3.3. Verilerin Toplanması 38
3.3.2. Kendi kendine öğrenme becerileri ölçeği 38
Ciência e tecnologia só aparecem no Roda Viva quando já virou notícia. Por exemplo, quando há uma descoberta importante, procuramos chamar um especialista para comentar ou quando há campanhas nacionais de mobilização, tal como câncer.
Paulo Markun
De fato, temas de C&T não são muito abordados no programa. Isso ocorre, geralmente, porque assuntos de ciência são difíceis de serem compreendidos. Temos que ter cuidado e chamar alguém bom dessa área.
Augusto Nunes
Não temos muito temas de C&T no Roda, porque é muito difícil falar de ciência na televisão. Ali a informação passa, e se o telespectador não tiver entendido, ele não pode voltar. Nos jornais não, [o leitor] pode ir e vir no texto.
Rodolpho Gamberini
Eu lembro da entrevista com Oliver Sacks, do Marcelo Gleiser. Elas tiveram grande sucesso, com muitas perguntas dos telespectadores. Acho que isso aconteceu porque eles falam com uma linguagem simples temas de ciência, sempre tão complexos e distantes do
telespectador.
Matinas Suzuki
Falar sobre C&T e outros temas acadêmicos não faz sentido num programa como o Roda. Ali é – ou era – o espaço para se discutir temas relevantes para a sociedade. Quando o Manuel Castells foi ao programa, ficou muito chato, porque todos ali queriam defender sua tese.
Heródoto Barbeiro82
82 Os trechos acima foram retirados das entrevistas concedidas à pesquisadora entre agosto de 2013 e junho de 2015. A pergunta feita aos entrevistados foi: “Os temas de ciência e tecnologia aparecem no
As falas de alguns dos principais apresentadores do Roda Viva sobre ciência e tecnologia dão algumas pistas interessantes a respeito da natureza da cobertura e a importância desses temas no principal talk show de entrevistas e debates da TV Cultura. Para alguns apresentadores, a temática é complexa e de difícil entendimento, para outros o assunto tem menor peso no leque das pautas relativa à agenda nacional. Porém, quando a temática de Ciência & Tecnologia (C&T) é apresentada no programa, parte-se do pressuposto de que os cientistas são os experts do conhecimento e o público é composto por leigos e ignorantes. Segundo essa lógica, o telespectador é visto como uma entidade homogênea com inúmeras falhas sobre fatos científicos e tecnológicos e que precisa ver e ouvir os especialistas da área científica, detentores, por princípio, do conhecimento e da verdade. O resultado explícito dessa forma de fazer divulgação da ciência é a banalização no processo de informar o público sobre um determinado conhecimento científico. Além do mais, a ciência se apresenta como isenta de controvérsia, como uma verdade universal. Ao mesmo tempo, deixa-se de discutir que a pressão social e política tem peso importante nos resultados científicos, ou seja, deixa- se de divulgar e analisar os interesses que estão por trás da disseminação ou não de uma tecnologia.
Neste capítulo, buscou-se demonstrar que esse modelo de comunicação não é só frequente no Roda Viva, mas também em outros programas de televisão no Brasil e, até mesmo, nas notícias de telejornais, causando impactos negativos na compreensão pública sobre ciência e tecnologia no país.
Estudos recentes têm apontado que os meios de comunicação, e, em especial a televisão, desempenham um papel importante na compreensão do público sobre os novos desenvolvimentos na ciência e tecnologia (Siqueira, 1999: 69). No Brasil, por exemplo, enquete realizada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e pelo Museu da Vida/Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, em parceria com a Academia Brasileira de
Roda Viva?” Todos responderam que a temática de C&T era inexpressiva se comparada a outros temas, tais como segurança e política, por exemplo. Em seguida, foi perguntado aos apresentadores se era importante falar sobre C&T, em caso positivo que entrevistas dessa área eles se lembravam. Paulo Markun, por exemplo, afirmou que gostou de fazer a entrevista com Robert Gallo, infectologista americano que descobriu o funcionamento do vírus HIV; Augusto Nunes citou a entrevista com Niède Guidon. Afirmou, inclusive, que a audiência subiu durante o programa, tal era o interesse do telespectador no assunto. Os apresentadores Rodolpho Gamberini e Heródoto Barbeiro afirmaram que o Roda Viva não deveria tratar de ciência. Para eles, o programa tem a função de tratar da agenda política nacional e de assuntos relacionados aos problemas sociais – ciência entraria nos debates por essa clivagem.
Ciências, apontou que 62% e 44% dos entrevistados usam, respectivamente, a TV e os jornais diários como fontes de informações sobre C&T (Amorim, Massarani, 2008: 21). Apesar de muitas discussões acerca da função educativa do jornalismo, reconhece-se a importância social da profissão de tornar públicas as informações. Porém, apenas a informação não é capaz de gerar compreensão e conscientização do público se princípios básicos da notícia não forem considerados. Para informar com qualidade, é necessário situar o leitor no contexto, no espaço e no tempo, na relação do fato com esferas sociais, políticas, econômicas e culturais e, principalmente, aproximá-lo das atividades daqueles sujeitos, para que haja reflexões e debates a fim de que se forme um senso crítico no público. Por saber que os meios de comunicação têm “função primordial no acesso aos acontecimentos pelas pessoas, é necessário que esses cumpram suas funções informativas, educativas, sócio-histórico-culturais e político-ideológicas” (Bueno, 1984 apud Alberguinini, 2007:18).
Até início do século XX, os historiadores da ciência, de forma geral, não estavam interessados em se ocupar dos fenômenos sociais e culturais que constituíam o processo de formação do conhecimento científico. Ao mesmo tempo, os filósofos da ciência defendiam que a estrutura lógica das teorias científicas não necessitava de uma análise histórica dos sujeitos que as elaboraram. A ciência era o modelo por excelência do conhecimento verdadeiro, uma atividade despojada de todo e qualquer elemento irracional e subjetivo. Os procedimentos de validação das propostas científicas deveriam conduzir à verdade e à objetividade. (Gavroglu, 2007: 208). Mas, em meados dos anos 1930, começaram a surgir críticas à perspectiva positivista e continuísta desse modelo e, aos poucos, a imagem de uma ciência repousada sobre fundamentos seguros e inquestionáveis começou a ser abalada.
Ocorre, no entanto que essa visão de ciência baseada no racionalismo e na imparcialidade da ação do cientista ainda predomina na percepção da população em geral. Em pesquisa sobre opinião pública e atividade científica, Vogt e Polino (2003) constataram que a ideia de uma ciência racional e empirista ainda predomina no imaginário social. Da parte do jornalismo televisivo, a ciência é vista como um tema complexo, logo, é necessário dar voz ao especialista, deixá-lo explicar os fenômenos, não havendo, nesse sentido, questionamento do seu saber. As combinações desses pensamentos, ao invés de promover maior entendimento sobre ciência, corroboram para
a manutenção de uma visão bastante simplista e superficial sobre o saber científico, contribuindo, e muito, para sensacionalismo e mitificação.
Objetiva-se, neste capítulo, analisar quando e como a ciência foi convidada a integrar a centro das discussões do Roda Viva – se estava articulada à produção acadêmica dos grandes centros científicos; se estava vinculada aos interesses do governo do Estado de São Paulo ou se dialogava com uma agenda pública e política nacional. O perfil acadêmico e político das figuras convidadas a integrar o corpus de debatedores também foi analisado no intuito de identificar, a partir do conteúdo dessas entrevistas, que visões da atividade científica o programa defendeu e divulgou. Buscou- se promover a análise quantitativa dos temas de C&T a partir da análise das entrevistas. Antes, porém, há um breve histórico dos principais modelos de comunicação pública da ciência e tecnologia destacando as motivações, pontos fortes e desafios associados a essas diferentes abordagens. Assim, tomando-se como referência autores da área dos estudos sociais da C&T, buscou-se rever e analisar duas grandes tendências: a unidirecional, baseada na comunicação de via única, na qual o cientista informa a sociedade, e a dialógica, que pressupõe diálogos no processo comunicacional, bem como seus respectivos modelos – déficit, contextual, conhecimento leigo e participação ou engajamento público. O objetivo foi discutir quais modelos de comunicação pública a televisão brasileira, particularmente a TV Cultura, adotou em relação à divulgação de C&T.