ÜÇÜNCÜ BÖLÜM
3.1. ONTOLOJİK BAKIŞTA VARLIK (NICOLAI HARTMANN)
Outros autores também apresentam contribuições envolvendo os modelos mentais. No entanto, conforme aponta MOREIRA (1999), a mais abrangente refere-se à Teoria de Modelos Mentais proposta por JOHNSON- LAIRD (1983).
Para MOREIRA (1996), os modelos mentais dizem respeito a representações internas construídas pelos indivíduos, no intuito de representar estados físicos. Essa representação se dá de forma análoga àquilo que está sendo representado.
Para GRECA e MOREIRA (2002), os modelos mentais dos alunos são determinados pelos conhecimentos gerais que possuem e pela compreensão
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de conceitos fundamentais que funcionariam como núcleos dos modelos mentais. Estes se referem a entidades mais estáveis da estrutura cognitiva e serviriam como ponto de partida para a aquisição de modelos mais elaborados. Sendo assim, os autores salientam que a aprendizagem se dá por meio de sucessivas reformulações dos modelos mentais ou pela construção de novos modelos.
Para GIORDAN (1999), os modelos mentais representam a imagem criada pelo indivíduo na explicação de um fato ou fenômeno, funcionando como uma espécie de filme interno, cujas ideias expressam o estado de coisas e dialogam com a representação que o indivíduo tem sobre a realidade.
De acordo com BORGES (1998), um modelo mental refere-se a um modelo que existe na mente de alguém. Dessa forma, para o autor, pensar envolve tanto a criação quanto a internalização de modelos simplificados para expressar a realidade. Segundo BORGES (1998), os indivíduos constroem, constantemente, modelos mentais das coisas que percebem e, à medida que seus conhecimentos se expandem, as pessoas assimilam e integram os novos conhecimentos à sua estrutura cognitiva, resultando em modelos mentais mais sofisticados em relação aos iniciais.
Para BORGES (1999), a habilidade de um aluno para prever e explicar os fenômenos evolui com a instrução e a experiência na área. O autor acrescenta ainda que:
Modelos iniciais podem vir a ser refinados com o tempo, em maior ou menor grau dependendo do envolvimento e interesse do sujeito por problemas naquele domínio. Por exemplo, quando a pessoa é exposta a uma instrução deliberada, o conhecimento assimilado interage com os modelos existentes para produzir novos modelos. Estes apresentam um vocabulário mais rico e empregam entidades novas para descrever e explicar eventos no domínio em questão. De qualquer forma, para que o indivíduo venha a adquirir modelos próximos dos modelos consensuais é necessário muito tempo e esforço de sua parte (BORGES, 1999, p.25).
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Do ponto de vista da teoria dos modelos mentais, BORGES (1999, p.16) salienta que “aprender implica em construir modelos mentais mais
produtivos para pensar e falar sobre um sistema”. Na ausência de modelos mais
sofisticados, os alunos continuarão a utilizar seus modelos intuitivos para prever e explicar resultados, ou seja, utilizarão o conhecimento do senso comum até mesmo em situações que exigem o uso do conhecimento científico.
Para VOSNIADOU (2002), os modelos mentais são representações análogas que preservam a estrutura das coisas que representam. A autora salienta que a maioria desses modelos são construídos na memória a curto prazo e são utilizados em situações específicas, embora seja possível que alguns modelos mentais fiquem armazenados na memória a longo prazo. Para VOSNIADOU (2002), uma característica importante dos modelos mentais é que eles podem ser explorados no sentido de gerar previsões e explicações acerca de um evento.
De acordo com VOSNIADOU (2002), a mudança conceitual é vista como uma modificação progressiva dos modelos mentais dos alunos em relação ao mundo físico. Para a autora, essa evolução pode ser por meio de enriquecimento, que envolve a adição de informações aos modelos existentes na estrutura cognitiva dos alunos, ou por meio de revisão, que implica mudanças nas crenças do indivíduo ou na estrutura relacional do modelo.
Para GIBIN e FERREIRA (2010), os modelos mentais apresentam um papel central na compreensão de conceitos químicos, uma vez que correspondem à maneira como os indivíduos compreendem os fenômenos químicos. De acordo com esses autores, os modelos mentais são construídos, predominantemente, pela relação entre o nível macroscópico e submicroscópico, uma vez que este consiste em um modelo explicativo da natureza da matéria. Dessa forma, GIBIN e FERREIRA (2010) salientam a importância de iniciar as atividades didáticas por meio da observação ou da manipulação de algo
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concreto, tais como uso de imagens, vídeos ou modelos moleculares, e a partir deles explorar o nível submicroscópico.
Para RAPP (2005) os modelos mentais se referem a organizações conceituais que estão presentes na memória de um indivíduo. Para esse autor, alguns fatores podem facilitar a construção dos modelos mentais pelos alunos, entre eles:
Engajamento cognitivo: Alunos engajados em tarefas são mais propensos a permanecer envolvidos com a tarefa e aproveitá-las de tal forma que consigam extrair o máximo de conhecimento delas;
Interatividade: Se os alunos têm o controle sobre a apresentação das informações, o seu envolvimento será maior, o que contribui para a construção dos modelos mentais;
Aprendizagem multimídia: A utilização de multimídia contribui para o estabelecimento de conexões entre as informações na memória do indivíduo, o que facilita o seu aprendizado.
Para WILLIANS, HOLLAN e STEVENS (1983), os modelos mentais se constituem de objetos autônomos (objeto mental que representa algo) com uma determinada topologia, são “rodáveis” através de inferências qualitativas locais e podem ser decompostos, dando origem a novos modelos mentais.
Para GENTNER e GENTNER (1983), o conceito de modelo mental é semelhante ao de analogia, ou seja, é definido como aquele em que o análogo guarda uma correspondência próxima com aquilo que representa.
Para NORMAN (1983), é por meio da interação com um sistema que as pessoas constroem modelos mentais para explicá-lo. Para ele, tais modelos não precisam ser tecnicamente precisos (e frequentemente não o são), mas sim funcionais. Através da interação com o sistema, a pessoa modificará o seu modelo mental, a fim de se obter um modelo mais viável para explicar o
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fenômeno em questão. NORMAN (1983) elenca algumas características dos modelos mentais.
Os modelos mentais são incompletos;
A habilidade das pessoas em “rodar” seus modelos mentais é muito limitada;
Modelos mentais são instáveis: as pessoas esquecem detalhes do sistema modelado, particularmente quando esses detalhes (ou todo o sistema) não são utilizados por um certo período de tempo;
Modelos mentais não têm fronteiras bem definidas: dispositivos e operações similares são confundidos uns com os outros;
Modelos mentais são “não científicos”: as pessoas mantêm padrões de comportamento “supersticiosos”, mesmo quando sabem que não são necessários (por exemplo, apertar a tecla CLEAR, ou a tecla ENTER, de uma calculadora várias vezes, “só para ter certeza”); os modelos mentais de uma pessoa refletem suas crenças sobre o sistema físico.
Modelos mentais são parcimoniosos: frequentemente, as pessoas optam por operações físicas adicionais, ao invés de um planejamento mental que evitaria tais operações; as pessoas preferem gastar mais energia física em troca de menor complexidade mental.
NORMAN (1983) aponta que os modelos mentais passam por um processo de evolução, ou seja, os alunos tendem a apresentar um modelo mental mais elaborado com o passar do tempo. Para o autor, tais modelos são limitados, em grande parte, pelos conhecimentos e experiências prévias das pessoas. No entanto, os modelos mentais constituem ferramenta de avaliação
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eficiente, pois revelam o pensamento dos alunos acerca de um conceito ou fenômeno.