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A partir dos anos 1960, após a constatação do crescimento da desconfiança da população sobre a abrangência e os benefícios do desenvolvimento tecnológico, especialmente depois da Segunda Grande Guerra, momento no qual a tecnologia foi usada para destruição em massa, Estados Unidos e Reino Unido começaram uma política de investigação da opinião pública destinada a averiguar o entendimento da ciência pelos cidadãos. Esse processo se intensificou quando, para a surpresa do governo estadunidense, a União Soviética lançou o seu primeiro satélite artificial em órbita, o Sputnik. O propósito era investir em educação e popularização de C&T com o

claro objetivo de renovar e reconstruir o apoio e a confiança do público em relação a elas (Castelfranchi e Pitrelli, 2007 apud Castelfranchi et al., 2013:1163).

Nesse contexto, o termo “alfabetização científica” (science literacy)83 ganhou notoriedade. Defendia-se, por um lado, que a ciência fazia parte da bagagem de um conhecimento cultural com o qual todos deveriam estar familiarizados. E, por outro, que o conhecimento da ciência reforçaria o fortalecimento do sistema democrático (Bauer et al., 2007:80). Mas qual o nível mínimo de compreensão sobre ciência que um indivíduo deveria ter para atuar como cidadão e consumidor consciente na sociedade tecnológica?

Um importante teórico do entendimento público sobre C&T nos Estados Unidos, Jon D. Miller, defendeu que a alfabetização da ciência envolvia quatro elementos:

a) conhecimento de fatos básicos da ciência; b) entendimento dos métodos científicos, como, por exemplo, probabilidade e/ou outros; c) apreciação dos resultados positivos da ciência e da tecnologia para a ciência; d) rejeição das crenças supersticiosas como astrologia e numerologia. (Withey, 1959 apud Bauer et al, 2007: 81)

Tais elementos serviram de base para a elaboração dos inquéritos realizados pela fundação americana National Science Fundation (NSF) sobre compreensão pública da ciência que, a partir dos anos 1970, passou a organizar bianualmente uma enquete nacional sobre o conhecimento científico da população. Tal como nos Estados Unidos, o Reino Unido voltou suas atenções para as atividades de divulgação e educação científica. Em 1985, a Royal Society publicou um relatório intitulado The Public Uunderstanding of Science (PUS), que em português passou a ser conhecido como Compreensão Pública da Ciência, também conhecido como Badmer Report, com o intuito de entender e analisar qual a compreensão do público sobre ciência.

Alguns desses itens se tornaram notórios, viajaram o globo e foram usados nas medições dos cidadãos europeus, primeiramente na Inglaterra, em seguida França, Alemanha, Portugal e outros. Essas enquetes públicas nacionais passaram a ser       

83 Optou-se como referência artigos da literatura inglesa que empregam o termo literacy, que pode ser traduzido para o português como "alfabetização" ou como "letramento" (ou ainda como "literacia", no português de Portugal). Cf. Santos, Wildson Luiz Pereira dos, 2007; Almeida, Carla da Silva, 2012.

conhecidas como eurobarômetros, questionários com perguntas fechadas sobre conhecimento científico (Durant et al., 1993).

Os resultados das primeiras enquetes ressaltaram que a população carecia de conhecimentos básicos da ciência e do método científico:

A comunidade científica ficou particularmente preocupada com as diversas concepções errôneas, que incluíam a ideia de que ferver o leite eliminaria a radioatividade (em caso de contaminação). Ficaram horrorizados com a revelação de que um terço do país ainda vivia em tempos pré-copernicanos, acreditando que o Sol gira em torno da Terra. E apenas 11% dos questionados conseguiram explicar o que significa a ideia de estudar um assunto cientificamente (Miller, 2005 apud Almeida, 2012: 30).

Assim, essas pesquisas contribuíram, de forma direta e indireta, para o fortalecimento de uma maneira de se pensar a divulgação e a educação científica, posteriormente chamada de modelo de déficit. De maneira geral, partia-se do pressuposto de que o público não possuía conhecimento científico suficiente para entender a importância da ciência e, por isso, seus potenciais desenvolvimentos e avanços estariam limitados. Para contornar o problema, seria necessário realizar uma ampla divulgação do conhecimento científico, seja pela educação ou pela mídia (Castelfranchi et al., 2013: 1164).

Assim, segundo esse modelo de divulgação, a ciência é autônoma em relação ao resto da sociedade e o público é uma massa homogênea, mero receptor, cujos protagonistas são os cientistas que, utilizando os meios de comunicação, transmitem seus conhecimentos à população de forma “neutra e pura”. Seguindo essa lógica, a linguagem deve ser a mais simples possível, excluindo-se as informações complexas, disputas entre as comunidades científicas e linhas de investigação, entre outras questões.

Após aproximadamente dez anos de investimentos em atividades de divulgação da ciência seguindo o modelo do déficit, novas pesquisas feitas no Reino Unido indicaram que a melhoria na compreensão pública da ciência não se modificou consideravelmente, tampouco as enquetes estadunidenses mostraram diferenças nas expectativas das pessoas sobre o tema de C&T. Ao contrário, como aponta Miller, verificou-se empiricamente que a transmissão linear do conhecimento era pouco eficaz

e não estava, necessariamente, associada a uma maior apreciação pública da ciência (Miller, 2005: 125).

A base criada para esse modelo de divulgação foi estabelecida a partir da aplicação de questionários com itens curtos, cujas respostas poderiam ser verdadeiras, falsas ou desconhecidas. Os níveis de conhecimento científico do público investigado eram classificados na seguinte escala: suficiente (se existisse domínio do vocabulário cientifico e simultaneamente a compreensão da natureza da atividade cientifica); parcial (se existisse domínio apenas de uma das dimensões anteriores) e insuficiente (quando não existia domínio em nenhuma das dimensões anteriores) (Castelfranchi et al., 2013: 1165).

Muitos estudiosos passaram a criticar as orientações gerais propostas pelo questionário afirmando que os itens davam margens a ambiguidades. Além disso, eles não representavam a complexidade que envolve a produção do conhecimento científico. Afirmavam também que, apesar de conterem fundamentos teóricos importantes para os cientistas, muitas questões estavam distantes da realidade da população, que tinha, de maneira geral, pouco acesso às teorias específicas da ciência. Além disso, esses estudiosos alegavam que o questionário apresentava problemas de coerência estatística. Por exemplo, esperava-se que a quantidade de respostas corretas correspondesse ao nível de instrução do entrevistado. Mas, em muitos casos, foi constatado que a relação respostas "erradas" e "corretas" não sofria alterações conforme o nível de instrução e de acesso à informação. Havia, por fim, itens no questionário que pareciam revelar mais interesse na posição política e religiosa dos entrevistados do que em seu conhecimento científico (Castelfranchi et al.., 2013: 1165).

Outra crítica importante à enquete dizia respeito à mensuração das atitudes das pessoas em relação à ciência. Defendia-se, de forma geral, que, conforme o conhecimento da população sobre ciência aumentava, sua relação com ela era mais positiva. Ou seja, as "atitudes positivas" sobre ciência (isto é, a aceitação ou concordância pública com uma série de afirmações sobre os benefícios científicos e a sua importância) seriam linearmente dependentes da variável "conhecimento". Porém, estudos sobre recepção da ciência indicavam, em muitos casos, o oposto, especialmente quando assuntos de ética se misturavam com a ciência – as perguntas sobre uso de

embriões em pesquisas, por exemplo, indicavam respostas difusas sobre o tema, maior desconfiança e ceticismo justamente no público mais esclarecido. A relação causal entre conhecimento sobre ciência e atitude positiva tornou-se um dos pontos polêmicos em torno dos resultados das grandes enquetes internacionais de percepção da C&T84.

Muitos autores passaram a criticar veementemente a maneira de se medir o conhecimento utilizando tais inquéritos, que passaram então a ser reformulados. Os eurobarômetros da ciência foram interrompidos e retornaram em 2001 num formato diferente. Possuíam agora mais questões sobre a informação e o interesse pela ciência, sobre os valores associados a ela e à tecnologia, sobre a responsabilidade dos cientistas, os níveis de confiança, entre outras85. Buscava-se, com esse novo método, ir além da mera consulta pública sobre a compreensão da ciência, estabelecendo a necessidade de diálogo com o público, que tinha a oportunidade de trazer observações, questões e opiniões relevantes para o debate.

A expressão “compromisso público com a ciência e a tecnologia” começou a ser introduzida em detrimento do termo “compreensão pública da ciência”. (Albornoz et al., 2003; Almeida, 2012). Filósofos e historiadores da ciência foram convidados a participar de novas publicações relacionadas à percepção pública da ciência, entre as quais se destaca o relatório de 2000 do Science e Society, que apontou as primeiras mudanças na confiabilidade da população britânica sobre o desenvolvimento de C&T.

A partir de então foi adotado um novo modelo de comunicação preocupado em reconhecer aspectos sociais e psicológicos dos diferentes grupos que acessavam a informação sobre conhecimento científico. O intuito era processar as informações de acordo com esquemas moldados a partir de experiências anteriores, dessa maneira, o contexto social no qual um indivíduo estava inserido passou a ser importante no processo de divulgação da ciência. Os guias específicos sobre ciência para públicos em contextos particulares são exemplos dessa comunicação.

Conhecido como modelo contextual da comunicação pública, tal prática de divulgação científica foi muito criticada por ser apenas uma versão mais sofisticada do       

84 Outro importante exemplo da ausência da relação linear conhecimento e atitude positiva é o caso dos transgênicos. Sobre este tema, cf. Almeida, 2012.

modelo de déficit, pois, apesar de reconhecer que o público não é um mero receptor, ainda investe na transmissão da informação, com a diferença que esse modelo se preocupa em atingir um grupo específico. Outra crítica a esse modelo reside no fato de que ele está mais voltado para atender aos interesses da comunidade científica do que da população. "Em última análise, o modelo contextual se assemelha, em alguns aspectos, às pesquisas de mercado, nas quais as opiniões dos consumidores são recolhidas e consideradas para que se possam desenvolver produtos que atendam melhor às suas necessidades e que, no fim das contas, lhes rendam maior lucro. Tal modelo é assimétrico em essência e, nele, o público segue na posição de receptor relativamente passivo de informações" (Almeida, 2012: 41).

A relação de poder e hierarquia fica bastante evidente nesses modelos de comunicação revelando um enorme verticalização e hierarquização do ato de se comunicar, na medida em que há aquele que fala – o especialista – e o que escuta – o público, sem nenhuma interlocução entre essas duas categorias. Assim, ao ignorar a capacidade intelectual e política de um público não educado científica e tecnologicamente, esse modelo pode ser entendido como uma forma de manter o domínio dos especialistas sobre os não especialistas.

Em oposição a tais modelos de tendência unidirecional surgem modelos dialógicos. O primeiro deles ficou conhecido como modelo do conhecimento leigo, o qual pressupõe que o conhecimento local pode ser tão relevante quanto um conhecimento técnico no processo de solução de um determinado problema. Nesse modelo de comunicação, os conhecimentos não científicos e não técnicos do público, mais do que respeitados e considerados, são valorizados e utilizados no processo de aproximação entre ciência e sociedade. Há, nesse sentido, uma clara proposta de aproximação entre o conhecimento científico e o conhecimento popular. Esse modelo propõe, inclusive, uma problematização do termo leigo. Em estudo sobre divulgação da ciência, Jean-Marc Lévy-Leblond aponta para um erro importante quando se iguala o público a pessoas leigas em assuntos científicos. O autor afirma que é importante reconhecer que todos – cientistas e não cientistas – compartilham de uma certa incompreensão sobre os diferentes ramos da ciência. Segundo ele, “dado o estado presente de especialização científica, a ignorância particular da ciência é tão grande

entre cientistas que trabalham em um domínio quanto entre pessoas leigas” (Lévy- Leblond apud Massarani, 2008: 32).

Outro importante modelo de comunicação é o modelo do engajamento público, o qual pressupõe a participação de representantes da sociedade e não só de especialista nas atividades de divulgação científica em comitês, conferências e júris populares. Esses espaços são exemplos de práticas desse modelo, cuja ideia principal não é só compreender o conteúdo científico, mas promover um entendimento amplo sobre o funcionamento da ciência (Lewenstein, 2003:5). Nesse modelo de comunicação, a relação do público com a ciência está menos baseada na capacidade intelectual do indivíduo de compreender conceitos técnicos e mais calcada em fatores sócio- institucionais associados ao acesso, à confiança e à negociação. Experiências nessa linha de ação começaram a ser implantadas nos anos 1980, especialmente na Dinamarca, quando surgiu um intenso debate sobre o papel da ciência na sociedade. Nesse país, foi criada a primeira conferência de consenso em 1987, o Fonden Teknologirådet (Conselho Dinamarquês de Tecnologia, em tradução livre), cujo objetivo era debater a inserção da biotecnologia na indústria e na agricultura. Desde então, vários países passaram a adotar práticas semelhantes, estabelecendo conferências de consenso, júris populares, grupos focais, science cafés, referendos, entre outros, no intuito de fortalecer a opinião do público para compreender as contribuições da ciência e suas consequências políticas e sociais em determinados temas considerados controversos.

No Brasil, a experiência próxima da proposta de engajamento público ocorreu entre maio de 2005 e maio de 2008, quando a polêmica em torno do processo de liberação das pesquisas com células-tronco de embriões excedentes da fertilização in vitro levou o Supremo Tribunal Federal a organizar uma série de plenárias públicas, que tiveram grande repercussão na mídia impressa e televisiva. Na ocasião, apesar de a maioria dos palestrantes serem cientistas, a incidência de pacientes ouvidos para compreender a importância dessas pesquisas também foi consideravelmente alto86.

Todos os modelos apresentados são ferramentas para aprimorar a comunicação das atividades científicas. Evidentemente que há um distanciamento entre o que se       

espera que seja a comunicação da ciência e as experiências reais de divulgação científica. Mas estudos recentes indicam que o modelo de engajamento público promove efeitos positivos na compreensão da ciência. Muitas pesquisas focais têm indicado que as pessoas em geral são capazes de se aprofundar em temas científicos quando se deparam direta ou indiretamente com temas dessa ordem no cotidiano. Isso é muito comum em casos de pacientes com doenças raras e/ou graves e familiares próximos. As pesquisas indicam que esses indivíduos desenvolvem um “empoderamento” do conhecimento científico a ponto de dialogar e questionar as condutas médicas.

Nos Estados Unidos, Epstein (1995) estudou as principais ações de um grupo de ativistas que lutava, no início dos anos 1990, pelo desenvolvimento de medicamentos para o tratamento da Aids. Esses grupos se organizaram na Aids Coalition to Unleash Power (ACT UP) e, mais do que acompanhar as etapas das pesquisas, eles procuraram participar ativamente do processo. Para tanto, muitas pessoas que participaram desses grupos passaram a adquirir um profundo conhecimento da doença, já que era necessário conhecer o repertório biomédico para atuar nas reuniões e fóruns. E, quando conseguiram se inserir no debate, os grupos passaram a defender outras linhas de investigação.

Casos como esses são emblemáticos da relação do público com a ciência, pois revelam que o engajamento da população com o conhecimento científico ocorreu devido a uma situação que aproximou a população de um determinado tema e que, por sua vez, contribui fortemente na formulação de uma agenda política pública da ciência. É importante analisar com ressalvas a atuação desses referendos e fóruns de consenso. Alguns críticos afirmam, por exemplo, que esses espaços podem ser palco de interesses de grupos distintos, mas, para além da questão da influência nas decisões políticas, esses fóruns contribuem para o fortalecimento do debate público e estimulam a população a discutir questões relevantes no campo da ciência.

Dentre os modelos de comunicação pública apresentados aqui, o mais criticado pela literatura científica que reflete sobre divulgação científica é o modelo de déficit. Ironicamente, é o mais usado pela televisão brasileira quando se trata de realizar comunicação para ciência. Ainda é comum ver, tanto nos telejornais diários, como em

programas especializados, cientistas afirmando que as teorias apresentadas são as soluções mais racionais e corretas para um problema. E por que isso ainda ocorre? Segundo Almeida (2012: 48), é ainda difícil para uma instituição científica e para seus membros dialogarem de igual para igual com pessoas que não entendem muito de suas áreas de especialidade, de forma que se cria, em muitos casos, uma hierarquização baseada no nível de conhecimento.

Em artigo sobre divulgação científica e relações de poder, Graça Caldas (2010: 36-37), aponta que o modelo de déficit ainda é adotado devido à falta de clareza do jornalista, que não compreende adequadamente o tema que pretende abordar, prejudicando, e muito, a aproximação com o cientista. Este, por sua vez, não tem muita clareza sobre o modus operandi da mídia. Assim, como as culturas são distintas e, de certa maneira, ambos os profissionais desconhecem as peculiaridades relacionadas ao trabalho de um e de outro, há uma certa idealização, por parte dos cientistas da precisão do texto que será publicado, já por parte do jornalista, há uma certa credulidade ingênua sobre a fala do especialista.

Devido às inúmeras interferências no processo comunicacional, assuntos da área de C&T chegam até o receptor com muitos ruídos. O resultado disso é a reprodução de um discurso científico com características neutras, imparciais e consensuais, perpetuando as relações de poder e hierarquia entre aqueles que detêm o conhecimento – os especialistas – e aqueles que recebem esse saber – o público.

Assim, para reverter o modelo de déficit, Caldas defende que cientistas e jornalistas precisam conhecer as limitações das estruturas operantes de suas respectivas áreas de conhecimento. Também defende que é imprescindível ater-se a algumas questões no momento de elaborar notícias sobre C&T, entre as quais “de que forma o público é pensado – se é que é pensado – no processo de enunciação do conhecimento especializado e como esse reconhecimento é reelaborado pelo jornalista” (Caldas, 2010: 36). Ela considera, por fim, ser necessário ao jornalista levar ao público o contraditório, as relações de poder e interesses, legítimos ou não, que envolvem todo o processo de divulgação científica. Se bem colocadas no mundo do jornalismo, as matérias sobre os temas de C&T poderão dar condições à população para compreender que a ciência não tem uma verdade, tampouco pode ser considerada neutra, já que está culturalmente

vinculada a diferentes contextos sociais, históricos e políticos, contribuindo assim para a alfabetização científica do público em geral.

Outro autor que faz duras críticas ao modelo do déficit é Barros (2005: 78). Para ele, o modo monológico e hierárquico de se divulgar ciência no Brasil precisa ser revisitado. Além disso, o autor defende que os diferentes valores culturais presentes na sociedade precisam ser considerados no processo comunicacional. Segundo Barros, a divulgação de caráter doutrinário, desenvolvida em outros países teve resultados catastróficos, pois, como já vimos, não respeita o primeiro elemento, essencial, que é a questão cultural. O autor questiona se as comunidades constroem sua identidade dentro de um ambiente cultural, com valores próprios, por que então ignorar esses valores e substituí-los. Não seria mais interessante incorporá-los no processo de enunciação do conhecimento sobre um determinado tema? Outro autor que reforça a visão de Barros e Almeida é Carlos Vogt (2006). Para ele, reduzir a comunicação da ciência à mera transferência de conhecimento mais do que uma ilusão, produz o efeito contrário do esperado na proposta da divulgação – aproximar, compartilhar e estimular.

Na sua avaliação, tão ou mais importante do que o domínio de conteúdos por parte da sociedade é a melhor compreensão sobre as condições históricas, sociais e culturais da produção do conhecimento científico. Assim, a divulgação poderia contribuir para a formação crítica da sociedade nas questões de ciência e para a participação mais ativa dos cidadãos nas decisões sobre o seu rumo (Vogt, 2006).

Veremos a seguir como os principais programas especializados em divulgação científica no Brasil, bem como alguns telejornais, discutiram e apresentaram a ciência ao público telespectador.

Benzer Belgeler