro, Joaquim Caetano, o barão Homem de Mello, Joaquim Manuel de Macedo, Gonçalves Dias, o barão do Rio Branco e Coelho Neto. Era sob a orientação destes homens que os meninos estudavam, levantando-se para recitar aquilo que haviam pacientemente decorado. (NEEDELL, 1993: 77)
Esses ilustres professores contribuíram com a formação de muitos alunos que se destacaram na vida pública, entre eles: Joaquim Nabuco, Barão de Ramiz Galvão, Visconde de Taunay, Vieira Fazenda, Washington Luis, Rodrigues Alves, Nilo Peçanha,
50 Além dos citados por Needell (1993: 77), incluem-se outros nomes famosos, entre eles: Gonçalves de
Magalhães, Euclides da Cunha, Farias de Brito, Eugênio de Raja Gabaglia, Escragnolle Dória, José Veríssimo, José Oiticica, Álvaro Lins, Waldemiro Postch, Delgado de Carvalho e Pedro Calmon.
Hermes Fonseca, Raul Pederneiras, Jônathas Serrano, Antenor Nascentes, Manuel Bandeira, Vicente Licínio Cardoso, Hebert Moses, José Eduardo Prado Kelly, Filadelfo de Azevedo, Afonso Arinos de Melo Franco, Fernando Segismundo, Pedro Nava, Alceu Amoroso Lima (Tristão de Atayde) e Mário Lago.